Zanidatamabe melhora sobrevida em câncer gástrico HER2-positivo avançado

Pacientes com câncer gastroesofágico avançado HER2-positivo enfrentam prognóstico desafiador com sobrevida mediana anterior de 20 meses, beneficiando-se potencialmente desta nova abordagem terapêutica.
Sete meses a mais de vida, mas diarreia em oito de cada dez pacientes
O ganho em sobrevida global com zanidatamabe e tislelizumabe versus trastuzumabe padrão, equilibrado contra seu perfil de toxicidade mais exigente.
Mark

Por que zanidatamabe funciona melhor que trastuzumabe se ambos visam o mesmo receptor?

Mimi

Porque zanidatamabe consegue agarrar dois pontos diferentes do HER2 simultaneamente. É como ter duas mãos em vez de uma — mais estável, mais difícil para a célula cancerosa escapar.

Mark

Mas se funciona melhor em progressão, por que o ganho em sobrevida global é menor quando usado sem imunoterapia?

Mimi

Essa é a pergunta que os editores também fizeram. Pode ser que apenas trocar o anticorpo não seja suficiente — talvez a imunoterapia seja essencial para converter progressão mais lenta em morte mais tardia.

Mark

A diarreia em 80% dos pacientes é um problema real para a prática clínica?

Mimi

Absolutamente. Não é apenas incômodo — é grau 3 em um quarto dos pacientes. Significa internações, desidratação, qualidade de vida comprometida. Os oncologistas precisarão de protocolos de prevenção e manejo muito bem estruturados.

Mark

O estudo foi feito antes do pembrolizumabe virar padrão. Isso invalida os resultados?

Mimi

Não invalida, mas complica a interpretação. Agora o padrão é trastuzumabe com quimioterapia mais pembrolizumabe para certos pacientes. Zanidatamabe com tislelizumabe é uma alternativa, mas não sabemos se é melhor que essa combinação tripla em todos os subgrupos.

Mark

Então o que um oncologista faz com essa informação hoje?

Mimi

Provavelmente aguarda as próximas análises de sobrevida global e pensa em zanidatamabe com tislelizumabe como opção para pacientes que podem tolerar mais toxicidade e que se beneficiam de respostas mais duráveis. Para aqueles com baixa inflamação, a resposta ainda é incerta.

  • Zanidatamabe alcançou sobrevida livre de progressão de 12,4 meses versus 8,1 meses com trastuzumabe (redução de 37% no risco de progressão)
  • Sobrevida global atingiu 26,4 meses com zanidatamabe/tislelizumabe versus 19,2 meses com trastuzumabe (ganho de 7 meses)
  • Diarreia ocorreu em aproximadamente 80% dos pacientes com zanidatamabe, grau 3+ em 20-24,8%, versus 12,9% com trastuzumabe
  • Estudo HERIZON-GEA-01 envolveu 914 pacientes em 225 centros distribuídos por 33 países
  • Eventos adversos grau 3+ ocorreram em 73,8% a 83,3% dos pacientes nos braços com zanidatamabe

Zanidatamabe, anticorpo biespecífico anti-HER2, alcançou SLP mediana de 12,4 meses versus 8,1 meses com trastuzumabe padrão. Sobrevida global atingiu 26,4 meses com zanidatamabe/tislelizumabe contra 19,2 meses com trastuzumabe, representando avanço significativo.

Estudo HERIZON-GEA-01 demonstra que zanidatamabe com tislelizumabe e quimioterapia prolonga sobrevida livre de progressão em 37% comparado a trastuzumabe em câncer gastroesofágico HER2-positivo avançado.

Por mais de uma década, o tratamento padrão para pacientes com câncer avançado do estômago, junção esofagogástrica ou esôfago que expressam o receptor HER2 tem sido a combinação de trastuzumabe com quimioterapia, às vezes acompanhada de pembrolizumabe dependendo de marcadores inflamatórios. Apesar desses avanços, a realidade clínica permanece sombria: a sobrevida global mediana fica em torno de 20 meses. Essa cifra, repetida ano após ano, sinalizava aos oncologistas que algo mais era necessário.

