No Brasil, onde o câncer colorretal figura entre os três tumores mais incidentes, uma pesquisa revela que a geração mais jovem é também a mais desinformada sobre os meios de preveni-lo: 85% dos brasileiros entre 16 e 24 anos nunca ouviram falar do exame capaz de detectar a doença antes dos primeiros sintomas. A morte da cantora Preta Gil, em 2025, após longa batalha contra a mesma enfermidade, ilumina o custo humano desse silêncio coletivo. Saber reconhecer o perigo e saber como antecipá-lo são saberes distintos — e é justamente essa lacuna que a ciência e a medicina tentam, agora, fechar.
85% dos jovens desconhecem exame que detecta câncer colorretal antes dos sintomas
Reconhecer o sinal é o primeiro passo, mas procurar ajuda sem demora é o que garante a vantagem
Por que 85% dos jovens não conhecem esse exame se ele é tão importante?
Porque ninguém fala sobre isso com eles. O câncer colorretal não é assunto de conversa casual, não aparece em redes sociais, não é dramatizado como outros cânceres. Os jovens só descobrem quando alguém próximo adoece.
Mas a pesquisa mostra que 80% reconhecem os sintomas. Como isso é possível?
Reconhecer sangue nas fezes como algo grave é instintivo. Qualquer pessoa sabe que isso não é normal. O problema é que reconhecer não é o mesmo que agir. Muitos veem o sintoma e esperam passar, tomam chá, mudam a alimentação.
E por que 40% das pessoas que notaram sangue não procuraram médico?
Medo, vergonha, negação. Alguns acham que é só hemorroida. Outros têm medo do que vão descobrir. E há quem simplesmente não tenha acesso fácil a um médico ou não saiba por onde começar.
A diferença entre ricos e pobres é gritante — 86% contra 43% procuram ajuda imediata.
Sim. Quem tem dinheiro tem médico de confiança, consegue marcar consulta rápido, não perde dia de trabalho. Quem não tem fica esperando, porque ir ao posto de saúde é complicado, demora, e depois tem que faltar ao trabalho.
Então o exame PSO poderia salvar vidas se mais gente soubesse?
Exatamente. Detecta a doença antes dos sintomas aparecerem. Mas ninguém sabe que existe. É como ter a chave e ninguém saber onde fica a porta.
El Pulso
- 85% dos jovens brasileiros de 16 a 24 anos nunca ouviram falar da Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes, o maior índice de desconhecimento entre todas as faixas etárias do país.
- O paradoxo é perturbador: oito em cada dez brasileiros reconhecem sinais graves da doença, mas dois em cada três jamais ouviram falar do exame que pode detectá-la antes que esses sinais apareçam.
- Quando o sintoma surge na vida real, 40% das pessoas não buscam atendimento imediato — alguns esperam o problema passar, outros recorrem a remédios caseiros ou pesquisam na internet antes de procurar um médico.
- Especialistas recomendam exames preventivos a partir dos 45 anos e alertam que o diagnóstico precoce é o fator decisivo para aumentar as chances de cura, tornando o tempo o recurso mais valioso contra a doença.
No Brasil, onde o câncer colorretal figura entre os três tumores mais incidentes, uma pesquisa revela que a geração mais jovem é também a mais desinformada sobre os meios de preveni-lo: 85% dos brasileiros entre 16 e 24 anos nunca ouviram falar do exame capaz de detectar a doença antes dos primeiros sintomas. A morte da cantora Preta Gil, em 2025, após longa batalha contra a mesma enfermidade, ilumina o custo humano desse silêncio coletivo. Saber reconhecer o perigo e saber como antecipá-lo são saberes distintos — e é justamente essa lacuna que a ciência e a medicina tentam, agora, fechar.
A morte da cantora Preta Gil, em 2025, após dois anos e meio de tratamento intenso contra câncer colorretal, reacendeu no Brasil a atenção para uma doença que avança em silêncio. Uma pesquisa inédita do hospital A.C.Camargo Cancer Center com a Nexus, ouvindo mais de dois mil pessoas em todo o país, revelou o tamanho do problema: entre jovens de 16 a 24 anos, 85% nunca ouviram falar do exame preventivo capaz de detectar a doença antes dos primeiros sintomas. É o maior índice de desconhecimento registrado em qualquer faixa etária.
O exame em questão é a Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes, o PSO. Dois em cada três brasileiros nunca ouviram falar dele, e apenas 11% já o realizaram. O desconhecimento é ainda mais acentuado entre homens jovens e entre pessoas com menor escolaridade. A exceção aparece entre quem conviveu diretamente com a doença: nesse grupo, o desconhecimento cai para 56%.
O paradoxo central da pesquisa está na distância entre reconhecer e agir. Oito em cada dez brasileiros identificam como grave a presença de sangue nas fezes ou mudanças persistentes no funcionamento intestinal. Mas, entre os 9% que já vivenciaram esse sintoma na vida real, 40% não buscaram atendimento imediato — parte esperou o problema passar, parte recorreu a remédios caseiros, e alguns pesquisaram na internet antes de procurar um médico.
