No sábado, em uma feira de ciências no Colégio Tamandaré, no Rio de Janeiro, o que deveria ser um momento de aprendizado sobre saúde se converteu em um incidente de risco biológico coletivo. Uma aluna, sem supervisão adulta, perfurou os dedos de dezenas de colegas com a mesma lanceta, expondo pelo menos 24 pessoas ao risco de contaminação por sangue. O episódio nos lembra que a negligência raramente anuncia sua chegada — ela se disfarça de curiosidade, de entusiasmo, de uma multidão reunida ao redor de algo que parece inofensivo.
Pai relata desespero ao descobrir que filha foi furada com lanceta reutilizada em feira
Viu que acumulou mais gente, muita criança em volta, e só então percebeu
Como um pai consegue estar ali, vendo tudo acontecer, e não conseguir parar?
Ele não sabia o que estava vendo no momento. Viu uma aglomeração de crianças interessadas, viu sua filha com um resultado de glicose. Só depois entendeu que era uma lanceta reutilizada.
Mas ele diz que viu a aluna furando dedos. Então ele viu o ato acontecendo?
Sim, viu. Mas não viu o risco. Não viu que era a mesma lanceta sendo usada em criança após criança.
E a escola? Quando soube?
Depois. Comunicou aos pais depois que o incidente já tinha acontecido.
Quantas crianças exatamente foram expostas? O texto diz 24, mas depois diz 23 que procuraram atendimento. Não está claro se a filha dele está incluída nesse número ou se é um total separado.
É uma confusão no relato. Pelo menos 24 foram expostas. Vinte e três procuraram serviço de saúde.
E o tratamento preventivo — 28 dias — isso é padrão para exposição a lanceta contaminada?
O pai relata que sua filha terá esse período de tratamento. Não há detalhes sobre qual é exatamente o protocolo ou por que esse tempo específico.
Exato. Não sabemos se é profilaxia pós-exposição, se é monitoramento, se é algo mais. O texto não deixa claro.
O que mais preocupa você nessa história?
A falta de supervisão. Uma aluna sozinha com equipamento médico e dezenas de crianças. Isso não deveria ser possível.
E ainda não sabemos se houve negligência deliberada ou se foi um vazio de protocolos. A investigação vai dizer.
El Pulso
- Uma aluna conduzia sozinha uma demonstração de medição de glicose e furou os dedos de múltiplas crianças com a mesma lanceta reutilizada, sem qualquer protocolo de higiene.
- Um pai assistiu, sem perceber o perigo, ao momento exato em que sua filha foi perfurada — ela até recebeu um resultado de glicose (114) e o repetia orgulhosa.
- Pelo menos 24 pessoas foram expostas ao risco de infecção por sangue; 23 delas buscaram atendimento médico após o incidente vir à tona.
- A filha do pai que testemunhou tudo enfrentará 28 dias de tratamento preventivo, carregando consigo a ansiedade de monitoramento e testes.
- Uma investigação sobre os protocolos de segurança do colégio está em andamento, com perguntas urgentes sobre como equipamentos médicos chegaram às mãos de uma aluna sem supervisão.
No sábado, em uma feira de ciências no Colégio Tamandaré, no Rio de Janeiro, o que deveria ser um momento de aprendizado sobre saúde se converteu em um incidente de risco biológico coletivo. Uma aluna, sem supervisão adulta, perfurou os dedos de dezenas de colegas com a mesma lanceta, expondo pelo menos 24 pessoas ao risco de contaminação por sangue. O episódio nos lembra que a negligência raramente anuncia sua chegada — ela se disfarça de curiosidade, de entusiasmo, de uma multidão reunida ao redor de algo que parece inofensivo.
Um pai observava tranquilamente os trabalhos de uma feira de ciências no Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, quando notou uma multidão crescente ao redor de um estande sobre diabetes e glicose. Ao se aproximar para entender o que atraía tantas crianças, a realidade o atingiu: uma aluna, sem qualquer adulto por perto, estava furando o dedo de cada criança que se aproximava com a mesma lanceta.
