Há doenças que avançam em silêncio, e a medicina há muito busca formas de ouvi-las antes que falem alto demais. O Hospital Israelita Einstein incorpora ao Brasil o teste Galleri, um exame de sangue capaz de rastrear sinais moleculares associados a mais de 50 tipos de câncer em pessoas assintomáticas a partir dos 50 anos. Desenvolvido a partir da análise de DNA circulante e padrões de metilação, o exame não substitui os rastreamentos tradicionais, mas amplia o horizonte da detecção precoce — oferecendo, pela primeira vez no país, uma janela para cânceres que até então não tinham triagem de roti
Teste de sangue que detecta sinais de 50+ tipos de câncer chega ao Brasil
Detectar câncer nos estágios iniciais, quando o tratamento funciona melhor
Como exatamente o Galleri consegue detectar sinais de 50 tipos de câncer diferentes a partir de uma única coleta de sangue?
O teste analisa fragmentos de DNA livre circulante e padrões de metilação — basicamente marcadores químicos que podem indicar a presença de células cancerígenas. Diferentes cânceres deixam assinaturas moleculares distintas, então o teste consegue identificar essas variações.
Mas isso é detecção real ou apenas indicação? Porque o texto deixa claro que um resultado positivo não confirma diagnóstico — precisa de exames de imagem depois.
É indicação. Por isso é complemento, não substituto. O teste diz "há algo aqui que merece investigação", mas a confirmação vem de outros exames.
E quanto aos falsos positivos? Se o teste tem 99,6% de especificidade, isso significa que em cada mil pessoas, quantas receberiam um alarme falso?
Aproximadamente quatro. Mas o estudo Pathfinder 2 tinha 35 mil participantes — números grandes, mas ainda assim uma amostra. A pergunta real é como isso se comporta em população brasileira, com diferentes perfis de saúde.
O Einstein desenvolveu um protocolo clínico justamente para isso — para garantir que a interpretação dos resultados leve em conta o histórico médico e os sintomas de cada paciente.
O estudo NHS-Galleri não encontrou redução significativa em cânceres nos estágios III e IV. Isso não é um problema?
É uma limitação importante. O teste parece bom em detectar cânceres iniciais, mas não está claro se isso reduz mortalidade. Detecção precoce é ótima, mas só importa se levar a melhores resultados.
As análises secundárias mostraram redução de cânceres em estágio IV e menos emergências relacionadas a câncer. Não é o resultado primário que esperavam, mas há sinais positivos.
Quem pode fazer o teste?
Pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais. Não é para grávidas nem para quem está em tratamento ativo.
E o custo? O texto não menciona preço. Isso é importante para saber se vai ser acessível ou apenas para quem pode pagar.
El Pulso
- O câncer de pâncreas, fígado e ovário raramente é detectado cedo — e o Galleri surge justamente para rastrear os tipos que a medicina ainda não sabe como vigiar de rotina.
- Um único exame de sangue analisa fragmentos de DNA circulante e padrões de metilação para identificar possíveis marcadores de câncer e apontar sua origem provável no corpo.
- Estudos com dezenas de milhares de participantes mostram que o teste, combinado aos exames tradicionais, multiplicou por 6,5 vezes a detecção de novos cânceres — com 71% diagnosticados nos estágios iniciais.
- O maior estudo, com 140 mil participantes no Reino Unido, não confirmou redução significativa de cânceres avançados, acendendo um alerta sobre os limites reais do exame.
- Falso-positivos e falso-negativos são possíveis, e o Einstein criou um protocolo clínico estruturado para garantir que os resultados sejam interpretados com acompanhamento médico contínuo.
Há doenças que avançam em silêncio, e a medicina há muito busca formas de ouvi-las antes que falem alto demais. O Hospital Israelita Einstein incorpora ao Brasil o teste Galleri, um exame de sangue capaz de rastrear sinais moleculares associados a mais de 50 tipos de câncer em pessoas assintomáticas a partir dos 50 anos. Desenvolvido a partir da análise de DNA circulante e padrões de metilação, o exame não substitui os rastreamentos tradicionais, mas amplia o horizonte da detecção precoce — oferecendo, pela primeira vez no país, uma janela para cânceres que até então não tinham triagem de rotina.
O Hospital Israelita Einstein passou a oferecer o teste Galleri no Brasil, em parceria com o Grupo Fleury por meio da Gênesis Genomics. É a primeira vez que uma ferramenta de detecção precoce multicâncer está disponível no país. O exame é voltado a pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais e funciona como complemento — não substituto — a métodos como mamografia e colonoscopia.
Ao contrário dos testes genéticos hereditários, que avaliam predisposição futura, o Galleri busca alterações moleculares presentes no momento da coleta. Ele analisa fragmentos de DNA livre circulante e padrões de metilação — marcadores químicos que podem indicar a presença e a origem provável de células cancerígenas. O resultado é binário: sinal detectado ou não detectado. Um resultado positivo leva a exames de confirmação; um resultado negativo, porém, não descarta a doença — o acompanhamento clínico deve continuar.
