Pela primeira vez em mais de um século de existência do Federal Reserve, um presidente americano tentou destituir um de seus diretores — e os tribunais responderam com um freio. A rejeição do tribunal de apelações à tentativa de Trump de remover Lisa Cook não é apenas uma disputa sobre um cargo: é um momento em que a arquitetura institucional da república americana é posta à prova. A questão que agora migra para a Suprema Corte é, em essência, até onde o poder executivo pode alcançar antes de tocar nos alicerces da independência que sustenta a confiança nas instituições.
Tribunal dos EUA bloqueia tentativa de Trump de demitir diretora do Fed
Primeira vez em 112 anos que um presidente tenta demitir um diretor do Fed
Por que exatamente Trump quer remover Cook agora, neste momento específico?
Porque o Fed decide sobre as taxas de juros na quarta-feira seguinte. Se conseguisse remover uma diretora que ele vê como obstáculo, teria uma chance de influenciar essa decisão. É uma questão de timing e poder.
Mas as acusações de fraude hipotecária contra ela—são sérias?
Não são um processo formal. Referem-se a coisas que aconteceram antes dela entrar no Fed, em 2022. A juíza disse que isso não conta como irregularidade no exercício do cargo.
Então o tribunal está dizendo que o presidente não pode demitir ninguém do Fed?
Não exatamente. Está dizendo que há um padrão legal: "justa causa". Mas ninguém nunca tinha testado isso antes. Trump é o primeiro presidente a tentar.
E se a Suprema Corte disser que ele pode?
Então a independência do banco central fica abalada. O Fed deixa de ser uma instituição autônoma e vira um instrumento do poder executivo.
Isso já aconteceu em outros países?
Sim. Quando presidentes conseguem controlar seus bancos centrais, a inflação costuma subir e a moeda enfraquece. É por isso que a independência importa tanto.
O Pulso
- Trump tentou demitir Lisa Cook do Fed dias antes de uma reunião crucial de decisão sobre taxas de juros, levantando suspeitas de interferência direta na política monetária.
- O Departamento de Justiça pediu urgência ao tribunal para suspender a proteção de Cook, mas o pedido foi negado — deixando a diretora no cargo por ora.
- A juíza Cobb estabeleceu um precedente interpretativo importante: acusações anteriores à posse no Fed não constituem 'justa causa' para remoção, segundo a lei que rege o banco central.
- A Casa Branca sinalizou recurso à Suprema Corte, escalando o conflito para a instância máxima e colocando em xeque décadas de autonomia do Federal Reserve.
- O caso expõe a tensão crescente entre Trump e Jerome Powell, presidente do Fed, num contexto em que o governo pressiona por cortes de juros que o banco central resiste em conceder.
Pela primeira vez em mais de um século de existência do Federal Reserve, um presidente americano tentou destituir um de seus diretores — e os tribunais responderam com um freio. A rejeição do tribunal de apelações à tentativa de Trump de remover Lisa Cook não é apenas uma disputa sobre um cargo: é um momento em que a arquitetura institucional da república americana é posta à prova. A questão que agora migra para a Suprema Corte é, em essência, até onde o poder executivo pode alcançar antes de tocar nos alicerces da independência que sustenta a confiança nas instituições.
Na segunda-feira, 15 de setembro, um tribunal de apelações em Washington recusou-se a suspender a proteção judicial que mantém Lisa Cook em seu cargo como diretora do Federal Reserve. A decisão encerra — ao menos por ora — a primeira tentativa de um presidente americano de destituir um diretor do banco central desde sua fundação, em 1913.
O governo Trump havia invocado acusações de fraude hipotecária contra Cook como justificativa para a remoção. Mas a juíza Jia Cobb, em decisão proferida em 9 de setembro, foi categórica: a lei do Fed exige 'justa causa' para a demissão de um diretor, e essa causa deve derivar de condutas ocorridas durante o exercício do cargo — não de episódios anteriores à confirmação de Cook, em 2022. Sem processo formal em curso, não há base legal para o afastamento.
A disputa, porém, vai além de Cook. Desde o início de seu mandato, Trump vem pressionando publicamente o Fed e seu presidente, Jerome Powell, por reduções nas taxas de juros. A tentativa de remover Cook às vésperas da reunião de política monetária marcada para 17 de setembro sugeria um esforço de moldar diretamente as deliberações do banco central.
Com o tribunal de apelações mantendo o bloqueio, a Casa Branca anunciou que levará o caso à Suprema Corte. O desfecho dessa batalha jurídica determinará não apenas o destino de Lisa Cook, mas os limites do poder presidencial sobre uma das instituições mais sensíveis da economia americana.
Na segunda-feira, 15 de setembro, um tribunal de apelações em Washington rejeitou a tentativa de Donald Trump de remover Lisa Cook de seu cargo como diretora do Federal Reserve. A decisão marca um momento sem precedentes na história americana: é a primeira vez desde que o banco central foi criado, em 1913, que um presidente tenta destituir um de seus diretores.
O Departamento de Justiça havia pedido ao tribunal que suspendesse uma ordem anterior da juíza Jia Cobb, que havia impedido temporariamente a demissão de Cook. O tribunal negou o pedido. A Casa Branca sinalizou que recorrerá à Suprema Corte, levando a disputa para a instância mais alta do poder judiciário americano.
O fundamento da tentativa de remoção repousa em acusações de fraude hipotecária contra Cook. Mas a juíza Cobb, em sua decisão de 9 de setembro, determinou que essas acusações não constituem base legal suficiente para afastá-la do cargo. Segundo a lei que governa o Federal Reserve, um diretor só pode ser removido "por justa causa". O texto aprovado pelo Congresso, porém, nunca especificou exatamente o que isso significa na prática.
A interpretação da juíza foi clara: irregularidades que justifiquem a remoção devem ter ocorrido durante o exercício do cargo no Fed. As acusações contra Cook referem-se a ações anteriores à sua confirmação em 2022. Ela não enfrenta um processo formal sobre a questão. Portanto, na visão do tribunal, não há base legal para sua destituição.
Esta disputa não é apenas sobre uma pessoa ou um cargo. Ela toca no cerne da independência institucional do Federal Reserve. Desde que assumiu a presidência, Trump vem atacando publicamente o Fed e seu presidente, Jerome Powell, pressionando pela redução das taxas de juros. A tentativa de remover Cook antes da reunião de decisão de taxa marcada para quarta-feira, 17 de setembro, sugeria uma estratégia de influenciar diretamente as deliberações do banco central.
A rejeição do tribunal, portanto, funciona como um freio institucional. Ela afirma que nem mesmo o presidente pode contornar as proteções legais que cercam a autonomia do banco central. O que acontece a seguir dependerá de como a Suprema Corte escolher agir—se aceitar ouvir o caso, e o que decidir.
Citações Notáveis
Um diretor do banco central americano só pode ser destituído por justa causa, e irregularidades devem ocorrer durante o exercício do cargo— Juíza Jia Cobb