Em Genebra, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, colocou em perspectiva o surto de hantavírus registrado no navio MV Hondius, ancorado em Cabo Verde após três mortes entre passageiros: o risco global permanece baixo, e a situação não evoca os primeiros dias sombrios da Covid-19. O vírus, transmitido por roedores e presente neste caso na variante Andes — capaz de passar entre humanos —, é bem conhecido pela ciência, e os casos permanecem circunscritos a uma única embarcação. A humanidade já aprendeu, a custo alto, a diferença entre o desconhecido e o controlável.
OMS descarta risco de pandemia por hantavírus em navio de cruzeiro
O risco para o resto do mundo é baixo
Por que a OMS descartou tão rapidamente a possibilidade de comparação com Covid-19?
Porque o contexto é completamente diferente. Com Covid-19, ninguém sabia nada — nem como se transmitia, nem quão grave era, nem como controlá-lo. Aqui, sabemos exatamente o que estamos enfrentando.
Mas a variante Andes pode ser transmitida entre humanos. Isso não é preocupante?
É preocupante o suficiente para a OMS estar coordenando uma resposta. Mas preocupante não é o mesmo que pandêmico. Três mortes em um navio é uma tragédia. Milhões de mortes globais é uma pandemia.
O navio está ancorado em Cabo Verde. As pessoas podem sair?
Não está claro no comunicado da OMS, mas o fato de o navio estar ancorado e a OMS estar coordenando com parceiros sugere que há contenção. Se houvesse risco de disseminação descontrolada, seria diferente.
Então por que a OMS não convocou o comitê de emergência?
Porque, até agora, não há evidência de que isso vá além do navio. O comitê é acionado quando há ameaça à saúde pública internacional. Uma situação contida, mesmo que grave, não atende a esse critério.
E se houver mais casos?
Aí a avaliação muda. Mas por enquanto, a OMS está dizendo: estamos atentos, estamos coordenando, mas não vemos sinais de que isso vire algo maior.
O Pulso
- Três passageiros morreram a bordo do MV Hondius, navio holandês que partiu da Argentina e agora permanece ancorado em Cabo Verde sob investigação.
- A confirmação da variante Andes do hantavírus — rara por permitir transmissão entre humanos — acendeu um alerta imediato e gerou comparações com o início da pandemia de Covid-19.
- Tedros Adhanom Ghebreyesus foi categórico ao descartar qualquer paralelo com a Covid-19, afirmando que o risco para o restante do mundo é baixo.
- A OMS já coordena reuniões com parceiros internacionais, mas não vê necessidade de acionar o comitê de emergência — sinal de que a resposta segue em modo de vigilância, não de crise.
Em Genebra, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, colocou em perspectiva o surto de hantavírus registrado no navio MV Hondius, ancorado em Cabo Verde após três mortes entre passageiros: o risco global permanece baixo, e a situação não evoca os primeiros dias sombrios da Covid-19. O vírus, transmitido por roedores e presente neste caso na variante Andes — capaz de passar entre humanos —, é bem conhecido pela ciência, e os casos permanecem circunscritos a uma única embarcação. A humanidade já aprendeu, a custo alto, a diferença entre o desconhecido e o controlável.
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, Tedros Adhanom Ghebreyesus, descartou nesta quarta-feira qualquer comparação entre o surto de hantavírus a bordo do navio MV Hondius e os primeiros dias da pandemia de Covid-19. Falando à agência France Press em Genebra, ele foi direto: o risco para o mundo permanece baixo.
O navio de bandeira holandesa tornou-se foco de atenção internacional desde sábado, quando a OMS foi notificada sobre três mortes entre passageiros. A embarcação havia partido de Ushuaia, na Argentina, no início de abril, e desde domingo permanece ancorada na costa de Cabo Verde enquanto as autoridades investigam o surto.
O que tornou o caso particularmente sensível foi a confirmação da variante Andes do hantavírus — uma cepa que, ao contrário de outras formas do vírus normalmente transmitidas por roedores, pode passar de pessoa para pessoa. Essa característica levantou preocupações iniciais sobre o potencial de disseminação.
Tedros, porém, minimizou os alarmes. A OMS já iniciou reuniões de coordenação com parceiros internacionais, mas não há planos de convocar o comitê de emergência da entidade — mecanismo reservado para ameaças de escala global. O vírus é bem conhecido, sua epidemiologia é compreendida, e os casos seguem contidos em uma única embarcação: um cenário muito distante da névoa de incerteza que cercou os primeiros meses da Covid-19.
Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da Organização Mundial da Saúde, descartou nesta quarta-feira qualquer comparação entre o surto de hantavírus em um navio de cruzeiro e os primeiros dias da pandemia de Covid-19. Falando à agência France Press na sede da OMS em Genebra, ele foi direto: o risco para o resto do mundo permanece baixo.
O navio MV Hondius, sob bandeira holandesa, tornou-se foco de atenção internacional desde o sábado, quando a OMS foi notificada sobre três mortes entre os passageiros. A embarcação havia partido de Ushuaia, na Argentina, no primeiro de abril para uma travessia pelo Oceano Atlântico. Desde domingo, permanece ancorada na costa de Cabo Verde enquanto as autoridades investigam o surto.
O hantavírus é uma doença incomum, normalmente transmitida por roedores infectados através de urina, fezes ou saliva. O que torna este caso particular é a confirmação da variante Andes nos três casos ligados ao navio — uma cepa que, diferentemente de outras formas do vírus, pode passar de pessoa para pessoa. Essa capacidade de transmissão humana é o que levantou preocupações iniciais sobre o potencial de disseminação.
Mas Tedros minimizou essas preocupações. Quando questionado diretamente se a OMS via paralelos com o início da crise de Covid-19, sua resposta foi categórica: não. A organização já iniciou reuniões para coordenar com parceiros internacionais e estruturar uma resposta, mas, segundo o diretor-geral, não há necessidade no momento de convocar o comitê de emergência da entidade — o mecanismo acionado quando uma situação é considerada uma ameaça potencial à saúde global.
O cenário atual contrasta com a incerteza que cercou os primeiros casos de Covid-19. Naquele momento, havia desconhecimento sobre a transmissibilidade, a gravidade e o alcance do novo coronavírus. Aqui, embora a variante Andes do hantavírus seja preocupante por sua capacidade de transmissão entre humanos, o vírus é bem conhecido, sua epidemiologia é compreendida, e os casos estão contidos em um único navio. A OMS está monitorando, coordenando e preparada, mas não vê sinais de que isso possa evoluir para algo de escala pandêmica.
Citações Notáveis
Não considero o surto de hantavírus semelhante ao cenário do início da pandemia de Covid-19— Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS