Em um país onde a água já é motivo de tensão social e ambiental, Recife ocupa o sétimo lugar entre as cidades que mais desperdiçam esse recurso vital — perdendo quase 878 litros por ligação a cada dia, quatro vezes acima do que seria aceitável. O estudo do Instituto Trata Brasil, divulgado em novembro de 2025, não apenas expõe um problema técnico de infraestrutura, mas revela uma injustiça estrutural: as regiões mais vulneráveis do país são, paradoxalmente, as que mais deixam a água escorrer pelos canos. O que se perde não é apenas líquido — é saúde pública, receita, e a possibilidade de um fu
Recife é a 7ª cidade do Brasil com maior desperdício de água
Recife perde o equivalente a 83 piscinas olímpicas diariamente
Por que Recife especificamente ocupa essa posição no ranking? É um problema de infraestrutura antiga?
Provavelmente é uma combinação de fatores. Redes antigas certamente contribuem, mas também há questões de manutenção, detecção de vazamentos e até consumos clandestinos. O estudo não detalha as causas específicas de Recife, apenas aponta o resultado.
E essa comparação com piscinas olímpicas — é só para dramatizar ou realmente ajuda a entender a escala?
Ajuda a visualizar. Oitenta e três piscinas por dia é uma quantidade absurda de água. Mas o número que realmente importa é o comparativo: Recife perde quatro vezes mais do que deveria. Isso é o que deve preocupar.
Se apenas 21 cidades entre as 100 maiores atingem o padrão ideal, isso significa que o padrão é irrealista?
Não. Significa que a maioria das cidades brasileiras tem infraestrutura deficiente. Goiânia prova que é possível. O padrão de 216 litros é alcançável — a questão é que exige investimento e gestão adequada.
Por que as regiões Norte e Nordeste sofrem mais com isso?
Historicamente, essas regiões recebem menos investimento em infraestrutura. As redes são mais antigas, a manutenção é mais precária. E paradoxalmente, são regiões que enfrentam períodos de seca e escassez de água. O desperdício agrava ainda mais essa vulnerabilidade.
A Compesa não respondeu. Isso é significativo?
Sugere que talvez não haja uma resposta fácil ou que a empresa prefira não comentar publicamente sobre um problema que a coloca em posição desfavorável. Silêncio, nesse contexto, fala por si.
O que muda agora que esse estudo foi divulgado?
Depende de pressão política e orçamentária. O estudo documenta o problema. Mas sem investimento em modernização de redes e detecção de vazamentos, os números provavelmente continuarão altos.
The Pulse
- Recife desperdiça o equivalente a 83 piscinas olímpicas de água por dia, um volume que nunca chega aos consumidores e pressiona mananciais já fragilizados.
- A cidade ultrapassa em quatro vezes o padrão de excelência hídrica estabelecido pelo Trata Brasil, e mais que dobra a média das 100 maiores cidades brasileiras.
- Vazamentos nas redes, erros de medição e consumos não autorizados formam um tripé de causas que a Compesa, responsável pelo abastecimento, ainda não comentou publicamente.
- Das 100 maiores cidades do Brasil, apenas 21 atingem o nível ideal de eficiência — e 34 desperdiçam mais do dobro do recomendado, revelando um colapso sistêmico, não um caso isolado.
- Norte e Nordeste concentram os piores índices do país, evidenciando que as regiões com maior escassez hídrica são exatamente as que menos conseguem preservar a água disponível.
- O caminho para a eficiência passa por investimentos em modernização de redes e gestão — decisões que, segundo o estudo, ainda estão por ser tomadas.
Em um país onde a água já é motivo de tensão social e ambiental, Recife ocupa o sétimo lugar entre as cidades que mais desperdiçam esse recurso vital — perdendo quase 878 litros por ligação a cada dia, quatro vezes acima do que seria aceitável. O estudo do Instituto Trata Brasil, divulgado em novembro de 2025, não apenas expõe um problema técnico de infraestrutura, mas revela uma injustiça estrutural: as regiões mais vulneráveis do país são, paradoxalmente, as que mais deixam a água escorrer pelos canos. O que se perde não é apenas líquido — é saúde pública, receita, e a possibilidade de um futuro mais equitativo.
Um diagnóstico divulgado pelo Instituto Trata Brasil na última segunda-feira revelou que Recife perde 878 litros de água por ligação a cada dia — o equivalente a 83 piscinas olímpicas diárias que simplesmente evaporam do sistema antes de chegar a qualquer torneira. O número coloca a capital pernambucana na sétima posição entre as 100 maiores cidades brasileiras em desperdício hídrico, com uma perda quatro vezes superior ao padrão de excelência de 216 litros por ligação estabelecido pelo próprio instituto.