Em maio de 2026, o New England Journal of Medicine publicou os resultados do HERIZON-GEA-01, um estudo que testava se uma molécula chamada zanidatamabe poderia fazer melhor. Diferentemente do trastuzumabe, que se liga a um único ponto do receptor HER2, o zanidatamabe é um anticorpo biespecífico capaz de agarrar simultaneamente dois locais distintos da mesma proteína, uma estratégia teórica que prometia maior eficácia. O estudo foi conduzido em 225 centros espalhados por 33 países, envolvendo 914 pacientes com doença irressecável ou metastática que nunca haviam recebido tratamento sistêmico anterior. Os participantes foram divididos em três grupos: zanidatamabe com tislelizumabe (um inibidor de PD-1) e quimioterapia; zanidatamabe apenas com quimioterapia; ou o tratamento padrão com trastuzumabe e quimioterapia.

Os números revelaram um ganho claro em sobrevida livre de progressão, o tempo até a doença piorar. Ambos os braços contendo zanidatamabe atingiram uma mediana de 12,4 meses sem progressão, comparado a 8,1 meses no grupo controle — uma redução de 35% a 37% no risco de piora ou morte. As taxas de resposta objetiva foram altas em todos os grupos, variando entre 65,7% e 70,7%, mas as respostas completas e a duração das respostas foram mais frequentes com zanidatamabe. Quando se olhou para sobrevida global, o quadro ficou mais nuançado. O grupo que recebeu zanidatamabe com tislelizumabe alcançou 26,4 meses de sobrevida mediana contra 19,2 meses com trastuzumabe — uma diferença de sete meses que atingiu significância estatística. Porém, o grupo que recebeu zanidatamabe sem o imunoterápico apresentou 24,4 meses, uma melhora numérica que não cruzou o limiar estatístico pré-especificado.

O preço dessa eficácia foi um perfil de toxicidade mais exigente. Eventos adversos grau 3 ou superior ocorreram em 83,3% dos pacientes no braço com zanidatamabe e tislelizumabe, 73,8% naqueles que receberam zanidatamabe sozinho, e 74,5% no grupo controle. A diarreia emergiu como o principal efeito colateral associado ao zanidatamabe, afetando aproximadamente 80% dos pacientes em qualquer grau e 20% a 24,8% em grau 3 ou superior — comparado a 12,9% no braço com trastuzumabe. Reações infusionais também foram mais frequentes, embora geralmente controláveis com manejo adequado.

Os editores que analisaram o estudo levantaram questões importantes sobre sua interpretação. Primeiro, notaram uma possível inconsistência na forma como eventos adversos fatais foram relatados: a tabela apresentava incidências de 9,5%, 8,2% e 7,3% para os três braços, enquanto o texto descrevia apenas 2,4%, 0,3% e 1,3% de eventos fatais relacionados ao tratamento. Essa discrepância sugere que a tabela incluía todos os óbitos, independentemente de causalidade, enquanto o texto se referia apenas aos diretamente atribuíveis ao medicamento — uma distinção que não estava claramente sinalizada. Segundo, o estudo foi desenhado antes do pembrolizumabe se tornar padrão para pacientes HER2-positivos com alta expressão de PD-L1, deixando em aberto se o benefício observado se mantém em populações com baixa inflamação. Terceiro, a ausência de ganho estatisticamente significativo em sobrevida global para zanidatamabe sem imunoterapia levanta a questão de se simplesmente trocar o anticorpo anti-HER2 é suficiente, ou se a combinação com imunoterapia é essencial.

O que fica claro é que zanidatamabe com tislelizumabe representa um avanço real para pacientes com câncer gastroesofágico HER2-positivo avançado, estendendo a sobrevida mediana em sete meses e oferecendo respostas mais duráveis. Mas a diarreia frequente e os eventos adversos mais comuns exigirão estratégias de manejo cuidadoso. Análises futuras de sobrevida global, já planejadas, deverão esclarecer se o benefício se sustenta e em quais subgrupos de pacientes essa nova abordagem oferece o maior ganho.

A sobrevida global mediana permanecia ao redor de 20 meses com o tratamento padrão anterior, reforçando a necessidade de estratégias mais eficazes
— Contexto do estudo HERIZON-GEA-01
A ausência de benefício estatisticamente significativo em sobrevida global para zanidatamabe sem imunoterapia pode sugerir que substituir apenas o anticorpo anti-HER2 talvez não seja suficiente
— Análise editorial do estudo
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