Perez foi atingido na nuca durante operação de trânsito enquanto fazia entregas pela DoorDash; médicos não conseguiram extrair a bala por estar perto da medula espinal. Sua advogada contesta versão do DHS, afirmando que Perez é requerente de asilo com autorização de permanência temporária, sem antecedentes criminais.
Venezuelano baleado pelo ICE aguarda deportação com projétil no corpo
Ainda tenho a bala no corpo
Como é que um agente do ICE dispara sobre alguém durante uma operação de trânsito de rotina?
Perez diz que estava procurando um local seguro para estacionar. Os agentes bateram no carro duas vezes e depois dispararam. Ele foi atingido na nuca.
Mas o DHS não explicou o que viu ou o que sentiu que justificasse o disparo. Temos apenas a versão de Perez e a confirmação de que ele foi baleado.
E o projétil ainda está no corpo dele?
Sim. Os médicos disseram que não conseguem removê-lo porque está muito perto da medula espinal. Ele está com dores constantes.
Isso é medicamente confirmado ou é o que Perez relata? Precisamos saber se um médico independente verificou isso.
Qual é o status migratório real dele?
Aí está o conflito. O DHS diz que ele estava ilegalmente no país com uma ordem de deportação. A advogada dele diz que é requerente de asilo com autorização temporária.
Esses dois status podem coexistir de formas complicadas. Mas a questão é: isso justificaria um disparo?
As organizações venezuelanas estão pedindo o quê, exatamente?
Uma investigação independente, divulgação das câmaras corporais, e que o secretário de Estado Marco Rubio intervenha publicamente.
Eles consideram a resposta do DHS insuficiente, mas o DHS já anunciou uma investigação com o FBI. Não sabemos ainda o que essa investigação vai revelar.
Isso é parte de um padrão maior?
Sim. Estamos em um período de operações migratórias intensificadas sob Trump. O ICE fez mais de 50 mil detenções por mês em julho e agosto. Pelo menos quatro pessoas morreram em disparos de agentes federais este ano.
Esses números são do ICE ou de organizações de defesa? Precisamos saber a fonte desses dados.
Der Puls
- Wilber Garces Perez, imigrante venezuelano, foi baleado na nuca pelo ICE em Austin, Texas, no domingo
- O projétil permanece no corpo de Perez, próximo à medula espinal, causando dores constantes
- Perez estava fazendo entregas pela DoorDash quando foi abordado durante operação de trânsito
- ICE registrou mais de 50 mil detenções mensais em julho e agosto de 2026
- Pelo menos quatro pessoas morreram em disparos de agentes federais durante operações migratórias em 2026
Perez foi atingido na nuca durante operação de trânsito enquanto fazia entregas pela DoorDash; médicos não conseguiram extrair a bala por estar perto da medula espinal. Sua advogada contesta versão do DHS, afirmando que Perez é requerente de asilo com autorização de permanência temporária, sem antecedentes criminais.
Wilber Garces Perez, imigrante venezuelano, foi baleado pelo ICE em Austin no domingo e permanece detido com a bala no corpo, aguardando deportação. Organizações de exilados denunciam o incidente como perseguição à comunidade venezuelana.
Wilber Garces Perez estava fazendo entregas de comida pela plataforma DoorDash em Austin, Texas, quando agentes do ICE o abordaram durante uma operação de trânsito no domingo. O que começou como uma fiscalização terminou com um disparo que o atingiu na nuca, deixando-o ferido e, dias depois, ainda carregando o projétil no corpo.
Pelez descreveu o momento em uma coletiva de imprensa realizada pela sua advogada, Kate Lincoln-Goldfinch, na segunda-feira. Ele havia feito uma manobra de retorno quando os agentes começaram a persegui-lo. "Eu estava à procura de um local seguro para estacionar o meu carro. Foi então que bateram no meu carro duas vezes e dispararam", relatou o jovem venezuelano por telefone a partir do centro de detenção de Pearsall, no Texas, para onde foi transferido após receber atendimento hospitalar. O impacto fraturou sua clavícula. Quando chegou ao hospital, os médicos descobriram que não podiam remover o projétil porque ele estava posicionado muito perto da medula espinal. "Sinto muitas dores", disse Perez, explicando que só recebeu um analgésico de madrugada antes de ser levado para a detenção.
O Departamento de Segurança Interna anunciou que Perez estava em custódia federal aguardando deportação, descrevendo seu estado como "estável". Porém, a advogada Lincoln-Goldfinch forneceu detalhes que complicam essa narrativa. Ela afirmou que Perez dormiu no chão do centro de detenção e contestou a caracterização do DHS sobre seu status migratório. De acordo com sua defesa, Perez é um requerente de asilo que entrou nos Estados Unidos através de um programa de autorização de permanência temporária e não possui antecedentes criminais. O DHS, por sua vez, afirmou que ele estava ilegalmente no país e tinha uma ordem definitiva de deportação, mas não explicou o que justificou o disparo.
O incidente desencadeou uma resposta rápida de organizações de exilados venezuelanos. A Associação Multicultural de Ativistas Voz e Expressão (Amavex) e a organização Venezuelanos Perseguidos Políticos no Exílio (Veppex), com sede na Flórida, emitiram um comunicado rejeitando "veementemente" o que chamaram de perseguição. "A aplicação das leis migratórias não concede licença para disparar, humilhar, manter incomunicável ou colocar em risco a vida de uma pessoa", afirmaram os grupos. Eles consideraram insuficiente a resposta do DHS, que anunciou uma investigação conduzida por sua unidade de Investigação de Segurança Interna com apoio do FBI. As organizações pediram ao secretário de Estado Marco Rubio que interviesse publicamente em defesa dos direitos dos venezuelanos e solicitasse esclarecimentos sobre as condições de detenção de Perez.
O caso ocorre em um momento de intensificação das operações de fiscalização migratória durante o segundo mandato de Donald Trump. O ICE registrou mais de 50 mil detenções mensais em julho e agosto. Segundo dados citados pelas organizações de exilados, pelo menos quatro pessoas morreram este ano em consequência de disparos efetuados por agentes federais durante operações de imigração. Congressistas e grupos de defesa dos direitos dos imigrantes exigem uma investigação "independente, transparente e imparcial", bem como a divulgação das gravações das câmaras corporais dos agentes, comunicações operacionais e outras provas. Perez permanece detido em Pearsall, com o projétil ainda alojado próximo à sua medula espinal, aguardando o resultado dessa investigação e sua deportação.
Bemerkenswerte Zitate
Fiz o retorno e foi aí que começaram a perseguir-me, como se eu fosse fugir. Mas eu estava à procura de um local seguro para estacionar o meu carro. Foi então que bateram no meu carro duas vezes e dispararam.— Wilber Garces Perez
A aplicação das leis migratórias não concede licença para disparar, humilhar, manter incomunicável ou colocar em risco a vida de uma pessoa.— Amavex e Veppex, organizações de exilados venezuelanos