No Maranhão, entre inaugurações de moradias populares e câmeras de televisão, Lula escolheu falar não de política habitacional, mas de lealdade e autonomia. Diante de pressões de aliados que exigiam a saída de ministros, o presidente respondeu com desafio: quem quiser ficar, que fique; quem quiser ir, que vá — mas que não espere favores. É a linguagem de um líder que acredita que 2026 já está decidido, mesmo que o terreno sob seus pés seja mais instável do que o discurso sugere.
Lula rejeita 'implorar' por apoio em 2026 e afirma: 'difícil alguém ganhar de nós'
Não sou daqueles que ficam tentando comprar deputado
Por que Lula escolheu esse momento, em uma visita ao Maranhão, para falar tão duramente sobre não negociar apoio?
Ele estava respondendo a pressões muito concretas — dois partidos federados pedindo a saída de ministros. Lula decidiu que não ia ceder a isso. E fez isso em público, em uma entrevista, para deixar claro que essa é sua posição.
Mas a questão é: ele realmente tem a liberdade de não negociar? Ele está em 2025, faltam 16 meses para as eleições. Quantos votos no Congresso ele precisa para governar agora?
Isso é verdade. Ele pode falar assim porque acredita que tem força. Mas a realidade é que ele vai precisar desses partidos em algum momento.
E quanto ao Maranhão especificamente? Por que a base dele está tão dividida lá?
Porque tem dois grupos poderosos — um em torno do governador Brandão, outro em torno de Flávio Dino, que agora está no STF. Eles não estão alinhados, e isso enfraquece Lula no estado.
Mas Lula perdeu a prefeitura de Imperatriz em 2024 para um aliado de Brandão. Se Brandão é seu aliado, por que Lula está falando em "pacificar" a base? Isso sugere que as coisas não estão tão sob controle quanto ele diz.
Exatamente. Ele está tentando manter os dois grupos juntos, mas eles têm interesses diferentes. A "pacificação" é o trabalho real que ele precisa fazer.
Quando ele diz "é muito difícil alguém ganhar de nós em 2026", ele está falando com base em quê?
Pesquisas? Estrutura de governo? Ele não especifica. É uma afirmação de confiança, mas não sabemos em que dados ela se baseia.
Ele está falando como quem governa há quase três anos, tem projetos em andamento, e acredita que isso vai contar. Mas Luke tem razão — é uma afirmação, não uma análise.
E os ministros que os partidos querem tirar — por que Lula acha que eles estão fazendo bom trabalho?
Ele não detalha isso. Apenas diz que estão fazendo bom trabalho e questiona por que mexer. Mas não sabemos qual é a avaliação real do desempenho deles.
Der Puls
- PP e União Brasil pressionam Lula a demitir ministros aliados como moeda de troca política, e o presidente chama a manobra de 'estupidez' e 'pequenez'.
- A base lulista no Maranhão está rachada entre o campo do governador Carlos Brandão e os seguidores do ex-governador Flávio Dino, agora no STF — uma divisão que pode entregar votos ao adversário.
- Lula recusa qualquer negociação de apoio, declarando que não comprará deputados nem implorará por aliados, apostando na força do governo para chegar a 2026.
- O presidente afirma com convicção que 'é muito difícil alguém ganhar' as eleições contra ele, mesmo inaugurando obras em uma cidade com maioria bolsonarista em 2022.
- A estratégia de Lula é clara: apresentar realizações concretas — Minha Casa Minha Vida, isenção de IR, programas de energia — e deixar que os resultados falem mais alto do que as pressões partidárias.
No Maranhão, entre inaugurações de moradias populares e câmeras de televisão, Lula escolheu falar não de política habitacional, mas de lealdade e autonomia. Diante de pressões de aliados que exigiam a saída de ministros, o presidente respondeu com desafio: quem quiser ficar, que fique; quem quiser ir, que vá — mas que não espere favores. É a linguagem de um líder que acredita que 2026 já está decidido, mesmo que o terreno sob seus pés seja mais instável do que o discurso sugere.
Lula desembarcou no Maranhão para inaugurar quase três mil casas do Minha Casa, Minha Vida, um investimento de 358,6 milhões de reais beneficiando cerca de onze mil pessoas. Mas quando sentou diante das câmeras da TV Mirante, o tema não era habitação — era política, lealdade e a recusa em negociar.
