Start-up americana fabrica interceptadores de drones iranianos em Emirados com peças tipo Lego

Mais de 500 mísseis balísticos e 2.200 drones iranianos foram disparados contra alvos nos Emirados, matando pelo menos 15 pessoas e ferindo centenas.
Vamos continuar comprando dos EUA, mas também produziremos internamente
A estratégia dos Emirados Árabes Unidos para reduzir dependência de fornecedores únicos de armas de defesa.
Mark

Por que um interceptador de cinco mil dólares muda o jogo quando os Emirados já tinham acesso aos PAC-3?

Mimi

Porque o PAC-3 custa milhões. Você está usando uma arma de defesa aérea de longo alcance para destruir um drone de quarenta mil dólares. Economicamente, é insano. O Guardian permite que você gaste proporcionalmente menos e ainda derrube o alvo.

Mark

Mas por que agora? Por que a Powerus conseguiu fazer isso quando Lockheed e Raytheon não fizeram antes?

Mimi

Porque a guerra criou urgência. Os Emirados estavam sendo atacados. Não havia tempo para processos burocráticos longos. A Powerus ofereceu uma solução que podia ser fabricada localmente, rapidamente, com componentes que já existiam.

Mark

O design de Lego é real ou é apenas marketing?

Mimi

É real. As peças são impressas em 3D e se encaixam. Isso significa que você não precisa de fábricas sofisticadas ou trabalhadores altamente especializados. Você precisa de pessoas que consigam seguir instruções. Isso é escalável.

Mark

E as conexões com os Trumps? Isso é coincidência ou estratégia?

Mimi

Provavelmente estratégia. A Powerus precisava de capital rápido e de acesso ao governo. Os Trumps tinham ambos. Não é ilegal, mas é a forma como o poder funciona em Washington agora.

Mark

Qual é o risco aqui?

Mimi

Que a tecnologia se torne uma commodity. Quando qualquer país consegue fabricar interceptadores localmente, você perde controle sobre quem tem acesso a ela. Isso é bom para soberania, ruim para hegemonia americana.

Mark

Então a Powerus está acelerando o fim da dependência dos EUA?

Mimi

Talvez. Ou está criando um novo modelo onde os EUA fornecem a tecnologia e os aliados a fabricam. De qualquer forma, nada volta ao que era antes.

  • Interceptadores Guardian custam US$ 5 mil e são montados com peças tipo Lego
  • Mais de 500 mísseis balísticos e 2.200 drones iranianos disparados contra os Emirados desde fevereiro
  • Powerus planeja aumentar produção de 3 mil para 15 mil unidades mensais até meados de 2027
  • Contrato de US$ 22 milhões assinado para proteger infraestrutura de petróleo e gás no Oriente Médio

Interceptadores Guardian custam US$ 5 mil e são montados como Lego com componentes impressos em 3D, derrotando drones Shahed iranianos a 320 km/h. Powerus planeja aumentar produção de 3 mil para 15 mil unidades mensais até 2027, com fábricas nos EAU, Índia e parcerias estratégicas globais.

A Powerus desenvolve interceptadores Guardian de baixo custo (US$ 5 mil) produzidos em fábricas nos Emirados Árabes Unidos para combater drones iranianos, revolucionando o modelo de negócios da indústria de defesa.

Num armazém anônimo nos Emirados Árabes Unidos, trabalhadores filipinos e chineses passam até doze horas por dia montando pequenos interceptadores de drones. As peças se encaixam como blocos de Lego — componentes impressos em 3D, microchips de prateleira, módulos GPS comerciais — e quando terminam, têm nas mãos uma arma capaz de destruir um alvo aéreo a 320 quilômetros por hora. Cada unidade custa cinco mil dólares. Cada uma é chamada Guardian.

A Powerus, uma startup americana sediada na Flórida, não inventou a ideia. O projeto veio da Ucrânia, testado em combate real contra os drones Shahed iranianos que a Rússia usa. Mas a Powerus fez algo que a indústria de defesa raramente faz: tornou a coisa simples, barata e rápida de fabricar. Atualmente, as fábricas afiliadas à empresa produzem cerca de três mil interceptadores por mês. O objetivo é chegar a quinze mil até meados de 2027. Naquele armazém nos Emirados, os trabalhadores montam trinta unidades por dia e planejam dobrar esse número em breve.

