Apenas Tesouro Selic fechou abril positivo entre 11 papéis disponíveis; todos os outros nove títulos (prefixados e IPCA+) sofreram quedas significativas. Especialistas recomendam alocação maior em pós-fixados e títulos de curto prazo, evitando longo prazo do IPCA+ devido à alta volatilidade e dificuldade de previsão econômica.
Tesouro Selic é única opção positiva em abril; títulos longos sofrem perdas
Apenas Tesouro Selic se salva; tudo mais sofre quedas
Por que apenas o Tesouro Selic ficou positivo em abril?
Porque o Selic é pós-fixado — ele acompanha a taxa básica de juros. Quando a Selic sobe, quem tem esse título ganha. Os outros títulos, prefixados e indexados ao IPCA, têm preço que cai quando as taxas sobem.
Mas espera — essa queda de preço é real ou só acontece se você vender antes do vencimento?
Só acontece se você vender antes. Se levar até o vencimento, o retorno que você acordou na compra está garantido.
Então por que os especialistas estão preocupados com os títulos longos?
Porque ninguém sabe como a economia vai estar em 2045 ou 2055. Essa incerteza faz o preço oscilar muito. Se você precisar vender antes, pode pegar uma perda real.
Os números que você mencionou — o IPCA+ 2045 caiu 5,96% — isso é perda de preço ou perda de rentabilidade?
Perda de rentabilidade no mês. O preço caiu porque as taxas subiram. Quem comprou antes e quer vender agora perde dinheiro.
E para maio, o que muda?
Provavelmente a Selic sobe mais um ponto. Os especialistas acham que depois o Banco Central para e reavalia. Enquanto isso, o Federal Reserve americano também está apertando, o que afeta o Brasil.
Mas ninguém sabe se o BC vai parar ou continuar?
Exato. Por isso os especialistas recomendam ficar nos títulos curtos — menos risco enquanto a incerteza persiste.
O Pulso
- Apenas Tesouro Selic fechou abril positivo entre 11 papéis disponíveis
- IPCA+ 2045 caiu 5,96% em rentabilidade, a maior perda do mês
- Projeção para IPCA saltou de 6,86% para 7,65% em abril
- Especialistas recomendam títulos de curto prazo com vencimento inferior a 5 anos
- Reunião do Copom em maio pode elevar Selic para 12,75% ao ano
Apenas Tesouro Selic fechou abril positivo entre 11 papéis disponíveis; todos os outros nove títulos (prefixados e IPCA+) sofreram quedas significativas. Especialistas recomendam alocação maior em pós-fixados e títulos de curto prazo, evitando longo prazo do IPCA+ devido à alta volatilidade e dificuldade de previsão econômica.
Em abril, apenas títulos Tesouro Selic tiveram rentabilidade positiva no Tesouro Direto, enquanto papéis prefixados e IPCA+ registraram fortes quedas, com maiores perdas nos títulos de longo prazo.
Abril foi um mês de perdas generalizadas no Tesouro Direto. Entre os onze títulos disponíveis para compra, apenas um — o Tesouro Selic — terminou o período com rentabilidade positiva. Os outros nove papéis, sejam prefixados ou indexados ao IPCA, sofreram quedas significativas, com os títulos de longo prazo absorvendo os maiores golpes.
O cenário que produziu essas perdas é conhecido entre investidores: quando as taxas de juros sobem, o preço dos títulos já emitidos cai. Isso ocorre porque a relação é inversa — quanto maior a taxa oferecida, menor o valor de mercado do papel. Em abril, essa dinâmica se intensificou. A projeção para o IPCA saltou de 6,86% para 7,65% no mês, enquanto a expectativa para a taxa básica de juros subiu de 13% para 13,25%. O mercado também reagiu ao aperto mais rápido da política monetária americana, que influencia o processo de desinflação no Brasil.
Os títulos indexados à inflação com vencimento mais curto foram os que menos sofreram. O IPCA+ com vencimento em 2026 caiu apenas 0,38% em rentabilidade, oferecendo retorno real de 5,36% ao ano com aplicação mínima de R$ 31,43. Seu colega de 2032 recuou 0,76%, com retorno de 5,53% ao ano. Já o Tesouro Selic, como tem acontecido nos últimos meses, fechou positivo: os papéis com vencimentos em 2025 e 2027 registraram ganhos de 0,64% e 0,77%, respectivamente.
As maiores perdas concentraram-se nos títulos mais longos. O IPCA+ com vencimento em 2045 foi o mais afetado de toda a carteira, com rentabilidade recuando 5,96% no mês. Entre os prefixados, o papel com vencimento em 2029 caiu 2,73%, enquanto seu colega de 2033 perdeu 2,62%. Esses títulos de longo prazo carregam maior risco porque é mais difícil prever como estará a economia do país em 2030, 2045 ou 2055. Essa incerteza se traduz em oscilação de preço mais acentuada ao longo do tempo.
Os especialistas consultados recomendam cautela. Sandra Blanco, estrategista chefe da Órama, sugere uma alocação maior em títulos pós-fixados, onde a relação risco-retorno é mais favorável, embora não descarte oportunidades em prefixados com investimentos mais limitados. Rodrigo Caetano, especialista em investimentos da Toro, aponta os títulos de curto prazo como os mais interessantes no momento: o Tesouro Selic e os papéis indexados à inflação com vencimento inferior a cinco anos, que oferecem juros reais acima de 5%, porque um cenário de incertezas pode se desenhar ao longo do ano.
É importante notar que essa volatilidade só afeta quem resgata antes do vencimento. Se o investidor levar o título até o fim do prazo combinado com o governo, o retorno acordado na hora da compra está garantido. Mas para quem já possui títulos na carteira e enfrenta perdas de mercado, a situação é delicada: as taxas mais altas tornam uma venda antecipada pouco atrativa, consolidando as perdas.
Maio já começa com uma reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. A projeção do mercado é de um aumento de um ponto percentual na Selic, chegando a 12,75% ao ano. Blanco acredita que o Banco Central aumentará e depois parará para reavaliar. Lá fora, o Federal Reserve deve dar mais sinais de crescimento dos juros americanos, movimento que deve resvalar na curva de juros brasileira. As incertezas fiscais do país e as movimentações envolvendo as eleições também devem permanecer no radar dos agentes.
A orientação dos especialistas para maio é manter-se nos títulos de curto prazo até a percepção de risco diminuir. O Tesouro Selic de 2025 e o IPCA+ de 2026 continuam sendo os mais indicados. Para quem vai comprar agora, em um cenário de taxas elevadas, há uma oportunidade: se as taxas caírem no futuro, uma eventual venda antecipada do título pode ser interessante. Mas o ideal, segundo Blanco, é alongar o investimento quando o risco fiscal diminuir.
Citações Notáveis
É necessário acompanhar até onde vai a Taxa Selic e a persistência inflacionária. Por isso, recomendo uma alocação maior nos pós-fixados, porque a relação risco-retorno é muito melhor.— Sandra Blanco, estrategista chefe da Órama
Os títulos indexados à inflação, que oferecem juros reais acima de 5%, e o Tesouro Selic, ambos com vencimento inferior a 5 anos, são os mais interessantes, porque um cenário de incertezas pode se desenhar ao longo do ano.— Rodrigo Caetano, especialista em investimentos da Toro