Os dados, extraídos do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico e referentes a 2023, mostram que Recife não apenas supera a média nacional de 417 litros por ligação — ela a dobra. Para efeito de comparação, Goiânia apresenta o melhor desempenho entre as grandes cidades, com apenas 72,77 litros de perda diária por ligação. No extremo oposto, o Rio de Janeiro lidera o ranking negativo com 1.292,59 litros, seguido por Macapá, Várzea Grande, Belém, Maceió e Salvador — antes de Recife.
As causas são múltiplas: vazamentos nas redes de distribuição, falhas de medição e consumos não autorizados. As consequências também se multiplicam — pressão sobre mananciais, redução de receita para as empresas de saneamento e menor acesso à água para a população. A Compesa, responsável pelo abastecimento em Recife, não respondeu ao pedido de comentário até o fechamento da reportagem.
O estudo expõe ainda uma desigualdade regional profunda: Norte e Nordeste concentram os piores índices do país em perdas hídricas e em saneamento geral. Nenhuma região brasileira consegue manter média dentro do padrão ideal. Sul e Centro-Oeste são as menos ineficientes, mas ainda ficam acima do recomendado. O Instituto Trata Brasil aponta que existe potencial significativo de melhoria nessas regiões — desde que venham os investimentos em modernização de infraestrutura e gestão que, por ora, ainda aguardam decisão.
Um estudo divulgado nesta segunda-feira pelo Instituto Trata Brasil trouxe um diagnóstico preocupante para Recife: a capital pernambucana desperdiça quase 878 litros de água por ligação a cada dia. Para colocar esse número em perspectiva, é como se a cidade perdesse o equivalente a 83 piscinas olímpicas inteiras diariamente — água que sai dos canos e nunca chega aos consumidores.
Esse desperdício coloca Recife na sétima posição entre as 100 maiores cidades do Brasil em termos de perda hídrica. O que torna a situação ainda mais grave é a comparação com o padrão considerado ideal: o Trata Brasil estabelece que o nível ótimo de perda deve ser de 216 litros por ligação por dia. Recife ultrapassa esse patamar em quatro vezes. Quando comparada à média das 100 maiores cidades brasileiras, que ficou em 417 litros por ligação diária em 2023, Recife não apenas fica acima da média — fica mais que o dobro dela.
Os dados utilizados no estudo referem-se a 2023 e foram extraídos do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico. A pesquisa revelou que apenas 21 das 100 maiores cidades do país conseguem manter perdas dentro do padrão de excelência. Ainda mais alarmante: 34 municípios desperdiçam mais do dobro do recomendado. Goiânia, em Goiás, apresenta o melhor desempenho entre as grandes cidades, com apenas 72,77 litros de perda por ligação diária.
Os números de Recife, porém, não são os piores do país. Rio de Janeiro lidera com 1.292,59 litros por ligação por dia, seguido por Macapá, Várzea Grande, Belém, Maceió e Salvador. Ainda assim, a posição de Recife no ranking revela um problema estrutural que vai além da capital pernambucana. O Instituto Trata Brasil aponta que as perdas ocorrem por múltiplas razões: vazamentos nas redes de distribuição, erros de medição e consumos não autorizados. Cada um desses fatores contribui para o desperdício de um recurso cada vez mais escasso.
As consequências desse desperdício extrapolam o simples número de litros perdidos. O meio ambiente sofre com a pressão excessiva sobre mananciais. A sociedade perde acesso a água que poderia ser distribuída. E as empresas responsáveis pelo abastecimento — no caso de Recife, a Companhia Pernambucana de Saneamento — enfrentam custos crescentes de produção e redução de receita. O Diário de Pernambuco procurou a Compesa para comentar os dados, mas não obteve resposta até o fechamento desta reportagem.
O estudo também mapeou as disparidades regionais. As regiões Norte e Nordeste enfrentam os maiores desafios, não apenas em perdas de água, mas também nos indicadores gerais de abastecimento, coleta e tratamento de esgotos. Nenhuma região do país consegue manter uma média de perdas dentro do padrão de excelência de 216 litros por ligação diária. A região Norte apresenta o pior desempenho, seguida de perto pelo Nordeste e Sudeste. Apenas as regiões Sul e Centro-Oeste ficam abaixo de 300 litros por ligação diária, ainda assim acima do ideal.
Essa distribuição desigual de eficiência hídrica revela não apenas um problema técnico, mas uma questão de infraestrutura e investimento. As regiões mais pobres do país, justamente aquelas que enfrentam maior escassez de água, são as que mais desperdiçam. O Instituto Trata Brasil sugere que existe grande potencial de redução de perdas nesses municípios — potencial que depende de investimentos em modernização de redes, detecção de vazamentos e melhor gestão dos sistemas de distribuição. Para Recife e outras cidades em situação semelhante, o caminho para a eficiência hídrica passa por decisões que ainda estão por ser tomadas.
Notable Quotes
O quantitativo de litros do Recife ultrapassa em quatro vezes o patamar considerado ótimo pelo Trata Brasil— Instituto Trata Brasil