No cruzamento entre a era da inteligência artificial e a economia dos dispositivos pessoais, a Samsung enfrenta uma contradição reveladora: a mesma força que impulsiona os seus lucros históricos — a procura global por memória para IA — está a tornar os seus telemóveis um negócio sem margem. A empresa sul-coreana planeia produzir cerca de sete milhões de unidades a menos no quarto trimestre de 2026, não por falta de procura, mas porque vender cada aparelho significa perder dinheiro. É um espelho do nosso tempo: a tecnologia que prometia conectar-nos a todos cede terreno à tecnologia que promete
Samsung reduz produção de telemóveis em 30% devido a custos de memória
Os telemóveis da Samsung não geram qualquer lucro quando são vendidos
Porque é que a Samsung não consegue simplesmente absorver estes custos mais elevados e manter a produção?
Porque os telemóveis funcionam com margens muito finas. Quando o custo de um componente triplica, não há espaço para absorver isso. A Samsung teria de aumentar os preços dos telemóveis dramaticamente, o que a tornaria não competitiva.
Mas espera — a fonte que diz que não há lucro é anónima. Não sabemos se isto é verdade em toda a linha de produtos ou apenas em alguns modelos. A Samsung não confirmou isto publicamente.
Verdade. Mas o comportamento fala por si. Se houvesse lucro, porque reduziria a produção? A empresa está a escolher produzir menos a não ter receita negativa.
E quanto aos lucros recorde que a Samsung está a anunciar? Como é que isto se encaixa?
Os lucros recorde vêm quase inteiramente da divisão de semicondutores. A Samsung está a vender memória e chips para empresas de IA a preços muito elevados. Os telemóveis são um negócio diferente, com dinâmicas diferentes.
Mas a Samsung não detalhou isto por divisão. Estamos a inferir que os lucros vêm dos semicondutores baseado no contexto da procura de IA. Não é confirmado nos números que a empresa divulgou.
Portanto, a Samsung está essencialmente a escolher entre dois negócios: vender componentes caros para IA ou vender telemóveis com prejuízo.
Exatamente. E por enquanto, a escolha é clara. Produzir menos telemóveis e focar-se no que é lucrativo.
A questão real é: isto é temporário ou estrutural? Se os preços de memória caírem, a Samsung pode voltar a produzir telemóveis. Mas ninguém sabe quando — ou se — isso vai acontecer.
Le Pouls
- O preço da memória LPDDR5X triplicou em apenas um ano — de 48 para 145 dólares por 12GB — tornando cada telemóvel Samsung vendido numa fonte de prejuízo.
- A Samsung vai cortar entre 20% e 30% das encomendas a fornecedores, reduzindo a produção de 59 para cerca de 52 milhões de unidades no quarto trimestre.
- O paradoxo é agudo: ao mesmo tempo que anuncia lucros operacionais recordes de 71,7 mil milhões de euros, a empresa abandona silenciosamente a rentabilidade do seu produto mais icónico.
- A divisão de semicondutores, alimentada pela corrida global à IA, tornou-se o verdadeiro motor da empresa, relegando os telemóveis para um papel secundário e deficitário.
- Os mercados reagiram com frieza — as ações caíram 0,28% em Seul — sinalizando que os investidores reconhecem a fragilidade estrutural por trás dos números brilhantes.
No cruzamento entre a era da inteligência artificial e a economia dos dispositivos pessoais, a Samsung enfrenta uma contradição reveladora: a mesma força que impulsiona os seus lucros históricos — a procura global por memória para IA — está a tornar os seus telemóveis um negócio sem margem. A empresa sul-coreana planeia produzir cerca de sete milhões de unidades a menos no quarto trimestre de 2026, não por falta de procura, mas porque vender cada aparelho significa perder dinheiro. É um espelho do nosso tempo: a tecnologia que prometia conectar-nos a todos cede terreno à tecnologia que promete pensar por nós.
A Samsung prepara-se para cortar drasticamente a produção de telemóveis no quarto trimestre de 2026, reduzindo as encomendas a fornecedores entre 20% e 30%. O número de dispositivos fabricados deverá cair de 59 milhões para cerca de 52 milhões — uma contração que supera as estimativas anteriores.
A causa é direta: o custo da memória LPDDR5X triplicou em um ano, passando de 48 para 145 dólares por 12GB. A explosão da procura global por semicondutores, alimentada pelo investimento massivo em inteligência artificial, criou um gargalo que empurra os preços para níveis insustentáveis. Fontes da indústria foram claras: os telemóveis da Samsung deixaram de gerar lucro. Produzir menos tornou-se a única saída lógica.
