Tesouro Direto cai até 14% no 1º trimestre; analistas indicam IPCA+ 2026

Se levar o título até o vencimento, o retorno está garantido
Analista explica que oscilações de marcação a mercado só afetam quem vende antes do prazo combinado.
Mark

Por que os títulos caíram tanto se o governo garante o retorno?

Mimi

A queda que você vê é marcação a mercado — o preço diário do título no mercado. Se você vender antes do vencimento, realiza essa perda. Se esperar até o final, recebe o que foi prometido.

Luke

Mas isso significa que se você precisar do dinheiro antes do prazo, você perde mesmo. Não é só um número no papel.

Mark

Então por que alguém compraria um título que pode cair 14%?

Mimi

Porque se você tem 5 ou 10 anos para esperar, a queda não importa. Você ganha o que foi combinado. É para quem não vai precisar do dinheiro antes.

Luke

E se a inflação explodir? O IPCA+ protege contra isso, mas só se a inflação realmente subir. Se não subir, você ganhou menos.

Mark

A analista recomenda IPCA+ 2026. Por quê?

Mimi

Porque protege contra inflação ainda alta e incerta. Se os preços continuarem subindo, você ganha mais. Se caírem, pelo menos tem a proteção.

Luke

Mas ela também diz que não recomenda especulação agora. Então a recomendação é para quem vai ficar com o título, não para quem quer ganhar rápido.

Mark

E o Tesouro Selic? Parece mais seguro.

Mimi

É. Não sofre com marcação a mercado da mesma forma. Todos os 10 analistas indicam para emergência.

Luke

Mas teve meses negativos em 2020. Ela diz que é remoto repetir, mas não descarta completamente. Nada é garantido.

Mark

O que pode mexer com os preços em abril?

Mimi

Vacinação, taxa de juros americana, inflação aqui dentro, e a questão fiscal do governo.

Luke

Basicamente, tudo. Ela lista quatro riscos principais, e todos têm potencial real de impacto. A incerteza é genuína.

  • O Tesouro IPCA+ 2045 despencou 14,15% em apenas três meses, chocando investidores acostumados à relativa previsibilidade dos títulos públicos.
  • Uma combinação rara de pressões simultâneas — vacinação lenta, temores fiscais internos e juros americanos nos maiores níveis em 14 meses — comprimiu os preços dos papéis de longo prazo de forma severa.
  • O orçamento federal de 2021 expôs subestimativas de gastos obrigatórios entre 30 e 40 bilhões de reais, acendendo o alerta sobre o teto de gastos e alimentando expectativas de juros ainda mais altos.
  • Analistas reforçam que as perdas são 'aparentes' para quem mantém os títulos até o vencimento, mas o resgate antecipado pode cristalizar prejuízos reais.
  • Para abril, quatro variáveis dominavam o radar: ritmo de vacinação, barreira dos 2% nos Treasuries americanos, desvalorização do real e a resolução — ainda sem resposta — do impasse fiscal no Congresso.

No primeiro trimestre de 2021, os títulos do Tesouro Direto registraram perdas de até 14,15%, revelando como a confluência de crises — pandemia, fragilidade fiscal e juros americanos em alta — pode transformar investimentos considerados seguros em espelhos da instabilidade coletiva. A marcação a mercado, mecanismo técnico que atualiza diariamente o valor dos papéis, tornou visível uma ansiedade que já habitava a economia brasileira. Para o investidor paciente, porém, o contrato original com o governo permanece intacto: quem aguarda o vencimento colhe o que foi prometido, independentemente das tempestades do caminho.

O primeiro trimestre de 2021 foi um período difícil para quem investia no Tesouro Direto. A maioria dos títulos públicos encerrou o período no vermelho, com o Tesouro IPCA+ 2045 liderando as perdas ao recuar 14,15%. O mecanismo por trás desse resultado é a marcação a mercado — a atualização diária dos preços conforme as condições do mercado mudam —, que amplifica tanto ganhos quanto perdas enquanto o título não chega ao vencimento.

O trimestre foi marcado por uma tempestade de fatores simultâneos. No cenário externo, os juros dos títulos americanos de 10 anos subiram ao longo de fevereiro e março, tornando os ativos de países emergentes menos atrativos. No Brasil, o agravamento da pandemia e o ritmo lento da vacinação aprofundaram as dúvidas sobre a recuperação econômica. Para piorar, o orçamento federal de 2021 revelou subestimativas de gastos obrigatórios entre 30 e 40 bilhões de reais, reacendendo o temor de que o teto de gastos pudesse ser comprometido e de que os juros precisariam subir mais do que o esperado.

A analista Paula Zogbi, da Rico Investimentos, lembra, no entanto, que essas oscilações só se tornam perdas efetivas se o investidor resgatar o título antes do prazo. Quem mantém o papel até o vencimento recebe exatamente o retorno acordado no momento da compra. A volatilidade nos extratos é uma fotografia momentânea, não um veredicto definitivo.

