No limiar de outubro de 2026, o Brasil deu um passo inédito na história da medicina tropical: a Anvisa autorizou os primeiros testes em humanos da Vivaxin, vacina desenvolvida pela UFMG em parceria com a USP e a Cristália para combater a malária vivax. Trata-se de uma lacuna que a ciência global ainda não havia preenchido — nenhum imunizante aprovado existe para esse parasita, o mais comum nas Américas e na Ásia, capaz de se esconder no fígado por meses e ressurgir silenciosamente. A autorização não é uma cura, mas é a abertura formal de um caminho que pode redefinir o controle de uma doença q
Anvisa autoriza testes em humanos de vacina brasileira contra malária vivax
Nenhum imunizante aprovado existe globalmente para esse tipo
Por que essa vacina importa tanto se a malária vivax é menos letal que a falciparum?
Porque afeta muito mais gente. A vivax é a forma mais comum no Brasil e nas Américas. Além disso, causa complicações sérias — anemia, problemas respiratórios, ruptura do baço — e tem essa característica de reativar dormindo no fígado.
Mas precisamos ser claros: ninguém morreu esperando essa vacina. Ela preenche uma lacuna real, mas é um desenvolvimento de longo prazo. Estamos na fase 1 com 48 pessoas.
Quanto tempo até saber se funciona?
A fase 1 leva um ano de acompanhamento. Se passar, vêm as fases 2 e 3 com muito mais voluntários. Estamos falando de vários anos no mínimo.
E é importante notar: a Anvisa autorizou os testes. Isso não significa que a vacina é segura ou eficaz. Significa que o protocolo passou na avaliação e pode começar.
Quem está desenvolvendo isso?
UFMG, USP e a farmacêutica Cristália. É uma parceria brasileira, o que é significativo porque a maioria das vacinas contra malária vem de fora.
Verdade, mas também precisamos acompanhar se essa parceria consegue financiamento e suporte para chegar às fases posteriores. Muitos projetos promissores travam por falta de recursos.
E se funcionar, quem teria acesso?
Essa é a pergunta que importa. Teoricamente, uma vacina brasileira poderia ser mais acessível para populações nas Américas e Ásia onde a vivax é endêmica.
Teoricamente. Mas o acesso depende de decisões políticas, preço, distribuição. A vacina é só o primeiro passo.
El Pulso
- A malária vivax infecta milhões nas Américas e na Ásia, mas segue sem nenhuma vacina aprovada no mundo — uma lacuna científica que persiste enquanto o parasita causa anemia grave, ruptura do baço e mortes.
- O parasita tem uma arma silenciosa: consegue ficar dormente no fígado por meses e reativar sem nova transmissão, tornando seu controle muito mais complexo do que o de outras formas da doença.
- A Anvisa autorizou o início dos testes clínicos de fase 1 da Vivaxin, vacina brasileira que agora pode ser testada em humanos pela primeira vez — marco que nenhum outro imunizante para vivax havia alcançado.
- Quarenta e oito voluntários saudáveis em Belo Horizonte serão acompanhados por um ano, testando três dosagens diferentes para avaliar segurança e capacidade de gerar resposta imunológica.
- Se a fase 1 confirmar segurança e resposta imune, o caminho se abre para fases 2 e 3 com mais voluntários — e para uma ferramenta que poderia transformar o controle da malária vivax no Brasil e além.
No limiar de outubro de 2026, o Brasil deu um passo inédito na história da medicina tropical: a Anvisa autorizou os primeiros testes em humanos da Vivaxin, vacina desenvolvida pela UFMG em parceria com a USP e a Cristália para combater a malária vivax. Trata-se de uma lacuna que a ciência global ainda não havia preenchido — nenhum imunizante aprovado existe para esse parasita, o mais comum nas Américas e na Ásia, capaz de se esconder no fígado por meses e ressurgir silenciosamente. A autorização não é uma cura, mas é a abertura formal de um caminho que pode redefinir o controle de uma doença que, apesar de frequentemente subestimada, mata e adoece populações inteiras.
Na quarta-feira, 7 de outubro, a Anvisa autorizou o início dos testes em humanos da Vivaxin, vacina brasileira contra a malária vivax desenvolvida pela UFMG em parceria com a USP e a farmacêutica Cristália. É um momento sem precedente: até hoje, nenhum imunizante aprovado existe no mundo para esse tipo específico de parasita, apesar de ser o mais frequente no Brasil e em grande parte das Américas e da Ásia.
