Pelo menos dez civis mortos em massacre de milícias na RDCongo

Pelo menos dez civis mortos, incluindo seis crianças, em massacre perpetrado por milicianos da FPIC em Nyara, Ituri.
Os milicianos ainda estavam por perto quando os soldados chegaram
Um chefe local descreveu a resposta tardia das forças armadas congolesas ao massacre de Nyara.
Mark

Por que é que o FPIC ataca aldeias civis? Qual é o objetivo real?

Mimi

Oficialmente, dizem que defendem os interesses da comunidade Bira. Mas quando matas crianças e queimas casas, a defesa comunitária torna-se indistinguível da predação. O que vemos é controlo territorial através do terror.

Mark

As forças armadas congolesas não conseguem conter isto?

Mimi

Chegam tarde. Um chefe local disse que a resposta foi tardia, que os milicianos ainda estavam por perto quando os soldados apareceram. Há uma sensação de que as autoridades não têm capacidade — ou talvez vontade — de proteger estas aldeias.

Mark

Isto é novo em Ituri?

Mimi

Não. Entre 1999 e 2003, dezenas de milhares morreram num conflito entre comunidades. Levou uma força militar europeia para o parar. Agora, quase vinte anos depois, estamos a ver o mesmo padrão: milícias, massacres, comunidades destruídas.

Mark

Quantas pessoas morreram este ano?

Mimi

Desde janeiro, mais de duzentas em Ituri e no Kivu Norte. Mais de vinte e cinco aldeias foram atacadas. Isto não é uma crise isolada — é um sistema de violência que se perpetua.

Mark

Como é que as comunidades sobrevivem a isto?

Mimi

Sobrevivem porque não têm escolha. Reconstruem o que foi queimado. Enterram os mortos. E esperam que a próxima terça-feira seja diferente, sabendo que provavelmente não será.

  • Milicianos da FPIC atacaram Nyara às quatro da manhã, matando entre dez e doze civis — metade deles crianças — e deixando casas em chamas e lojas saqueadas.
  • As versões sobre o número de mortos divergem: a ONU confirma dez, o Barómetro de Segurança Kivu regista doze, e o Exército congolês admite apenas cinco — uma discrepância que revela tanto a confusão no terreno como a possível relutância oficial em reconhecer a escala da violência.
  • As forças armadas congolesas chegaram tarde demais, com os milicianos ainda a rondar a área quando os soldados apareceram, enquanto um porta-voz militar tentava garantir que a situação estava 'sob controlo'.
  • Desde o início de 2021, mais de vinte e cinco aldeias foram atacadas em Ituri e no Kivu Norte, num padrão de massacres que transforma o extraordinário em rotina e deixa comunidades inteiras sem proteção efetiva.

Na madrugada de uma terça-feira comum, a aldeia de Nyara, em Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo, tornou-se mais um nome numa lista que não para de crescer: pelo menos dez civis, seis deles crianças, foram mortos por milicianos da FPIC, que saquearam e incendiaram casas antes de se dispersarem. O ataque insere-se num ciclo de violência comunitária que, só em 2021, já ceifou mais de duzentas vidas em mais de vinte e cinco aldeias da região. Ituri carrega décadas de conflito não resolvido, e cada massacre repete a mesma tragédia com uma crueldade que o mundo tem dificuldade em sustentar no olhar.

Antes do amanhecer de uma terça-feira, milicianos da Força Patriótica e Integracionista do Congo invadiram Nyara, uma aldeia no coração de Ituri, no nordeste da RDCongo. O ataque durou o suficiente para matar pelo menos dez pessoas — seis delas crianças —, saquear as lojas e incendiar as casas. O que ficou foi o silêncio pesado de uma comunidade destroçada.

A contagem de vítimas variou conforme a fonte. A missão da ONU no país confirmou dez mortos. O Barómetro de Segurança Kivu registou doze. O chefe local Batagura Zamundu, que falou com agências internacionais, também apontou doze mortos e quatro feridos. O Exército congolês ficou-se pelos cinco. A discrepância não é apenas técnica — reflete a opacidade que envolve estes eventos e, talvez, a resistência das autoridades em reconhecer a verdadeira dimensão da violência.

