Em um momento em que as taxas de juros americanas penduram sobre a economia global como uma questão de destino coletivo, Donald Trump trava uma batalha judicial para remover Lisa Cook do Conselho do Federal Reserve antes de uma reunião decisiva marcada para a próxima semana. A disputa levanta uma questão mais profunda do que a de um cargo: até onde pode um presidente moldar a instituição que, por décadas, foi guardiã da independência monetária? Um juiz já bloqueou a demissão, e o tribunal de apelações agora carrega o peso dessa resposta.
Trump pede tribunal para demitir Lisa Cook antes de reunião crucial do Fed
Trump busca reformular o Fed com apoiadores de suas visões sobre juros
Por que Trump quer tanto remover Lisa Cook especificamente antes dessa reunião?
Porque ela votará sobre as taxas de juros na próxima semana. Se ele conseguir removê-la, ele reduz a oposição potencial a cortes de juros que ele quer que o Fed faça.
Mas espera — o juiz disse que Trump não pode demiti-la por conduta anterior à confirmação dela. Isso é uma questão legal clara ou há espaço para interpretação?
O juiz Jia Cobb foi bem específico: a lei não permite isso. Mas Trump está apelando, então a questão ainda está aberta.
E quanto a Stephen Miran? Ele é confirmado?
Ainda não. Os republicanos deram os primeiros passos no Senado, mas o cronograma é apertado. Ele precisaria ser confirmado antes da reunião da próxima semana.
Então temos dois cenários em aberto: se Cook é removida e Miran é confirmado, Trump consegue dois votos. Se nenhum dos dois acontece, a composição fica como está.
Exatamente. E o Fed disse que vai aceitar qualquer decisão judicial, então não está lutando contra Trump publicamente.
Isso significa que o Fed está sendo passivo?
Não exatamente passivo — eles estão respeitando o processo judicial. Mas a verdade é que ninguém sabe ainda se o tribunal de apelações vai concordar com Trump ou manter a decisão do juiz Cobb.
E isso vai acontecer antes da reunião de juros, então a pressão é real e o tempo está curto.
Il Polso
- Trump apresentou um pedido de emergência ao Tribunal de Apelações de Washington para destituir Lisa Cook do Fed antes da reunião de política monetária da próxima semana.
- Um juiz federal já bloqueou a demissão, argumentando que o presidente não tem autoridade legal para punir um membro do Conselho por atos anteriores à sua confirmação pelo Senado.
- A acusação de fraude hipotecária usada como justificativa nunca resultou em processo criminal formal — Cook não foi indiciada nem condenada por nenhum crime.
- Com sete membros do Conselho definindo as taxas de juros, cada cadeira importa: Trump já articula a confirmação acelerada de Stephen Miran, seu assessor econômico, para ocupar outra vaga no Fed.
- O próprio Federal Reserve, réu no processo, declarou que acatará qualquer decisão judicial — uma neutralidade formal que não esconde a tensão sobre sua independência.
Em um momento em que as taxas de juros americanas penduram sobre a economia global como uma questão de destino coletivo, Donald Trump trava uma batalha judicial para remover Lisa Cook do Conselho do Federal Reserve antes de uma reunião decisiva marcada para a próxima semana. A disputa levanta uma questão mais profunda do que a de um cargo: até onde pode um presidente moldar a instituição que, por décadas, foi guardiã da independência monetária? Um juiz já bloqueou a demissão, e o tribunal de apelações agora carrega o peso dessa resposta.
Donald Trump está em uma corrida judicial para remover Lisa Cook do Conselho de Governadores do Federal Reserve antes de uma reunião crítica sobre taxas de juros marcada para a próxima semana. Na quinta-feira, o governo apresentou um pedido de emergência ao Tribunal de Apelações de Washington, dois dias após um juiz de instância inferior ter bloqueado temporariamente a demissão.
O conflito teve início no final de agosto, quando Trump anunciou a saída de Cook alegando envolvimento em fraude hipotecária. Nenhuma acusação criminal formal foi apresentada, mas o presidente argumentou que as alegações, por si só, configuravam 'justa causa' nos termos da lei fundadora do Fed. O juiz Jia Cobb discordou: em sua liminar, determinou que a lei não autoriza o presidente a demitir um membro do Conselho por condutas alegadamente ocorridas antes de sua confirmação pelo Senado, em 2022. Essa distinção temporal revelou-se o ponto central do embate.