O paradoxo é notável. Enquanto a divisão de telemóveis sangra, a Samsung anuncia resultados financeiros históricos: um lucro operacional previsto de 107,4 biliões de wons — cerca de 71,7 mil milhões de euros — para o terceiro trimestre, quase nove vezes mais do que no mesmo período do ano anterior. O crescimento vem quase inteiramente da divisão de semicondutores, que fornece chips e memória aos gigantes da IA em todo o mundo.
Os mercados reagiram com ceticismo. Apesar dos números recordes, as ações da Samsung recuaram 0,28% na abertura em Seul. Os investidores parecem conscientes da tensão subjacente: a empresa ganha mais do que nunca, mas não com os produtos que a tornaram um nome global. A questão que fica em aberto é quando — ou se — os preços de memória voltarão a níveis que permitam recuperar a rentabilidade dos telemóveis.
A Samsung está a preparar um corte drástico na produção de telemóveis. No quarto trimestre deste ano, a empresa sul-coreana reduzirá as encomendas de componentes aos seus fornecedores entre 20% e 30%, segundo fontes da indústria. O resultado será uma queda significativa no número de dispositivos fabricados — de 59 milhões no terceiro trimestre para aproximadamente 52 milhões no quarto, uma contração que ultrapassa as estimativas anteriores.
O culpado é simples e brutal: o preço da memória disparou. A memória LPDDR5X, componente essencial em qualquer telemóvel moderno, custava 145 dólares por 12GB no segundo trimestre deste ano. Um ano antes, o mesmo componente custava cerca de 48 dólares. Triplicou. Esta escalada de preços não é acidental. A procura global por semicondutores e componentes de memória explodiu devido ao investimento massivo em inteligência artificial. Empresas de tecnologia em todo o mundo estão a competir por chips e memória para treinar e executar modelos de IA, criando um gargalo que empurra os preços para cima.
A Samsung, apesar de ser um dos maiores fabricantes de semicondutores do planeta, não consegue escapar às consequências. Uma fonte próxima da indústria, citada pela publicação Money Today, foi clara: os telemóveis da Samsung não geram qualquer lucro quando são vendidos. Os custos de memória e semicondutores subiram tanto que a margem desapareceu. Vender significa perder dinheiro. A solução, portanto, é simples: produzir menos.
O paradoxo é notável. Enquanto a Samsung reduz a produção de telemóveis porque não consegue lucrar com eles, a mesma empresa está a anunciar resultados financeiros recorde. Para o terceiro trimestre de 2026, a Samsung prevê um lucro operacional de 107,4 biliões de wons, o equivalente a 71,7 mil milhões de euros. Isto representa um aumento de quase nove vezes em relação ao mesmo período do ano anterior, quando registou 12,2 biliões de wons. O volume de negócios deverá atingir 195 biliões de wons, mais do que duplicando face ao trimestre anterior.
Este crescimento explosivo vem quase inteiramente da divisão de semicondutores. A procura mundial por chips para inteligência artificial está a impulsionar os preços e os volumes. A Samsung, como fornecedor de memória e processadores para os gigantes da IA, está a colher os benefícios. Mas os telemóveis — o produto que durante décadas foi o rosto da empresa — tornaram-se um negócio secundário e, por enquanto, não rentável.
O mercado reagiu com ceticismo. Apesar das previsões de lucro recorde que superaram as expectativas dos analistas, as ações da Samsung caíram 0,28% na primeira hora de negociação na bolsa de Seul. O índice geral da bolsa também recuou 0,41%. Os investidores parecem estar a processar uma realidade incómoda: a Samsung está a ganhar muito dinheiro, mas não com os produtos que a tornaram famosa.
A empresa não divulgou estimativas sobre o lucro líquido nem detalhou os resultados por divisão de negócio, mantendo a prática habitual de fornecer apenas previsões de alto nível. O relatório financeiro final relativo ao terceiro trimestre será publicado no final do mês. Até lá, a questão permanece: quanto tempo consegue a Samsung manter esta estratégia de redução de produção? E quando — ou se — os preços de memória normalizarem, conseguirá recuperar a sua posição no mercado de telemóveis?
Citations marquantes
Devido aos preços crescentes de memória e de semicondutores, os telemóveis da Samsung não geram atualmente qualquer lucro quando são vendidos— Fonte próxima da indústria citada pela Money Today