Em Genebra, diante dos 194 países-membros da Organização Mundial da Saúde, o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus escolheu o momento de alívio coletivo — o encerramento do status de emergência da Covid-19 — para lançar um alerta sobre o que ainda está por vir. Sua mensagem não era de celebração, mas de responsabilidade: a memória da crise deve ser convertida em preparação, antes que a próxima pandemia encontre o mundo novamente desarmado. A humanidade, ele sugeria, tem uma janela rara entre catástrofes — e a questão moral é o que fará com ela.
OMS pede que países se preparem agora para próximas pandemias
Não podemos chutar essa lata no caminho
Por que a OMS escolheu esse momento específico, logo após encerrar a emergência global da Covid-19, para fazer esse apelo?
Porque é quando o mundo mais quer esquecer. Quando a crise está fresca, há urgência, há recursos, há atenção. Mas assim que as coisas melhoram, a vontade política desaparece. Tedros estava tentando capturar esse momento de transição — quando ainda há memória, mas antes que a inércia tome conta.
O tratado de pandemia que está sendo redigido — é vinculante? Tem dentes?
Ainda está em negociação. O que sabemos é que 194 países concordaram em trabalhar nele e apresentá-lo no próximo ano. Mas vincular 194 países a qualquer coisa é um exercício de diplomacia extremamente complexo. O valor está em ter um acordo, mesmo que imperfeito.
E quanto aos países mais pobres? Esse aumento de orçamento realmente os ajuda?
Ajuda a OMS como instituição, mas a questão que os países da América Central e do Sul levantaram — o subfinanciamento crônico — sugere que o dinheiro não chega onde mais precisa. É a velha história: recursos globais, mas distribuição desigual.
Qual é o risco real de uma próxima pandemia? Estamos mais preparados agora do que estávamos em 2019?
Tecnicamente, sim. Temos vacinas mais rápidas, sistemas de vigilância melhores, comunicação global. Mas a preparação é frágil — depende de vontade política, de investimento contínuo, de cooperação internacional. Tudo isso pode desaparecer em um piscar de olhos quando a crise passa.
O Pulso
- Tedros advertiu que uma nova pandemia 'baterá à porta' e que adiar reformas estruturais é uma escolha com consequências irreversíveis.
- O encerramento do status de emergência global da Covid-19 criou um paradoxo perigoso: o alívio que deveria motivar ação tende, na prática, a gerar esquecimento.
- A Assembleia Mundial de Saúde aprovou orçamento de US$ 6,38 bilhões para 2024-25, com aumento de 20% nas contribuições obrigatórias — sinal de comprometimento, mas não de unanimidade.
- Países da América Central e do Sul denunciaram o subfinanciamento crônico de suas regiões, expondo que a preparação global será profundamente desigual.
- Um tratado internacional de pandemia está em redação e deve ser apresentado em 2024, descrito por Tedros como 'um compromisso de geração' forjado pela experiência coletiva da crise.
Em Genebra, diante dos 194 países-membros da Organização Mundial da Saúde, o diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus escolheu o momento de alívio coletivo — o encerramento do status de emergência da Covid-19 — para lançar um alerta sobre o que ainda está por vir. Sua mensagem não era de celebração, mas de responsabilidade: a memória da crise deve ser convertida em preparação, antes que a próxima pandemia encontre o mundo novamente desarmado. A humanidade, ele sugeria, tem uma janela rara entre catástrofes — e a questão moral é o que fará com ela.
Na Assembleia Mundial de Saúde em Genebra, Tedros Adhanom Ghebreyesus não veio celebrar o fim da crise — veio avisar que o intervalo entre pandemias é exatamente o momento em que as decisões mais importantes precisam ser tomadas. Semanas após a OMS encerrar formalmente o status de emergência global da Covid-19, ele pediu que os países não adiassem as reformas necessárias. "Não podemos chutar essa lata no caminho", disse, deixando no ar uma pergunta incômoda: se não agirmos agora, quando?
