Funeral de Khamenei reúne milhões em Teerã com gritos de vingança

Ali Khamenei, líder supremo do Irã por mais de três décadas, faleceu aos 86 anos em bombardeios israelenses e americanos em 28 de fevereiro que desencadearam conflito regional.
Prometemos ao líder supremo que permaneceremos com ele até o fim
Um professor universitário entre milhões em Teerã, expressando lealdade durante o funeral de Khamenei.

Quatro meses após sua morte em bombardeios israelenses e americanos, o aiatolá Ali Khamenei foi homenageado em Teerã por multidões que as autoridades estimam entre 15 e 20 milhões de pessoas — o maior funeral da história iraniana. O evento de seis dias se desdobra como uma paradoxal sobreposição de luto e demonstração de força: enquanto diplomatas negociam nos bastidores um acordo para encerrar o conflito regional, as ruas ecoam com gritos de vingança e cartazes pedindo a morte de Trump, justamente no dia em que os Estados Unidos celebram 250 anos de independência. No centro de tudo, uma pergunta sem resposta: o sucessor Mojtaba, ferido e invisível desde sua nomeação, terá força para manter a coesão de um regime em transição.

  • Dezenas de milhares de iranianos de preto lotaram a Grande Mosalla antes do amanhecer, num ritual fúnebre que rivaliza com qualquer mobilização de massa na história do país.
  • Os gritos de 'Morte aos EUA, morte a Israel!' e os cartazes contra Trump transformaram o luto em manifesto político, criando uma tensão aguda com as negociações diplomáticas em curso.
  • A ausência do novo líder supremo Mojtaba — supostamente ferido e incomunicável em público desde março — lança sombras sobre a estabilidade do regime no momento mais delicado de sua transição.
  • Delegações do Hamas e do Hezbollah se reuniram com o chanceler iraniano durante as cerimônias, sinalizando que as alianças regionais do regime permanecem ativas apesar da guerra e das negociações.
  • O funeral de seis dias percorrerá cidades do Irã e do Iraque antes do sepultamento em Mashhad em 9 de julho, transformando o luto privado num roteiro geopolítico de afirmação de influência.

Antes mesmo do amanhecer de sábado, 4 de julho, multidões começaram a convergir para a Grande Mosalla em Teerã. O caixão do aiatolá Ali Khamenei estava exposto sob seu turbante preto característico, enquanto dezenas de milhares de iranianos vestidos de preto se aglomeravam no vasto complexo. As autoridades estimavam entre 15 e 20 milhões de participantes nas homenagens — o maior funeral da história do país.

Khamenei havia morrido quatro meses antes, em 28 de fevereiro, durante bombardeios israelenses e americanos que desencadearam uma guerra regional. Aos 86 anos, ele governara o Irã por mais de três décadas. Agora seu funeral se desdobrava como demonstração de força, mesmo enquanto negociadores americanos e iranianos trabalhavam nos bastidores. Um acordo-quadro havia sido assinado no mês anterior, mas as ruas de Teerã ecoavam com gritos de vingança. Muitos empunhavam bandeiras xiitas vermelhas marcadas com a palavra 'Mártir'. Cartazes pediam a morte de Trump — provocação afiada no dia em que os Estados Unidos celebravam seu 250º aniversário. 'Prometemos ao líder supremo que permaneceremos com ele até o fim', disse Reza, professor universitário de 37 anos presente na cerimônia.

O funeral duraria seis dias. O caixão percorreria as ruas da capital, faria paradas em cidades do Irã e do Iraque — incluindo dois santuários xiitas adiados desde março por causa da guerra — antes do sepultamento final em 9 de julho em Mashhad, cidade natal de Khamenei.

O que tornava o momento particularmente tenso era a questão da sucessão. Mojtaba, filho de Khamenei nomeado líder supremo em março, não havia sido visto em público desde então. Supostamente ferido nos ataques que mataram seu pai, ele se comunicava apenas por mensagens escritas. Sua ausência do evento mais importante da vida política iraniana levantava questões sérias sobre sua saúde e capacidade de consolidar o poder.

Entre os presentes estava Ahmad Vahidi, chefe da Guarda Revolucionária, em sua primeira aparição pública desde o início da guerra. Delegações do Hamas e do Hezbollah também se reuniram com o chanceler Abbas Araghchi durante as cerimônias. O funeral era, portanto, simultaneamente luto nacional e sinal político — e a pergunta que pairava sobre tudo era se o novo líder supremo, ainda invisível, teria força para manter a coesão do regime.

Na manhã de sábado, 4 de julho, multidões começaram a convergir para a Grande Mosalla em Teerã antes mesmo do amanhecer. O caixão do aiatolá Ali Khamenei estava ali, exposto sob seu turbante preto característico, enquanto dezenas de milhares de iranianos vestidos de preto se aglomeravam no vasto complexo religioso da capital. As autoridades estimavam que entre 15 e 20 milhões de pessoas participariam das homenagens apenas em Teerã — o que seria descrito como o maior funeral da história do país.

