Anvisa alerta sobre riscos de canetas emagrecedoras e investiga seis mortes por pancreatite

Seis mortes suspeitas por pancreatite investigadas no Brasil e 19 óbitos associados no Reino Unido; mais de 200 notificações de problemas pancreáticos graves.
Qualquer uso fora dessas indicações é contraindicado por falta de evidências
A Anvisa reforça que canetas emagrecedoras só devem ser usadas para obesidade e diabetes, com prescrição e acompanhamento médico.
Mark

Por que a Anvisa está emitindo esse alerta agora, se esses medicamentos já estão no mercado há anos?

Mimi

Porque o padrão de uso mudou. Essas canetas foram aprovadas para diabetes e obesidade clínica, mas viraram sinônimo de emagrecimento rápido. Pessoas sem indicação médica estão usando, farmácias estão manipulando versões caseiras, e agora estamos vendo pancreatite grave em números que não víamos antes.

Mark

Seis mortes é muito ou pouco?

Mimi

É o suficiente para investigar. Mas o número que realmente importa é os duzentos casos de pancreatite. Isso sugere que o problema é muito maior do que as mortes confirmadas. Muitas pessoas podem estar tendo inflamação pancreática sem saber que foi o medicamento.

Mark

Se a pancreatite já estava na bula, por que as pessoas não sabiam do risco?

Mimi

Porque ninguém lê bula. E porque quando você compra uma caneta em uma farmácia de manipulação ou por WhatsApp, não vem bula nenhuma. Vem uma seringa, um preço baixo, e a promessa de perder peso rápido.

Mark

O que diferencia um uso seguro de um uso perigoso?

Mimi

Prescrição e supervisão. Um médico que acompanha você, que monitora seu pâncreas, que sabe seu histórico. Quando você usa sozinho, para fins estéticos, sem ninguém observando, você não sabe se está desenvolvendo pancreatite até estar muito doente.

Mark

E os produtos falsificados? Eles são piores?

Mimi

Muito piores. Você não sabe o que está injetando. Pode ser diluído, contaminado, ou nem ser o medicamento que você pensa que é. A Anvisa está apreendendo marcas inteiras que não têm registro nenhum.

Mark

O que as pessoas deveriam fazer agora?

Mimi

Se estão usando uma dessas canetas sem prescrição, deveriam parar. Se estão usando com prescrição, deveriam conversar com o médico sobre qualquer sintoma estranho no abdômen. E se estão pensando em começar, deveriam procurar um médico de verdade, não uma farmácia.

  • Seis mortes suspeitas por pancreatite e mais de 200 notificações graves colocam o Brasil diante de uma crise silenciosa ligada ao uso descontrolado de canetas emagrecedoras.
  • No Reino Unido, 19 óbitos associados a esses medicamentos — incluindo casos de inflamação necrosante fatal — elevam o tom de urgência internacional sobre o tema.
  • Produtos falsificados, versões manipuladas sem registro e canetas de origem desconhecida circulam livremente, ampliando os riscos para quem já usa esses medicamentos sem prescrição.
  • A Anvisa reforça apreensões e proibições, mas enfrenta um mercado informal robusto onde milhares de brasileiros apostam que o risco é baixo demais para importar.
  • A orientação é direta: quem suspeitar de pancreatite durante o uso deve interromper o tratamento imediatamente e não retomá-lo se o diagnóstico for confirmado.

Em um tempo em que a busca pela transformação do corpo se tornou mais urgente do que a prudência, a Anvisa emite um alerta que nos convida a refletir sobre os limites entre o desejo e o cuidado: canetas injetáveis para emagrecimento e diabetes, usadas sem supervisão médica, estão sendo investigadas em conexão com seis mortes suspeitas e mais de duzentas notificações de pancreatite grave no Brasil. O que começa como uma promessa de leveza pode terminar em falência de órgãos — e a agência tenta, com urgência crescente, recolocar a ciência no centro de decisões que muitos têm tomado sozinhos, em farmácias de manipulação ou canais informais.

A Anvisa divulgou nesta segunda-feira um alerta sobre o uso descontrolado de canetas injetáveis com semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida — medicamentos aprovados para obesidade e diabetes que vêm sendo usados por muitos brasileiros sem prescrição médica, em busca de emagrecimento rápido ou por razões puramente estéticas.

Os números que motivaram o comunicado são sérios: seis mortes suspeitas por pancreatite estão sendo investigadas no país, com casos distribuídos entre Ozempic, Saxenda e Mounjaro, segundo o painel Vigimed. Mais de duzentas notificações de problemas pancreáticos graves também foram registradas. A agência ressalva que a menção a um produto não prova causalidade — especialmente porque pacientes que usam esses tratamentos já apresentam risco elevado de pancreatite por outras condições. As investigações podem levar meses ou anos para chegar a conclusões definitivas.

