Aos 88 anos, Luis Fernando Verissimo partiu em Porto Alegre no último sábado, levado por complicações de uma pneumonia que o mantinha internado desde o início do mês. Por mais de três décadas, ele habitou as páginas do Estadão com a leveza precisa de quem sabe que as menores palavras carregam os maiores pesos. Sua voz, silenciada primeiro por um AVC em 2021 e agora definitivamente pelo tempo, deixa um vazio que só a própria literatura sabe preencher.
Luis Fernando Verissimo, colunista do Estadão por mais de 30 anos, morre aos 88
Com poucas palavras e precisão notável, ele tinha muito a dizer
Como é que alguém escreve crônicas por mais de trinta anos sem parecer repetitivo?
Verissimo tinha essa capacidade de encontrar o inusitado em qualquer coisa. Tarzan, Fidel Castro, o evangelho — tudo virava matéria para ele. Não era sobre o tema, era sobre o olhar.
Mas a gente sabe pouco sobre como seus leitores realmente respondiam a isso. O jornal diz que ele tinha "ávidos leitores", mas não há números, não há cartas de leitores citadas.
É verdade. Mas trinta anos de coluna em um jornal como o Estadão não é algo que se sustenta sem uma audiência real.
E quando o AVC aconteceu, em 2021, como foi a reação?
Não há registro disso no que temos. Sabemos que afetou sua cognição, sua capacidade de ordenar pensamentos. Ele tentou continuar, mas não conseguiu.
Aqui está o ponto — o jornal anunciou oficialmente o fim da coluna em abril de 2022, mas Verissimo sofreu o AVC em janeiro de 2021. Isso é um intervalo de mais de um ano. O que aconteceu nesse tempo? Ele tentou escrever? Publicou algo?
A fonte não detalha isso. Sabemos apenas que as dificuldades para produzir textos levaram ao anúncio oficial.
Então sua morte agora, aos 88 anos, encerra um capítulo que já tinha sido fechado há alguns anos.
Sim, mas de forma diferente. A coluna tinha terminado, mas ele estava vivo. Agora há um ponto final definitivo.
Le Pouls
- Verissimo estava internado no Hospital Moinhos de Vento desde o dia 11 de agosto, quando a pneumonia começou a evoluir para complicações graves.
- A morte, confirmada no sábado, 30 de agosto, encerra uma trajetória de 88 anos marcada por uma rara capacidade de transformar o cotidiano em literatura.
- Um AVC sofrido em janeiro de 2021 já havia interrompido sua escrita ao afetar a região do cérebro responsável pela cognição — uma perda sentida antes mesmo da morte.
- Em abril de 2022, o Estadão formalizou o encerramento da coluna, reconhecendo que uma era de mais de trinta anos de crônicas havia chegado ao fim.
- O legado que permanece é vasto: de tirinhas a textos sobre Tarzan, Fidel Castro e o Apartheid, Verissimo provou que a brevidade pode conter o mundo inteiro.
Aos 88 anos, Luis Fernando Verissimo partiu em Porto Alegre no último sábado, levado por complicações de uma pneumonia que o mantinha internado desde o início do mês. Por mais de três décadas, ele habitou as páginas do Estadão com a leveza precisa de quem sabe que as menores palavras carregam os maiores pesos. Sua voz, silenciada primeiro por um AVC em 2021 e agora definitivamente pelo tempo, deixa um vazio que só a própria literatura sabe preencher.
Luis Fernando Verissimo morreu no sábado, 30 de agosto, aos 88 anos, no Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre, onde estava internado desde o dia 11 com pneumonia. As complicações da doença resultaram em seu falecimento, encerrando uma das presenças mais duradouras e queridas do jornalismo literário brasileiro.
Sua relação com o Estadão começou em novembro de 1988, com a tirinha As Aventuras da Família Brasil, que ficaria nas páginas do jornal até 2017. Poucos meses depois, em fevereiro de 1989, assinou seu primeiro texto, e em julho do mesmo ano estreou como cronista fixo do Caderno 2. Ao longo de mais de três décadas, seus textos percorreram temas os mais variados — do evangelho ao Apartheid, de Tarzan a Fidel Castro —, sempre com economia de linguagem e precisão de observação.
Em janeiro de 2021, um AVC afetou a região do cérebro ligada à cognição e à organização do pensamento, tornando a escrita cada vez mais difícil. Verissimo tentou continuar, mas as limitações se mostraram intransponíveis. Em abril de 2022, o jornal anunciou oficialmente o encerramento da coluna. Sua morte agora sela o que o tempo já havia começado: o fim de uma era em que, com poucas palavras, ele tinha muito a dizer.
Luis Fernando Verissimo morreu no sábado, 30 de agosto, aos 88 anos, internado no Hospital Moinhos de Vento em Porto Alegre desde o dia 11. A pneumonia que o levou à internação evoluiu para complicações que resultaram em seu falecimento.
Sua ligação com o Estadão começou no fim dos anos 1980. Em 6 de novembro de 1988, estreou com a crônica gráfica As Aventuras da Família Brasil, uma tirinha que permaneceria nas páginas do jornal até 2017. Seu primeiro texto assinado veio poucos meses depois, em 21 de fevereiro de 1989, intitulado "O Senhor do Bonfim nos deu um castigo". A estreia como cronista fixo do Caderno 2 aconteceu em 30 de julho de 1989, com o texto "Os Outros".
Durante mais de três décadas, Verissimo construiu uma presença marcante nas páginas do jornal. Seus textos abrangiam uma amplitude notável de temas: Tarzan e Fidel Castro, o evangelho e o Apartheid. Nada parecia distante demais para sua criatividade. Ocasionalmente, criava séries temáticas que aprofundavam certos assuntos — como a sequência de seis textos chamada "Histórias de Verão", publicada entre janeiro e fevereiro de 1999, com subtítulos como "O Tapir", "O Parente" e "Bandeira Branca". Essas escolhas editoriais pareciam pensadas para manter seus leitores fiéis e engajados.
Em janeiro de 2021, um acidente vascular cerebral interrompeu sua trajetória. O AVC afetou uma região do cérebro responsável pela cognição e pela organização do pensamento, trazendo dificuldades significativas para a escrita. Verissimo continuou tentando trabalhar, mas as limitações se mostraram intransponíveis. Em abril de 2022, o jornal anunciou oficialmente o encerramento de sua coluna, encerrando uma era em que, com poucas palavras e precisão notável, ele tinha muito a dizer.
Sua morte marca o fim de uma presença que se estendeu por mais de três décadas nas páginas de um dos principais jornais do país. O legado de Verissimo permanece nos textos que deixou — uma obra que capturou, com economia de linguagem e agudeza de observação, aspectos variados da vida e da cultura.
Citations marquantes
Uma área do cérebro ligada a cognição e à ordenação de seus pensamentos foi afetada, e veio a dificuldade para escrever— Descrição do impacto do AVC de 2021