Martha usou pulmão de aço por 73 anos, adaptando-se para dirigir, pintar e viver independentemente apesar da paralisia causada pela poliomielite. A poliomielite foi eliminada nos EUA em 1979 graças à vacinação em massa, mas autoridades de saúde agora sugerem tornar a vacina opcional.
Última paciente americana com pulmão de aço morre aos 78 anos
Tínhamos a situação sob controle aqui e, agora, há todas essas pessoas que não estão vacinando seus filhos.
Por que a história de Martha importa agora, neste momento específico?
Porque ela é a última testemunha viva de uma doença que quase desapareceu. Sua morte marca o fim de uma era — mas também o começo de uma preocupação. Quando ela contraiu poliomielite, em 1954, a vacina estava a um ano de chegar. Se tivesse nascido um ano depois, talvez nada disso acontecesse.
Mas ela viveu uma vida plena, certo? Dirigia, pintava, tinha relacionamentos.
Sim, mas isso foi apesar da máquina, não graças a ela. Sua família construiu adaptações engenhosas. Seu tio e avó criaram um mecanismo para ela abrir o pulmão de aço sozinha. Não era a máquina que a libertava — era a determinação dela e da família em recusar que a máquina a definisse.
E agora há pessoas sugerindo que a vacina deveria ser opcional?
Exatamente. Kirk Milhoan, do CDC, disse que vivemos em uma época diferente, com melhor saneamento. Mas a poliomielite não desapareceu do mundo. Ela está em alguns países ainda. E se a cobertura vacinal cair...
Cindy McVey está com medo de quê, especificamente?
De que as pessoas esqueçam. De que uma geração inteira nunca viu o que a poliomielite faz — as deformações, a paralisia, a prisão dentro do próprio corpo. Martha viveu 73 anos com isso. Cindy viu cada dia disso. Para ela, sugerir que a vacina seja opcional é sugerir que as pessoas corram um risco que ela sabe, intimamente, ser catastrófico.
Martha contraiu a doença um ano antes da vacina estar disponível?
Um ano. Sua irmã tinha uma amiga que testou a vacina naquele mesmo ano. "Foi por muito pouco", ela diz. Isso persegue você — a proximidade do que poderia ter sido diferente.
O Pulso
- Martha Lillard usou pulmão de aço por 73 anos, de meados dos anos 1950 até sua morte em 26 de junho aos 78 anos
- A poliomielite foi eliminada nos EUA em 1979 graças à vacinação em massa, mas autoridades de saúde agora sugerem tornar a vacina opcional
- Uma em cada 200 infecções por poliomielite resulta em paralisia irreversível; 5-10% dos paralisados morrem quando a musculatura respiratória é afetada
- Martha contraiu poliomielite um ano antes da vacina estar disponível em 1955
Martha usou pulmão de aço por 73 anos, adaptando-se para dirigir, pintar e viver independentemente apesar da paralisia causada pela poliomielite. A poliomielite foi eliminada nos EUA em 1979 graças à vacinação em massa, mas autoridades de saúde agora sugerem tornar a vacina opcional.
Martha Lillard, última paciente dos EUA a usar pulmão de aço para poliomielite, faleceu aos 78 anos após viver 73 anos com o equipamento. Sua história ressalta preocupações sobre hesitação vacinal crescente nos EUA.
Martha Lillard morreu em 26 de junho, aos 78 anos, na Oklahoma. Ela foi a última paciente nos Estados Unidos a depender de um pulmão de aço — aquele cilindro de metal que envolvia o corpo e respirava por você quando seus pulmões não conseguiam mais fazer isso sozinhos. Setenta e três anos. Quase toda uma vida dentro de uma máquina.
Mas a família dela não quer que você a lembre como alguém presa. Cindy McVey, sua irmã mais nova, conta à BBC que Martha encontrava um jeito. Dirigia. Pintava paisagens detalhadas. Criava beagles. Conversava com seu companheiro, Baha Salh, um egípcio que se mudou para os EUA e se casou com Martha em fevereiro deste ano — mais de vinte anos depois que começaram a se conhecer. A máquina não a impediu de viver.
Tudo começou em meados dos anos 1950, quando Martha acordou uma manhã aos cinco anos e não conseguiu levantar a cabeça do travesseiro. Ela já sabia o que era poliomielite — todo mundo falava sobre isso naquela época. A doença a paralisou. Seus pulmões não respondiam mais. O pulmão de aço funcionava por pressão negativa: um motor acionava um fole que extraía o ar do cilindro, criando um vácuo ao redor do corpo e forçando os pulmões a se expandirem. Quando o ar voltava, eles se esvaziavam. Respiração mecânica. Dezenas de milhares de pessoas dependeram disso no pico da poliomielite, na década de 1950. Martha seria uma delas.
Mas sua família não aceitou que isso significasse uma vida diminuída. Seu tio e seu avó construíram um mecanismo para abrir o pulmão de aço, permitindo que ela entrasse e saísse sozinha. Um carro foi adaptado com o volante posicionado sobre seu colo e as setas no chão — ao alcance de seus braços limitados. Ela recuperou movimento parcial no braço esquerdo e nas pernas através de fisioterapia, terapia ocupacional e hidroterapia. "Ela conseguia fazer coisas que a maioria dos pacientes que usam pulmão de aço não conseguia", diz McVey. Martha era artista e intelectual. Fazia perguntas constantes ao seu Alexa. Vivia.
A poliomielite é uma doença terrível. A Organização Mundial da Saúde registra que uma em cada duzentas infecções resulta em paralisia irreversível. Entre os paralisados, cinco a dez por cento morrem quando os músculos respiratórios ficam imobilizados. Deforma. Incapacita. Aprisiona. Mas em 1955, a vacina chegou. Nos EUA, a doença foi declarada eliminada em 1979 — eliminada, não apenas controlada. Graças a uma campanha nacional de vacinação, a poliomielite deixou de circular rotineiramente entre a população americana.
Martha contraiu poliomielite um ano antes da vacina estar disponível. "Tive uma amiga que pôde testar aquela vacina no ano em que Martha contraiu poliomielite", conta McVey. "Foi por muito pouco."
Agora, porém, a hesitação vacinal está crescendo nos EUA. Kirk Milhoan, presidente do Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, sugeriu no início deste ano que a vacina contra poliomielite deveria ser opcional, não obrigatória. Seu argumento: vivemos em uma época diferente, com saneamento melhor e risco menor. McVey está assustada. "As pessoas podem achar que existem problemas com a vacina, mas há problemas muito maiores se não se vacinarem", ela diz. Ela teme que as memórias da poliomielite tenham ficado tão distantes que ninguém mais se lembre de quão grave ela pode ser. Tínhamos a situação sob controle. Agora há pessoas que não estão vacinando seus filhos. Martha morreu de síndrome pós-pólio e insuficiência pulmonar crônica, embora McVey atribua parte da morte aos efeitos da Covid de longa duração. Mas a verdade é que Martha Lillard viveu 73 anos com uma máquina respirando por ela — e agora, quando finalmente a poliomielite poderia voltar, há quem questione se vale a pena se proteger dela.
Citações Notáveis
Martha era resiliente. Ela encontrava um jeito ou dava um jeito.— Cindy McVey, irmã de Martha Lillard
A poliomielite é terrível. A doença causa deformações e invalidez, deixando as pessoas aprisionadas.— Cindy McVey