PGR abre apuração sobre possível interferência em relatório da PF sobre Moraes e Vorcaro

foi impedido de realizar o necessário controle externo
A PGR argumenta que não foi consultada sobre o relatório da PF e que isso violou seu papel institucional.
Mark

Por que a PGR está abrindo essa investigação agora, se o relatório já estava pronto?

Mimi

Porque Gonet argumenta que não foi consultado quando Mendonça pediu o relatório. A PGR diz que foi impedida de fazer seu trabalho de controle externo — e isso é uma atribuição legal dela.

Luke

Mas espera — Gonet está investigando um relatório que o cita. Isso não cria um conflito de interesse óbvio?

Mimi

Sim, e é por isso que a situação é tão delicada. Gonet está respondendo a uma determinação de Fachin, que agora comanda o caso.

Mark

E o que exatamente o relatório diz sobre Moraes e Vorcaro?

Mimi

Mensagens que mostram encontros pessoais, reuniões em casas privadas, discussões sobre operações da PF. Vorcaro aparentemente informava a Moraes sobre possíveis ações policiais contra ele.

Luke

Mas essas são mensagens obtidas no celular de Vorcaro. Quem verificou a autenticidade delas? Quem garantiu que não foram alteradas?

Mimi

O relatório vem da Polícia Federal, então presume-se que seguiu protocolos. Mas é exatamente isso que Gonet quer esclarecer — se houve interferência na forma como o relatório foi produzido.

Mark

Então a investigação de Gonet não é sobre se Moraes fez algo errado, mas se o relatório que fala sobre Moraes foi feito corretamente?

Mimi

Exatamente. É uma questão de processo, de como a investigação foi conduzida.

Luke

E se a investigação de Gonet concluir que houve interferência? O que acontece com o relatório original?

Mimi

Isso ainda é incerto. Fachin terá que decidir se o material pode ser usado ou se fica comprometido.

  • Paulo Gonet abriu Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial em 4 de setembro de 2026
  • Relatório da PF documenta encontros entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro entre março de 2024 e agosto de 2025
  • André Mendonça removeu o sigilo do relatório na terça-feira, 1º de setembro de 2026
  • PGR alega não ter sido comunicada sobre a determinação de Mendonça

Paulo Gonet determinou instauração de Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para esclarecer se houve ordem ou interferência externa que tenha maculado o conteúdo do relatório. A PGR alegou não ter sido comunicada sobre a determinação do ministro André Mendonça e afirmou que foi impedida de realizar o necessário controle externo da atividade policial.

A Procuradoria-Geral da República abriu apuração sobre possível interferência externa na produção de relatório da Polícia Federal que apontou relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Paulo Gonet, procurador-geral da República, informou ao ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal, que abriu uma investigação sobre possível interferência externa na produção de um relatório da Polícia Federal. O documento em questão descreve uma relação entre o ministro Alexandre de Moraes, também do STF, e Daniel Vorcaro, banqueiro preso na Operação Compliance Zero. O relatório havia sido solicitado pelo ministro André Mendonça e, na terça-feira anterior, teve seu sigilo removido.

Gonet determinou a instauração de um Procedimento de Controle Externo da Atividade Policial para esclarecer se houve "ordem ou interferência externa em sua elaboração, que tenha maculado seu conteúdo". A decisão foi comunicada a Fachin por escrito, com a promessa de que os resultados seriam apresentados à Corte em tempo adequado. O próprio Gonet aparece citado no relatório que agora será investigado — um detalhe que marca a complexidade do momento.

A Procuradoria-Geral da República alegou que não foi informada sobre a determinação de Mendonça e que foi impedida de exercer seu papel de controle externo da atividade policial. Em documento enviado ao STF, Gonet afirmou que "a decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público", privando a instituição de cumprir uma etapa que considera essencial a qualquer investigação. A procuradoria também contestou a validade da investigação original, argumentando que ela não poderia ter sido feita sem um pedido formal do Ministério Público ou da própria Polícia Federal.

O relatório da PF, agora sob escrutínio, contém mensagens e registros de contatos entre Vorcaro e Moraes que sugerem encontros pessoais e discussões sobre operações policiais. As trocas incluem referências a reuniões em residências privadas em Brasília, eventos no Brasil e no exterior, e comunicações que indicam que o ministro discutia com o ex-banqueiro a possibilidade de a PF deflagrar uma operação que teria Vorcaro como alvo. Os encontros documentados ocorreram entre março de 2024 e agosto de 2025, com mensagens de assessores e interlocutores coordenando logística, convites a autoridades e cobertura de atividades.

O material também descreve a organização de eventos internacionais, particularmente o Fórum Jurídico de Londres, realizado em abril de 2024 e patrocinado pelo Banco Master, com discussões sobre uma edição em 2025 que acabou cancelada. Mendonça sugeriu que os elementos constantes dos relatórios fossem avaliados pelo plenário da Corte. Após a divulgação das informações, o ministro determinou que a PGR desse seu parecer sobre o tema.

A investigação de Gonet agora se concentra em determinar se o processo de produção do relatório foi comprometido por pressões ou direcionamentos externos. O caso representa um momento de tensão institucional no STF, com questões sobre transparência, controle de atividades policiais e a própria conduta de ministros da Corte em discussão simultânea. O resultado da apuração da PGR será determinante para avaliar a integridade do material que expõe as relações entre Moraes e Vorcaro.

A decisão proferida nos autos da Petição n. 15.556/DF foi ocultada do Ministério Público, que foi assim impedido de realizar o necessário controle externo da atividade policial
— Paulo Gonet, procurador-geral da República
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