Suprema Corte dos EUA permite avanço de ordem de Trump sobre voto pelo correio

A decisão não respondeu se a medida é constitucional
A Suprema Corte permitiu o avanço da ordem de Trump sobre voto pelo correio decidindo apenas sobre questão processual, deixando o mérito constitucional em aberto.
Mark

Por que a Suprema Corte não decidiu se a ordem é constitucional?

Mimi

Porque a maioria conservadora achou que os estados não tinham legitimidade processual para contestar. É uma forma de deixar a questão de fundo para depois — ou talvez nunca.

Mark

Então o governo pode simplesmente implementar a medida agora?

Mimi

Pode continuar os preparativos, mas não está livre de riscos. Outros processos podem chegar aos tribunais e potencialmente bloquear tudo de novo.

Mark

Qual é a urgência? As eleições são em novembro.

Mimi

Exatamente. Alguns estados começam a enviar cédulas em poucas semanas. Se a ordem entrar em vigor, pode criar caos operacional — ou, do ponto de vista do governo, garantir que apenas eleitores em listas aprovadas recebam cédulas.

Mark

Trump sempre disse que o voto pelo correio facilita fraudes. Há evidências disso?

Mimi

Não há evidências de fraude generalizada. Um estudo recente encontrou cerca de quatro casos de fraude para cada 10 milhões de cédulas. Mas a narrativa persiste.

Mark

E quanto ao argumento de que não cidadãos estão votando?

Mimi

É raro. Ilegal e pode resultar em deportação. Mas é o argumento que o governo usa para justificar a medida publicamente.

Mark

O que vem a seguir?

Mimi

Mais processos. A decisão desta segunda-feira não encerra nada — apenas abre a porta para que o governo continue. Os tribunais inferiores ainda terão a palavra.

  • A Suprema Corte abriu caminho para restrições federais ao voto pelo correio a menos de três meses das eleições legislativas, criando incerteza para estados que já preparam o envio de cédulas.
  • A decisão não avaliou se a medida é constitucional — apenas concluiu que os 23 estados e o Distrito de Columbia não tinham legitimidade para contestá-la, deixando a questão central sem resposta.
  • Autoridades eleitorais estaduais e locais alertam que mudanças tão próximas do pleito podem desorganizar processos já em andamento, prejudicando eleitores que dependem do correio para votar.
  • Dados do Brookings Institution indicam cerca de quatro casos de fraude para cada 10 milhões de cédulas enviadas pelo correio — número que contrasta com a narrativa de fraude generalizada usada para justificar a ordem.
  • Novos processos judiciais são esperados assim que o governo começar a implementar as mudanças, mantendo a disputa viva e o desfecho incerto até — e possivelmente além de — novembro.

Em um momento em que as regras do voto definem quem pertence à democracia, a Suprema Corte dos Estados Unidos permitiu que o governo Trump avance com restrições ao voto pelo correio — não porque declarou a medida constitucional, mas porque concluiu que os estados que a contestavam não tinham legitimidade processual para fazê-lo. A decisão, tomada em caráter de emergência e sem assinatura, adia a pergunta mais profunda: até onde pode o poder federal redesenhar o acesso ao sufrágio? As batalhas judiciais que virão responderão — ou não — antes de novembro.

A Suprema Corte dos Estados Unidos permitiu nesta segunda-feira que o governo Trump avance com seu plano de restringir a votação pelo correio. A decisão, porém, não tocou na questão central: se a medida é constitucional. A maioria conservadora concluiu apenas que os 23 estados e o Distrito de Columbia que entraram com a ação não tinham legitimidade processual para contestá-la. O governo pode continuar seus preparativos — mas outras batalhas judiciais estão por vir.

A ordem executiva em disputa determina que o governo federal crie listas de eleitores aptos a votar e instrui o Serviço Postal a entregar cédulas somente a quem constar nessas listas. Autoridades democratas argumentam que a Constituição reserva aos estados e ao Congresso a responsabilidade pela organização das eleições, e que mudanças tão próximas do pleito de novembro podem comprometer a preparação do processo.

O caminho até a Suprema Corte foi tortuoso: uma juíza federal de Massachusetts bloqueou a ordem; um tribunal de apelações manteve o bloqueio; depois a mesma juíza suspendeu a medida em todo o país. O Departamento de Justiça recorreu à Suprema Corte em julho. Paralelamente, um juiz federal de Washington havia permitido o avanço da ordem — decisão também mantida em apelação, mas com a porta aberta para novos processos.

A decisão desta segunda-feira foi tomada em caráter de emergência, sem assinatura e sem análise do mérito constitucional. A própria maioria conservadora ressalvou que sua conclusão não garante a legalidade de todas as medidas de implementação. Os três ministros da ala liberal discordaram.

