Reação à vacina é sinal positivo de sistema imunitário ativo

São sinal de que o sistema imunitário está a dar uma boa resposta
Especialista explica por que razão as reações à vacina são, na verdade, um bom sinal.
Mark

Porque é que os mais jovens têm reações mais fortes?

Mimi

Porque têm sistemas imunitários mais vigorosos e competentes. Quando a vacina chega, o corpo responde com toda a força que tem.

Mark

Mas isso não quer dizer que quem não tem reações não está protegido?

Mimi

Exatamente. A ausência de sintomas é completamente normal. Muitas pessoas não têm qualquer reação e estão a produzir anticorpos normalmente.

Mark

Qual é o risco real aqui? Os números assustam?

Mimi

Não. De mais de oito milhões de doses, houve uma reação adversa por cada mil vacinas. A maioria é benigna e passa em dias.

Mark

E as reações graves? Quantas houve?

Mimi

Das 8.470 reações reportadas, 3.290 foram classificadas como graves. Mas "grave" neste contexto significa que precisou de avaliação clínica, não que foi perigosa.

Mark

Então quando é que alguém deve realmente preocupar-se?

Mimi

Se suspeitar de uma reação alérgica grave nos primeiros 30 minutos após a vacina. Aí sim, deve procurar médico imediatamente. Caso contrário, dores e febre são apenas o corpo a fazer o seu trabalho.

  • Faixa etária 30-39 anos reporta mais reações adversas (1.779 casos)
  • 8.470 reações em 8,4 milhões de doses: 1 por cada mil vacinas
  • Maioria das reações é benigna e resolve-se em horas ou dias
  • Pfizer com 5.651 reações notificadas, AstraZeneca com 2.133

Jovens entre 30-49 anos reportam mais reações (dores, febre, fadiga), refletindo sistema imunitário mais robusto e resposta vacinal intensa. De 8,4 milhões de doses administradas, apenas 1 reação adversa por 1000 vacinas foi reportada, maioria benigna e autolimitada em horas ou dias.

Especialistas confirmam que reações adversas leves à vacinação COVID-19, mais frequentes em jovens, são sinal positivo de sistema imunitário ativo. Ausência de sintomas também é normal e não indica falha na produção de anticorpos.

Quando a agulha saiu do braço e começou a dor, quando a febre subiu à noite, quando o cansaço tomou conta do corpo — muita gente perguntou-se se algo tinha corrido mal. A resposta dos especialistas é clara: provavelmente correu bem.

Os mais jovens estão a sentir com mais intensidade os efeitos das vacinas contra a covid-19. Dores no local da injeção, nas articulações, dores de cabeça, fadiga, náuseas, tonturas, calafrios, febre — tudo isto é real e está documentado. Mas não é sinal de alarme. É, na verdade, o oposto. "São sinal de que o sistema imunitário está a dar uma boa resposta vacinal", explica Carlos Robalo Cordeiro, pneumologista e diretor da Faculdade de Medicina de Coimbra. O que o corpo está a fazer é exatamente o que deveria fazer: mobilizar defesas, criar anticorpos, preparar-se.

A faixa etária que mais reações reporta é a dos 30 aos 39 anos, seguida pela dos 40 aos 49. Isto não é coincidência. Pessoas mais jovens têm sistemas imunitários mais robustos, mais capazes, mais competentes. Quando a vacina chega, esse sistema responde com vigor. Alguns acabam mesmo na cama com dores nas articulações e sensação de gripe. Mas isso é precisamente o sinal de que o mecanismo de defesa está a funcionar bem.

Agora, e se não teve qualquer reação? Se é jovem e passou pela vacinação sem sintomas, ou se tem 50, 60 ou mais anos e também não sentiu nada? Também não há razão para preocupação. A ausência de sintomas não significa que o sistema imunitário não está a trabalhar ou que não está a produzir anticorpos. "A maioria das pessoas não tem reação às vacinas", diz Robalo Cordeiro. Isto aplica-se não apenas à covid, mas também à gripe, à pneumonia, a outras. É uma situação normal. Quando muito, algumas pessoas sentem uma dor local no braço ou uma ligeira sensação febril — e para isso recomenda-se gelo ou um analgésico.

Os números do Infarmed, a autoridade do medicamento, confirmam que as reações graves são raras. De mais de oito milhões de doses administradas em Portugal até 2 de julho, foram reportadas 8.470 reações adversas. Isto significa uma reação por cada mil vacinas. A maioria delas é benigna. Os sintomas mais frequentes são dores musculares, dores nas articulações (2.638 casos), dores de cabeça (2.341), dor no local da injeção (2.203), febre (2.156), fadiga (948), náuseas (938). A vacina da Pfizer registou mais notificações (5.651), seguida pela AstraZeneca (2.133) e Moderna (556).

Luís Graça, imunologista que integra a Comissão Técnica de Vacinação para a Covid-19 da Direção-Geral da Saúde, é categórico: "Não há qualquer relação entre efeitos das vacinas e a resposta imunitária". Os sistemas de farmacovigilância estão a funcionar bem, a analisar suspeitas de reações graves de imediato. Quando há situações que levantam questões — como aconteceu há dias num centro de vacinação em Mafra — a resposta é rápida e a administração da vacina é suspensa se necessário.

O relatório do Infarmed é claro sobre isto: na maioria dos casos, o desconforto é um sinal normal de que o sistema imunitário está a reagir. Estas reações resolvem-se em poucas horas ou dias, sem necessidade de intervenção médica e sem deixar sequelas. Mas há um limite. Se alguém vacinado considerar que está a desenvolver uma reação alérgica grave — e isto aconteça nos primeiros 30 minutos após a vacina — deve procurar atendimento médico imediatamente. Para além disso, a população pode estar tranquila.

São sinal de que o sistema imunitário está a dar uma boa resposta vacinal
— Carlos Robalo Cordeiro, pneumologista e diretor da Faculdade de Medicina de Coimbra
Não há qualquer relação entre efeitos das vacinas e a resposta imunitária
— Luís Graça, imunologista da Comissão Técnica de Vacinação para a Covid-19
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