Veterinário propõe extinção da CLT e botox gratuito em campanha presidencial polêmica

A gente precisa matar o Getúlio Vargas, ou enterrar
Grassi justifica a extinção da CLT criticando o legado trabalhista deixado pelo ex-presidente.
Mark

Como um veterinário chega a propor a extinção da CLT em uma campanha presidencial? Isso não é uma posição extrema demais?

Mimi

Para Grassi, não é extremismo, é lógica econômica. Ele acredita sinceramente que os encargos trabalhistas são o que mantém os salários baixos. Ele quer "matar" a cultura de proteção do trabalhador que Getúlio Vargas deixou.

Luke

Mas espera — ele não oferece nenhuma evidência de que remover a CLT elevaria salários. É uma afirmação, não uma análise. E a economia de R$ 300 bilhões que ele menciona com parlamentares? Ele somou números de reportagens, não fez um estudo fiscal real.

Mark

E quanto ao Bolsa Família? Tirar o direito de voto de quem recebe assistência social é democrático?

Mimi

Grassi vê isso como uma solução para o que chama de manipulação eleitoral. Na visão dele, a esquerda mantém pessoas pobres dependentes para ganhar votos. É uma teoria sobre política, não sobre economia.

Luke

É uma teoria que não tem base em dados. E é profundamente antidemocrática — condicionar direitos políticos a renda é exatamente o oposto do que democracias fazem. Mas o ponto é: ele está dizendo isso abertamente, sem esconder.

Mark

O "Meu Botox, Minha Vida" parece quase uma brincadeira. Como ele financia isso?

Mimi

Ele propõe financiar com impostos sobre cosméticos ou cortando gastos com campanhas eleitorais. Para ele, é autoestima, é saúde mental das mulheres pobres.

Luke

Mas não há nenhuma pesquisa citada sobre demanda, custo real, ou impacto. É uma ideia que soa bem em uma frase, mas não tem estrutura por trás. E ele admite que não coloca essas coisas no programa oficial porque o partido não deixaria.

Mark

Então ele está escondendo suas verdadeiras propostas?

Mimi

Ele diz que está sendo honesto ao falar delas à imprensa, deixando o eleitor decidir. Ele não está mentindo, está sendo transparente sobre o que pensa, mesmo que polêmico.

Luke

Verdade. Ele não está enganando ninguém. Mas há uma diferença entre ser polêmico e ter propostas que carecem completamente de fundamentação técnica ou fiscal. O patrimônio dele também é declarado de forma muito vaga — R$ 50 milhões sem detalhes, e ele diz que tem 50 empresas mas não especifica nenhuma.

  • Grassi propõe extinguir a CLT e a Justiça do Trabalho, argumentando que os encargos trabalhistas suprimem salários — uma tese que inverte a narrativa protetora que fundou a legislação há oito décadas.
  • A ideia de pagar R$ 1 milhão mensais a cada parlamentar em troca do fim das emendas provoca reação imediata, mas o candidato insiste que a conta fecha: estima economia de R$ 300 bilhões ao ano ao eliminar o que chama de 'sequestro' do orçamento público.
  • A proposta de retirar o direito de voto de beneficiários do Bolsa Família ampliado para R$ 2 mil expõe a tensão mais profunda da candidatura — a fronteira entre provocação retórica e proposta institucional concreta.
  • Várias de suas ideias mais polêmicas, incluindo o 'Meu Botox, Minha Vida', foram deliberadamente omitidas do programa oficial para não desagradar a legenda, revelando a contradição entre o discurso de coragem política e os cálculos de sobrevivência eleitoral.
  • Com patrimônio declarado de R$ 50 milhões registrado como item único e um histórico de derrotas e registro indeferido, Grassi posiciona sua candidatura como um exercício de verdade, não de vitória.

Em cada ciclo eleitoral, surgem candidaturas que funcionam menos como projetos de poder e mais como espelhos das insatisfações acumuladas de uma sociedade. Wilson Grassi Junior, veterinário paulista de 56 anos filiado ao Democrata, apresenta-se à corrida presidencial de 2026 com propostas que oscilam entre a provocação calculada e a heterodoxia sincera — da extinção da CLT ao botox gratuito para mulheres pobres. Sua candidatura levanta, antes de qualquer julgamento sobre viabilidade, uma pergunta mais antiga: o que uma democracia faz com as ideias que seus próprios proponentes admitem não ousar colocar no programa oficial?

Wilson Grassi Junior, veterinário de 56 anos filiado ao Democrata, entrou na disputa presidencial de 2026 com um conjunto de propostas que ele mesmo classifica como polêmicas — e que, em parte, preferiu não incluir no programa oficial por temer a reação do partido. Acompanhado pela vice Suêd Haidar, fundadora da legenda, Grassi afirma ter procurado o partido por iniciativa própria, pedido inicialmente uma vaga ao Senado e depois convencido a direção de que seria um presidenciável viável.

Sua proposta mais estrutural é a extinção da CLT e da Justiça do Trabalho. O argumento é que os encargos trabalhistas comprimem salários, e que eliminar o legado de Getúlio Vargas libertaria tanto empregadores quanto empregados. Junto a isso, defende substituir nove tributos federais por um imposto único de 2% sobre movimentações bancárias, tornando, segundo ele, a sonegação menos vantajosa do que o pagamento.