O apelo tinha contexto e urgência. A assembleia reunia os 194 países-membros com uma agenda densa — erradicação da poliomielite, consequências humanitárias da guerra na Ucrânia e, sobretudo, a redação de um tratado internacional de pandemia previsto para 2024. Para Tedros, esse tratado não era apenas política sanitária: era o legado que uma geração marcada por um vírus microscópico deveria deixar para as próximas.
Os países responderam com gestos concretos. O orçamento da OMS para 2024-25 foi aprovado em US$ 6,38 bilhões, com aumento de 20% nas contribuições obrigatórias dos Estados-membros. Mas a harmonia tinha fissuras: nações da América Central e do Sul denunciaram o subfinanciamento histórico de suas regiões, lembrando que preparação global não significa preparação igual. O discurso de Tedros, no fundo, era um convite para que o mundo não esperasse a próxima crise para aprender a lição que a última já havia ensinado.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, subiu ao palco da Assembleia Mundial de Saúde em Genebra na segunda-feira para entregar uma mensagem que soava menos como previsão e mais como aviso. A Covid-19 estava sob controle. O mundo respirava aliviado. Mas ele não veio falar do presente — veio falar do que vem depois.
Sua fala foi direta: os países não podem adiar as reformas necessárias para enfrentar as próximas pandemias. "Não podemos chutar essa lata no caminho", disse, referindo-se aos avanços conquistados desde a última crise sanitária global. A metáfora era clara — há trabalho a fazer, e adiá-lo não o faz desaparecer. Uma próxima pandemia, alertou, "baterá à porta". A questão que deixou no ar era mais provocadora ainda: se não fizermos as mudanças agora, quando faremos? E se não formos nós, quem será?
O timing do apelo não era casual. Semanas antes, a OMS havia encerrado formalmente o status de emergência global para a Covid-19 — um marco simbólico que marcava o fim de uma era de crise contínua. Mas para Tedros, esse fechamento de capítulo era justamente o momento para abrir outro: o da preparação preventiva. A intenção era clara — não esperar pela próxima crise para agir, mas construir as defesas enquanto ainda há tempo.
A Assembleia Mundial de Saúde, que reunia os 194 países-membros da organização, tinha agenda ambiciosa. Além da preparação para futuras pandemias, os delegados discutiam a erradicação da poliomelite e as consequências humanitárias da guerra na Ucrânia. Mas o grande projeto em andamento era a redação de um tratado internacional de pandemia, que seria apresentado no próximo ano. Para Tedros, essa iniciativa representava mais do que política sanitária — era "um compromisso da geração", porque foi essa mesma geração que vivenciou na pele o quanto um vírus microscópico pode devastar o mundo.
Os países responderam com ações concretas. A assembleia aprovou um aumento significativo no orçamento da OMS para o período 2024-25, elevando-o para US$ 6,38 bilhões. O aumento incluía uma elevação de 20% nas contribuições obrigatórias dos Estados-membros — um sinal de que, pelo menos naquele momento, havia consenso sobre a necessidade de investimento em saúde global. Mas nem tudo era harmonia. Países da América Central e do Sul aproveitaram a reunião para levantar uma questão que os afligia há anos: o subfinanciamento crônico de suas regiões. Era um lembrete de que a preparação para futuras crises não seria uniforme — alguns países tinham mais recursos que outros para se preparar.
O discurso de Tedros, portanto, não era apenas um apelo retórico. Era um chamado para ação em um momento em que o mundo ainda sentia o peso da pandemia anterior, mas já começava a esquecer dele. A história das pandemias, ele parecia dizer, não termina quando os números de casos caem. Termina quando estamos prontos para a próxima.
Citações Notáveis
Se não fizermos as mudanças que devem ser feitas, quem fará? E se não fizermos agora, quando?— Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS
Esta é um compromisso da geração, porque foi esta geração que experimentou o quão terrível um pequeno vírus pode ser— Tedros Adhanom Ghebreyesus