No Reino Unido, o cenário é igualmente preocupante: 19 mortes foram associadas ao uso dessas canetas, classificadas como raras mas graves, incluindo casos de inflamação necrosante e fatal. A pancreatite, quando severa, pode evoluir para falência de múltiplos órgãos — e qualquer suspeita durante o uso deve levar à interrupção imediata do tratamento.

O problema se agrava com a circulação de produtos falsificados e versões manipuladas sem garantia de segurança. A Anvisa já havia proibido versões manipuladas de Ozempic e Wegovy em agosto, alertado sobre canetas de farmácias em dezembro e, no mês passado, determinou a apreensão de canetas das marcas Synedica e TG, além de todas as versões de Retatrutida, por ausência de registro oficial. O retrato que emerge é o de uma agência tentando conter um fenômeno que, em muitos aspectos, já escapou ao controle.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária divulgou nesta segunda-feira um comunicado que coloca em foco um problema crescente: o uso descontrolado de canetas injetáveis para emagrecimento e controle de diabetes. O alerta chega em meio a uma onda de notificações sobre inflamação pancreática grave associada a esses medicamentos, alguns dos quais estão sendo usados fora de suas indicações aprovadas e sem qualquer supervisão médica.

Os números são preocupantes. O Brasil está investigando seis mortes suspeitas causadas por pancreatite em pessoas que usavam essas canetas. Além disso, mais de duzentas notificações de problemas no pâncreas foram registradas durante o uso desses medicamentos. Esses casos ainda estão sob análise e podem levar meses ou até anos para que se chegue a conclusões definitivas sobre a relação entre o medicamento e a morte ou doença. A Anvisa ressalva que mencionar um nome comercial não prova automaticamente que o produto causou o dano, especialmente porque os pacientes que usam esses tratamentos já apresentam risco aumentado de pancreatite por outras razões.

O alerta abrange medicamentos que contêm substâncias ativas como semaglutida, liraglutida, tirzepatida e dulaglutida. Embora a pancreatite já conste nas bulas como possível reação adversa, a agência observa que houve um aumento recente e significativo no número de notificações. O Reino Unido registrou dezenove mortes associadas ao uso dessas canetas, classificadas como raras mas graves, incluindo casos que evoluíram para inflamação necrosante e fatal.

A questão central do alerta é simples mas crítica: essas canetas são autorizadas para tratar obesidade e diabetes, com algumas exceções específicas já aprovadas. Qualquer uso fora dessas indicações é contraindicado porque não há evidências de segurança e eficácia. O risco aumenta dramaticamente quando as pessoas usam esses medicamentos para emagrecimento rápido ou por razões puramente estéticas, sem que haja uma indicação clínica real. Muitos brasileiros têm adquirido essas canetas em farmácias de manipulação ou através de canais informais, acreditando que estão apenas acelerando a perda de peso.

A pancreatite é uma inflamação do pâncreas que causa dor intensa e náuseas. Nos casos mais severos, a inflamação pode levar à falência de múltiplos órgãos e à morte. A orientação da Anvisa é clara: qualquer pessoa que suspeite estar desenvolvendo pancreatite enquanto usa essas canetas deve interromper o tratamento imediatamente e não retomá-lo se o diagnóstico for confirmado.

Os dados do painel Vigimed mostram a distribuição das mortes suspeitas: dois casos associados ao Ozempic, três à Saxenda e um ao Mounjaro. A Anvisa também alertou para a possibilidade de produtos falsificados circularem entre as notificações, o que amplia ainda mais o risco para quem os utiliza. Este não é o primeiro aviso da agência. Em agosto, ela proibiu a fabricação e venda de versões manipuladas de Ozempic e Wegovy. Em dezembro, divulgou um comunicado sobre os perigos das canetas produzidas em farmácias, que não possuem garantia de segurança ou eficácia. No mês passado, a Anvisa determinou a apreensão de canetas das marcas Synedica e TG, além de todas as marcas de Retatrutida, por serem produtos sem registro oficial e de origem desconhecida.

O cenário que emerge é o de uma agência de vigilância tentando conter um problema que já saiu do controle em muitos aspectos. Enquanto investigações prosseguem e produtos falsificados continuam circulando, milhares de brasileiros seguem usando essas canetas sem prescrição ou acompanhamento, apostando que o risco é baixo demais para se preocupar.

O uso deve ocorrer apenas com prescrição e supervisão profissional
— Anvisa
A pancreatite pode evoluir para falência de órgãos e morte em quadros severos
— Anvisa
Fale Conosco FAQ