No campo parlamentar, propõe elevar o salário de cada deputado e senador para R$ 1 milhão mensal, em troca do fim das emendas e da obrigação de que os próprios parlamentares arquem com despesas hoje cobertas por verba pública. Grassi estima que a medida geraria economia de R$ 300 bilhões anuais, descrevendo o sistema atual como um 'sequestro' do Brasil por interesses legislativos.

Entre as propostas que ficaram fora do programa oficial está o 'Meu Botox, Minha Vida' — aplicação gratuita de toxina botulínica a mulheres de baixa renda, financiada por imposto sobre cosméticos ou corte no fundo eleitoral. Também controversa é a proposta de ampliar o Bolsa Família para R$ 2 mil com a contrapartida de suspensão do direito de voto dos beneficiários, justificada por uma leitura que associa pobreza a preferências eleitorais de esquerda.

Grassi declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 50 milhões em item único, sem detalhar imóveis ou empresas, alegando privacidade. Com derrotas anteriores em 2006, 2022 e 2024, e registro indeferido em uma das tentativas, ele afirma que sua 'necessidade de ganhar é zero' — e que sua obrigação é apenas dizer a verdade.

Wilson Grassi Junior, veterinário de 56 anos filiado ao Democrata, entrou na corrida presidencial de 2026 carregando um conjunto de propostas que ele próprio reconhece como polêmicas. O que o distingue, segundo sua própria narrativa, é ser simultaneamente um "protetor de animais" e um candidato disposto a defender ideias que, diz, a maioria dos políticos evita por medo de desagradar suas legendas. Grassi concorre pela primeira vez à Presidência, acompanhado pela vice Suêd Haidar, fundadora do partido Democrata. Ele afirma que não foi exatamente convidado, mas que procurou a legenda, pediu inicialmente para ser candidato a senador e depois convenceu a gestão de que seria um bom presidenciável.

Entre suas propostas mais radicais está a extinção da CLT e da Justiça do Trabalho. Grassi argumenta que essa medida removeria encargos trabalhistas e, consequentemente, elevaria os salários dos trabalhadores. Ele critica o legado de Getúlio Vargas, dizendo que é preciso "matar" ou "enterrar" a cultura que o ex-presidente deixou, na qual o empregado é tratado como "um coitadinho". Paralelamente, propõe substituir nove tributos federais por um imposto único de 2% sobre movimentações bancárias, medida que, segundo ele, tornaria mais vantajoso para as empresas pagar impostos do que sonegar.

Outra proposta central é elevar o salário de cada parlamentar para R$ 1 milhão por mês. Em troca, defende o fim das emendas parlamentares e a obrigação de que os próprios parlamentares banquem despesas hoje cobertas por verba pública, como assessoria, carro e plano de saúde. Grassi calcula que essa medida geraria economia de cerca de R$ 300 bilhões ao ano, número que diz ter obtido somando o que chama de emendas públicas e "emendas secretas" a partir de reportagens de imprensa. Ele descreve essa situação como um "sequestro" do Brasil por interesses de deputados e senadores.

Uma das propostas mais inusitadas é batizada por ele de "Meu Botox, Minha Vida": oferecer aplicação gratuita de toxina botulínica a mulheres de baixa renda. Segundo Grassi, o projeto trata de autoestima e seria financiado com parte do imposto arrecadado sobre cosméticos ou com corte no financiamento público de campanhas eleitorais. Essa proposta não consta em seu programa de governo oficial, assim como várias outras que ele considera polêmicas. Grassi atribui essa omissão ao receio de desagradar a legenda, dizendo que "senão o partido não ia nem deixar eu ser candidato".

Outra medida controversa é o aumento do valor do Bolsa Família para R$ 2 mil, com a contrapartida de que beneficiários percam o direito de votar. Grassi justifica essa posição com uma análise que associa pobreza a preferências eleitorais de esquerda e riqueza a preferências de direita, argumentando que a esquerda quer "se eternizar no poder mantendo as pessoas pobres". Sobre mineração em terras indígenas, que consta em seu plano de governo, defende abrir debate sobre regime legal para a atividade. Ele argumenta que o garimpo ilegal já ocorre nesses locais sem fiscalização e que regulamentar permitiria controle e arrecadação.

Grassi declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 50 milhões, registrado como item único, sem detalhamento de imóveis ou empresas específicas. Quando perguntado sobre essa declaração pouco detalhada, respondeu que está dentro da lei, que possui diversos imóveis e cerca de 50 empresas, e que preferiu não especificá-los por questões de privacidade. Ele afirma que sua "necessidade de ganhar a eleição é zero" e que tem "obrigação de falar a verdade", deixando a critério da imprensa e do eleitor a decisão sobre se merece confiança.

Esta é a primeira vez que Grassi concorre à Presidência. Anteriormente, foi derrotado como candidato a deputado estadual em São Paulo em 2006 pelo PFL, como candidato a vereador na capital paulista em 2024 pelo PRTB, e em 2022 teve seu registro de candidatura a deputado federal indeferido pela Justiça Eleitoral por "ausência de requisito de registro". Sua filiação ao Democrata ocorreu este ano.

Eu tenho muita proposta polêmica, mas que eu tenho certeza que vai melhorar o Brasil
— Wilson Grassi Junior, em entrevista à Folha
A minha necessidade de ganhar a eleição é zero. Eu tenho obrigação de falar a verdade
— Wilson Grassi Junior
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