Títulos públicos caem até 25,5% em 2021 com taxas de prefixados disparando a 10,90% ao ano

As perdas só se concretizam se o investidor vender antecipadamente
A chave para entender as quedas de preço em 2021: quem manteve os títulos até o vencimento recebeu exatamente o contratado.
Mark

Por que exatamente os preços caem quando as taxas sobem? Parece contraintuitivo.

Mimi

Pense assim: se você comprou um título que paga 6% ao ano, e depois o mercado começa a oferecer 10% ao ano para papéis similares, seu título fica menos atrativo. Se você quiser vender antes do vencimento, terá que reduzir o preço para compensar alguém por receber uma taxa menor.

Luke

Mas é importante notar que essa queda de preço só importa se você vender. A fonte deixa claro que se você segura até o vencimento, recebe exatamente o que contratou.

Mark

Então por que alguém venderia? Se sabe que vai perder dinheiro?

Mimi

Emergências, mudança de planos, necessidade de caixa. Nem todo investidor tem o luxo de esperar até 2045 ou 2055.

Luke

A fonte menciona que a Selic saiu de 2% para 9,25% em 2021. Isso é um movimento extraordinário — é a maior parte da explicação para por que as taxas dos títulos subiram tanto.

Mark

E isso foi causado pela Covid e pelos problemas fiscais?

Mimi

Principalmente pelos problemas fiscais. A Covid criou incerteza, mas o Banco Central estava respondendo a pressões inflacionárias e à deterioração das contas públicas.

Luke

A fonte não detalha exatamente quais foram essas pressões fiscais. Ela diz que havia "turbulência no ambiente doméstico, envolvendo o âmbito fiscal", mas não especifica.

Mark

Então o investidor que comprou no início de 2021 viu seu patrimônio cair até 25%?

Mimi

Sim, mas novamente — apenas se vendesse. Se esperasse, receberia a taxa original contratada.

Luke

E isso é uma diferença crucial que muitos leitores podem não captar na primeira leitura.

  • A combinação de crise fiscal e pandemia fez os investidores exigirem prêmios cada vez maiores para financiar o governo brasileiro, empurrando as taxas dos títulos a níveis não vistos desde 2017.
  • O Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 despencou 25,47% no acumulado do ano, a maior queda entre todos os papéis disponíveis — um choque especialmente duro para quem precisou resgatar antes do prazo.
  • A taxa Selic saiu de 2% ao ano em janeiro e chegou a 9,25% em dezembro, amplificando a pressão sobre os preços dos títulos já emitidos e redesenhando o mapa de riscos da renda fixa.
  • Mesmo títulos que ensaiaram recuperação em dezembro, como o Tesouro Prefixado 2026 com alta de 4,71% no mês, não conseguiram apagar as perdas do ano, encerrando 2021 no vermelho.
  • A distinção entre perda contábil e perda realizada tornou-se o ponto central do debate: quem manteve os papéis até o vencimento não perdeu nada — e ainda garantiu taxas mais atrativas para o futuro.

Em 2021, o Tesouro Direto atravessou um dos seus anos mais turbulentos, com todos os títulos públicos registrando queda de preços à medida que as taxas subiam — uma relação inversa que reflete a desconfiança dos mercados diante da deterioração fiscal brasileira e das incertezas persistentes da pandemia. O movimento, que levou papéis prefixados de 6,4% para quase 11% ao ano, não é apenas um dado financeiro: é o retrato de um país negociando o preço do seu risco perante quem lhe empresta dinheiro. Para o investidor paciente, porém, a história guarda uma nuance essencial — perdas só existem de fato quando se decide partir antes da hora.

O ano de 2021 foi severo para os investidores do Tesouro Direto. Todos os títulos públicos disponíveis registraram queda de preços ao longo dos doze meses — consequência direta de uma lógica que pode parecer paradoxal: quando as taxas sobem, os preços dos papéis já emitidos caem.

O cenário que produziu essa dinâmica era bem conhecido. A pandemia de Covid-19 seguia gerando incerteza global, enquanto a situação fiscal do governo brasileiro se deteriorava. Diante desse quadro, os investidores passaram a exigir retornos maiores para emprestar dinheiro ao Estado, elevando os prêmios dos títulos negociados na plataforma.

