Trump se irrita com estratégia 'TACO trade' que aposta em seus recuos tarifários

Eles não estariam aqui negociando se eu não tivesse imposto uma tarifa de 50%
Trump defende sua estratégia tarifária como negociação legítima, não como recuo.
Mark

Por que Wall Street consegue lucrar com isso? Qual é o mecanismo?

Mimi

Quando Trump ameaça uma tarifa de 50%, o mercado cai porque os investidores temem inflação, recessão, margens menores. Mas se você sabe que ele vai recuar — e o histórico sugere que vai — você compra na queda e vende na recuperação. É apostar contra o próprio presidente.

Mark

Trump diz que é negociação. Ele está certo?

Mimi

Talvez em parte. Ameaçar alto para depois ceder é uma tática conhecida. Mas o problema é que depois de fazer isso cinco, seis, sete vezes, seus parceiros comerciais param de acreditar em você. A credibilidade desgasta.

Mark

Então por que ele continua fazendo?

Mimi

Porque às vezes funciona. Com a Colômbia funcionou — Petro recuou e aceitou os voos de deportação. Mas com a China, com a Europa, com os automóveis, o padrão virou tão óbvio que deixou de ser negociação e virou previsibilidade.

Mark

E Trump está consciente disso?

Mimi

Ele está consciente de que as pessoas estão falando sobre isso. Ficou irritado quando perguntaram sobre TACO. Mas ele redefine o problema: diz que está sendo criticado por ser severo demais, não por ser fraco demais. É uma questão de narrativa.

Mark

Qual é o risco real aqui?

Mimi

Que em algum momento, um parceiro comercial chame seu blefe. Que ele tenha que seguir com uma ameaça que não quer seguir, ou que perca completamente a capacidade de intimidar através de tarifas. A tática oferece retornos decrescentes.

  • A sigla TACO — 'Trump Always Chickens Out' — circula abertamente entre operadores de Wall Street, que lucram comprando ações no momento em que o presidente recua de suas próprias ameaças tarifárias.
  • O ciclo se repetiu ao menos cinco vezes em poucos meses: tarifas anunciadas sobre Europa, China, automóveis, eletrônicos e Colômbia foram todas, em graus variados, revertidas ou suavizadas sob pressão.
  • Trump reagiu com irritação ao ser confrontado com o termo, redefinindo seus recuos como negociação estratégica — mas sem negar o padrão que os mercados já precificam com crescente precisão.
  • Analistas alertam que cada recuo corrói a credibilidade das próximas ameaças, criando um paradoxo: quanto mais eficaz a tática no curto prazo, menos poder ela carrega no longo prazo.

Nas semanas que se seguiram ao início do segundo mandato de Donald Trump, Wall Street descobriu um padrão tão regular quanto as marés: o presidente anuncia tarifas severas, os mercados recuam, e ele cede — repetidamente. A sigla TACO, cunhada pelo Financial Times, batizou essa dança entre ameaça e recuo, transformando a imprevisibilidade presidencial em estratégia de investimento. O que Trump chama de arte da negociação, os mercados chamam de oportunidade — e a distinção entre os dois pontos de vista revela uma tensão profunda sobre o que significa credibilidade no exercício do poder.

Donald Trump se viu confrontado, na quarta-feira, com um apelido que Wall Street vinha sussurrando há semanas: TACO — Trump Always Chickens Out. A sigla, cunhada por um colunista do Financial Times, resume o padrão que investidores passaram a explorar sistematicamente: o presidente anuncia tarifas severas, os mercados caem, e ele recua. Operadores compram na baixa e lucram na recuperação.

Quando questionado sobre o termo em evento na Casa Branca, Trump não negou o padrão — redefeniu-o. Disse que anunciar um número alto e depois reduzi-lo é simplesmente a forma como se faz negócio. Irritou-se com a sugestão de fraqueza, lembrando que frequentemente é criticado por ser severo demais.

Os números, porém, contam outra história. Com a Europa, anunciou tarifas de 50% para 1º de junho; o mercado despencou; dias depois, adiou as taxas por mais de um mês. Com a China, impôs 145% sobre importações e depois reduziu para 30%, abrindo 90 dias de negociações. Em abril, taxas de até 50% sobre dezenas de parceiros provocaram turbulência — e foram suspensas horas depois, redefinidas para 10%. As ações registraram sua melhor alta desde 2008. O setor automotivo e os eletrônicos de consumo seguiram o mesmo roteiro: ameaça, pressão, recuo.