Naquele instante, ele viu sua própria filha com o dedo já perfurado, uma gotinha de sangue na ponta, repetindo orgulhosa o número que havia recebido — 114. Uma mãe que passava comentou casualmente que estava ótimo. Ninguém, naquele momento, sabia que o equipamento havia sido reutilizado em dezenas de crianças sem nenhum protocolo de higiene ou segurança.
O que começou como uma apresentação educativa sobre medição de glicose se transformou em um incidente de contaminação biológica. Pelo menos 24 pessoas foram expostas ao risco de infecção; 23 delas procuraram atendimento médico. A filha do pai que presenciou tudo enfrentará agora 28 dias de tratamento preventivo.
A escola comunicou o ocorrido apenas depois, quando já era tarde. Uma investigação sobre os protocolos de segurança está em andamento, mas as perguntas são dolorosamente simples: como uma aluna foi autorizada a manusear equipamentos médicos sem supervisão? Como ninguém interveio? O incidente expõe uma brecha entre o que deveria ser óbvio — lancetas são de uso único — e o que, naquele sábado, foi permitido acontecer.
A descoberta foi brutal em sua simplicidade. Um pai estava observando os trabalhos de uma feira de ciências no sábado, no Colégio Tamandaré, no Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste do Rio, quando notou algo que o deixaria em desespero nos minutos seguintes. Ele se aproximou de um estande sobre diabetes, insulina e glicose. Havia equipamentos sobre a mesa — canetas, medidores — e uma aluna apresentando o projeto. Ele recuou alguns passos, deixando sua filha continuar observando. Então viu a multidão crescer. Mais crianças chegavam, depois mais, depois ainda mais. Pareceu-lhe que o trabalho era tão envolvente que havia atraído todos aqueles alunos.
Quando se aproximou novamente para entender melhor o que capturava tanta atenção, a realidade o atingiu. Uma aluna, sem qualquer supervisão de um adulto, estava furando o dedo de outras crianças. Naquele instante, ele viu sua filha com o dedo já perfurado, uma gotinha de sangue visível na ponta. Ela até havia recebido um resultado — 114 — e o repetia. Uma outra mãe que passava ouviu o número e respondeu casualmente que estava ótimo, estava bom. Ninguém sabia, naquele momento, que o equipamento sendo usado era uma lanceta reutilizada, passada de criança para criança sem qualquer protocolo de higiene ou segurança.
O que começou como uma apresentação educativa sobre medição de glicose se transformou em um incidente de contaminação biológica. Pelo menos 24 pessoas — a maioria delas crianças — foram expostas ao risco de infecção através de uma lanceta compartilhada. Vinte e três delas procuraram atendimento em serviços de saúde após o incidente vir à tona. A filha do pai que presenciou tudo enfrentará agora 28 dias de tratamento preventivo, um período que carrega consigo a ansiedade de testes e monitoramento.
O pai descreve o momento da descoberta como desespero puro. Ele havia visto tudo acontecer diante de seus olhos — a falta de supervisão, a reutilização do equipamento, a inocência das crianças participando de algo que parecia inofensivo — e não havia conseguido intervir a tempo. A escola comunicou o ocorrido depois, quando já era tarde. O que deveria ter sido um momento de aprendizado sobre saúde e prevenção de doenças se tornou uma lição sobre negligência e risco.
A investigação sobre os protocolos de segurança do colégio está em andamento. Perguntas óbvias permanecem: como uma aluna foi autorizada a manusear equipamentos médicos sem supervisão? Por que não havia procedimentos de higiene estabelecidos? Como ninguém interveio enquanto dezenas de crianças se aglomeravam ao redor de uma lanceta sendo reutilizada? O incidente expõe uma falha sistêmica na segurança escolar, uma brecha entre o que deveria ser óbvio — que equipamentos que penetram a pele devem ser estéreis e usados uma única vez — e o que, naquele sábado, foi permitido acontecer.
Citas Notables
Vi que havia uma aluna, sem supervisão de nenhum adulto, furando o dedo de outros alunos. Foi nesse momento que percebi que minha filha já tinha sido furada.— Pai entrevistado pelo O GLOBO