Rio inicia campanha de vacinação infantil contra Covid-19 para crianças de 5 a 11 anos

Crianças com câncer em tratamento quimioterápico enfrentam atraso na vacinação devido à necessidade de autorização médica e exames de imunidade, prolongando vulnerabilidade à Covid-19.
Sonho em ver minha filha curada e imunizada contra a Covid
A mãe de Giovana, uma criança de 6 anos em tratamento de leucemia, expressa sua esperança enquanto aguarda liberação médica para vacinação.
Mark

Por que crianças em tratamento oncológico precisam de autorização médica para se vacinar, enquanto outras podem ir direto?

Mimi

A quimioterapia destrói a imunidade da criança — é assim que funciona o tratamento. Então você não pode simplesmente aplicar uma vacina e esperar que o corpo responda normalmente. Precisa de exames para saber se aquela criança tem imunidade suficiente para gerar uma resposta à vacina. É proteção, não negligência.

Mark

Flávia diz que a autorização para vacinar é sinal de evolução clínica. Como uma mãe interpreta isso?

Mimi

Para ela, significa que o corpo da filha está respondendo bem à quimioterapia, que a leucemia está sendo controlada. A vacina vira um marcador — se o médico diz que pode vacinar, é porque há esperança de que o pior passou. É esperança disfarçada de procedimento médico.

Mark

Pedro diz que não tem medo de nada. Isso é coragem ou é o que uma criança de 10 anos precisa acreditar para sobreviver?

Mimi

Provavelmente os dois. Quando você passa por quimioterapia aos 10 anos, você aprende que agulhas são o menor dos seus problemas. A coragem não é ausência de medo — é seguir em frente mesmo tendo medo. Pedro quer jogar futebol de novo. Essa é a razão real.

Mark

Jorge pede aos outros pais que vacinem seus filhos. Qual é o peso dessa súplica?

Mimi

Um pai que passou um ano inteiro redobrando cuidados, vivendo com medo de que seu filho imunodeprimido pegasse Covid, pedindo aos outros que protejam seus filhos — isso não é um argumento abstrato sobre saúde pública. É um homem que sabe exatamente o que é perder essa proteção.

Mark

A segurança da vacina é comprovada, mas por que ainda há pais que recusam?

Mimi

Flávia não consegue entender isso. Para ela, a recusa é incompreensível quando sua filha está esperando desesperadamente pela chance de se vacinar. Às vezes a perspectiva muda tudo — quando você está do lado de quem precisa, a hesitação dos outros parece luxo.

  • Meninas de 11 anos começaram a vacinação em 17 de janeiro; meninos no dia seguinte
  • Giovana Vitória, 6 anos, em quimioterapia por leucemia, aguarda exames para liberação da vacina
  • Pedro Rodrigues, 10 anos, também com leucemia, recebeu liberação médica para se vacinar
  • EUA aplicaram quase 9 milhões de doses em crianças com apenas 0,05% de efeitos adversos relatados

Meninas de 11 anos começam a vacinação hoje; meninos amanhã. Crianças com comorbidades ou deficiência permanente podem se vacinar imediatamente com laudo médico. Pequenos pacientes do INCA com leucemia aguardam autorização médica, pois quimioterapia reduz imunidade e exige exames prévios antes da aplicação da dose.

Rio começa hoje a imunização de crianças de 5 a 11 anos contra Covid-19, com cronograma escalonado por idade e prioridade para portadores de comorbidades. Crianças em tratamento oncológico aguardam liberação médica para receber a vacina.

Rio de Janeiro abria as portas para a vacinação infantil contra Covid-19 nesta segunda-feira, 17 de janeiro de 2022, com um cronograma cuidadosamente escalonado. Meninas de 11 anos iniciavam a campanha naquele dia; meninos da mesma idade viriam no dia seguinte. Crianças de 5 a 11 anos com comorbidades ou deficiências permanentes poderiam se vacinar imediatamente, desde que apresentassem laudo médico comprovando sua condição. Mas enquanto a cidade se mobilizava para proteger seus filhos, havia um grupo de crianças cuja espera seria mais longa — aquelas internadas no Instituto Nacional de Câncer, submetidas a tratamentos que as deixavam particularmente vulneráveis.

