Em um momento em que a independência dos bancos centrais é debatida em todo o mundo, o governo Trump apresentou um pedido urgente para remover Lisa Cook da diretoria do Federal Reserve, poucos dias antes de uma reunião crucial sobre taxas de juros. Uma juíza federal já sinalizou que o presidente provavelmente não possui autoridade legal para tal ação, e o caso — que mistura acusações de fraude, discordância sobre política monetária e limites do poder executivo — pode chegar à Suprema Corte. O que está em jogo não é apenas o cargo de uma diretora, mas a capacidade de qualquer banco central de t
Trump busca suspender bloqueio judicial à demissão de diretora do Fed
A independência do banco central está em jogo, não apenas Cook
Por que Trump quer remover Cook especificamente? Existem outras razões além da política monetária?
A acusação formal é fraude hipotecária anterior ao seu ingresso no Fed. Mas Cook argumenta — e há razão para levar isso a sério — que é um pretexto. Trump tem sido muito vocal sobre querer que o Fed reduza juros agressivamente, e Cook votou com a maioria em todas as decisões.
Então ela não é uma dissidente dentro do Fed? Não votou contra as decisões da maioria?
Exatamente. Ela votou com todos os outros desde 2022. Não há um registro de discordância que justifique a remoção. É por isso que a juíza disse que Trump provavelmente não tem motivos legais.
E se Trump conseguir removê-la? O que muda?
Muda tudo. Se um presidente conseguir remover diretores do Fed porque discorda de suas decisões sobre juros, a independência do banco central desaparece. Um banco central que responde diretamente a um presidente não consegue controlar a inflação de forma eficaz.
Isso já aconteceu antes em outros países?
Sim. Quando governos conseguem controlar seus bancos centrais, a inflação tende a disparar. É uma lição histórica clara. Por isso a independência é tão importante.
Qual é o próximo passo agora?
O tribunal de apelações decidirá se suspende a decisão da juíza antes de 16 e 17 de setembro. Se não suspender, Cook permanece. Se suspender, ela pode ser removida enquanto o caso segue. De qualquer forma, isso vai para a Suprema Corte.
O Pulso
- O governo Trump pediu em caráter de urgência que um tribunal de apelações suspenda a proteção judicial que mantém Lisa Cook no cargo do Federal Reserve.
- Uma juíza federal já bloqueou a demissão, concluindo que Trump provavelmente não tem base legal para removê-la — o que coloca o Executivo em rota de colisão direta com o Judiciário.
- O timing é explosivo: a decisão pode chegar antes da reunião de 16 e 17 de setembro, quando o Fed deve deliberar sobre corte de juros — exatamente o tema em que Trump pressiona o banco central.
- Cook nega as acusações de fraude hipotecária e afirma que são um pretexto para silenciar sua voz sobre política monetária, não uma causa legítima de demissão.
- Analistas já antecipam que o caso chegará à Suprema Corte, onde poderá redefinir os limites do poder presidencial sobre instituições financeiras independentes.
Em um momento em que a independência dos bancos centrais é debatida em todo o mundo, o governo Trump apresentou um pedido urgente para remover Lisa Cook da diretoria do Federal Reserve, poucos dias antes de uma reunião crucial sobre taxas de juros. Uma juíza federal já sinalizou que o presidente provavelmente não possui autoridade legal para tal ação, e o caso — que mistura acusações de fraude, discordância sobre política monetária e limites do poder executivo — pode chegar à Suprema Corte. O que está em jogo não é apenas o cargo de uma diretora, mas a capacidade de qualquer banco central de tomar decisões livres de pressão política.
Na quinta-feira, o Departamento de Justiça dos EUA pediu ao Tribunal de Apelações do Circuito de D.C. que derrubasse a decisão de uma juíza federal que impediu a remoção de Lisa Cook da diretoria do Federal Reserve. A juíza Jia Cobb havia bloqueado temporariamente a demissão, avaliando que Trump provavelmente não possui autoridade legal para agir dessa forma. O pedido do governo é urgente — e o calendário torna tudo ainda mais tenso: a corte pode decidir o destino de Cook antes da reunião de política monetária de 16 e 17 de setembro.