Especialistas do A.C.Camargo recomendam exames preventivos a partir dos 45 anos, ou antes, dependendo do histórico familiar. O Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais, reforça que o diagnóstico precoce está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas. A mensagem é direta: reconhecer o sinal é o primeiro passo, mas conhecer as ferramentas de prevenção e agir sem demora é o que transforma o tempo em aliado.
A cantora Preta Gil morreu há um ano, após dois anos e meio de tratamento intenso contra câncer colorretal. Sua morte marcou o país e trouxe à tona uma doença que mata silenciosamente: entre os brasileiros mais jovens, aqueles com idade entre 16 e 24 anos, oito em cada dez nunca ouviram falar do exame capaz de detectá-la antes mesmo dos primeiros sinais. É o maior índice de desconhecimento registrado em qualquer faixa etária.
Esse número vem de uma pesquisa inédita realizada pelo hospital A.C.Camargo Cancêr Center e pela Nexus, que entrevistou mais de dois mil pessoas em todo o país. O levantamento expõe um paradoxo perturbador: enquanto a maioria dos brasileiros consegue reconhecer os sinais da doença, uma parcela significativa não conhece as ferramentas para preveni-la — ou demora perigosamente para agir quando algo errado aparece. O câncer colorretal não é raro por aqui. O Instituto Nacional de Câncer estimou 53.810 novos casos por ano no Brasil para o período de 2026 a 2028, colocando a doença entre os três tumores mais incidentes no país, atrás apenas do câncer de pele não melanoma.
O exame que a maioria desconhece chama-se Pesquisa de Sangue Oculto nas Fezes, ou PSO. Seu nome pode soar estranho, mas sua função é clara: identificar sinais do câncer colorretal antes do aparecimento de sintomas evidentes. Dois em cada três brasileiros nunca ouviram falar dele. Apenas 11% já o realizaram. Entre os jovens de 16 a 24 anos, o desconhecimento sobe para 85%. O número é ainda mais alto entre homens jovens, onde atinge 76%, e entre pessoas que estudaram apenas até o ensino fundamental, onde chega a 72%. Há uma exceção importante: entre quem teve ou conhece alguém que teve a doença, o desconhecimento cai para 56%, mostrando que o contato direto com o câncer aumenta a familiaridade com as formas de rastreá-lo.
Mas quando o assunto muda para reconhecer os sintomas, a história é outra. Oito em cada dez pessoas conseguem identificar como grave a presença de sangue nas fezes ou a mudança no funcionamento intestinal por mais de um mês — dois dos principais sinais da doença. Desse grupo, 42% classificam esses sinais como muito grave. E esse conhecimento não vem de experiência pessoal: apenas 21% dos entrevistados conhecem alguém que já teve câncer colorretal, enquanto 75% dizem nunca ter tido contato com pacientes desse tipo de câncer. O reconhecimento existe mesmo entre quem nunca viu a doença de perto.
O problema real emerge quando se observa a distância entre reconhecer o risco e agir diante dele. Na pesquisa, 9% dos entrevistados afirmaram já ter notado sangue nas fezes na vida real. Desse grupo, 59% procuraram atendimento médico imediatamente. Mas 40% não tiveram essa reação. Entre quem demorou a agir, os números revelam uma cascata de inação: 19% não fizeram nada e esperaram o sintoma passar, 10% aguardaram dias ou semanas antes de procurar um médico, 7% recorreram a remédios caseiros ou mudanças na alimentação, 3% foram à farmácia por conta própria e 1% pesquisou na internet antes de buscar orientação profissional. A busca imediata por diagnóstico varia conforme o perfil: é maior entre quem tem melhores condições financeiras, onde atinge 86%, pessoas acima dos 60 anos, com 72%, e moradores do Sudeste, também com 72%. As mulheres procuram ajuda imediata mais do que os homens, 63% contra 54%. Já entre moradores do Norte e Centro-Oeste, 43% apenas esperaram o sintoma passar.
Os especialistas do A.C.Camargo reforçam a importância de não ignorar sinais como sangramento, alteração no ritmo intestinal, dor abdominal persistente e perda de peso sem causa aparente. Recomendam fazer exames preventivos a partir dos 45 anos — ou antes, conforme orientação médica e histórico familiar. O Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo, afirma que o diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, reforçando o papel de exames simples como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia na detecção da doença ainda em estágio inicial. O recado é simples: reconhecer o sinal é o primeiro passo, mas conhecer as ferramentas de prevenção e procurar ajuda médica sem demora é o que garante a maior vantagem contra a doença — o tempo.
Citas Notables
O diagnóstico precoce do câncer colorretal está diretamente ligado a taxas de cura mais elevadas, o que reforça o papel de exames simples como a pesquisa de sangue oculto nas fezes e a colonoscopia na detecção da doença ainda em estágio inicial— Dr. Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo