Jovens entre 30-49 anos reportam mais reações (dores, febre, fadiga), refletindo sistema imunitário mais robusto e resposta vacinal intensa. De 8,4 milhões de doses administradas, apenas 1 reação adversa por 1000 vacinas foi reportada, maioria benigna e autolimitada em horas ou dias.
Reação à vacina é sinal positivo de sistema imunitário ativo
São sinal de que o sistema imunitário está a dar uma boa resposta
Porque é que os mais jovens têm reações mais fortes?
Porque têm sistemas imunitários mais vigorosos e competentes. Quando a vacina chega, o corpo responde com toda a força que tem.
Mas isso não quer dizer que quem não tem reações não está protegido?
Exatamente. A ausência de sintomas é completamente normal. Muitas pessoas não têm qualquer reação e estão a produzir anticorpos normalmente.
Qual é o risco real aqui? Os números assustam?
Não. De mais de oito milhões de doses, houve uma reação adversa por cada mil vacinas. A maioria é benigna e passa em dias.
E as reações graves? Quantas houve?
Das 8.470 reações reportadas, 3.290 foram classificadas como graves. Mas "grave" neste contexto significa que precisou de avaliação clínica, não que foi perigosa.
Então quando é que alguém deve realmente preocupar-se?
Se suspeitar de uma reação alérgica grave nos primeiros 30 minutos após a vacina. Aí sim, deve procurar médico imediatamente. Caso contrário, dores e febre são apenas o corpo a fazer o seu trabalho.
O Pulso
- Faixa etária 30-39 anos reporta mais reações adversas (1.779 casos)
- 8.470 reações em 8,4 milhões de doses: 1 por cada mil vacinas
- Maioria das reações é benigna e resolve-se em horas ou dias
- Pfizer com 5.651 reações notificadas, AstraZeneca com 2.133
Jovens entre 30-49 anos reportam mais reações (dores, febre, fadiga), refletindo sistema imunitário mais robusto e resposta vacinal intensa. De 8,4 milhões de doses administradas, apenas 1 reação adversa por 1000 vacinas foi reportada, maioria benigna e autolimitada em horas ou dias.
Especialistas confirmam que reações adversas leves à vacinação COVID-19, mais frequentes em jovens, são sinal positivo de sistema imunitário ativo. Ausência de sintomas também é normal e não indica falha na produção de anticorpos.
Quando a agulha saiu do braço e começou a dor, quando a febre subiu à noite, quando o cansaço tomou conta do corpo — muita gente perguntou-se se algo tinha corrido mal. A resposta dos especialistas é clara: provavelmente correu bem.
Os mais jovens estão a sentir com mais intensidade os efeitos das vacinas contra a covid-19. Dores no local da injeção, nas articulações, dores de cabeça, fadiga, náuseas, tonturas, calafrios, febre — tudo isto é real e está documentado. Mas não é sinal de alarme. É, na verdade, o oposto. "São sinal de que o sistema imunitário está a dar uma boa resposta vacinal", explica Carlos Robalo Cordeiro, pneumologista e diretor da Faculdade de Medicina de Coimbra. O que o corpo está a fazer é exatamente o que deveria fazer: mobilizar defesas, criar anticorpos, preparar-se.
A faixa etária que mais reações reporta é a dos 30 aos 39 anos, seguida pela dos 40 aos 49. Isto não é coincidência. Pessoas mais jovens têm sistemas imunitários mais robustos, mais capazes, mais competentes. Quando a vacina chega, esse sistema responde com vigor. Alguns acabam mesmo na cama com dores nas articulações e sensação de gripe. Mas isso é precisamente o sinal de que o mecanismo de defesa está a funcionar bem.
Agora, e se não teve qualquer reação? Se é jovem e passou pela vacinação sem sintomas, ou se tem 50, 60 ou mais anos e também não sentiu nada? Também não há razão para preocupação. A ausência de sintomas não significa que o sistema imunitário não está a trabalhar ou que não está a produzir anticorpos. "A maioria das pessoas não tem reação às vacinas", diz Robalo Cordeiro. Isto aplica-se não apenas à covid, mas também à gripe, à pneumonia, a outras. É uma situação normal. Quando muito, algumas pessoas sentem uma dor local no braço ou uma ligeira sensação febril — e para isso recomenda-se gelo ou um analgésico.
Os números do Infarmed, a autoridade do medicamento, confirmam que as reações graves são raras. De mais de oito milhões de doses administradas em Portugal até 2 de julho, foram reportadas 8.470 reações adversas. Isto significa uma reação por cada mil vacinas. A maioria delas é benigna. Os sintomas mais frequentes são dores musculares, dores nas articulações (2.638 casos), dores de cabeça (2.341), dor no local da injeção (2.203), febre (2.156), fadiga (948), náuseas (938). A vacina da Pfizer registou mais notificações (5.651), seguida pela AstraZeneca (2.133) e Moderna (556).
Luís Graça, imunologista que integra a Comissão Técnica de Vacinação para a Covid-19 da Direção-Geral da Saúde, é categórico: "Não há qualquer relação entre efeitos das vacinas e a resposta imunitária". Os sistemas de farmacovigilância estão a funcionar bem, a analisar suspeitas de reações graves de imediato. Quando há situações que levantam questões — como aconteceu há dias num centro de vacinação em Mafra — a resposta é rápida e a administração da vacina é suspensa se necessário.
O relatório do Infarmed é claro sobre isto: na maioria dos casos, o desconforto é um sinal normal de que o sistema imunitário está a reagir. Estas reações resolvem-se em poucas horas ou dias, sem necessidade de intervenção médica e sem deixar sequelas. Mas há um limite. Se alguém vacinado considerar que está a desenvolver uma reação alérgica grave — e isto aconteça nos primeiros 30 minutos após a vacina — deve procurar atendimento médico imediatamente. Para além disso, a população pode estar tranquila.
Citações Notáveis
São sinal de que o sistema imunitário está a dar uma boa resposta vacinal— Carlos Robalo Cordeiro, pneumologista e diretor da Faculdade de Medicina de Coimbra
Não há qualquer relação entre efeitos das vacinas e a resposta imunitária— Luís Graça, imunologista da Comissão Técnica de Vacinação para a Covid-19