A relevância do desenvolvimento está justamente na lacuna que tenta preencher. As duas vacinas contra malária recomendadas pela OMS foram criadas para combater a malária falciparum, predominante na África. A vivax, embora historicamente vista como menos severa, carrega riscos próprios: anemia grave, problemas respiratórios, ruptura do baço e, em casos extremos, morte. Há ainda uma característica que complica seu controle — o parasita consegue ficar dormente no fígado por meses e ressurgir sem nova transmissão.
Os testes de fase 1 envolverão 48 voluntários saudáveis entre 18 e 59 anos, sem histórico de infecção por malária, divididos entre quem receberá a vacina e quem receberá placebo — sem que ninguém saiba em qual grupo está. Serão testadas três dosagens diferentes, com três aplicações em intervalos de 28 dias e acompanhamento de aproximadamente um ano. O estudo será conduzido no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.
O mecanismo é direto: a vacina apresenta ao sistema imunológico uma proteína do parasita, induzindo a produção de anticorpos capazes de reconhecê-lo em um contato real. Nesta fase, o foco é avaliar segurança e resposta imunológica. Se os resultados forem positivos, o caminho se abre para as fases 2 e 3, com mais voluntários e foco em eficácia. Para o Brasil, onde a malária vivax é a forma mais comum da doença, a autorização da Anvisa marca o início oficial de um processo que pode levar anos — mas que agora tem permissão para avançar.
Na quarta-feira, 7 de outubro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária deu sinal verde para o que pode ser um marco na luta contra uma das formas mais comuns de malária no mundo. A Anvisa autorizou o início dos testes em humanos de uma vacina brasileira contra a malária vivax — desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais em parceria com a Universidade de São Paulo e a farmacêutica Cristália. Até agora, nenhum imunizante aprovado existe globalmente para esse tipo específico de parasita, apesar de ser o mais frequente no Brasil e em boa parte das Américas e Ásia.
O que torna esse desenvolvimento particularmente relevante é a lacuna que preenche. Os dois imunizantes contra malária recomendados pela Organização Mundial da Saúde — o RTS,S/AS01 e o R21/Matrix-M — foram desenvolvidos para combater a malária falciparum, a forma mais grave e letal, predominante na África. A malária vivax, embora historicamente vista como menos severa, carrega seus próprios riscos. Pode causar anemia grave, problemas respiratórios, ruptura do baço e, em casos extremos, morte. Há ainda uma característica que complica seu controle: o parasita consegue ficar dormente no fígado por meses, ressurgindo e provocando novos episódios de malária sem que haja uma nova transmissão.
Os testes de fase 1 — a etapa inicial que prioriza a segurança — envolverão 48 voluntários saudáveis com idades entre 18 e 59 anos, todos sem histórico prévio de infecção por malária. O protocolo de pesquisa testará três dosagens diferentes da vacina, chamada Vivaxin, para determinar qual oferece o melhor equilíbrio entre segurança e potencial eficácia. Os participantes serão divididos em dois grupos: metade receberá a vacina, a outra metade um placebo. Ninguém saberá em qual grupo está. O esquema prevê três doses com intervalo de 28 dias entre elas, e os voluntários serão acompanhados por aproximadamente um ano.
O mecanismo é direto: a vacina apresenta uma proteína ao sistema imunológico que funciona como uma introdução do invasor. O corpo responde produzindo anticorpos capazes de reconhecer o parasita se houver contato real. Na fase 1, os cientistas avaliarão principalmente se a vacina é segura e se consegue induzir essa resposta imunológica desejada. O estudo será conduzido no Centro de Pesquisas Clínicas do Hospital das Clínicas da UFMG, em Belo Horizonte.
Se os resultados da fase 1 forem positivos, o caminho abre para as fases 2 e 3, que envolvem um número significativamente maior de voluntários e focam em medir a eficácia real do imunizante enquanto continuam monitorando sua segurança. Cada etapa representa um passo mais próximo de uma ferramenta que poderia transformar o controle da malária vivax em regiões onde ela é endêmica. Para o Brasil, onde esse tipo de malária é a mais comum, a aprovação da Anvisa marca o início de um processo que pode levar anos, mas que agora tem autorização oficial para prosseguir.
Citas Notables
A malária vivax pode causar anemia grave, problemas respiratórios, ruptura do baço e, em casos extremos, morte— UFMG
O parasita pode ficar dormente no fígado por meses e voltar a provocar episódios de malária, mesmo sem uma nova transmissão— UFMG