Giovana Vitória tinha apenas 6 anos quando descobriu que tinha leucemia. Cinco meses antes daquele janeiro, ela começou sessões de quimioterapia na esperança de vencer a doença. A quimioterapia, porém, derrubava sua imunidade, exigindo uma série de exames antes que pudesse receber qualquer vacina. Naquele mesmo dia em que o Rio iniciava a campanha, Giovana começava mais uma internação no INCA, no Centro da cidade. Sua mãe, Flávia do Carmo, moradora de Belford Roxo na Baixada Fluminense, torcia para que até o final do mês um novo exame trouxesse a liberação médica tão esperada. "Sonho em ver a minha filha curada do câncer e imunizada contra a Covid", disse Flávia. "Quando ela receber a autorização para a vacina é sinal de evolução do quadro clínico contra a leucemia." Ela observava com certa incompreensão pais que recusavam vacinar seus filhos enquanto ela aguardava ansiosamente essa oportunidade. Para ela, levar um filho à vacinação era um ato de amor.

No mesmo hospital, Pedro Rodrigues, de 10 anos, havia tido mais sorte. Também portador de leucemia, ele havia passado por tratamento recente e os exames mostravam bons resultados. Seu médico havia liberado a vacinação. Pedro encarava a agulha com coragem — "já fui antes, nem dói", disse ele, mencionando que vários amigos já haviam se vacinado. O menino tinha planos maiores: queria voltar a jogar futebol e lutar judô com os amigos. Seu pai, Jorge Rodrigues, recebeu a notícia de que o filho poderia ser vacinado no dia em que completava 45 anos. "Foi o maior presente que eu poderia ganhar", disse ele. Durante um ano inteiro, a família havia redobrado os cuidados em casa — no bar, no trabalho, na fila do banco — sempre pedindo aos outros pais que imunizassem seus filhos. Agora que Pedro finalmente poderia receber a proteção, Jorge via isso como um alívio imenso. Caso o filho contraísse Covid-19, qualquer sintoma seria mais brando.

A campanha de vacinação no Rio seguia um calendário específico. Além do escalonamento por idade, crianças de 5 a 11 anos com comorbidades ou deficiência permanente podiam se vacinar a qualquer momento mediante apresentação de laudo médico. Em outras cidades do estado, os calendários variavam. Em Nova Iguaçu, crianças com comorbidades e deficiências permanentes poderiam se vacinar em clínicas da família específicas. Niterói começaria com crianças de 11 anos com comorbidades e deficiências permanentes em três policlínicas. São Gonçalo iniciaria a vacinação no dia seguinte em 34 locais.

Os questionamentos sobre segurança e eficácia pairavam sobre muitos pais. A pediatra Isabela Ballalai, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, oferecia dados tranquilizadores. Até dezembro, os Estados Unidos haviam aplicado quase 9 milhões de doses em crianças, com apenas 4,8 mil casos de efeitos adversos relatados — cerca de 0,05% do total. Desses casos, 97% foram efeitos leves, como dor no braço ou dor de cabeça. Houve 11 episódios de miocardite, inflamação nas células do músculo do coração, mas em todos eles as crianças se recuperaram bem. "A própria Covid-19 causa muito mais eventos de miocardite do que a vacina", informava a médica. A imunidade completa se desenvolveria 14 dias após a segunda dose. No Rio, o intervalo entre as duas doses foi estipulado em oito semanas, embora a Agência Nacional de Vigilância Sanitária tivesse aprovado um prazo de 21 dias.

Para vacinar uma criança, era necessário apenas que ela estivesse acompanhada de alguém maior de 18 anos — pais, avós, tios ou padrinhos. A caderneta de vacinação era suficiente como documento, embora fosse recomendado levar o CPF da criança para facilitar o registro no sistema. Crianças com sintomas de Covid-19 precisariam aguardar quatro semanas desde o início dos sintomas antes de poderem ser vacinadas. A vacinação ocorreria nas Clínicas da Família, Centros Municipais de Saúde e outros pontos listados no portal da prefeitura. Enquanto a cidade se organizava para proteger suas crianças, aquelas como Giovana continuavam sua luta contra o câncer, esperando o momento em que pudessem finalmente receber a proteção que seus corpos enfraquecidos tanto precisavam.

Sonho em ver a minha filha curada do câncer e imunizada contra a Covid. Levar os filhos para a vacinação é uma prova de amor.
— Flávia do Carmo, mãe de Giovana
Foi o maior presente que eu poderia ganhar. Quero receber a notícia de que meu filho está curado do câncer.
— Jorge Rodrigues, pai de Pedro
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