Oito em cada dez famílias brasileiras carregam o peso das dívidas — um fenômeno que o Instituto Locomotiva mapeou com precisão em setembro de 2023, revelando que o cartão de crédito se tornou o principal instrumento dessa fragilidade coletiva. Por trás dos números, estão histórias de desemprego, imprevistos de saúde e ausência de educação financeira que empurram milhões para a inadimplência. Ainda assim, um sinal de esperança emerge: mais brasileiros acreditam hoje que conseguirão se libertar dessas dívidas do que acreditavam um ano atrás.
Oito em cada dez brasileiros estão endividados, aponta pesquisa do Instituto Locomotiva
Oito em cada dez famílias carregam dívidas que não conseguem pagar
Por que o cartão de crédito lidera tão claramente? Não seria mais fácil controlar esse tipo de dívida?
O cartão é imediato. Você compra, a dívida fica para depois, e depois vira meses. Quando você percebe, já são juros sobre juros. É diferente de um empréstimo, onde você sabe exatamente quanto deve. No cartão, a pessoa perde o controle.
A falta de planejamento financeiro aparece em 36% dos casos. Isso é educação ou é falta de tempo?
É os dois. Muita gente trabalha tanto que não consegue sentar e olhar para suas contas. E quando consegue, não sabe por onde começar. Não aprendeu isso na escola. Fica tudo muito abstrato.
O otimismo cresceu bastante — de 25% para 39%. O que mudou?
A economia melhorou um pouco, as pessoas conseguiram alguns ganhos. Mas também acho que é esperança mesmo. Quando você vê um programa como o Desenrola Brasil, você pensa: talvez eu consiga sair disso. Antes não havia nem isso.
As redes sociais incentivam 23% a gastar mais. Como isso funciona?
Você vê alguém comprando algo bonito, compartilhando a vida. Você quer aquilo também. Clica, compra, pensa depois. É um ciclo que alimenta a inadimplência.
Apenas 17% conhecem bem o Desenrola Brasil, mesmo sendo importante para 80%. Por que tanta gente não sabe?
Falta comunicação clara. As pessoas ouvem falar, mas não sabem se suas dívidas específicas entram no programa. Há muita dúvida, e dúvida paralisa.
El Pulso
- O endividamento atingiu 80% das famílias brasileiras, com um terço incapaz de honrar sequer os pagamentos básicos em dia.
- O cartão de crédito avançou como principal vilão, saltando de 56% para 60% das dívidas em aberto, enquanto empréstimos bancários e cheque especial aprofundam o buraco.
- Falta de planejamento, desemprego e gastos inesperados com saúde formam a tríade que empurra as famílias para a inadimplência — um ciclo difícil de romper sem apoio estrutural.
- O otimismo cresceu: 39% dos endividados têm certeza de que vão quitar suas dívidas, ante apenas 25% em 2022, e o programa Desenrola Brasil é visto como saída por oito em cada dez.
- A maioria aposta em economizar e renegociar, mas ainda há lacunas críticas: apenas 17% conhecem bem o Desenrola Brasil, e 57% não sabem se suas dívidas estão cobertas pelo programa.
Oito em cada dez famílias brasileiras carregam o peso das dívidas — um fenômeno que o Instituto Locomotiva mapeou com precisão em setembro de 2023, revelando que o cartão de crédito se tornou o principal instrumento dessa fragilidade coletiva. Por trás dos números, estão histórias de desemprego, imprevistos de saúde e ausência de educação financeira que empurram milhões para a inadimplência. Ainda assim, um sinal de esperança emerge: mais brasileiros acreditam hoje que conseguirão se libertar dessas dívidas do que acreditavam um ano atrás.
Uma pesquisa do Instituto Locomotiva e MFM Tecnologia, divulgada em dezembro de 2023, traçou um retrato detalhado do endividamento no Brasil: oito em cada dez famílias devem, e um terço não consegue pagar as contas em dia. O levantamento ouviu 983 pessoas de todos os estados entre setembro e outubro, buscando entender não apenas os números, mas as razões e os sentimentos por trás deles.
O cartão de crédito lidera o ranking das dívidas, responsável por 60% dos débitos em aberto — proporção maior do que os 56% registrados em 2022. Empréstimos e financiamentos bancários afetam 43% dos endividados, e o cheque especial aparece em 19% dos casos. A lista ainda inclui contas de serviços essenciais, impostos, celular e compras parceladas em lojas, revelando um endividamento que se espalha por todas as frentes do orçamento doméstico.
Entre os motivos, a falta de planejamento financeiro lidera com 36%, seguida pelo desemprego (34%) e por gastos inesperados com saúde (30%). Emprestar o nome para terceiros, compras acima do orçamento e investimentos malsucedidos também figuram entre as causas. As redes sociais surgem como um agente agravante, influenciando negativamente o comportamento financeiro de 23% dos entrevistados.
