Oito em cada dez brasileiros estão endividados, aponta pesquisa do Instituto Locomotiva

A inadimplência afeta a vida pessoal de milhões de brasileiros, impactando sua estabilidade financeira e bem-estar, com influência de fatores como desemprego e gastos inesperados com saúde.
Oito em cada dez famílias carregam dívidas que não conseguem pagar
Pesquisa do Instituto Locomotiva revela a escala do endividamento entre brasileiros e o peso que carregam.
Mark

Por que o cartão de crédito lidera tão claramente? Não seria mais fácil controlar esse tipo de dívida?

Mimi

O cartão é imediato. Você compra, a dívida fica para depois, e depois vira meses. Quando você percebe, já são juros sobre juros. É diferente de um empréstimo, onde você sabe exatamente quanto deve. No cartão, a pessoa perde o controle.

Mark

A falta de planejamento financeiro aparece em 36% dos casos. Isso é educação ou é falta de tempo?

Mimi

É os dois. Muita gente trabalha tanto que não consegue sentar e olhar para suas contas. E quando consegue, não sabe por onde começar. Não aprendeu isso na escola. Fica tudo muito abstrato.

Mark

O otimismo cresceu bastante — de 25% para 39%. O que mudou?

Mimi

A economia melhorou um pouco, as pessoas conseguiram alguns ganhos. Mas também acho que é esperança mesmo. Quando você vê um programa como o Desenrola Brasil, você pensa: talvez eu consiga sair disso. Antes não havia nem isso.

Mark

As redes sociais incentivam 23% a gastar mais. Como isso funciona?

Mimi

Você vê alguém comprando algo bonito, compartilhando a vida. Você quer aquilo também. Clica, compra, pensa depois. É um ciclo que alimenta a inadimplência.

Mark

Apenas 17% conhecem bem o Desenrola Brasil, mesmo sendo importante para 80%. Por que tanta gente não sabe?

Mimi

Falta comunicação clara. As pessoas ouvem falar, mas não sabem se suas dívidas específicas entram no programa. Há muita dúvida, e dúvida paralisa.

  • O endividamento atingiu 80% das famílias brasileiras, com um terço incapaz de honrar sequer os pagamentos básicos em dia.
  • O cartão de crédito avançou como principal vilão, saltando de 56% para 60% das dívidas em aberto, enquanto empréstimos bancários e cheque especial aprofundam o buraco.
  • Falta de planejamento, desemprego e gastos inesperados com saúde formam a tríade que empurra as famílias para a inadimplência — um ciclo difícil de romper sem apoio estrutural.
  • O otimismo cresceu: 39% dos endividados têm certeza de que vão quitar suas dívidas, ante apenas 25% em 2022, e o programa Desenrola Brasil é visto como saída por oito em cada dez.
  • A maioria aposta em economizar e renegociar, mas ainda há lacunas críticas: apenas 17% conhecem bem o Desenrola Brasil, e 57% não sabem se suas dívidas estão cobertas pelo programa.

Oito em cada dez famílias brasileiras carregam o peso das dívidas — um fenômeno que o Instituto Locomotiva mapeou com precisão em setembro de 2023, revelando que o cartão de crédito se tornou o principal instrumento dessa fragilidade coletiva. Por trás dos números, estão histórias de desemprego, imprevistos de saúde e ausência de educação financeira que empurram milhões para a inadimplência. Ainda assim, um sinal de esperança emerge: mais brasileiros acreditam hoje que conseguirão se libertar dessas dívidas do que acreditavam um ano atrás.

Uma pesquisa do Instituto Locomotiva e MFM Tecnologia, divulgada em dezembro de 2023, traçou um retrato detalhado do endividamento no Brasil: oito em cada dez famílias devem, e um terço não consegue pagar as contas em dia. O levantamento ouviu 983 pessoas de todos os estados entre setembro e outubro, buscando entender não apenas os números, mas as razões e os sentimentos por trás deles.

O cartão de crédito lidera o ranking das dívidas, responsável por 60% dos débitos em aberto — proporção maior do que os 56% registrados em 2022. Empréstimos e financiamentos bancários afetam 43% dos endividados, e o cheque especial aparece em 19% dos casos. A lista ainda inclui contas de serviços essenciais, impostos, celular e compras parceladas em lojas, revelando um endividamento que se espalha por todas as frentes do orçamento doméstico.

Entre os motivos, a falta de planejamento financeiro lidera com 36%, seguida pelo desemprego (34%) e por gastos inesperados com saúde (30%). Emprestar o nome para terceiros, compras acima do orçamento e investimentos malsucedidos também figuram entre as causas. As redes sociais surgem como um agente agravante, influenciando negativamente o comportamento financeiro de 23% dos entrevistados.