A tentativa de demissão ocorreu no final de agosto, com o governo alegando que Cook teria cometido fraude hipotecária antes de ingressar no Fed. Ela nega qualquer irregularidade e vai além: em sua ação judicial, argumenta que as acusações são um pretexto para removê-la por suas posições sobre política monetária. Desde 2022, Cook votou com a maioria em todas as decisões sobre juros — aumentos e cortes — sem qualquer postura heterodoxa. O que a torna alvo, segundo ela, é a pressão de Trump para que o Fed reduza agressivamente os custos de empréstimos, pressão que o presidente tem exercido publicamente sobre Jerome Powell.
O caso transcende os dois personagens centrais. Em disputa está a independência do Federal Reserve — o princípio de que um banco central deve definir taxas de juros sem interferência política direta, condição considerada essencial para o controle da inflação. Se um presidente puder demitir diretores por discordância sobre juros, essa proteção estrutural se fragiliza de forma significativa. Cook permanece no cargo por ora, mas sua situação pende de um fio legal que, na avaliação de analistas, se estenderá até a Suprema Corte dos Estados Unidos.
Na quinta-feira, o governo Trump apresentou um pedido urgente a um tribunal federal de apelações: permitir que o presidente remova Lisa Cook de seu cargo na diretoria do Federal Reserve, pelo menos enquanto o caso segue em trâmite. A solicitação vem após uma juíza federal ter bloqueado temporariamente a demissão, argumentando que Trump provavelmente não possui autoridade legal para tomar tal ação.
O Departamento de Justiça dos EUA pediu ao Tribunal de Apelações do Circuito de D.C. que suspenda a decisão da juíza distrital Jia Cobb, que havia impedido o Fed de prosseguir com a remoção de Cook enquanto o processo judicial continua. O timing é delicado: a corte pode determinar o destino de Cook antes da reunião de política monetária marcada para 16 e 17 de setembro, quando o banco central americano deverá decidir sobre redução de taxas de juros.
Tudo começou no final de agosto, quando Trump tentou demitir Cook. Sua justificativa: acusações de fraude hipotecária supostamente cometida antes dela ingressar no Federal Reserve. Cook nega categoricamente qualquer irregularidade. Em sua ação judicial, ela argumenta que Trump não possui base legal para removê-la com base em alegações de conduta anterior ao seu cargo no banco central. Mais do que isso, ela sustenta que a acusação de fraude é um pretexto — uma maneira de removê-la porque discorda de suas posições sobre política monetária.
Este não é um detalhe menor. Desde que Cook começou a trabalhar no Fed em 2022, ela votou com a maioria em todas as decisões sobre taxas de juros, tanto em aumentos quanto em cortes. Sua posição, portanto, não é particularmente heterodoxa dentro da instituição. O que a torna alvo é algo mais fundamental: Trump tem exigido que o Fed reduza agressivamente os custos de empréstimos e tem criticado publicamente Jerome Powell, o presidente do banco central, por sua administração da política monetária.
O caso toca em uma questão que vai muito além de Cook ou de Trump. Está em jogo a independência do Federal Reserve — a capacidade de um banco central definir taxas de juros sem sofrer pressão política direta. Essa independência é amplamente considerada essencial para que qualquer banco central mantenha a inflação sob controle. Se um presidente conseguir remover diretores simplesmente porque discorda de suas decisões sobre juros, a estrutura que protege essa independência enfraquece significativamente.
Os analistas já preveem que o caso chegará à Suprema Corte dos EUA. Enquanto isso, a decisão do tribunal de apelações nas próximas semanas determinará não apenas se Cook permanece em seu cargo, mas também sinalizará como as cortes federais entendem os limites do poder presidencial sobre o banco central. Cook permanece em seu cargo por enquanto, mas sua permanência está suspensa em um fio legal que se estende até a mais alta corte do país.
Citações Notáveis
Cook argumenta que a acusação de fraude hipotecária é um pretexto para removê-la por sua posição sobre política monetária— Lisa Cook, em sua ação judicial
Trump exigiu que o Fed reduzisse agressivamente os custos de empréstimos e criticou publicamente o presidente do banco central— Registros públicos de declarações de Trump