O contexto que torna isso urgente é brutal. Desde fevereiro, quando a guerra com o Irã começou, mais de quinhentos mísseis balísticos e mais de dois mil duzentos drones iranianos foram disparados contra alvos nos Emirados Árabes Unidos. Pelo menos quinze pessoas morreram. Centenas ficaram feridas. Uma refinaria de petróleo foi paralisada. Dois centros de dados da Amazon foram destruídos. Os Emirados respondiam com interceptadores PAC-3 da Lockheed Martin — armas que custam milhões de dólares cada — para destruir drones Shahed de quarenta mil dólares. Era insustentável. Ainda é. O Guardian oferece uma alternativa.

Mas o Guardian também representa algo maior: uma mudança radical em como a indústria de defesa faz negócios. Em vez de construir fábricas nos Estados Unidos e exportar armas, a Powerus fornece treinamento, componentes e software para fabricantes locais em regiões onde os interceptadores são necessários. Isso é coprodução. É rápido. É barato. É o oposto do modelo que dominou a defesa americana por décadas. Michael Sinensky, cofundador e vice-presidente executivo de marketing da Powerus, chamou isso de uma forma de fazer negócios projetada para rapidez. A empresa já assinou um contrato de vinte e dois milhões de dólares para proteger infraestrutura de petróleo e gás no Oriente Médio e estabeleceu uma parceria com uma empresa de defesa perto de Mumbai para fabricar interceptadores na Índia.

Até as gigantes estão mudando. A Lockheed Martin anunciou em julho que produziria um interceptador de menor custo na Europa, em parceria com empresas europeias. Custa cerca de dois milhões de dólares — metade do preço do PAC-3 — mas os testes só começam em 2028. A Raytheon anunciou uma parceria para construir seus interceptadores Coyote nos Emirados, a um custo estimado de cento e vinte e seis mil e quinhentos dólares por unidade. A Neros, uma startup de Torrance, Califórnia, está desenvolvendo um drone interceptador chamado Bandit que custa cerca de cinco mil dólares, competindo diretamente com o Guardian.

A pressão vem do governo Trump. Os fornecedores estão sendo pressionados para entregar armas mais rapidamente. A Powerus respondeu de forma agressiva — talvez demasiado agressiva para alguns. Pouco depois do início da guerra com o Irã, a empresa anunciou uma fusão incomum com a Aureus Greenway Holdings, uma operadora de campos de golfe de capital aberto. O acordo foi intermediado pela Dominari Securities, uma empresa de investimentos com Donald Trump Jr. e Eric Trump como acionistas e membros do conselho consultivo. Keith Kellogg, um tenente-general aposentado que atuou como conselheiro sênior do presidente Trump na Casa Branca, juntou-se ao conselho consultivo da Powerus. A Unusual Machines, uma fabricante de componentes para drones com Donald Trump Jr. em seu conselho consultivo, investiu trinta milhões de dólares. Este mês, a Powerus assinou um contrato de até noventa milhões de dólares para fornecer interceptadores à Força Aérea.

Sinensky respondeu às perguntas sobre essas conexões com uma frase simples: não nos importamos com política, queremos salvar vidas. Agradecemos os investimentos que fizeram em uma organização que investiu em nós. Mas a realidade é que a Powerus está operando dentro de uma rede de poder e capital que inclui a família Trump. Isso não torna o Guardian menos eficaz — o interceptador já está sendo produzido nos Emirados, e foi demonstrado a um comprador em Dubai semanas após o início da guerra — mas torna a história mais complexa.

Albert Vidal, pesquisador associado do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos que atua na região, ofereceu uma perspectiva diferente. O objetivo número um, disse ele, é ter capacidade soberana. A reação nos Emirados Árabes Unidos é: vamos continuar comprando o máximo possível dos EUA, mas também compraremos de outros países e também produziremos internamente. É uma estratégia de diversificação. É também um sinal de que o modelo antigo — dependência total de fornecedores americanos — está morrendo. O Guardian é apenas um sintoma dessa morte.

Não nos importamos com política — queremos salvar vidas
— Michael Sinensky, cofundador e vice-presidente executivo de marketing da Powerus
O objetivo número um é ter capacidade soberana. Vamos continuar comprando o máximo possível dos EUA, mas também compraremos de outros países e também produziremos internamente
— Albert Vidal, pesquisador associado do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos
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