Três grandes estudos sustentam o uso do Galleri. O Pathfinder, publicado em The Lancet em 2023, demonstrou a viabilidade prática do teste com mais de 6.600 participantes nos EUA, incluindo cânceres sem rastreamento de rotina recomendado. O Pathfinder 2, com quase 36 mil participantes nos EUA e Canadá, mostrou que adicionar o Galleri aos exames habituais aumentou em 6,5 vezes a detecção de cânceres, com especificidade de 99,6% e 71% dos casos diagnosticados nos estágios iniciais. Já o NHS-Galleri, com mais de 140 mil participantes no Reino Unido, não encontrou redução estatisticamente significativa de cânceres avançados, embora análises secundárias tenham apontado aumento na detecção precoce e redução de apresentações de emergência.
O oncologista Fernando Moura, do Einstein, reforça que o rastreamento de rotina hoje cobre apenas cinco tipos de câncer. O Galleri amplia esse horizonte, mas exige integração cuidadosa com os métodos existentes. O hospital desenvolveu um protocolo clínico específico para garantir acompanhamento estruturado e baseado em evidências — reconhecendo que a ferramenta é promissora, mas sua efetividade depende de como é usada.
O Hospital Israelita Einstein acaba de incorporar um exame de sangue capaz de rastrear sinais associados a mais de 50 tipos de câncer. Chamado Galleri, o teste chega ao Brasil oferecido pela Gênesis Genomics, uma parceria entre o Einstein e o Grupo Fleury, e marca a primeira vez que uma ferramenta de detecção precoce multicâncer está disponível no país. O exame é dirigido a pessoas assintomáticas com 50 anos ou mais e funciona como complemento — não substituto — aos métodos tradicionais de rastreamento, como mamografia e colonoscopia.
O funcionamento do Galleri difere fundamentalmente dos testes genéticos hereditários. Enquanto estes avaliam predisposição ou risco futuro, o Galleri busca alterações moleculares presentes no corpo no momento exato da coleta. O teste analisa fragmentos de DNA livre circulante e padrões de metilação — marcadores químicos naturais que podem indicar a presença e a origem provável de células cancerígenas. Uma coleta simples de sangue fornece o material necessário para essa análise.
Os resultados vêm em duas categorias: "Sinal de Câncer Detectado" ou "Sinal de Câncer Não Detectado". Quando o teste aponta um sinal positivo, o paciente é encaminhado para exames de confirmação já estabelecidos, como ressonância ou tomografia. Mas um resultado negativo não descarta completamente a presença da doença — o acompanhamento clínico de rotina deve prosseguir. Resultados falso-positivos e falso-negativos podem ocorrer, razão pela qual a interpretação dos resultados deve ser feita por um profissional de saúde, considerando o histórico médico, sinais clínicos e sintomas do paciente. O teste não é indicado para mulheres grávidas nem para pacientes em tratamento ativo contra o câncer.
Três grandes estudos internacionais sustentam o uso clínico do Galleri. O primeiro, chamado Pathfinder e publicado em The Lancet em 2023, avaliou 6.662 adultos assintomáticos com 50 anos ou mais nos Estados Unidos. Foi o primeiro a demonstrar a viabilidade prática do teste, incluindo sua capacidade de detectar sinais de cânceres para os quais não há rastreamento de rotina recomendado — pâncreas, fígado e ovário, entre outros. O Pathfinder 2, envolvendo 35.878 participantes nos Estados Unidos e Canadá, constatou que adicionar o Galleri aos exames de rastreamento recomendados aumentou em 6,5 vezes o número de cânceres recém-detectados. O estudo reportou especificidade de 99,6%, taxa de falso-positivo inferior a 0,4% e acurácia de 91,3% na previsão da origem do sinal. Entre os cânceres detectados após resultado positivo, 71% foram diagnosticados nos estágios I a III — fases iniciais quando o tratamento tende a ser mais eficaz.
O terceiro estudo, NHS-Galleri, incluiu mais de 140 mil participantes no Reino Unido. Seus resultados, publicados em setembro de 2026 no New England Journal of Medicine, não encontraram redução estatisticamente significativa na incidência combinada de cânceres nos estágios III e IV. Porém, análises secundárias identificaram aumento na detecção de cânceres nos estágios I e II, redução de cânceres em estágio IV e diminuição de apresentações de emergência relacionadas ao câncer.
Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein, ressalta que o rastreamento de rotina atualmente é recomendado apenas para cinco tipos de câncer: mama, colo do útero, colorretal, pulmão e próstata. O Galleri não deve substituir esses exames, mas ser utilizado em conjunto com as estratégias existentes. O Einstein desenvolveu um protocolo clínico específico para a adoção do teste, garantindo uma jornada assistencial estruturada, baseada em evidências científicas e acompanhamento a longo prazo dos pacientes. A chegada do Galleri ao Brasil representa um passo na expansão do acesso a ferramentas de detecção precoce, embora sua interpretação correta e integração com os métodos tradicionais permaneçam fundamentais para sua efetividade clínica.
Citas Notables
O Galleri não deve substituir esses exames, mas ser utilizado em conjunto com as estratégias existentes de rastreamento do câncer— Fernando Moura, oncologista e gerente médico do Centro de Multiômica do Einstein