No dia 8 de abril de 2021, a Anvisa autorizou o quinto ensaio clínico de vacina contra a COVID-19 no Brasil, abrindo caminho para que a candidata da parceria canadense-britânica Medicago/GSK seja testada em 3,5 mil voluntários brasileiros. A tecnologia em questão é singular: utiliza plantas de tabaco selvagem para produzir partículas que imitam o coronavírus, convocando o organismo humano a aprender a reconhecer um inimigo que nunca chegou de verdade. Neste momento da pandemia, cada novo ensaio autorizado representa não apenas ciência em movimento, mas a busca coletiva por saídas de uma crise
Anvisa autoriza testes da vacina Medicago/GSK contra COVID-19 em 3,5 mil brasileiros
Perfil de segurança aceitável não significa seguro — significa sem bandeiras vermelhas
Por que o Brasil precisa fazer esses testes? A vacina não já foi testada em outros lugares?
Sim, mas a fase 2/3 é global por design. Você precisa de dados de segurança e eficácia em populações diferentes — genética, saúde prévia, ambiente. O Brasil é um mercado grande e diverso, então faz sentido incluir brasileiros.
Certo, mas a Anvisa só viu dados preliminares de fases 1 e 2. Não sabemos ainda se essa vacina vai funcionar melhor ou pior que as outras quatro já em teste aqui.
Entendi. E essa história de usar tabaco selvagem para fazer a vacina — é seguro?
A tecnologia CoVLP não é nova. O que fazem é injetar genes nas folhas, as células produzem proteínas que imitam o vírus. Não há tabaco na vacina final, só as proteínas. A Anvisa analisou isso tudo.
Verdade, mas vale notar que o financiamento vem parcialmente da Philip Morris. Não há conflito de interesse óbvio, mas é um detalhe que merece estar na conversa.
Quando começam os testes aqui?
Não há data. A Anvisa autorizou, mas o recrutamento ainda não começou.
E 3,5 mil voluntários é muito? Pouco?
Para uma fase 2/3 no Brasil, é um número significativo. Globalmente são 30 mil, então o Brasil fica com cerca de 12% do total.
E se der errado? Se a vacina não funcionar?
Então os dados vão para a Medicago e a GSK, e elas decidem se continuam ou não. Não há garantia de aprovação.
O importante é que há cinco candidatas sendo testadas simultaneamente. Se uma não der certo, há outras na fila.
Le Pouls
- A corrida por vacinas no Brasil ganha mais um competidor: a Medicago/GSK recebe autorização para iniciar testes em fase 2/3, a última etapa antes de um eventual pedido de aprovação.
- A tecnologia CoVLP é incomum — plantas de tabaco selvagem são usadas como biorreatores para produzir proteínas que enganam o sistema imunológico, treinando-o contra o coronavírus.
- O ensaio será randomizado e controlado por placebo, com 3,5 mil brasileiros participando de um estudo global que pretende recrutar até 30 mil voluntários em vários países.
- A Anvisa baseou sua decisão em dados laboratoriais e clínicos preliminares que apontaram um perfil de segurança aceitável — sinal verde para avançar, não garantia de aprovação.
- O Brasil se torna o quinto palco simultâneo de testes de vacinas COVID-19, após Oxford/AstraZeneca, Sinovac, Pfizer/BioNTech e Janssen — mas a data de início dos testes locais ainda não foi confirmada.
No dia 8 de abril de 2021, a Anvisa autorizou o quinto ensaio clínico de vacina contra a COVID-19 no Brasil, abrindo caminho para que a candidata da parceria canadense-britânica Medicago/GSK seja testada em 3,5 mil voluntários brasileiros. A tecnologia em questão é singular: utiliza plantas de tabaco selvagem para produzir partículas que imitam o coronavírus, convocando o organismo humano a aprender a reconhecer um inimigo que nunca chegou de verdade. Neste momento da pandemia, cada novo ensaio autorizado representa não apenas ciência em movimento, mas a busca coletiva por saídas de uma crise que ainda não encontrou seu fim.
Na quinta-feira, 8 de abril de 2021, a Anvisa autorizou o quinto ensaio clínico de vacina contra a COVID-19 no Brasil. A candidata é fruto de uma parceria entre a biofarmacêutica canadense Medicago e a britânica GlaxoSmithKline, e será testada em 3,5 mil voluntários brasileiros na fase 2/3 — a etapa final antes de qualquer pedido de aprovação regulatória.
O estudo seguirá o modelo padrão de rigor científico: randomizado e controlado por placebo, com participantes adultos a partir de 18 anos. Ninguém saberá quem recebeu a vacina de verdade até o encerramento do ensaio. Globalmente, a pesquisa pretende reunir até 30 mil voluntários no Canadá, Estados Unidos, América Latina, Reino Unido e Europa. O Brasil entra agora na reta final desse processo, embora ainda não haja data confirmada para o início dos testes no país.
