Festival do Rio exibe blockbuster coreano 'Hope' e outros filmes da Coreia do Sul

Oito anos dedicados a um projeto que deixou gancho para continuar
O diretor Na Hong-jin falou sobre o tempo investido em "Hope - O Primeiro Impacto", o blockbuster mais caro do cinema coreano.
Mark

Por que esse filme coreano "Hope" é tão importante agora? Parece ser apenas mais um blockbuster de ficção científica.

Mimi

Não é apenas isso. Ele quebrou recordes na Coreia do Sul — 4,6 milhões de espectadores — e é o filme mais caro da história do cinema coreano. Passou por Cannes e se tornou a maior estreia de um longa sul-coreano nos Estados Unidos. Isso mostra como o cinema coreano está conquistando mercados globais.

Luke

Mas precisamos ser precisos: 4,6 milhões é o quinto maior público do ano na Coreia do Sul, não o maior. E "maior estreia" nos EUA — isso é um número que precisa de contexto. Qual foi o número exato de espectadores americanos? A fonte não diz.

Mark

E quanto aos outros filmes? Por que o "O(s) Assassino(s)" está gerando tanta controvérsia?

Mimi

Ele reconstrói a tentativa de assassinato do presidente Park Chung-hee em 1974. O diretor está sendo acusado de distorcer a história ao insinuar que Park estava envolvido no ataque. Conservadores protestam porque Park chegou ao poder por um golpe militar em 1961, então é um tema politicamente sensível.

Luke

A acusação é de difamação, e o filme já atraiu 1,8 milhão de espectadores. Mas a fonte não explica exatamente como o diretor está sendo acusado de distorcer os fatos — apenas que conservadores o acusam. Há investigação em andamento?

Mark

E o terceiro filme, "Em Caminho"?

Mimi

É o primeiro longa de uma diretora jovem, Yoo Jaein, que venceu um prêmio importante em Busan. É um drama sobre uma estudante que engravida de seu professor casado e depois rouba dinheiro da colega para comprar pílulas abortivas ilegais. O conflito entre elas acaba gerando um novo vínculo.

Luke

Isso é um resumo justo da trama. O que não sabemos é por que esse filme em particular foi escolhido para o Festival do Rio — se foi selecionado por seu mérito artístico ou se faz parte de uma curadoria maior sobre cinema coreano contemporâneo.

  • "Hope - O Primeiro Impacto" arrecadou 4,6 milhões de espectadores na Coreia do Sul
  • Orçamento de 100 bilhões de wons (aproximadamente 388 milhões de reais)
  • Maior estreia de um longa sul-coreano nos Estados Unidos
  • "O(s) Assassino(s)" atraiu 1,8 milhão de espectadores na Coreia do Sul
  • Festival do Rio exibe os três filmes entre 3 e 9 de outubro

'Hope' é o filme mais caro da história do cinema coreano, com orçamento de 100 bilhões de wons, e se tornou a maior estreia de um longa sul-coreano nos EUA. O festival também exibe 'O(s) Assassino(s)', que reconstrói tentativa de assassinato de presidente em 1974 e gerou protestos por supostas distorções históricas.

O Festival do Rio apresenta três filmes sul-coreanos de destaque, incluindo 'Hope - O Primeiro Impacto', blockbuster de ficção científica que bateu recordes na Coreia do Sul com 4,6 milhões de espectadores.

O cinema coreano chega ao Festival do Rio com três filmes que já causaram impacto em seus mercados de origem. O destaque é "Hope - O Primeiro Impacto", um blockbuster de ficção científica que reuniu 4,6 milhões de espectadores nos cinemas sul-coreanos, o quinto maior público do ano naquele país, e que passou por Cannes gerando comentários entre críticos internacionais.

A trama começa simples: o chefe de polícia de uma pequena cidade chamada Hope Harbour é chamado para investigar o que parecia ser um animal morto por um tigre solto. Ao seguir os rastros de destruição pelas ruas, descobre tratar-se de uma criatura alienígena. Sozinho no início, ele enfrenta o medo e começa a caçar a criatura aparentemente invencível. Logo se junta a ele uma jovem agente destemida e um grupo de caçadores, já que os esforços da polícia local haviam sido desviados para combater incêndios florestais na região. O que se segue é uma sequência de caça e fuga entre humanos e extraterrestres ao longo de duas horas e trinta e sete minutos, misturando suspense, ação e comédia, tudo acompanhado de linguagem forte.