O timing não é casual. As taxas de juros são definidas pelos sete membros do Conselho, e Trump tem pressionado publicamente o Fed a reduzi-las em ritmo mais acelerado do que o banco central tem aceito. Remover Cook antes da reunião da próxima semana alteraria a composição do colegiado em um momento decisivo. Paralelamente, republicanos no Senado avançam na confirmação de Stephen Miran — principal assessor econômico de Trump — para preencher a vaga deixada pela saída de Adriana Kugler, com cronograma que pode permitir sua participação na mesma reunião.
O Federal Reserve, listado como réu no processo, declarou que acatará qualquer decisão judicial. A instituição mantém neutralidade formal, mesmo enquanto sua composição e independência se tornam o campo de uma batalha política sem precedentes recentes.
Donald Trump está em uma disputa judicial para remover Lisa Cook do Conselho de Governadores do Federal Reserve antes de uma reunião crítica sobre taxas de juros marcada para a próxima semana. Na quinta-feira, 11 de setembro, o governo Trump apresentou um pedido de emergência ao Tribunal de Apelações dos EUA para o Distrito de Columbia, buscando permissão para prosseguir com a demissão de Cook, dois dias após um juiz de tribunal inferior ter bloqueado temporariamente a ação.
O conflito começou quando Trump anunciou, no final de agosto, que demitia Cook alegando que ela havia se envolvido em fraude hipotecária. Embora nenhuma acusação criminal formal tenha sido apresentada contra ela, o presidente argumentou que as alegações por si só atendiam ao requisito legal para demissão por "justa causa" conforme o estatuto fundador do Fed. Cook não foi acusada nem condenada de qualquer crime.
O juiz Jia Cobb, do Tribunal Distrital, discordou dessa interpretação. Na terça-feira, 9 de setembro, ele emitiu uma liminar impedindo Trump de prosseguir com a demissão enquanto o tribunal analisa a legalidade do caso. A decisão se baseou no argumento de que a lei não permitia ao presidente remover Cook por conduta alegadamente ocorrida antes de sua confirmação pelo Senado em 2022. Essa distinção temporal provou ser crucial: o juiz determinou que Trump não tinha autoridade legal para demitir um membro do Conselho por ações anteriores ao seu mandato no Fed.
O timing da disputa não é acidental. As taxas de juros do Federal Reserve são definidas por sete membros do Conselho de Governadores, dos quais Cook faz parte, além de um grupo rotativo de cinco presidentes dos bancos de reserva regionais. A reunião da próxima semana será uma oportunidade para Cook participar de uma decisão de política monetária crucial. Trump tem pressionado publicamente o Fed para reduzir as taxas de juros, algo que o banco central tem relutado em fazer no ritmo que o presidente deseja.
Trump deixou claro que sua estratégia é reformular a composição do Fed com apoiadores políticos que compartilham suas visões sobre política de juros. Essa intenção ganhou impulso esta semana quando republicanos no Senado deram os primeiros passos para confirmar Stephen Miran, um dos principais assessores econômicos de Trump, para preencher uma vaga no Conselho criada pela saída repentina de Adriana Kugler. O cronograma acelerado sugere que Miran poderia ser confirmado a tempo de participar da mesma reunião de juros da próxima semana.
O Federal Reserve, listado como réu no processo de Cook para impedir a execução das ordens presidenciais, afirmou que acatará qualquer decisão que o tribunal proferir. A instituição mantém uma posição formal de neutralidade, mesmo enquanto se vê no centro de uma batalha sobre sua própria composição e independência. O resultado do apelo de Trump ao tribunal de apelações determinará se Cook poderá estar presente na reunião de política monetária ou se será afastada antes que ela ocorra.
Citazioni salienti
A lei não permitia ao presidente demitir Cook por suposta conduta ocorrida antes de o Senado confirmá-la para o Fed em 2022— Juiz Jia Cobb, Tribunal Distrital
O Fed acatará qualquer decisão judicial— Federal Reserve