Em um momento de pressão geopolítica e econômica, Donald Trump anunciou aquilo que chamou de 'o maior acordo petrolífero da história do mundo' — um pacto de 25 anos que concederia aos Estados Unidos acesso a 17 campos estratégicos venezuelanos, com capacidade de produzir 1,5 milhão de barris por dia. Negociado entre altos representantes de Washington e a presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez, o acordo toca em questões que vão além do petróleo: soberania, dependência energética, e a antiga tensão entre nações que se olham com desconfiança mas se precisam mutuamente. Como tantas promes
Trump anuncia acordo petrolífero com Venezuela; EUA terão 55% da produção por 25 anos
Recuperar essa capacidade dependerá de capital, reconstrução e participação internacional
Por que Trump chama isso de "o maior acordo petrolífero da história"? Qual é o tamanho real do negócio?
A capacidade potencial é de 1,5 milhão de barris por dia durante 25 anos. Se você multiplicar isso pelos preços, estamos falando de centenas de bilhões de dólares. Mas o tamanho não é apenas números — é geopolítico. Os EUA ganham acesso direto a uma das maiores reservas de petróleo do mundo.
Espera. Potencial é diferente de real. A infraestrutura está destruída. Ninguém sabe ainda quem vai financiar a reconstrução ou qual empresa privada vai operar isso. Esses números de 1,5 milhão de barris por dia são projeções, não produção atual.
E quanto ao preço da gasolina? Trump disse que isso vai reduzir os preços nos EUA, certo?
Essa é a promessa. Mais petróleo disponível deveria, teoricamente, pressionar os preços para baixo. Mas especialistas como Amy Myers Jaffe dizem que o efeito não será imediato — pode levar anos.
E há um contexto importante: a guerra com o Irã já elevou os preços. Trump está tentando resolver um problema de curto prazo com uma solução de longo prazo. Isso pode não funcionar antes das eleições de novembro.
A Venezuela sai ganhando ou perdendo neste acordo?
Delcy Rodríguez diz que a Venezuela mantém soberania e pode ganhar mais de US$ 209 bilhões em receitas. Para um país em colapso econômico, isso seria transformador — empregos, investimentos, receitas.
Mas há um detalhe: os EUA ficam com 55% da produção. A Venezuela fica com royalties de 16% e imposto de renda de 34%. Isso é uma divisão favorável aos americanos. E a Venezuela está desesperada — qualquer acordo que traga capital é atrativo.
Quem vai realmente fazer isso acontecer? Quem financia?
Essa é a grande pergunta em aberto. O acordo menciona um operador privado ainda não identificado. Chevron e Exxon Mobil não comentaram. Ninguém sabe de onde vem o dinheiro para reconstruir campos que estão deteriorados há anos.
Exatamente. Sem financiamento confirmado, sem operador identificado, sem detalhes do contrato publicados — estamos lendo promessas, não um acordo fechado. A Casa Branca ainda não divulgou o texto completo.
Il Polso
- Trump declarou o acordo como o maior da história do petróleo, mas a Casa Branca ainda não divulgou o texto completo nem esclareceu quem financiará os investimentos bilionários necessários.
- A infraestrutura petrolífera venezuelana está deteriorada após anos de desinvestimento, e especialistas alertam que qualquer impacto real nos preços dos combustíveis americanos pode levar anos para se materializar.
- A guerra com o Irã perturbou o fluxo do Golfo Pérsico e elevou os preços dos combustíveis nos EUA, criando urgência política para Trump encontrar novas fontes de oferta antes das eleições de novembro.
- A Venezuela projeta mais de US$ 209 bilhões em receitas e afirma manter soberania sobre seus recursos, enquanto os EUA garantiriam 55% da produção e o direito de comprar petróleo a preço de custo.
- Chevron e Exxon Mobil, as maiores petrolíferas americanas com histórico na região, não comentaram o acordo, deixando em aberto quem será o operador privado da nova empresa conjunta.
Em um momento de pressão geopolítica e econômica, Donald Trump anunciou aquilo que chamou de 'o maior acordo petrolífero da história do mundo' — um pacto de 25 anos que concederia aos Estados Unidos acesso a 17 campos estratégicos venezuelanos, com capacidade de produzir 1,5 milhão de barris por dia. Negociado entre altos representantes de Washington e a presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez, o acordo toca em questões que vão além do petróleo: soberania, dependência energética, e a antiga tensão entre nações que se olham com desconfiança mas se precisam mutuamente. Como tantas promessas históricas, seus frutos dependem menos do anúncio do que da paciência, do capital e do tempo.
Donald Trump anunciou um acordo que promete aos Estados Unidos acesso privilegiado às vastas reservas petrolíferas da Venezuela por 25 anos. Segundo o presidente americano, trata-se do maior pacto petrolífero da história, embora o texto completo ainda não tenha sido divulgado pela Casa Branca. As informações disponíveis vêm de declarações oficiais e do governo interino venezuelano.
O acordo prevê a criação de uma nova empresa — formada pelo governo americano e um operador privado ainda não identificado — com direitos sobre 17 campos estratégicos de exploração. A capacidade potencial desses campos ultrapassa 1,5 milhão de barris por dia. Os EUA receberiam 55% da produção efetiva, participação acionária e o direito de comprar petróleo a preço de custo, com parte destinada às reservas estratégicas e às Forças Armadas americanas.