O filme foi elogiado principalmente pelas cenas de ação e pelos efeitos especiais dos alienígenas. Segundo a revista Variety, é o mais caro da história do cinema coreano, com orçamento de 100 bilhões de wons, o equivalente a aproximadamente 388 milhões de reais. Fora da Coreia do Sul, tornou-se a maior estreia de um longa sul-coreano nos Estados Unidos e concorreu à Palma de Ouro em Cannes. O diretor é Na Hong-jin, conhecido por seus filmes de terror como "O Lamento" (2016) e sua estreia "O Caçador" (2008), ambos lançados no Brasil. Em entrevistas, o cineasta afirmou ter dedicado oito anos ao projeto, que deixou aberta a possibilidade de uma continuação.

Hwang Jung-min, ator de "O Veterano" e "12.12: O Dia", interpreta o policial trapalhão. Sua colega de trabalho destemida é vivida por Hoyeon, modelo que ganhou destaque na atuação com a série "Round 6". Para gravar pessoalmente as cenas de perseguição de carro, Hoyeon tirou habilitação para veículos manuais e fez aulas de drift. Quatro atores ocidentais — Alicia Vikander, Michael Fassbender, Taylor Russell (conhecida por "Até os Ossos") e Cameron Britton (de "Mindhunter") — dão expressões faciais e movimentos aos extraterrestres.

O Festival do Rio exibe "Hope" em três sessões: sábado (3 de outubro) às 23h45 no Cinesystem Belas Artes Botafogo; domingo (4 de outubro) às 14h no Reserva Cultural Niterói; e quarta-feira (7 de outubro) às 21h no Kinoplex São Luiz. Após passar pelo festival, o filme é lançado no circuito comercial brasileiro em 8 de outubro e posteriormente entrará para o catálogo da Mubi, que distribui o blockbuster no país em parceria com a Imagem Filmes.

Outro filme sul-coreano em destaque é "O(s) Assassino(s)", que reconstrói um capítulo político da história moderna do país: a tentativa de assassinato do presidente Park Chung-hee em agosto de 1974. Park sobreviveu, mas a então primeira-dama Yuk Young-soo morreu no atentado a tiros. O diretor Hur Jin-ho virou alvo de protestos e uma denúncia de investigação por difamação, com conservadores o acusando de distorcer a história ao insinuar que Park, que chegou ao poder por meio de um golpe militar em 1961, estivesse envolvido com o ataque. A ficção segue um inspetor que testemunhou o atentado e dois jornalistas que investigam o caso por conta própria, descobrindo que duas balas desapareceram dos registros oficiais. O filme estreou em 23 de setembro e já atraiu 1,8 milhão de espectadores na Coreia do Sul. No Rio, é exibido sábado (3 de outubro) às 16h30 no Cinesystem Belas Artes Botafogo; segunda-feira (5 de outubro) às 21h30 no Kinoplex São Luiz; e sexta-feira (9 de outubro) às 19h45 no CineCarioca José Wilker.

O terceiro filme é "Em Caminho" (2025), dirigido e escrito por Yoo Jaein, cineasta formada pela Korean Academy of Film Arts. É o primeiro longa de Yoo e venceu o prêmio New Currents, dedicado a novos diretores asiáticos, no Festival Internacional de Cinema de Busan, o principal festival do país. A trama acompanha uma estudante que engravida após ter uma relação secreta com seu professor casado. Quando ele desaparece misteriosamente, ela decide roubar as economias da colega de quarto para comprar pílulas abortivas ilegais. Furiosa, a amiga sai à sua procura. O conflito, porém, dá origem a um novo vínculo entre elas. As sessões são domingo (4 de outubro) às 16h30 no Cinesystem Belas Artes Botafogo e sexta-feira (9 de outubro) às 21h na Estação Claro Rio. Ingressos começam a partir de 32 reais e estão à venda no site da mostra e nas bilheterias.

O diretor Na Hong-jin dedicou oito anos ao projeto, que deixou aberta a possibilidade de uma continuação
— Informação do cineasta em entrevistas
Conservadores acusam o diretor Hur Jin-ho de distorcer a história ao insinuar que Park Chung-hee estivesse envolvido com o ataque
— Críticos políticos sobre "O(s) Assassino(s)"
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