Entre outubro de 2025 e março de 2026, uma consultoria portuguesa entrevistou quase meio milhão de pessoas em 26 países para medir como o Brasil é percebido além de suas fronteiras. O retrato que emerge é o de uma nação de identidade vigorosa — admirada por sua beleza e potencial — mas contida por uma narrativa que não consegue superar o peso da insegurança pública e das incertezas políticas. Com nota 6,3 atribuída por estrangeiros, o Brasil ocupa um espaço de reconhecimento moderado: conhecido o suficiente para ser admirado, mas ainda distante de ser plenamente confiado. O desafio, como suger
Pesquisa inédita revela Brasil visto como bonito, mas inseguro no exterior
A insegurança funciona como um teto invisível que impede a beleza se traduzir em reputação
Por que essa pesquisa importa agora? O Brasil sempre foi visto como bonito.
Porque pela primeira vez temos números precisos sobre o que exatamente bloqueia a reputação do país. Não é falta de beleza ou potencial — é a narrativa que não consegue transcender a segurança pública.
Mas os estrangeiros confiam mais no Brasil do que os próprios brasileiros. Isso não é um sinal positivo?
É paradoxal. Significa que há admiração genuína, mas ela não se traduz em reputação sólida. É como confiar em alguém mas ter medo de visitá-lo.
A segurança caiu de 5,4 para 4,4 entre brasileiros e estrangeiros. Isso é uma queda grande?
Enorme. Coloca o tema na zona de vulnerabilidade crítica. É o fator que mais limita o crescimento da imagem do país no exterior.
E a política? Os números são piores?
Não, são similares — 5,3 e 5,2. Mas isso é o problema: política e segurança juntas criam um teto que impede que o potencial econômico do Brasil seja visto.
Então o Brasil precisa resolver segurança pública para melhorar sua reputação?
Não apenas resolver, mas contar essa história de forma diferente. O potencial existe. O mundo precisa ouvir falar dele além dos obstáculos.
Le Pouls
- A insegurança pública recebe nota 4,4 de estrangeiros — a avaliação mais baixa de todos os temas investigados — funcionando como um teto invisível que impede o Brasil de converter sua beleza natural em reputação sólida.
- Um paradoxo revelador divide brasileiros e estrangeiros: enquanto os brasileiros avaliam melhor a imagem do país (6,9 contra 6,3), são os estrangeiros que demonstram maior confiança no Brasil (6,2 contra 5,8 dos próprios cidadãos).
- Ambiente político, econômico e liderança recebem notas entre 5,2 e 5,4 tanto interna quanto externamente, sinalizando que as preocupações com governança são amplamente compartilhadas — e não apenas uma percepção estrangeira.
- A CNN Brasil inicia uma série de quatro episódios temáticos para aprofundar os dados, sugerindo que os resultados da pesquisa devem alimentar um debate público mais amplo sobre como o país projeta sua imagem ao mundo.
Entre outubro de 2025 e março de 2026, uma consultoria portuguesa entrevistou quase meio milhão de pessoas em 26 países para medir como o Brasil é percebido além de suas fronteiras. O retrato que emerge é o de uma nação de identidade vigorosa — admirada por sua beleza e potencial — mas contida por uma narrativa que não consegue superar o peso da insegurança pública e das incertezas políticas. Com nota 6,3 atribuída por estrangeiros, o Brasil ocupa um espaço de reconhecimento moderado: conhecido o suficiente para ser admirado, mas ainda distante de ser plenamente confiado. O desafio, como sugere a pesquisa, é menos de realidade do que de comunicação — de como um país conta sua própria história ao mundo.
Entre outubro de 2025 e março de 2026, a consultoria portuguesa OnStrategy entrevistou 470.600 pessoas — brasileiros e estrangeiros de 26 países, de México e Argentina a China, Japão e Emirados Árabes — para produzir o retrato mais abrangente já feito sobre a reputação do Brasil no exterior. O resultado é um país preso em paradoxos.
A conclusão mais consistente é também a mais intuitiva: o Brasil é bonito. As belezas naturais funcionam como motor principal da imagem internacional, gerando admiração genuína entre cidadãos comuns, executivos, jornalistas e autoridades. Mas a insegurança pública age como um teto invisível — impedindo que esse potencial se converta em reputação mais robusta. Estrangeiros avaliam a segurança do país em apenas 4,4, a nota mais baixa entre todos os temas investigados.
Os números revelam ainda uma divisão curiosa entre olhares internos e externos. Brasileiros atribuem nota 6,9 à imagem nacional; estrangeiros, 6,3. Há um otimismo doméstico que não encontra eco lá fora. O quadro se inverte, porém, quando o tema é confiança: estrangeiros confiam mais no Brasil (6,2) do que os próprios brasileiros (5,8). É como se o mundo acreditasse no país mais do que ele acredita em si mesmo.
