SP divulga calendário escalonado para dose de reforço da Covid-19 a partir de segunda

A proteção cai acima dos 80 anos com qualquer vacina
Especialistas reconhecem redução de proteção em idosos, mas divergem sobre qual fabricante oferece melhor reforço.
Mark

Por que São Paulo decidiu incluir pessoas a partir de 60 anos quando o governo federal recomendou apenas maiores de 70?

Mimi

O governo estadual optou por uma abordagem mais ampla, expandindo a faixa etária. A decisão reflete uma estratégia diferente de proteção, mas não há explicação clara no anúncio sobre o raciocínio específico por trás dessa escolha.

Luke

Exatamente. E isso é importante porque significa que 7,2 milhões de pessoas é um número que depende dessa decisão política — não é uma recomendação científica universal.

Mark

E quanto à questão das vacinas diferentes? Por que São Paulo não seguiu a recomendação de usar Pfizer?

Mimi

São Paulo disse que usaria qualquer vacina disponível no posto de saúde. O governo argumenta que todas as vacinas são seguras e eficazes, e que há estudos mostrando benefícios até com combinações como CoronaVac em todas as três doses.

Luke

Mas aqui está o problema: esses estudos ainda estão em andamento. Não há conclusões finais sobre todas as combinações possíveis. Cientistas criticaram essa flexibilidade justamente porque há evidências de que Pfizer oferece maior proteção para idosos.

Mark

Então estamos falando de um risco calculado?

Mimi

Mais ou menos. O governo estadual está apostando que qualquer vacina é melhor que nenhuma, e que a segurança está garantida. Mas há uma diferença entre seguro e ótimo.

Luke

E essa diferença importa especialmente para maiores de 80 anos, onde todos os especialistas reconhecem que a proteção cai independentemente da marca. Se a proteção já é reduzida, por que não usar a opção que estudos sugerem ser mais eficaz?

  • São Paulo inicia a vacinação de reforço na segunda-feira com idosos acima de 90 anos, num cronograma que se estende até outubro e contempla 7,2 milhões de pessoas.
  • O estado diverge do Ministério da Saúde ao incluir maiores de 60 anos — e não apenas 70 anos — e ao permitir qualquer fabricante disponível no posto, ignorando a preferência federal pela Pfizer.
  • Cientistas alertam que as combinações entre diferentes marcas de vacinas ainda não foram completamente estudadas, e pelo menos quatro pesquisas seguem em andamento no Brasil.
  • Especialistas do próprio governo paulista reconhecem que a proteção de todos os imunizantes cai para pessoas acima de 80 anos, independentemente do fabricante utilizado.
  • A Secretaria da Saúde de SP defende que todas as vacinas aprovadas são seguras e eficazes, mas a tensão entre as estratégias estadual e federal permanece sem resolução clara.

Em um momento em que a pandemia ainda exige respostas urgentes, São Paulo anuncia um calendário escalonado de doses de reforço contra a Covid-19, alcançando 7,2 milhões de pessoas a partir de 6 de setembro. O estado amplia o público além do recomendado pelo governo federal e adota uma flexibilidade de fabricantes que divide especialistas. Nessa tensão entre autonomia estadual e orientação nacional, emerge uma questão mais profunda: até onde a pressa em proteger pode abrir lacunas no conhecimento científico ainda em construção?

São Paulo anunciou nesta quarta-feira um calendário escalonado para a aplicação de doses de reforço contra a Covid-19, com início previsto para 6 de setembro. O programa começa pelos idosos acima de 90 anos e avança semana a semana por faixas etárias menores, encerrando entre 4 e 10 de outubro com pessoas de 60 a 69 anos. Imunossuprimidos maiores de 18 anos também estão incluídos. No total, o estado estima alcançar 7,2 milhões de pessoas.

O cronograma paulista diverge em dois pontos centrais das recomendações do Ministério da Saúde. Primeiro, SP ampliou a faixa etária para incluir todos os maiores de 60 anos, enquanto o governo federal restringiu a indicação a maiores de 70. Segundo — e mais polêmico —, o estado anunciou que utilizará qualquer vacina disponível no posto no momento da aplicação, sem preferência por fabricante, contrariando a recomendação federal de priorizar a Pfizer.

Essa flexibilidade gerou críticas de cientistas, que apontam que as combinações entre diferentes marcas de vacinas ainda não foram completamente avaliadas. Há pelo menos quatro estudos em andamento no Brasil testando diferentes cenários de combinação entre CoronaVac, AstraZeneca, Pfizer e Janssen. Durante coletiva no Palácio dos Bandeirantes, o infectologista Sérgio Cimerman reconheceu que a proteção de todos os imunizantes diminui em pessoas acima de 80 anos, independentemente do tipo de vacina. Já João Gabbardo, coordenador do comitê estadual contra a Covid-19, defendeu a estratégia citando estudos que apontam benefícios mesmo na combinação de três doses de CoronaVac.