Apesar do cenário pesado, o humor dos brasileiros melhorou. Em 2022, apenas 25% dos inadimplentes tinham certeza de que conseguiriam quitar suas dívidas; hoje, esse índice chegou a 39%. As estratégias mais adotadas são economizar — citada por 60% — e renegociar dívidas, prática que cresceu de 31% para 38%. O programa Desenrola Brasil é considerado importante por 80% dos endividados, embora apenas 17% o conheçam bem e 57% ainda tenham dúvidas sobre quais dívidas ele cobre.

Os próprios endividados apontam caminhos: crédito mais barato (59%), orientação financeira de qualidade (56%) e acesso a serviços públicos gratuitos (41%) são vistos como fatores que poderiam mudar sua realidade. O retrato que emerge é o de um país que convive com a dívida como parte da rotina, mas que começa, ainda que timidamente, a acreditar na possibilidade de virar a página.

Oito em cada dez famílias brasileiras carregam dívidas. Um terço delas não consegue nem pagar as contas em dia. Esses números saíram de uma pesquisa do Instituto Locomotiva e MFM Tecnologia divulgada na quinta-feira passada, em um relatório chamado Raio-x dos Brasileiros em Situação de Inadimplência. A entidade entrevistou 983 pessoas pela internet entre 11 e 22 de setembro, homens e mulheres de todos os estados, para entender não só quem deve, mas por quê — e como as pessoas vivem com esse peso.

O cartão de crédito segue sendo o vilão da história. Responsável por 60% de todas as dívidas em aberto este ano, o plástico piorou sua posição em relação a 2022, quando representava 56%. Depois vêm os empréstimos e financiamentos junto a bancos, que afetam 43% dos endividados — também uma piora ante os 40% do ano anterior. O cheque especial aparece em 19% dos casos. Contas de luz, gás e água somam 17%. Impostos como IPVA e IPTU chegam a 15%. Celular, 14%. Compras em lojas de departamento, 12%. A lista continua com internet e TV a cabo (10%), planos de saúde (6%), mercado (5%), mensalidades escolares (4%), taxas de condomínio (4%), e uma série de outras obrigações que vão se acumulando.

Mas por que as pessoas chegam a esse ponto? A pesquisa mapeou as razões. Falta de planejamento financeiro lidera, em 36% dos casos. Desemprego vem logo atrás, em 34%. Gastos inesperados com saúde afetam 30%. Emprestar o nome para alguém fazer compras ou contratar serviços — prática que coloca o devedor na linha de fogo — aparece em 16%. Compras acima do orçamento, em 11%. Investimentos em negócios que deram prejuízo, em 10%. Falta de controle nos gastos do cônjuge, em 8%. Há ainda quem cite divórcio (6%), vícios e jogos (3%), e simplesmente esquecer de pagar uma conta (3%).

O que chama atenção é a mudança no humor dos brasileiros. Em 2022, apenas 25% dos endividados tinham certeza de que conseguiriam quitar suas dívidas. Agora, esse número subiu para 39%. Outros 23% acham que vão conseguir, mas não têm certeza. Apenas 5% afirmam que não terão condições, e 2% desistiram completamente. Entre os que mantêm otimismo, 78% pertencem às classes A e B, e 76% pretendem usar o programa Desenrola Brasil para renegociar seus débitos.

Quanto às estratégias, a mais comum é economizar dinheiro — mencionada por 60% dos endividados. Renegociar dívidas aparece em 38% dos casos, proporção que cresceu desde 2022, quando era 31%. Também aumentou a parcela de pessoas que conseguiu se estabilizar financeiramente: de 20% em 2022 para 24% este ano. Mas há um recuo importante: o percentual de brasileiros que acreditam que uma melhora na economia geral do país é o que permite sua recuperação financeira caiu de 29% para 20%.

Os endividados apontam caminhos para melhorar. Maioria (59%) diz que crédito mais barato e acessível impactaria muito sua vida. Outros 56% acreditam que orientações de qualidade sobre como organizar o orçamento ajudaria. Um dado político relevante: 41% consideram que ter acesso a serviços públicos gratuitos — creches em horário estendido, por exemplo — contribuiria para evitar novas dívidas.

As redes sociais aparecem como um agente complicador. Elas incentivam 23% dos entrevistados a ter comportamentos que pioram suas contas. Cônjuges são apontados por 10%. Quando o assunto é o programa Desenrola Brasil, oito em cada dez endividados o consideram importante. Porém, apenas 17% dizem conhecer bem a iniciativa; 58% conhecem só de ouvir falar. Uma dúvida frequente, para 57%, é se suas dívidas específicas estão cobertas pelo programa. Vinte por cento dos endividados já negociaram dívidas através dele, e 46% dos que têm certeza de conseguir pagar pretendem usar o programa para isso.

Oito em cada dez endividados consideram o programa Desenrola Brasil importante para ajudar na vida financeira dos brasileiros
— Instituto Locomotiva
A maioria dos brasileiros endividados acredita que tornar o crédito mais barato e acessível impactaria muito sua vida financeira
— Pesquisa do Instituto Locomotiva
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