Khamenei havia morrido quatro meses antes, em 28 de fevereiro, durante os bombardeios israelenses e americanos que desencadearam uma guerra regional. Aos 86 anos, ele havia governado o Irã por mais de três décadas. Agora seu funeral se desenrolava como uma demonstração de força, mesmo enquanto negociadores americanos e iranianos trabalhavam nos bastidores. Um acordo-quadro havia sido assinado no mês anterior para encerrar o conflito, mas as ruas de Teerã naquele sábado ecoavam com gritos de vingança. Muitos empunhavam bandeiras xiitas vermelhas marcadas com a palavra "Mártir". Cartazes vermelhos pediam a morte de Trump — uma provocação particularmente afiada no dia em que os Estados Unidos celebravam seu 250º aniversário de independência.

Reza, um professor universitário de 37 anos, estava entre os presentes. "Prometemos ao líder supremo que permaneceremos com ele até o fim", disse ele. "Todas essas pessoas estão aqui por ele." Os gritos que ecoavam pela Mosalla incluíam não apenas pedidos de vingança, mas também slogans que se tornaram familiares nas manifestações oficiais iranianas: "Morte aos Estados Unidos, morte a Israel!"

O funeral duraria seis dias. O caixão permaneceria exposto dia e noite até segunda-feira, quando seria levado em procissão pelas ruas da capital. Depois disso, faria paradas em várias cidades do Irã e do Iraque, antes de seu sepultamento final em 9 de julho em Mashhad, a cidade santa no nordeste onde Khamenei havia nascido. As cerimônias incluiriam visitas a dois santuários xiitas em território iraquiano — eventos que haviam sido originalmente planejados para março, mas adiados por causa da guerra.

O que tornava o momento particularmente tenso era a questão da sucessão. Mojtaba, o filho de Khamenei que havia sido nomeado líder supremo no início de março, não havia sido visto em público desde então. Supostamente ferido durante os ataques que mataram seu pai, ele se comunicava apenas através de mensagens escritas. Sua ausência do funeral — o evento mais importante da vida política iraniana — levantava questões sobre sua saúde e sua capacidade de consolidar o poder.

Entre os que prestaram homenagem ao falecido líder estava Ahmad Vahidi, chefe da Guarda Revolucionária, que aparecia em público pela primeira vez desde o início da guerra. Ele havia sido nomeado para o cargo no início de março, após a morte de seu predecessor em 28 de fevereiro. Sob o comando de Khamenei, o Irã havia fornecido apoio a grupos armados em toda a região — o Hamas palestino, o Hezbollah libanês e outros. Durante sua permanência em Teerã para as cerimônias fúnebres, delegações tanto do Hamas quanto do Hezbollah se reuniram com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Abbas Araghchi.

O funeral, portanto, era simultaneamente um ato de luto nacional e um sinal político. As multidões gritando por vingança, os cartazes pedindo a morte de Trump, a presença de representantes de grupos armados aliados — tudo isso transmitia uma mensagem clara sobre as intenções iranianas, mesmo enquanto diplomatas negociavam em salas fechadas. A questão que pairava sobre tudo era se o novo líder supremo, ainda invisível ao público, teria a força para manter a coesão do regime e honrar os compromissos que seu pai havia feito.

Prometemos ao líder supremo que permaneceremos com ele até o fim. Todas essas pessoas estão aqui por ele.
— Reza, professor universitário de 37 anos
The Hearth Conversation Another angle on the story
Inventor

Por que um funeral dura seis dias? Parece extraordinário.

Model

Porque não é apenas um funeral. É uma cerimônia de Estado que reafirma a continuidade do poder. O corpo viaja, é visto em múltiplas cidades, há rituais em santuários sagrados. É uma forma de o regime dizer: estamos aqui, estamos fortes, a morte de um líder não nos enfraquece.

Inventor

E essas estimativas de 15 a 20 milhões de pessoas — como se verifica algo assim?

Model

Você não verifica com precisão. São estimativas das autoridades iranianas. O que importa é que elas anunciam números enormes porque querem demonstrar mobilização, lealdade, força. Mesmo que o número real seja menor, a intenção é clara.

Inventor

O filho está desaparecido. Isso não é um problema?

Model

É um problema enorme. Um líder supremo que não pode aparecer em público é um líder cuja autoridade está em questão. Se ele está realmente ferido, se está recuperando, se conseguirá manter o controle — ninguém sabe. Ele só fala por escrito.

Inventor

Então por que os americanos e iranianos assinaram um acordo se as coisas estão tão instáveis?

Model

Porque ambos os lados estavam exaustos. A guerra havia durado meses. Mas agora, com Khamenei morto e seu sucessor invisível, a questão é se esse acordo sobrevive. As multidões gritando por vingança sugerem que há pressão interna para continuar a confrontação.

Inventor

Os cartazes pedindo a morte de Trump — isso é apenas retórica ou uma ameaça real?

Model

É retórica que reflete sentimento real. Esses slogans aparecem em manifestações oficiais há décadas. Mas o timing — no aniversário da independência americana — mostra que alguém está enviando uma mensagem. Não é acidental.

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