A Secretaria da Saúde de SP reafirmou que todos os imunizantes aprovados no Brasil são seguros e eficazes. Ainda assim, a divergência entre as abordagens estadual e federal permanece como ponto de tensão enquanto o calendário avança.

São Paulo começará a aplicar doses de reforço contra a Covid-19 na próxima segunda-feira, 6 de setembro, iniciando com pessoas acima de 90 anos. O governo estadual divulgou nesta quarta-feira um calendário escalonado que se estenderá até outubro, abrangendo um público estimado em 7,2 milhões de pessoas — todos os idosos com mais de 60 anos e pessoas imunossuprimidas maiores de 18 anos que já completaram seu esquema vacinal.

O cronograma segue uma progressão por faixa etária. Após a semana inicial com maiores de 90 anos, a vacinação avança para idosos entre 85 e 89 anos de 13 a 19 de setembro. A terceira semana, de 20 a 26 de setembro, contempla pessoas de 80 a 84 anos e imunossuprimidos acima de 18 anos. Em seguida, de 27 de setembro a 3 de outubro, chegará a vez dos idosos entre 70 e 79 anos. O calendário encerra com a faixa de 60 a 69 anos, que receberá a dose de reforço entre 4 e 10 de outubro. Para que a dose adicional seja aplicada, idosos precisam ter completado seu esquema vacinal há mais de seis meses; já os imunossuprimidos devem aguardar 28 dias após a segunda dose.

O plano estadual paulista diverge significativamente das recomendações do Ministério da Saúde. Enquanto o governo federal recomendou a dose de reforço apenas para maiores de 70 anos e imunossuprimidos, São Paulo expandiu a faixa etária para incluir todos acima de 60 anos. A diferença mais polêmica, porém, diz respeito ao fabricante da vacina. O Ministério da Saúde determinou que a dose de reforço seja preferencialmente da Pfizer, enquanto São Paulo anunciou que utilizará qualquer vacina disponível no posto de saúde no momento da aplicação — sem especificar o fabricante.

Essa flexibilidade gerou críticas de cientistas que estudam a pandemia. Estudos indicam maior proteção para idosos quando a dose de reforço é da Pfizer, conforme recomendado pelo governo federal. O problema é que as combinações possíveis entre diferentes marcas de vacinas ainda não foram completamente avaliadas. No Brasil, há pelo menos quatro estudos em andamento que testam diferentes cenários: duas doses de Pfizer seguidas de Pfizer; duas doses de AstraZeneca seguidas de uma nova versão da AstraZeneca; duas doses de AstraZeneca seguidas da mesma versão; e duas doses de CoronaVac seguidas de Pfizer, AstraZeneca, Janssen ou CoronaVac.

Durante coletiva de imprensa no Palácio dos Bandeirantes, especialistas ligados ao governo de São Paulo reconheceram que a proteção de todas as vacinas é reduzida para pessoas com mais de 80 anos, independentemente do fabricante. Sérgio Cimerman, infectologista do hospital Emílio Ribas, afirmou que esse padrão ocorre com qualquer tipo de imunizante — sejam inativados, de vetor viral ou de RNA mensageiro. Quando questionado sobre as combinações de vacinas ainda não estudadas, João Gabbardo, coordenador do comitê contra Covid-19 de São Paulo, argumentou que há vantagens na aplicação de reforço com qualquer fabricante, citando estudos que apontam aspectos positivos para pessoas vacinadas com duas doses de CoronaVac que recebem uma terceira dose da mesma vacina.

A Secretaria da Saúde de São Paulo respondeu a questionamentos afirmando que todas as vacinas contra a Covid-19 disponíveis no Brasil são seguras, eficazes e têm a mesma finalidade: proteger contra a doença e reduzir chances de infecções graves. Segundo o governo estadual, todos os imunizantes disponíveis poderão ser usados na aplicação de terceira dose no estado. A divergência entre as estratégias estadual e federal permanece, porém, como um ponto de tensão enquanto o calendário de vacinação avança nas próximas semanas.

Acima dos 80 anos, há redução do fator imunoprotetor independentemente de qual é a vacina utilizada
— Sérgio Cimerman, infectologista do hospital Emílio Ribas
Todas as vacinas contra a Covid-19 disponíveis no Brasil são seguras, eficazes e têm a mesma finalidade: proteger contra a doença
— Governo do Estado de São Paulo
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