O pacto foi negociado pelo secretário de Estado Marco Rubio, pelo secretário de Defesa Pete Hegseth e pela presidente interina venezuelana Delcy Rodríguez. Caracas afirma que manterá a soberania sobre seus recursos naturais e projeta mais de US$ 209 bilhões em receitas ao longo do acordo, considerando um preço de referência de US$ 65 por barril. O pacto também inclui a exploração de oito blocos na Faixa do Orinoco, com royalties de 16% e imposto de renda de 34%.
Especialistas, porém, pedem cautela. A infraestrutura petrolífera venezuelana está deteriorada após anos de subinvestimento, e a recuperação da capacidade produtiva — que já chegou a superar 2,5 milhões de barris diários — exigirá bilhões em capital e pode levar anos. Amy Myers Jaffe, da Universidade de Nova York, avalia que o acordo pode ser relevante no longo prazo, mas não deve provocar queda imediata nos preços dos combustíveis americanos.
O anúncio ocorre em um contexto de pressão crescente: a guerra com o Irã perturbou o fluxo de petróleo do Golfo Pérsico e elevou os preços, aumentando a urgência política para Trump antes das eleições de novembro. Para o presidente americano, o petróleo venezuelano é ao mesmo tempo oportunidade de negócio e ferramenta estratégica — uma forma de ampliar a segurança energética dos EUA e projetar influência sobre uma das maiores reservas do mundo. Chevron e Exxon Mobil, as maiores petrolíferas americanas com histórico na região, não se pronunciaram sobre o acordo.
Donald Trump anunciou um acordo que promete aos Estados Unidos acesso significativo às reservas petrolíferas da Venezuela. Segundo o presidente americano, trata-se do "maior acordo petrolífero da história do mundo", embora a Casa Branca ainda não tenha divulgado o texto completo nem esclarecido todos os detalhes do pacto. O que se sabe até agora vem de declarações oficiais e informações do governo interino venezuelano.
O acordo prevê a criação de uma nova empresa formada pelo governo americano e um operador privado ainda não identificado. Esta companhia terá direitos sobre 17 campos estratégicos de exploração de petróleo na Venezuela, com duração de 25 anos. A capacidade potencial de produção desses campos ultrapassa 1,5 milhão de barris por dia. Trump afirmou que os Estados Unidos receberão 55% da produção efetiva da nova companhia, além de participação acionária e o direito de comprar petróleo a preço de custo. Parte do petróleo adquirido pelos americanos será destinada às reservas estratégicas dos EUA e às Forças Armadas.
O acordo foi negociado pelo secretário de Estado Marco Rubio, pelo secretário de Defesa Pete Hegseth, e pela presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez. Para Trump, a iniciativa representa um passo importante para ampliar a oferta de petróleo e reduzir os preços dos combustíveis nos Estados Unidos. A Venezuela, por sua vez, afirma que manterá a propriedade e a soberania sobre seus recursos naturais. Rodríguez declarou que o acordo permitirá recuperar a indústria petrolífera venezuelana e transformar as reservas do país em investimentos, empregos e receitas. Considerando um preço de referência de US$ 65 por barril, o projeto poderia gerar mais de US$ 209 bilhões em receitas para os cofres venezuelanos. O acordo também prevê a exploração de oito blocos na Faixa do Orinoco, com royalties de 16% e imposto de renda de 34%.
Apesar das promessas de Trump, especialistas alertam que o efeito sobre os preços dos combustíveis não deve ser imediato. A infraestrutura petrolífera venezuelana está deteriorada após anos de baixos investimentos, e a recuperação da capacidade de produção exigirá bilhões de dólares e deve levar anos. A Venezuela já chegou a produzir mais de 2,5 milhões de barris por dia acima dos níveis atuais, mas recuperar essa capacidade dependerá da entrada de capital, da reconstrução da infraestrutura e da participação de grandes companhias internacionais. Amy Myers Jaffe, diretora do Laboratório de Energia, Justiça Climática e Sustentabilidade da Universidade de Nova York, avalia que o acordo pode ser relevante no longo prazo, mas não deve provocar uma queda imediata nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos.
O potencial do acordo, contudo, é significativo. David Oxley, economista-chefe de clima e matérias-primas da Capital Economics, afirmou que, em tese, o acordo poderia ampliar substancialmente as reservas de petróleo sob influência americana e reduzir a dependência dos Estados Unidos de fornecedores como México e Arábia Saudita. Ainda não está claro, porém, quem financiará os investimentos necessários para desenvolver os campos, qual será exatamente a participação americana na nova empresa e qual companhia privada ficará responsável pela operação. A Chevron, única grande petrolífera americana atualmente com produção ativa na Venezuela, não comentou o acordo. A Exxon Mobil também não se pronunciou.
O anúncio ocorre em um momento em que Trump busca ampliar a oferta de petróleo e reduzir a pressão sobre os preços dos combustíveis nos EUA. A guerra com o Irã afetou o fluxo de petróleo do Golfo Pérsico e elevou os preços, aumentando a pressão sobre o governo americano antes das eleições de novembro. Para Trump, o petróleo venezuelano representa não apenas uma oportunidade de negócios, mas também uma ferramenta estratégica para ampliar a segurança energética dos Estados Unidos e aumentar sua influência sobre uma das maiores reservas de petróleo do mundo.
Citazioni salienti
O acordo pode ser relevante no longo prazo, mas não deve provocar uma queda imediata nos preços dos combustíveis nos Estados Unidos— Amy Myers Jaffe, diretora do Laboratório de Energia, Justiça Climática e Sustentabilidade da Universidade de Nova York
O acordo poderia ampliar substancialmente as reservas de petróleo sob influência americana e reduzir a dependência dos Estados Unidos de fornecedores como México e Arábia Saudita— David Oxley, economista-chefe de clima e matérias-primas da Capital Economics