Para quem buscava alocar recursos naquele momento, as recomendações eram claras: o Tesouro Selic para reserva de emergência, e o Tesouro IPCA+ 2026 para investidores de longo prazo dispostos a carregar o papel até o fim — uma escolha que oferece proteção contra a inflação ainda pressionada. Operações especulativas, por sua vez, não recebiam recomendação diante do grau de incerteza sobre vacinação e retomada econômica.

Entrando em abril, quatro pontos concentravam as atenções: o ritmo da vacinação, o comportamento dos Treasuries americanos caso ultrapassassem 2% ao ano, eventuais movimentos bruscos de desvalorização do real e, sobretudo, a questão fiscal — como o governo resolveria o impasse orçamentário sem comprometer o teto de gastos era a pergunta que ainda não tinha resposta.

Os títulos do Tesouro Direto enfrentaram seu pior trimestre em meses. No primeiro trimestre de 2021, a maioria dos papéis públicos registrou perdas significativas, com quedas que chegaram a 14,15% — o caso mais severo foi o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2045. Para quem acompanha esses investimentos, o resultado foi frustrante. Mas a explicação técnica é simples: marcação a mercado.

A marcação a mercado é a atualização diária do preço de um título conforme ele flutua no mercado. Essa prática traz volatilidade real ao investimento em Tesouro Direto, amplificando ganhos potenciais ou criando perdas aparentes — como ocorreu nos últimos meses. O primeiro trimestre foi particularmente turbulento. Incertezas políticas, econômicas e a pandemia criaram um ambiente de desconfiança que afetou diferentes títulos de formas distintas.

Os títulos com vencimentos mais curtos sofreram impacto direto da perspectiva de elevação da taxa Selic antes do que se esperava. Quando essa elevação foi confirmada em março, os preços e as taxas se movimentaram. Já os títulos de prazo mais longo enfrentaram uma tempestade de fatores. Nos mercados internacionais, as taxas de juros dos Treasuries americanos subiram ao longo de fevereiro e março, reduzindo a atratividade dos títulos de países emergentes como o Brasil. Internamente, o agravamento da pandemia e o ritmo lento da vacinação contra a covid-19 trouxeram novas restrições e aprofundaram as dúvidas sobre a recuperação econômica. Além disso, temores sobre a situação fiscal do país ganharam força quando o orçamento de 2021 revelou subestimativas de gastos obrigatórios na casa de 30 a 40 bilhões de reais nos últimos dias do mês, alimentando expectativas de juros mais altos.

Mas há um detalhe crucial que Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos, enfatiza: essas oscilações de marcação a mercado só afetam o rendimento se o investidor resgatar o título antes do vencimento. Se mantiver o papel até o final do prazo, o retorno combinado com o governo no momento da compra está garantido. A volatilidade que aparece nos extratos é apenas uma foto de um período específico, não uma sentença final.

Para quem quer investir agora, as recomendações variam conforme o perfil. O Tesouro Selic continua sendo indicado por analistas como a melhor opção para reserva de emergência, apesar de ter tido meses negativos em 2020. O risco de repetição existe, mas é considerado remoto. Para investidores com horizonte de longo prazo e disposição de manter os títulos até o vencimento, Zogbi recomenda o Tesouro IPCA+ com vencimento em 2026. Essa escolha protege contra uma inflação ainda pressionada e oferece proteção contra as incertezas sobre quando os preços realmente se estabilizarão no país. O mesmo papel também atrai especuladores que apostam em melhoria das perspectivas fiscais no médio prazo, pois teria potencial de valorização. Mas Zogbi deixa claro: especular é arriscado, e no momento de incerteza sobre vacinação e retomada econômica, não há recomendação específica para operações especulativas.

O mês de abril trazia quatro pontos críticos no radar. O primeiro era o ritmo de vacinação contra a covid-19 — atrasos significariam mais tempo até a recuperação econômica. O segundo era a taxa dos Treasuries americanos de 10 anos, que havia atingido máximas de 14 meses e poderia mexer com os preços se ultrapassasse 2% ao ano. No Brasil, a aceleração dos preços continuava sendo fonte de preocupação, embora boa parte dessa alta já estivesse precificada nos títulos atuais. Movimentos mais fortes de desvalorização do real poderiam impactar os papéis. Por fim, a questão fiscal permanecia como o risco mais estrutural: como o governo federal resolveria o orçamento que subestimou despesas e colocava em xeque o teto de gastos para 2021 era a pergunta que continuava sem resposta clara.

A marcação a mercado pode trazer muita volatilidade ao investimento em Tesouro Direto, ampliando seu retorno potencial ou até abrindo espaço para prejuízos
— Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos
Como a incerteza não diminuiu e ainda é muito incerta a velocidade da vacinação e da retomada econômica, não estamos indicando títulos especificamente para especulação neste momento
— Paula Zogbi, analista da Rico Investimentos
Möchten Sie die ganze Geschichte? Das Original lesen bei Valor Investe ↗
Kontakt FAQ