Presidente critica poder de senadores com mandato de 8 anos e destaca importância de eleger aliados alinhados para garantir governabilidade. Lula enfrenta cenário desafiador: PL tem maior bancada (15 de 81 senadores) e PT possui apenas 9 assentos em 81 vagas.
Sem maioria no Senado, Lula alerta que senadores podem criar problemas ao governo
Um senador pensa que é Deus se você não tiver base
Lula está dizendo que senadores são um problema porque têm muito poder individual. Mas ele próprio é presidente. Por que não consegue simplesmente trabalhar com os 9 que tem?
Porque senador não é como deputado. Oito anos de mandato é tempo demais para depender só de pressão do Palácio. Um senador pode bloquear indicações ao STF, pode abrir investigações, pode derrotar projetos. Com apenas 9 em 81, Lula não consegue nem começar a negociar de posição de força.
Mas espera — ele diz que conseguiu aprovar reforma tributária com 70 deputados em 513. Por que o Senado é diferente?
Porque no Senado cada voto pesa mais. São 81 pessoas, não 513. E senador tem poder de veto real sobre coisas que importam — STF, por exemplo. Além disso, a oposição está organizada. O PL tem 15 senadores. Lula tem 9. A matemática é diferente.
Então a estratégia é colocar ministros para disputar eleição e tentar ganhar mais assentos?
Exatamente. Mas não é só ganhar assentos do PT. É ganhar aliados. Lula deixa claro que não precisa que todos sejam petistas. Precisa de gente que vote com ele quando importa.
Ele menciona Camilo Santana como exemplo de alguém que governou bem sem ser o mais votado. Mas Camilo era governador, não senador. A dinâmica é a mesma?
Não é exatamente a mesma, mas o ponto é válido: você não precisa de maioria absoluta se conseguir construir coalizões. Camilo fez isso no Ceará. Lula está tentando fazer no Senado nacional.
E se não conseguir? Se em 2026 o PT e seus aliados não ganharem mais assentos?
Aí fica como está agora — complicado. Lula mesmo disse que sem maioria a governabilidade fica complicada. Ele está apostando que essa estratégia de liberar ministros vai funcionar. Mas é uma aposta, não uma garantia.
E há riscos reais. O Planalto está monitorando com receio movimentos sobre impeachment de ministros do STF. Isso mostra que a oposição está pensando em usar o poder que tem no Senado.
Então 2026 é realmente crucial para Lula?
Para a governabilidade dele, sim. Não é só sobre ganhar eleição. É sobre conseguir governar nos próximos anos.
El Pulso
- Lula tem 9 senadores em 81 assentos; PL tem 15 (maior bancada)
- Presidente liberou ministros para disputar eleições em 2026, principalmente para o Senado
- Aprovou reforma tributária e desconto de IR com apenas 70 deputados em 513 na Câmara
- Oposição discute propostas de impeachment contra ministros do STF no Senado
Presidente critica poder de senadores com mandato de 8 anos e destaca importância de eleger aliados alinhados para garantir governabilidade. Lula enfrenta cenário desafiador: PL tem maior bancada (15 de 81 senadores) e PT possui apenas 9 assentos em 81 vagas.
Lula afirma que senadores podem criar problemas ao governo sem base política sólida e anuncia estratégia de liberar ministros para disputar vagas no Senado nas eleições de 2026.
Lula sentou-se diante das câmeras da TV Cidade, no Ceará, numa quarta-feira de abril de 2026, e disse algo que revelava o incômodo real de quem governa sem números. Um senador, explicou, com oito anos de mandato na mão, acredita que é praticamente intocável. Pode criar problemas imensos se você não tiver gente suficiente do seu lado no Senado. A frase era simples, mas carregava o peso de uma matemática política que o persegue: o presidente tem apenas 9 senadores em 81 assentos. O PL, partido do ex-presidente Bolsonaro, terminou 2025 com 15 — a maior bancada da Casa Alta.
Essa disparidade não é um detalhe administrativo. É o centro da estratégia que Lula está montando para 2026. Ele decidiu liberar ministros para sair do governo e disputar eleições — a maioria deles buscando vagas no Senado. Não é um sacrifício tático menor. É uma aposta de que fortalecer a bancada progressista na Casa Alta é tão crucial quanto eleger governadores ou deputados federais. Sem maioria lá, disse Lula, a governabilidade fica complicada. Os projetos não avançam. O Estado não funciona como deveria.
O cenário que Lula enfrenta é de fato complexo. A oposição ganhou espaço considerável nos últimos anos. E agora, com a composição do Senado se tornando um dos eixos centrais da disputa eleitoral de 2026, circulam novamente pelo Congresso debates sobre instrumentos de responsabilidade institucional — incluindo propostas de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal. O Planalto acompanha esses movimentos com preocupação. Há também o revés recente da indicação de Jorge Messias ao STF, que ilustra como a falta de apoio no Senado pode bloquear prioridades presidenciais.
Mas Lula não vê a situação como intransponível. Ele citou o exemplo de Camilo Santana, ex-governador do Ceará, que mesmo sem ser o senador mais votado conseguiu governar com eficiência porque construiu uma base sólida no Senado. A lição é clara: não se trata de ter todos os assentos. Trata-se de ter os aliados certos. Para isso, é preciso negociar com quem não está necessariamente no círculo natural do PT. É preciso fazer composição política com gente que pensa diferente. "Quem você gosta já está com você", disse Lula. "É preciso se aproximar de quem pode contribuir para projetos do Estado e do país".
Essa filosofia de governo — costurada, negociada, construída a partir de acordos — é o que permitiu ao presidente aprovar a reforma tributária e o desconto de Imposto de Renda para quem ganha até cinco mil reais. Lula ressaltou o contraste: ele tem apenas 70 deputados em 513 na Câmara. Mesmo assim, conseguiu fazer coisas. "Tudo isso com muita conversa e costura", afirmou. O Senado, porém, é diferente. Senadores têm mandatos longos, poder individual amplificado, e menos incentivos para negociar rápido. Por isso a estratégia de 2026 é tão importante. Por isso liberar ministros para disputar vagas lá não é um custo — é um investimento.
Lula também tocou em um ponto delicado: a saída de Luziane Lins do PT. Ele usou a ocasião para reafirmar que o partido não pode querer ter todos os senadores ou prefeitos. É preciso compartilhar a governança com os aliados. Essa abertura — essa disposição de não monopolizar o poder — é, paradoxalmente, o que permite exercê-lo. Sem ela, sem a capacidade de negociar e ceder espaço, um presidente com 9 senadores em 81 fica preso. Com ela, consegue fazer avançar projetos de Estado. A eleição de 2026 dirá se essa aposta funcionou.
Citas Notables
Sem maioria no Senado, a governabilidade fica complicada. Precisamos eleger aliados e construir base sólida para que os projetos avancem.— Lula
Não podemos querer ter todos os senadores ou prefeitos do PT. É preciso compartilhar com os aliados a governança.— Lula