Trump critica o voto pelo correio há anos, associando-o a fraudes. Após perder para Biden em 2020, fez acusações sem provas suficientes para sustentar que fraudes teriam alterado o resultado. A nova ordem também é apresentada como barreira contra o voto de não cidadãos — embora esses casos sejam raros e já ilegais, passíveis de deportação.

Os números contam outra história: cerca de 30% das cédulas da eleição presidencial de 2024 foram enviadas pelo correio, e um estudo do Brookings Institution de 2025 identificou aproximadamente quatro casos de fraude para cada 10 milhões de cédulas. O uso do voto pelo correio cresceu entre eleitores dos dois principais partidos. Com alguns estados prestes a começar o envio de cédulas nas próximas semanas, o que acontece a seguir dependerá de como os tribunais inferiores responderão aos novos desafios que certamente virão.

A Suprema Corte dos Estados Unidos abriu caminho, nesta segunda-feira, para que o governo de Donald Trump avance com seu plano de restringir a votação pelo correio. A decisão, porém, não respondeu à pergunta mais fundamental: se a medida é constitucional. Os ministros da maioria conservadora concluíram simplesmente que os estados que entraram com a ação — 23 deles mais o Distrito de Columbia — não tinham legitimidade processual para contestar a ordem. Isso significa que o governo pode continuar seus preparativos, mas também que outras batalhas judiciais ainda estão por vir.

A ordem executiva em questão determina que o governo federal crie listas de eleitores considerados aptos a votar e instrui o Serviço Postal dos EUA a entregar cédulas apenas para pessoas incluídas nessas listas. Autoridades democratas argumentaram que a Constituição atribui aos estados e ao Congresso a responsabilidade pela organização das eleições, e que mudanças tão próximas do pleito — marcado para novembro — poderiam prejudicar a preparação do processo. Dezenas de autoridades eleitorais estaduais e locais também pediram que a Suprema Corte mantivesse a ordem suspensa.

O caminho até a Suprema Corte foi acidentado. Uma juíza federal de Massachusetts havia bloqueado a aplicação da ordem para as eleições de meio de mandato. Um tribunal de apelações manteve essa decisão. Depois, a mesma juíza determinou a suspensão da medida em todo o país. O Departamento de Justiça recorreu à Suprema Corte no fim de julho, argumentando que os estados haviam apresentado a ação antes da ordem ser efetivamente implementada. Havia também uma decisão de um juiz federal de Washington que permitia o avanço da medida — decisão que um tribunal de apelações manteve, deixando aberta a possibilidade de novos processos caso o governo colocasse as mudanças em prática.

A decisão desta segunda-feira foi tomada em processo de emergência, sem assinatura e sem que a Corte avaliasse o mérito constitucional da questão. A maioria conservadora deixou claro que sua conclusão não significa que todas as medidas adotadas pelo governo para implementar a ordem serão legais. Os três ministros da ala liberal discordaram. O ponto crucial é que a decisão não encerra as disputas sobre a ordem executiva. Novos questionamentos ainda podem chegar aos tribunais.

Trump critica a votação pelo correio há anos, afirmando que o sistema facilita fraudes. Após perder a eleição presidencial de 2020 para Joe Biden, fez acusações de fraude relacionadas ao processo eleitoral, sem apresentar provas que sustentassem a existência de uma fraude capaz de alterar o resultado. A nova ordem também é apresentada pelo governo como medida para impedir que pessoas que não são cidadãs americanas votem. Trump defende ainda uma legislação que exigiria comprovante de cidadania para votar. Casos de pessoas sem cidadania votando em eleições nos Estados Unidos são raros — o voto de não cidadãos é ilegal e pode resultar em deportação.

Os números, porém, contam uma história diferente. Cerca de 30% das cédulas da eleição presidencial de 2024 foram enviadas pelo correio. Um estudo do Brookings Institution publicado em 2025 identificou cerca de quatro casos de fraude para cada 10 milhões de cédulas enviadas dessa forma. O uso de cédulas pelo correio aumentou entre eleitores dos dois principais partidos dos Estados Unidos.

Alguns estados devem começar a enviar cédulas pelo correio aos eleitores nas próximas semanas. A decisão desta segunda-feira pode ser uma das várias disputas relacionadas às eleições analisadas pela Suprema Corte. Em junho, os ministros decidiram que os estados podem contabilizar cédulas que chegam depois do dia da eleição — naquele caso, porém, a Corte analisou o processo após a apresentação dos argumentos das partes. O que acontece agora dependerá de como os tribunais inferiores respondem aos novos desafios que certamente virão.

A maioria conservadora afirmou que o julgamento não significa que todas as medidas adotadas pelo governo para implementar a ordem serão legais
— Suprema Corte dos Estados Unidos
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