Trump cita a Colômbia como prova de que a tática funciona: após ameaçar tarifas de 50%, o presidente Gustavo Petro aceitou voos de deportação. Mas analistas advertem que o método oferece retornos decrescentes — cada recuo torna a próxima ameaça menos crível. 'O triste é que, agora, quando faço um acordo mais razoável, vão dizer que fui covarde', disse Trump. Para Wall Street, é exatamente essa previsibilidade que torna a estratégia TACO tão lucrativa.

Donald Trump se viu confrontado, na quarta-feira, com uma verdade incômoda que Wall Street vinha sussurrando há semanas: que seus recuos tarifários seguem um padrão tão previsível que investidores conseguem lucrar apostando nele. A sigla é TACO — Trump Always Chickens Out — e ela resume, em inglês, exatamente o que significa "amarelar" em português. Um colunista do Financial Times a cunhou, e desde então ela se tornou moeda corrente entre operadores que veem nas ameaças presidenciais não promessas de política comercial, mas oportunidades de compra.

Quando questionado sobre o termo durante um evento na Casa Branca, Trump não negou o padrão. Em vez disso, redefinou-o. Disse que estabelecer "um número ridiculamente alto" e depois reduzi-lo é simplesmente negociação — a forma como se faz negócio. O presidente americano se irritou com a sugestão de que estava recuando por fraqueza, classificando a pergunta como desagradável e insistindo que era criticado com frequência por ser demasiado severo em suas ações executivas.

Mas os números contam uma história diferente. Em maio, Trump ameaçou impor uma tarifa de 50% sobre produtos europeus a partir de 1º de junho. O mercado despencou na sexta-feira. Dias depois, ele concordou em adiar as taxas por mais de um mês para permitir negociações. As ações se recuperaram. Esse ciclo — ameaça, queda, recuo, recuperação — repetiu-se tantas vezes nos primeiros meses de sua presidência que deixou de ser acidente e virou padrão.

Com a China, Trump havia anunciado tarifas de 145% sobre importações. O mercado temeu alta nos custos de consumo, recessão iminente. Em 12 de maio, ele reduziu as taxas para 30% sobre a maioria dos produtos, abrindo espaço para 90 dias de negociações adicionais. Em abril, impôs taxas de até 50% a dezenas de parceiros comerciais, provocando turbulência nos mercados e queda nos títulos do Tesouro. Horas depois, suspendeu as tarifas mais altas, redefinindo-as para 10% por 90 dias. As ações registraram sua melhor alta desde 2008.

O padrão se repetiu com automóveis. Em março, Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre veículos e autopeças importados. Montadoras fizeram lobby furioso, argumentando que as taxas prejudicariam a indústria. Um mês depois, Trump cedeu, aliviando as tarifas sobre metais para o setor automobilístico. Com eletrônicos de consumo, consumidores se preocupavam com preços mais altos sob as tarifas de abril. O governo, em ação surpresa, isentou smartphones, computadores e outras tecnologias, alegando necessidade de investigação separada sobre semicondutores.

Trump argumentou que sua tática às vezes produz sucesso rápido. Depois que prometeu uma tarifa de 50% sobre produtos colombianos, a menos que o país aceitasse deportados, o presidente colombiano Gustavo Petro recuou e aceitou os voos de deportação. Mas analistas alertam que o método oferece retornos decrescentes. Cada vez que Trump reduz uma ameaça anterior, contrapartes são menos propensas a considerá-la confiável desde o início. Na quarta-feira, Trump insistiu que seus parceiros comerciais não estariam negociando se ele não tivesse imposto aquelas tarifas de 50%. "O triste é que, agora, quando eu faço um acordo com eles — algo muito mais razoável — eles vão dizer: 'Ah, ele foi covarde'", disse. "Isso é inacreditável." Mas para Wall Street, é exatamente o que torna a estratégia TACO tão lucrativa.

Isso se chama negociação. Estabeleceria um número ridiculamente alto e depois o reduziria um pouco como parte das negociações.
— Donald Trump
Analistas alertam que a tática oferece retornos decrescentes sempre que Trump reduz uma ameaça anterior, já que as contrapartes são menos propensas a considerá-la confiável desde o início.
— Analistas de mercado
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