O FPIC apresenta-se como defensor da comunidade Bira, mas opera, como tantos grupos armados da região, numa zona cinzenta entre reivindicação política e criminalidade. Nyara não foi um caso isolado: desde janeiro de 2021, mais de vinte e cinco aldeias foram atacadas em Ituri e no Kivu Norte, com um saldo superior a duzentos mortos em poucos meses.

As forças armadas chegaram tarde. Zamundu lamentou a demora, notando que os milicianos ainda circulavam pela área quando os soldados apareceram. O tenente Jules Ngongo garantiu que a situação estava controlada — palavras que soam ocas quando as casas ainda ardem.

Ituri já viveu este pesadelo antes. Entre 1999 e 2003, um conflito comunal entre as comunidades Lendu e Hema matou dezenas de milhares de pessoas, até que uma força europeia liderada pela França interveio. Quase vinte anos depois, a região permanece presa no mesmo ciclo. O massacre de Nyara não é uma exceção que choca o mundo — é mais uma terça-feira sangrenta numa região onde isso se tornou, tragicamente, rotina.

Na madrugada de terça-feira, milicianos da Força Patriótica e Integracionaista do Congo invadiram a aldeia de Nyara, no coração da região de Ituri, no nordeste da República Democrática do Congo. O ataque começou às quatro da manhã. Quando terminou, pelo menos dez pessoas estavam mortas — seis delas crianças. As casas ardiam. As lojas tinham sido saqueadas. O que restava era o silêncio de uma comunidade traumatizada.

A contagem de vítimas variou conforme as fontes. A missão das Nações Unidas na RDCongo confirmou dez mortos. O Barómetro de Segurança Kivu, uma organização que mantém colaboradores na região, registou doze. Batagura Zamundu, um chefe local que falou com agências de notícias internacionais, também relatou doze mortos e quatro feridos. O Exército congolês, por sua vez, divulgou um número menor: cinco. A discrepância reflete a confusão que envolve estes eventos — e talvez também a relutância de autoridades em reconhecer a verdadeira escala da violência.

O FPIC é uma milícia que afirma defender os interesses da comunidade Bira. Como muitos grupos armados na região, opera numa zona cinzenta entre reivindicações políticas e criminalidade pura. O ataque a Nyara não foi um incidente isolado. Desde o início de 2021, mais de vinte e cinco aldeias foram atacadas em Ituri e na vizinha província do Kivu Norte. O saldo: mais de duzentas pessoas mortas em apenas alguns meses.

A resposta das forças armadas congolesas chegou tarde demais. Zamundu lamentou a demora, observando que os milicianos ainda rondavam a área quando os soldados finalmente apareceram. Um porta-voz militar em Ituri, o tenente Jules Ngongo, tentou minimizar o incidente, afirmando que a situação estava sob controlo. Mas as palavras de um oficial militar significam pouco quando as casas ainda ardem e os mortos ainda não foram enterrados.

Esta violência não é nova. Entre 1999 e 2003, Ituri foi palco de um conflito comunal que matou dezenas de milhares de pessoas. Naquela época, as comunidades Lendu e Hema combateram através de milícias rivais, até que uma força militar europeia, a Artemis, liderada pela França, interveio em 2003. Quase duas décadas depois, a região continua presa num ciclo de massacres e represálias. Em 2020 apenas, Bunia — a capital de Ituri — registou mais de dois mil mortos em incidentes violentos, de acordo com estatísticas divulgadas pela Igreja Católica congolesa.

O que torna Nyara particularmente perturbador é a sua banalidade dentro de um padrão maior. Não é um evento extraordinário que choque o mundo. É um massacre entre muitos, uma terça-feira sangrenta numa região onde as terças-feiras sangrentas se tornaram rotina. As crianças mortas não serão as últimas. As casas queimadas serão reconstruídas, apenas para serem queimadas novamente. E as milícias continuarão a operar, alegando defender comunidades que, na verdade, estão sendo destruídas.

A situação está sob controlo
— Tenente Jules Ngongo, porta-voz militar do Exército congolês em Ituri
Houve uma intervenção das forças armadas da RDCongo, mas tardia, e o inimigo ainda está por perto
— Batagura Zamundu, chefe local
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