Os números revelam a dimensão da mudança. Os títulos atrelados à inflação com vencimento em 2035, que pagavam cerca de 3,4% no início do ano, encerraram 2021 oferecendo 5,30% ao ano. Nos prefixados, a transformação foi ainda mais acentuada: o papel com vencimento em 2024 saltou de 6,4% em fevereiro para 10,90% em dezembro. Esse movimento acompanhou a trajetória da Selic, que saiu do patamar histórico de 2% ao ano e chegou a 9,25% — o maior nível desde 2017.

As perdas foram expressivas para quem precisou vender antes do vencimento. O Tesouro IPCA+ 2045 acumulou queda de 25,47% no ano, a maior entre todos os papéis. Títulos de prazo mais longo naturalmente oscilam mais quando as taxas se movem, pois carregam maior incerteza sobre o futuro. O Tesouro IPCA+ com juros semestrais e vencimento em 2055 recuou 11,54%. Mesmo papéis que se recuperaram em dezembro não conseguiram reverter o saldo negativo do ano.

Havia, porém, uma ressalva fundamental. As perdas visíveis nos extratos só se tornavam reais se o investidor decidisse vender antecipadamente. Quem mantivesse os títulos até o vencimento receberia exatamente o que foi contratado na compra. Para esse investidor, as taxas mais altas do final de 2021 não representavam prejuízo — representavam uma oportunidade de retornos maiores nos anos seguintes.

O ano de 2021 foi particularmente severo para quem tinha dinheiro aplicado em títulos públicos pelo Tesouro Direto. Todos os papéis disponíveis para investimento registraram quedas de preço ao longo dos doze meses, reflexo direto de um movimento que parecia contraditório à primeira vista: as taxas oferecidas pelos títulos subiram significativamente, e quando as taxas sobem, os preços dos papéis já emitidos caem.

O cenário que produziu essa dinâmica era bem conhecido dos investidores. A pandemia de Covid-19 continuava gerando incerteza sobre a economia global, enquanto no Brasil a situação fiscal do governo se deteriorava. Diante dessa combinação, os investidores exigiram retornos maiores para emprestar dinheiro ao Estado — em outras palavras, queriam ser compensados pelo risco adicional. Essa exigência se traduziu em prêmios mais altos nos papéis negociados no Tesouro Direto.

Os números ilustram bem a magnitude da mudança. Os títulos atrelados à inflação, que ofereciam uma taxa próxima de 3,4% no início de 2021 (considerando o papel com vencimento em 2035), terminaram o ano pagando 5,30% ao ano. Já nos títulos prefixados — aqueles cuja taxa é definida no momento da compra — a transformação foi ainda mais dramática. O título com vencimento em 2024, por exemplo, saiu de uma taxa de 6,4% em fevereiro para 10,90% ao ano em dezembro. Esse aumento refletia também a trajetória da taxa Selic, que começou 2021 no patamar histórico de 2% ao ano e terminou em 9,25%, o maior nível desde 2017.

As perdas acumuladas ao longo do ano foram expressivas para quem precisou vender seus títulos antes do vencimento. O papel Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045 registrou queda de 25,47% no acumulado de 2021, a maior entre os títulos disponíveis. Papéis com prazos mais longos naturalmente sofrem oscilações maiores de preço quando as taxas se movem, porque há mais incerteza sobre o cenário econômico futuro. O Tesouro IPCA+ com juros semestrais e vencimento em 2055 também foi bastante afetado, com queda de 11,54% no ano. Mesmo alguns títulos que tiveram valorização em dezembro — como o Tesouro Prefixado com vencimento em 2026, que ganhou 4,71% no último mês — não conseguiram compensar as perdas acumuladas, encerrando o ano com queda de 9,83%.

Mas havia uma ressalva importante que os investidores precisavam compreender. As perdas que apareciam nos extratos só se concretizavam se a pessoa decidisse vender o título antes da data de vencimento. Quem mantivesse os papéis até o final do prazo receberia exatamente o que havia sido contratado no momento da compra — a taxa e as condições permaneceriam as mesmas. Essa distinção entre perda realizada e perda apenas contábil era fundamental para entender o que havia realmente acontecido no mercado de renda fixa em 2021. O ambiente havia se tornado mais desafiador para quem precisava de liquidez, mas para o investidor que podia esperar, as taxas mais altas oferecidas no final do ano representavam uma oportunidade de retornos maiores nos anos seguintes.

A maior aversão ao risco fez com que investidores exigissem retornos mais gordos para emprestar recursos para um governo sob pressão
— Análise do mercado de Tesouro Direto em 2021
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