Além da segurança, o ambiente político, econômico e a liderança do país recebem notas entre 5,2 e 5,4 — tanto de brasileiros quanto de estrangeiros — revelando que as preocupações com governança são amplamente compartilhadas. O problema, aponta a pesquisa, não é apenas de realidade: é também de narrativa. O potencial econômico e cultural do Brasil não está sendo adequadamente projetado ao mundo.
A CNN Brasil divulga os resultados com exclusividade e apresentará uma série de quatro episódios temáticos a partir desta semana, começando pelo CNN Prime Time com Márcio Gomes. O que a pesquisa Marca Brasil deixa como legado é um convite à reflexão: como um país de grandeza reconhecida aprende a contar sua própria história de forma que o mundo ouça além dos obstáculos.
Uma pesquisa de proporções inéditas acaba de revelar como o Brasil é percebido pelo mundo — e a resposta é mais complexa do que um simples julgamento. Entre outubro de 2025 e março de 2026, a consultoria OnStrategy entrevistou 470.600 pessoas: 192.400 brasileiros e 278.200 estrangeiros espalhados por 26 países, desde México e Argentina até China, Japão e Emirados Árabes. O resultado é o retrato mais abrangente já produzido sobre a reputação do Brasil no exterior, e ele revela um país preso em paradoxos.
O Brasil é bonito. Essa é a conclusão mais consistente que emerge dos dados. As belezas naturais funcionam como o principal motor da imagem internacional, atraindo admiração genuína. Os entrevistados — cidadãos comuns, executivos, jornalistas, influenciadores e autoridades — descrevem o país como um lugar repleto de possibilidades. Mas há um porém que pesa como chumbo: a insegurança pública funciona como um teto invisível, impedindo que essa beleza e potencial se traduzam em reputação mais sólida.
Quando perguntados sobre a imagem e reputação do Brasil em uma escala de zero a dez, os números revelam uma divisão clara entre como brasileiros e estrangeiros veem o país. Os brasileiros atribuem nota 6,9 à imagem e reputação nacional, enquanto estrangeiros a avaliam em 6,3. A diferença é significativa: há um otimismo interno que não encontra correspondência no olhar externo. Mas o quadro fica ainda mais intrigante quando a pergunta muda para admiração e confiança. Aqui, os estrangeiros saem na frente, com nota 6,2, contra 5,8 dos brasileiros. É como se o mundo confiasse mais no Brasil do que os próprios brasileiros confiam em si mesmos.
A segurança pública é o ponto de ruptura. Internamente, brasileiros avaliam a segurança em 5,4. Externamente, a nota cai para 4,4 — uma queda abrupta que coloca o tema na faixa de vulnerabilidade crítica, segundo a metodologia da pesquisa. A percepção sobre violência é a mais mal avaliada entre todos os tópicos investigados no exterior. Não é uma questão menor: é o fator que mais limita o crescimento da reputação brasileira no mundo.
Além da segurança, o ambiente político, econômico e social também pesa negativamente. Brasileiros avaliam esse aspecto em 5,3, enquanto estrangeiros o fazem em 5,2 — praticamente idêntico, o que sugere que a preocupação é compartilhada. O governo e a liderança recebem notas semelhantes: 5,4 internamente e 5,3 externamente. Esses números apontam para um problema mais profundo: não é apenas que o Brasil enfrente desafios reais em segurança e governança, mas que a narrativa global sobre o país não consegue transcender esses obstáculos para projetar seu potencial econômico e cultural.
A pesquisa Marca Brasil, como foi batizada, mapeou percepções em países tão diversos quanto Reino Unido, Suíça, Alemanha, França, Itália, Espanha, Polônia, Holanda, Grécia, Bélgica, Portugal, Suécia e Áustria, além dos já mencionados. A OnStrategy, consultoria portuguesa fundada em 2009 e especializada em gestão de valor de marca, conduziu as entrevistas online e agora divulga os resultados com exclusividade pela CNN Brasil. A partir desta semana, a emissora apresentará uma série de quatro episódios temáticos que exploram os dados em profundidade, começando pelo CNN Prime Time, apresentado por Márcio Gomes.
O que emerge desse levantamento é um Brasil com identidade forte mas preso em uma narrativa que não consegue se expandir. O país é conhecido, é admirado por suas riquezas naturais, mas a sombra da insegurança e as dúvidas sobre a estabilidade política e econômica criam um limite invisível ao crescimento de sua reputação global. A grandeza que existe internamente — o potencial, a criatividade, a força econômica — não está sendo adequadamente projetada para o mundo. É um desafio não apenas de realidade, mas de comunicação, de como contar a história do Brasil de forma que o mundo ouça além dos obstáculos.
Citations marquantes
O Brasil possui uma identidade forte, mas falha na construção de uma narrativa no entorno da segurança pública— Pesquisa Marca Brasil
A insegurança pública é identificada como a barreira crítica que impede o crescimento da reputação nacional— Pesquisa Marca Brasil