Apesar do cenário pesado, o humor dos brasileiros melhorou. Em 2022, apenas 25% dos inadimplentes tinham certeza de que conseguiriam quitar suas dívidas; hoje, esse índice chegou a 39%. As estratégias mais adotadas são economizar — citada por 60% — e renegociar dívidas, prática que cresceu de 31% para 38%. O programa Desenrola Brasil é considerado importante por 80% dos endividados, embora apenas 17% o conheçam bem e 57% ainda tenham dúvidas sobre quais dívidas ele cobre.
Os próprios endividados apontam caminhos: crédito mais barato (59%), orientação financeira de qualidade (56%) e acesso a serviços públicos gratuitos (41%) são vistos como fatores que poderiam mudar sua realidade. O retrato que emerge é o de um país que convive com a dívida como parte da rotina, mas que começa, ainda que timidamente, a acreditar na possibilidade de virar a página.
Oito em cada dez famílias brasileiras carregam dívidas. Um terço delas não consegue nem pagar as contas em dia. Esses números saíram de uma pesquisa do Instituto Locomotiva e MFM Tecnologia divulgada na quinta-feira passada, em um relatório chamado Raio-x dos Brasileiros em Situação de Inadimplência. A entidade entrevistou 983 pessoas pela internet entre 11 e 22 de setembro, homens e mulheres de todos os estados, para entender não só quem deve, mas por quê — e como as pessoas vivem com esse peso.
O cartão de crédito segue sendo o vilão da história. Responsável por 60% de todas as dívidas em aberto este ano, o plástico piorou sua posição em relação a 2022, quando representava 56%. Depois vêm os empréstimos e financiamentos junto a bancos, que afetam 43% dos endividados — também uma piora ante os 40% do ano anterior. O cheque especial aparece em 19% dos casos. Contas de luz, gás e água somam 17%. Impostos como IPVA e IPTU chegam a 15%. Celular, 14%. Compras em lojas de departamento, 12%. A lista continua com internet e TV a cabo (10%), planos de saúde (6%), mercado (5%), mensalidades escolares (4%), taxas de condomínio (4%), e uma série de outras obrigações que vão se acumulando.
Mas por que as pessoas chegam a esse ponto? A pesquisa mapeou as razões. Falta de planejamento financeiro lidera, em 36% dos casos. Desemprego vem logo atrás, em 34%. Gastos inesperados com saúde afetam 30%. Emprestar o nome para alguém fazer compras ou contratar serviços — prática que coloca o devedor na linha de fogo — aparece em 16%. Compras acima do orçamento, em 11%. Investimentos em negócios que deram prejuízo, em 10%. Falta de controle nos gastos do cônjuge, em 8%. Há ainda quem cite divórcio (6%), vícios e jogos (3%), e simplesmente esquecer de pagar uma conta (3%).
O que chama atenção é a mudança no humor dos brasileiros. Em 2022, apenas 25% dos endividados tinham certeza de que conseguiriam quitar suas dívidas. Agora, esse número subiu para 39%. Outros 23% acham que vão conseguir, mas não têm certeza. Apenas 5% afirmam que não terão condições, e 2% desistiram completamente. Entre os que mantêm otimismo, 78% pertencem às classes A e B, e 76% pretendem usar o programa Desenrola Brasil para renegociar seus débitos.
Quanto às estratégias, a mais comum é economizar dinheiro — mencionada por 60% dos endividados. Renegociar dívidas aparece em 38% dos casos, proporção que cresceu desde 2022, quando era 31%. Também aumentou a parcela de pessoas que conseguiu se estabilizar financeiramente: de 20% em 2022 para 24% este ano. Mas há um recuo importante: o percentual de brasileiros que acreditam que uma melhora na economia geral do país é o que permite sua recuperação financeira caiu de 29% para 20%.
Os endividados apontam caminhos para melhorar. Maioria (59%) diz que crédito mais barato e acessível impactaria muito sua vida. Outros 56% acreditam que orientações de qualidade sobre como organizar o orçamento ajudaria. Um dado político relevante: 41% consideram que ter acesso a serviços públicos gratuitos — creches em horário estendido, por exemplo — contribuiria para evitar novas dívidas.
As redes sociais aparecem como um agente complicador. Elas incentivam 23% dos entrevistados a ter comportamentos que pioram suas contas. Cônjuges são apontados por 10%. Quando o assunto é o programa Desenrola Brasil, oito em cada dez endividados o consideram importante. Porém, apenas 17% dizem conhecer bem a iniciativa; 58% conhecem só de ouvir falar. Uma dúvida frequente, para 57%, é se suas dívidas específicas estão cobertas pelo programa. Vinte por cento dos endividados já negociaram dívidas através dele, e 46% dos que têm certeza de conseguir pagar pretendem usar o programa para isso.
Citas Notables
Oito em cada dez endividados consideram o programa Desenrola Brasil importante para ajudar na vida financeira dos brasileiros— Instituto Locomotiva
A maioria dos brasileiros endividados acredita que tornar o crédito mais barato e acessível impactaria muito sua vida financeira— Pesquisa do Instituto Locomotiva