Alemanha reativa 16 usinas de carvão e petróleo inativas e estende operação de mais 11 para enfrentar escassez de energia causada pela guerra. Scholz lamenta a medida mas a considera necessária, reafirmando compromisso com metas climáticas e neutralidade em CO2 até 2045.
Scholz afirma que retorno a usinas de carvão é medida temporária
O amargo necessário de uma guerra que não escolhemos
Por que Scholz insiste que isso é temporário? Parece uma palavra importante demais para ser apenas retórica.
Porque se ele não disser que é temporário, perde credibilidade com os eleitores que votaram nele justamente pela transição energética. Mas também porque precisa manter os investimentos em renováveis fluindo — ninguém investe em painéis solares se achar que o governo voltou ao carvão para sempre.
Mas qual é a definição de temporário aqui? O texto não diz. Pode ser seis meses, pode ser cinco anos. E ele descartou energia nuclear, que seria a ponte óbvia. Então como exatamente ele sai dessa armadilha?
Essa é a pergunta que ninguém consegue responder agora. Depende de quanto gás russo continua chegando, de quão rápido as renováveis escalam, e de quanto a economia aguenta.
E se Moscou cortar o gás completamente?
Aí a Alemanha enfrenta recessão. Não é especulação — a confederação de câmaras de comércio já alertou sobre isso. Indústria inteira poderia parar.
Mas isso é um cenário, não uma previsão. O que sabemos é que o fluxo já está reduzido, não cortado. Há diferença entre "temores de que Moscou reduzirá" e "Moscou vai reduzir".
Então Scholz está apostando que consegue navegar entre a crise imediata e o compromisso climático?
Está apostando que a guerra termina rápido o suficiente para que ele possa desligar essas usinas antes que virem permanentes. É um jogo de tempo.
E se perder a aposta?
Aí a Alemanha fica com carvão ligado, metas climáticas atrasadas, e uma crise de credibilidade com seus próprios eleitores.
Le Pouls
- Alemanha reativa 16 usinas de carvão e petróleo inativas, estende operação de mais 11
- Quase 45% da eletricidade alemã vem de combustíveis fósseis
- Governo planeja encerrar compras de carvão e petróleo russos em 2022, gás até 2024
- Meta de neutralidade em carbono: 2045
- Três usinas nucleares restantes não serão estendidas além de 2022
Alemanha reativa 16 usinas de carvão e petróleo inativas e estende operação de mais 11 para enfrentar escassez de energia causada pela guerra. Scholz lamenta a medida mas a considera necessária, reafirmando compromisso com metas climáticas e neutralidade em CO2 até 2045.
Chanceler Scholz afirma que reativação de 16 usinas de combustível fóssil na Alemanha é temporária, necessária para compensar possível corte de gás russo devido à guerra na Ucrânia.
No sábado, o chanceler alemão Olaf Scholz gravou um vídeo para explicar uma decisão que o incomodava: seu país estava reativando 16 usinas de carvão e petróleo que havia desligado anos atrás, e estendendo a operação de outras 11. A razão era simples e urgente — a Rússia estava reduzindo o fornecimento de gás natural para a Europa em meio à guerra contra a Ucrânia, e a Alemanha precisava encontrar energia em algum lugar.
Scholz não tentou disfarçar o incômodo. "O fato de agora termos que usar temporariamente algumas usinas que já havíamos deixado de operar por causa do ataque brutal da Rússia à Ucrânia é algo amargo", disse ele no vídeo. Mas completou que seria apenas por um período muito curto. A palavra-chave em seu discurso era "temporário" — uma tentativa de acalmar tanto os críticos ambientais quanto os investidores que haviam apostado na transição energética alemã.
A situação refletia uma realidade incômoda para a Alemanha industrial. O país depende fortemente de combustíveis fósseis, com quase 45% de sua eletricidade gerada a partir de carvão e gás. Nos últimos meses, o governo havia cortado drasticamente as importações de energia russa em resposta à invasão da Ucrânia. Agora planejava encerrar completamente as compras de carvão e petróleo russos ainda em 2022 e de gás natural até 2024. Mas esse cronograma dependia de encontrar alternativas — e encontrá-las rapidamente.
Scholz reafirmou que seu governo permanecia comprometido com as metas climáticas. Disse que continuaria expandindo fontes de energia renovável e que a Alemanha buscava atingir a neutralidade em carbono até 2045, mantendo-se competitiva globalmente. "Estamos apenas começando agora e queremos fazer tudo o que pudermos para combater a crise climática", afirmou. O chanceler reconheceu que como uma das maiores economias industrializadas do mundo, a Alemanha carregava uma responsabilidade especial — e emissões especialmente altas.
Mas as preocupações cresciam além do discurso oficial. A Confederação das Câmaras de Comércio e Indústria Alemãs alertava que uma recessão grave poderia estar se aproximando se o gás russo parasse de chegar. Havia temores reais de que Moscou pudesse reduzir ainda mais o fluxo em retaliação às sanções ocidentais e ao apoio à Ucrânia. Com o inverno se aproximando, as residências receberiam prioridade sobre a indústria no racionamento de gás — um cenário que ninguém queria enfrentar.
Tanto Scholz quanto Robert Habeck, ministro da Economia e Ação Climática, descartaram qualquer possibilidade de estender a vida das três usinas nucleares restantes da Alemanha além de 2022. A energia nuclear, que poderia ter oferecido uma ponte entre o carvão e as renováveis, estava fora da mesa. A Alemanha estava presa entre a necessidade imediata de energia e seus compromissos de longo prazo com o clima — e por enquanto, o carvão venceria.
Citations marquantes
O fato de agora termos que usar temporariamente algumas usinas que já havíamos deixado de operar por causa do ataque brutal da Rússia à Ucrânia é algo amargo. Mas é apenas por um período muito curto.— Olaf Scholz, chanceler da Alemanha
Uma grave recessão pode estar se avizinhando se o gás russo parar de chegar à Alemanha.— Confederação das Câmaras de Comércio e Indústria Alemãs (DIHK)