Fed mantém juros apesar de tarifas de Trump desestabilizarem economia dos EUA

Certeza parece um critério alto para a política monetária
Um economista questiona o padrão que Powell estabeleceu para reduzir os juros.
Mark

Por que o Fed não reduz os juros agora, se a inflação está moderada?

Mimi

Porque Powell quer ter certeza de que o aumento de preços causado pelas tarifas não se torna permanente. As tarifas tendem a gerar inflação, e o Fed está sendo cauteloso.

Luke

Mas a inflação recente está realmente moderada, certo? Então por que a preocupação?

Mimi

Porque os economistas projetam uma retomada da pressão inflacionária nos próximos meses. É uma questão de antecipar o problema.

Mark

E se o mercado de trabalho começar a enfraquecê-lo?

Mimi

Aí o Fed teria de ponderar entre conter a inflação e cumprir seu mandato de garantir o pleno emprego. Seria um dilema real.

Luke

Então julho é quando começam os cortes? Todos os economistas concordam?

Mimi

Não. Alguns dizem julho, outros dezembro. Depende de como as tarifas evoluem e do que acontecer com o emprego.

Mark

E Trump está pressionando por juros mais baixos?

Mimi

Sim, ele critica a decisão do Fed e já cogitou demitir Powell. Mas a autonomia do Fed está protegida por lei.

Luke

Está protegida? Mas há ações na Suprema Corte sobre isso, certo?

Mimi

Exatamente. Duas ações deverão definir se Trump tem autoridade para demitir membros do Fed. Nada está totalmente resolvido.

  • PIB dos EUA contraiu 0,3% em termos anualizados no trimestre passado
  • 177 mil vagas de emprego criadas em abril, taxa de desemprego em 4,2%
  • Tarifas de Trump são as mais severas em um século
  • Taxa de juros básica mantida entre 4,25% e 4,50% desde dezembro

As tarifas severas de Trump causaram retração do PIB, alertas de grandes corporações e corrida para antecipar importações, criando incerteza sobre inflação futura. Economistas divergem sobre quando começarão os cortes de juros, com previsões variando de julho a dezembro, enquanto o mercado de trabalho permanece resiliente com 177 mil vagas criadas em abril.

O Federal Reserve deve manter as taxas de juros inalteradas nesta semana, mas enfrenta crescente instabilidade econômica provocada pelas tarifas de Trump, que afetam consumidores, empresas e perspectivas inflacionárias.

O Federal Reserve se reúne nesta quarta-feira para decidir sobre as taxas de juros, e tudo indica que manterá a taxa básica entre 4,25% e 4,50%, onde está desde dezembro. Mas esse encontro pode ser o último tranquilo por um tempo. As tarifas que o presidente Donald Trump vem impondo — as mais severas em um século — criaram uma turbulência econômica que o banco central não consegue ignorar por muito mais tempo.

Os números contam a história de uma economia sob pressão. O Produto Interno Bruto dos Estados Unidos contraiu 0,3% em termos anualizados no trimestre passado, uma queda inesperada. Grandes corporações como McDonald's, General Motors e Apple já avisaram que seus lucros sofrerão impactos significativos com a alta dos custos de importação. A Delta Airlines chegou a suspender suas projeções financeiras. Empresas anteciparam importações em uma corrida frenética para evitar as tarifas, intensificando a instabilidade. Apesar disso, o mercado de trabalho ainda resiste: em abril foram criadas 177 mil vagas de emprego, cerca de 40 mil a mais do que o esperado, e a taxa de desemprego permaneceu em 4,2%. Os gastos dos consumidores também mantêm um crescimento razoável de 1,8%.

Para os formuladores de política monetária do Fed, o dilema é claro. As tarifas tendem a gerar inflação e desemprego, mas ninguém sabe com certeza a intensidade nem quanto tempo esses efeitos durarão. Jerome Powell, presidente do Fed, já declarou que quer ter "certeza" de que qualquer aumento temporário nos preços não se torne um problema inflacionário persistente. Derek Tang, economista da consultoria LHMeyer, questiona esse critério: "Quando é que os formuladores de política têm certeza de alguma coisa? 'Certeza' parece um critério alto, o que indica uma prioridade maior no controle da inflação." A LHMeyer não prevê nenhum corte de juros em 2025.

Os economistas divergem sobre quando o Fed começará a reduzir os juros. Analistas do Barclays indicam que o primeiro corte deve ocorrer em julho, quando haverá maior clareza sobre os rumos das tarifas. As apostas nos mercados financeiros também apontam para julho como o início dos cortes, com mais duas reduções até o fim do ano. Mas Nancy Vanden Houten, economista sênior da Oxford Economics, é mais cautelosa: ela estima que a economia enfrentará uma "fraqueza real" nos próximos meses e projeta que a redução nos juros só ocorrerá em dezembro. "Eles parecem estar mais distantes de alcançar sua meta de inflação. Enquanto o mercado de trabalho resistir, devem manter a postura atual," afirmou.

Christopher Waller, diretor do Fed, já traçou dois cenários: cortes graduais nas taxas se as tarifas forem reduzidas, ou cortes mais agressivos se os encargos se mantenham elevados. Ele indicou que um aumento de mais de 0,1 ponto percentual na taxa de desemprego em um único mês seria um gatilho para uma ação mais rápida. Mas os economistas não esperam que Powell seja específico nesta semana sobre os planos do Comitê Federal de Mercado Aberto. Michael Feroli, economista-chefe do J.P. Morgan, escreveu que a principal mensagem será de que o Comitê está bem posicionado para aguardar maior clareza antes de mudar sua política.

Essa paciência, porém, não agrada à Casa Branca. Trump tem criticado a decisão do Fed de manter os juros e insiste em juros mais baixos. Após a divulgação do relatório de empregos, publicou na rede Truth Social: "NÃO HÁ INFLAÇÃO, O FED DEVERIA REDUZIR SUA TAXA!!!" As leituras recentes de inflação têm sido moderadas, é verdade. Mas tanto integrantes do Fed quanto analistas do setor privado projetam uma retomada da pressão inflacionária nos próximos meses, em função dos aumentos de preços induzidos pelas tarifas.

Trump chegou a cogitar a demissão de Powell, mas afirmou que não pretende afastá-lo. O mandato de Powell se encerra em cerca de um ano, e o próprio presidente do Fed afirma que sua destituição seria ilegal. Duas ações em andamento na Suprema Corte dos EUA deverão definir se Trump tem autoridade para demitir membros do Fed. A autonomia da instituição está em jogo, enquanto o banco central tenta navegar entre a necessidade de conter a inflação e o risco de prejudicar o mercado de trabalho.

Quando é que os formuladores de política têm certeza de alguma coisa? 'Certeza' parece um critério alto, o que indica uma prioridade maior no controle da inflação.
— Derek Tang, economista da consultoria LHMeyer
NÃO HÁ INFLAÇÃO, O FED DEVERIA REDUZIR SUA TAXA!!!
— Donald Trump, na rede Truth Social
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