O que torna esta vacina peculiar é sua tecnologia. A Medicago/GSK trabalha com partículas semelhantes ao coronavírus — chamadas CoVLP — produzidas a partir de folhas de Nicotiana benthamiana, o tabaco selvagem. Genes selecionados são injetados nas plantas, e as células vegetais produzem proteínas que imitam o vírus. A formulação inclui ainda um adjuvante para potencializar a resposta imunológica e é aplicada em duas doses com intervalo de 21 dias. O desenvolvimento conta com financiamento parcial da Philip Morris.
A decisão da Anvisa foi fundamentada em dados de estudos laboratoriais, testes em animais e resultados preliminares dos ensaios clínicos já em andamento em outros países. O perfil de segurança observado até o momento não levantou alertas que impedissem o avanço. Com essa autorização, o Brasil passa a conduzir simultaneamente cinco ensaios de vacinas contra COVID-19 — um retrato da amplitude do esforço científico global para encerrar a pandemia.
A Anvisa abriu as portas para mais um capítulo na corrida brasileira contra a COVID-19. Na quinta-feira, 8 de abril, a agência reguladora autorizou o quinto ensaio clínico de vacina contra o novo coronavírus no país — desta vez, a candidata vem de uma parceria entre a biofarmacêutica canadense Medicago e a gigante britânica GlaxoSmithKline. O Brasil receberá 3,5 mil voluntários para a fase final de testes, aquela que precisa acontecer antes de qualquer pedido de aprovação.
Este não é um estudo pequeno. A pesquisa de fase 2/3 será randomizada, com alguns participantes recebendo placebo enquanto outros recebem a vacina de verdade — ninguém saberá quem recebeu o quê até o final. O objetivo é medir segurança, eficácia e a capacidade do imunizante de gerar resposta imunológica em adultos com 18 anos ou mais. Globalmente, o ensaio planeja recrutar até 30 mil voluntários espalhados pelo Canadá, Estados Unidos, América Latina, Reino Unido e Europa. A fase 1 e 2 já estão em andamento em outros países; o Brasil entra agora na reta final. Não há, porém, uma data confirmada para quando os testes começarão por aqui.
A tecnologia por trás desta vacina é peculiar. Em vez de usar o vírus inteiro ou fragmentos dele, a Medicago/GSK trabalha com partículas que parecem coronavírus — chamadas CoVLP. Para criar essas partículas, os pesquisadores usam uma planta chamada Nicotiana benthamiana, conhecida como tabaco selvagem. Eles injetam genes selecionados nas folhas, e as células vegetais fazem o trabalho: produzem proteínas que imitam o coronavírus. A vacina carrega também um adjuvante — uma substância que potencializa a resposta imunológica — e é administrada em duas doses com 21 dias de intervalo. O desenvolvimento recebe financiamento parcial da Philip Morris, a fabricante de cigarros.
A Anvisa, em nota oficial, explicou que sua decisão se baseou em análise rigorosa. Os reguladores examinaram dados de estudos não clínicos feitos em laboratório e em animais, além de dados preliminares dos testes clínicos já em andamento. O que viram até agora? Um perfil de segurança aceitável. Isso não significa que a vacina é segura — significa que os sinais de segurança observados até este ponto não levantaram bandeiras vermelhas que impedissem o avanço para a próxima fase.
Esta aprovação coloca a Medicago/GSK em uma fila que já estava formada. O Brasil já autorizou quatro outros ensaios clínicos de vacinas contra COVID-19. Em junho de 2020, veio a Covishield, desenvolvida pela Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca. Julho trouxe duas: a CoronaVac, da farmacêutica chinesa Sinovac com o Instituto Butantan, e a vacina da Pfizer com a BioNTech. Em agosto, a Janssen-Cilag, braço farmacêutico da Johnson & Johnson, recebeu sua autorização. Agora, com a Medicago/GSK, são cinco candidatas sendo testadas simultaneamente no país.
O que vem a seguir é o trabalho de recrutamento e execução. Os pesquisadores precisarão encontrar e acompanhar 3,5 mil brasileiros dispostos a participar de um ensaio que pode durar meses. Cada voluntário será monitorado para qualquer reação adversa, qualquer sinal de que a vacina não está funcionando como esperado. Os dados serão coletados, analisados, comparados com os do grupo placebo. Se tudo correr bem — se a segurança se mantiver aceitável e a eficácia for demonstrada — esses números podem eventualmente sustentar um pedido de aprovação regulatória. Mas por enquanto, a data de início permanece em aberto.
Citations marquantes
Os resultados obtidos até o momento demonstraram um perfil de segurança aceitável das vacinas candidatas— Anvisa