Senado dos EUA aprova pacote de 88 mil milhões de euros para Ucrânia, Israel e Taiwan

A aprovação visa aliviar a escassez crítica de munições e equipamento de defesa que a Ucrânia enfrenta no terceiro ano de guerra contra a Rússia.
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McConnell apelou aos republicanos para renovarem o compromisso de exercer força americana face à oposição interna.

Na madrugada de terça-feira, o Senado dos Estados Unidos aprovou um pacote de ajuda de 95 mil milhões de dólares para a Ucrânia, Israel e Taiwan — um gesto que coloca a superpotência americana no centro de três dos maiores pontos de tensão geopolítica do mundo. A votação, que reuniu democratas e um punhado de republicanos, reflete a velha questão que persegue as grandes potências: até onde vai a responsabilidade de sustentar a ordem que ajudaram a construir? A resposta do Senado foi clara, mas o caminho até à assinatura presidencial permanece incerto, suspenso entre a urgência da guerra e a paralisia da política interna.

  • A Ucrânia entra no terceiro ano de guerra com escassez crítica de munições e sistemas de defesa aérea, tornando este pacote uma questão de sobrevivência no campo de batalha.
  • A divisão no Partido Republicano expôs uma fissura profunda entre os que veem o abandono da Ucrânia como um convite a Putin e os que exigem que os EUA olhem primeiro para dentro de si próprios.
  • Mitch McConnell desafiou diretamente os opositores dentro da sua própria conferência, questionando se a América estava disposta a mostrar determinação ou a ceder terreno aos seus adversários.
  • O Senado aprovou a medida com mais de 60 votos, mas o presidente da Câmara Mike Johnson já avisou que a votação na Câmara dos Representantes pode levar semanas ou meses.
  • Com Donald Trump a dominar as primárias republicanas e a opor-se ao apoio à Ucrânia, o destino do pacote na Câmara depende tanto de geopolítica como de cálculo eleitoral.

Na madrugada de terça-feira, o Senado dos EUA aprovou um pacote de 95,34 mil milhões de dólares em ajuda para três aliados estratégicos. A Ucrânia recebe a maior fatia — 60 mil milhões de dólares — para reabastecer munições, armas e sistemas de defesa aérea num momento em que o conflito com a Rússia entra no seu terceiro ano. Israel e Taiwan dividem cerca de 14 mil milhões combinados, para operações contra o Hamas e reforço da capacidade defensiva, respetivamente.

A votação não foi isenta de tensão. Um grupo de republicanos opôs-se com veemência, defendendo que os EUA deveriam resolver os seus próprios problemas antes de enviar recursos para o exterior. Ainda assim, mais de uma dúzia de republicanos juntou-se a quase todos os democratas, convictos de que abandonar a Ucrânia encorajaria Putin e fragilizaria a segurança ocidental. Mitch McConnell, que fez da Ucrânia a sua prioridade máxima nos últimos meses, desafiou os opositores com uma questão direta: dariam aos adversários dos EUA mais razões para duvidar da determinação americana?

Chuck Schumer descreveu o momento em termos históricos, afirmando que o Senado raramente aprovara legislação com impacto tão amplo na segurança nacional, na dos aliados e na da democracia ocidental.

A vitória no Senado é, porém, apenas o primeiro passo. Na Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos, o presidente Mike Johnson lançou dúvidas sobre a medida, sugerindo que poderão passar semanas ou meses até que o projeto chegue à mesa de Biden. Republicanos alinhados com Donald Trump — crítico vocal do apoio à Ucrânia — opõem-se à legislação, e o caminho até à assinatura presidencial permanece repleto de obstáculos políticos.

Na madrugada de terça-feira, o Senado dos EUA votou a favor de um pacote de 95,34 mil milhões de dólares — cerca de 88,4 mil milhões de euros — destinado a reforçar as defesas de três aliados estratégicos: Ucrânia, Israel e Taiwan. A votação ultrapassou o limiar de 60 votos necessário para avançar a legislação, marcando uma vitória para a liderança democrata num momento em que a geopolítica global se torna cada vez mais frágil.