O presidente respondeu diretamente às pressões do PP e da União Brasil, que exigiam a saída dos ministros André Fufuca, de Esportes, e Celso Sabino, de Turismo. Lula chamou a manobra de 'estupidez': se os ministros faziam bom trabalho, por que removê-los? Raiva? Inveja? Declarou que não tentaria 'comprar deputado' e que quem quisesse sair que saísse — mas que não esperasse compaixão. 'A extrema direita não voltará a governar esse país', afirmou com a segurança de quem acredita que 2026 já está decidido.
No Maranhão, porém, a realidade era mais complexa. Sua base local estava dividida entre aliados do governador Carlos Brandão e o grupo do ex-governador Flávio Dino, agora no Supremo. Lula prometeu pacificar essa fratura, alertando que brigas internas só dariam ao adversário 'a chance de ganhar que ele não tem hoje'. A confiança era alta, mas Imperatriz — segunda maior cidade do estado, com 54,8% dos votos dados a Bolsonaro em 2022 — lembrava que o terreno não era tão seguro quanto o discurso sugeria.
Ainda assim, Lula estava ali para falar de projetos e de firmeza. Quem quisesse estar com ele em 2026, que viesse. Quem preferisse ir embora, que fosse — e que tivesse sorte.
Lula chegou ao Maranhão na segunda-feira para inaugurar quase três mil casas do programa Minha Casa, Minha Vida — um investimento federal de 358,6 milhões de reais que beneficiaria cerca de onze mil pessoas. Mas quando sentou diante das câmeras da TV Mirante na manhã de terça-feira, o que o presidente tinha para dizer não era sobre habitação. Era sobre política, sobre lealdade, e sobre como ele não pretendia suplicar por nada.
"Vai estar comigo quem quiser estar comigo", disse Lula em entrevista gravada no dia anterior. "Não sou daqueles que ficam tentando comprar deputado." A declaração era uma resposta direta às pressões que vinham de dois partidos aliados — o PP e a União Brasil, que formaram uma federação e estavam cobrando a saída de dois ministros: André Fufuca, da pasta de Esportes, e Celso Sabino, de Turismo. Lula chamou esse tipo de pressão de "estupidez". Se as coisas estavam funcionando, perguntou, por que mexer? Por que essa "pequenez" de querer atrapalhar um ministro que estava fazendo bom trabalho? Raiva? Inveja? Quando chegasse a época das eleições, cada um iria para o canto que quisesse.
O tom era de quem não está negociando. Lula deixou claro que a permanência dos ministros era decisão deles, mas manifestou o desejo de que continuassem. Quem quisesse sair, que saísse — mas que não esperasse compaixão. "A extrema direita não voltará a governar esse país", afirmou, com a confiança de quem acredita que o resultado de 2026 já está escrito.
No Maranhão, porém, a situação era mais delicada. Sua base política no estado estava rachada. De um lado estavam os aliados do governador Carlos Brandão, ex-PSB que agora estava sem partido. Do outro, o grupo que ainda seguia o ex-governador Flávio Dino, que havia deixado a política partidária quando assumiu uma cadeira no Supremo Tribunal Federal. Lula disse que buscaria pacificar essa divisão. "Se gente brincar em serviço, a gente acaba dando para o adversário a chance de ganhar que ele não tem hoje", alertou. "É muito difícil alguém ganhar as eleições de nós em 2026. O governo vai terminar muito bem. O Brasil está vivendo um momento excepcional."
A confiança era notável, mas o contexto em que ela era expressa revelava algo sobre os desafios reais. Imperatriz, a segunda maior cidade do Maranhão e um dos principais redutos do agronegócio no estado, tinha viés bolsonarista. Em 2022, Bolsonaro havia conquistado 54,8% dos votos lá, contra 45,2% de Lula. Em 2024, quando o ex-presidente visitou a cidade duas vezes para apoiar Mariana Carvalho, candidata do Republicanos à prefeitura, a vitória acabou indo para Rildo Amaral, do PP, aliado de Brandão. Não era exatamente um reduto seguro.
Mas Lula estava ali para falar de projetos — Gás do Povo, Luz do Povo, isenção de imposto de renda para quem ganha até cinco mil reais. E estava ali para dizer que não ia implorar. Quem quisesse estar com ele em 2026, que viesse. Quem quisesse ir embora, que fosse embora. A diferença, segundo ele, era que ele tinha certeza de uma coisa: a extrema direita não voltaria. Os outros, que tivessem sorte.
Bemerkenswerte Zitate
Vai estar comigo quem quiser estar comigo. Não sou daqueles que ficam tentando comprar deputado.— Presidente Lula, em entrevista à TV Mirante
É muito difícil alguém ganhar as eleições de nós em 2026. O governo vai terminar muito bem.— Presidente Lula