O montante reflete prioridades distintas. A Ucrânia recebe a fatia mais substancial: 60 mil milhões de dólares, equivalentes a 55,6 mil milhões de euros, destinados a reabastecer stocks de munições, armas e equipamento essencial enquanto o país entra no terceiro ano de conflito contra a Rússia. Taiwan e Israel dividem aproximadamente 14 mil milhões de dólares combinados, com fundos para que Israel prossiga operações contra o Hamas e para que Taiwan reforce a sua capacidade defensiva. Os fundos permitem a compra de equipamento fabricado nos EUA, incluindo sistemas de defesa aérea que as autoridades ucranianas descrevem como críticos face aos ataques russos contínuos.

A aprovação não foi unânime. Um pequeno grupo de republicanos opôs-se veementemente ao pacote, argumentando que os Estados Unidos deveriam resolver os seus próprios problemas antes de enviar recursos para o exterior. Mas mais de uma dúzia de republicanos votou ao lado de quase todos os democratas, acreditando que o abandono da Ucrânia encorajaria o presidente russo Vladimir Putin e ameaçaria a segurança ocidental em escala global. Mitch McConnell, líder republicano no Senado, fez da Ucrânia a sua prioridade máxima nos últimos meses, enfrentando resistência considerável dentro da sua própria conferência. No domingo anterior à votação, dirigiu-se aos opositores com uma questão direta: dariam aos adversários dos EUA mais razões para questionar a determinação americana, ou renovariam o compromisso de exercer força?

Chuck Schumer, líder da maioria democrata, descreveu a votação em termos históricos. "Já se passaram anos, talvez décadas, desde que o Senado aprovou um projeto de lei que tem um impacto tão grande não apenas na nossa segurança nacional, não apenas na segurança dos nossos aliados, mas também na segurança da democracia ocidental", afirmou. A aprovação chega num momento em que a Ucrânia enfrenta uma escassez crítica de munições e equipamento no campo de batalha.

Mas a vitória no Senado é apenas o primeiro passo. O pacote enfrenta um futuro profundamente incerto na Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos. Mike Johnson, presidente da Câmara, lançou dúvidas sobre a medida, sugerindo que poderiam passar semanas ou meses até que o Congresso enviasse a legislação para a mesa do presidente Joe Biden. Republicanos de linha dura alinhados com Donald Trump — o principal candidato à nomeação presidencial do Partido Republicano e crítico vocal do apoio à Ucrânia — opõem-se à legislação. A aprovação do Senado seguiu-se a quase cinco meses de negociações árduas, mas o caminho até à assinatura presidencial permanece repleto de obstáculos políticos.

Já se passaram anos, talvez décadas, desde que o Senado aprovou um projeto de lei que tem um impacto tão grande não apenas na nossa segurança nacional, não apenas na segurança dos nossos aliados, mas também na segurança da democracia ocidental
— Chuck Schumer, líder da maioria no Senado
Daremos àqueles que nos desejam danos mais motivos para questionar a nossa determinação, ou iremos renovar o compromisso de exercer a força americana?
— Mitch McConnell, líder republicano no Senado
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que é que o Senado votou isto agora, neste momento específico?

Model

A Ucrânia está no terceiro ano de guerra e enfrenta uma escassez crítica de munições. McConnell tornou isto a sua prioridade máxima, argumentando que adiar seria permitir que Putin ganhasse tempo e confiança.

Inventor

Mas há republicanos que se opõem. Qual é o argumento deles?

Model

Dizem que os EUA têm problemas internos que precisam de atenção primeiro. Não veem por que razão deveriam enviar 60 mil milhões de dólares para a Ucrânia quando há necessidades em casa.

Inventor

E os que votaram a favor, apesar de republicanos?

Model

Acreditam que abandonar a Ucrânia seria um sinal de fraqueza que encorajaria Putin e desestabilizaria toda a segurança ocidental. Para eles, isto é defesa nacional, não caridade.

Inventor

O que acontece agora?

Model

Vai à Câmara, onde os republicanos têm controlo. Mike Johnson já deixou claro que isto pode levar semanas ou meses. Não há garantia de que chegue à mesa de Biden.

Inventor

Então a votação do Senado pode não significar nada?

Model

Significa que há vontade política aqui. Mas sim, tudo depende agora do que acontece na Câmara, onde Trump tem influência considerável e muitos republicanos o seguem.

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