O futebol no dia que o mundo mudou: Boavistão campeão e Figo era o rei

Aproximadamente 3.000 mortos nos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 às Torres Gémeas do World Trade Center em Nova Iorque e ao Pentágono.
O Boavista empatava 1-1 com o Liverpool enquanto o mundo mudava para sempre
No dia dos ataques de 11 de setembro de 2001, o campeão português jogava em Anfield Road na primeira fase da Champions.
Mark

Como é que o futebol português estava naquele momento? O Boavista era realmente tão forte assim?

Mimi

O Boavista tinha acabado de conquistar o seu primeiro título nacional, o que foi um feito inédito. Jaime Pacheco tinha construído uma equipa tática e sólida. Empatarem 1-1 com o Liverpool em Anfield Road, mesmo naquele dia, mostra que tinham qualidade para competir na Europa.

Luke

Mas é importante notar que o Boavista caiu na segunda fase de grupos. Terminaram terceiros no seu grupo, à frente apenas do Nantes. Não é exatamente um desempenho dominante na Champions.

Mark

E o FC Porto? Também estava na Champions, certo?

Mimi

Sim, o FC Porto estava lá, mas teve um desempenho muito mais fraco. Terminaram em último lugar do seu grupo com apenas quatro pontos. Tinham jogadores de qualidade como Deco e Ricardo Carvalho, mas não conseguiram render.

Luke

Há que ter em conta que o FC Porto estava em transição. Otávio Machado era o treinador, mas seria substituído por José Mourinho quase no final da época. Mourinho tinha vindo de levar a União de Leiria ao quinto lugar, o que era considerado uma surpresa.

Mark

E Luís Figo? Era realmente o melhor jogador do mundo naquela altura?

Mimi

Sim, Figo tinha vencido a Bola de Ouro da FIFA em 2001. Era o extremo mais forte do futebol português e representava a qualidade do país num continente dominado pelo Real Madrid.

Luke

Mas é preciso dizer que Figo estava no Barcelona naquela altura, não em Portugal. O futebol português tinha qualidade, mas a verdadeira força europeia estava concentrada em Madrid, com os galáticos do Real Madrid.

Mark

Falando do Real Madrid, como é que eles dominaram tanto a Europa?

Mimi

O Real Madrid tinha uma equipa extraordinária. Zidane, Roberto Carlos, Raul, Morientes — eram jogadores de classe mundial. Venceram a Liga dos Campeões com um golo de vólei de Zidane na final contra o Bayer Leverkusen.

Luke

É verdade, mas há que notar que naquele dia 11 de setembro, o Bayer Munique era ainda o campeão europeu. O Real Madrid conquistaria o título apenas meses depois. Naquela altura, a hierarquia europeia ainda não estava completamente estabelecida.

  • Enquanto quase três mil pessoas morriam nos ataques às Torres Gémeas e ao Pentágono, mais de trinta mil adeptos enchiam Anfield Road para ver o Boavista — campeão português inédito — enfrentar o Liverpool.
  • O choque entre o horror do 11 de setembro e a normalidade do futebol criou uma dissonância perturbadora: o FC Porto chegou a ter o jogo contra a Juventus adiado por razões de segurança, enquanto o resto da Europa jogava.
  • Portugal vivia um momento raro de dupla presença na Champions, com Figo como melhor jogador do mundo — um pico de prestígio que contrastava com a fragilidade do Porto, que terminaria em último no seu grupo.
  • Na Europa, hierarquias antigas resistiam e novas surgiam: o Arsenal de Henry, a Juventus de Buffon, o Lyon de Juninho — mas era o Real Madrid dos galáticos quem se preparava para dominar com o vólei eterno de Zidane.
  • O futebol seguiu em frente, indiferente ao caos atlântico, como se o desporto fosse simultaneamente um refúgio e um espelho da incapacidade humana de parar diante do abismo.

No dia em que o mundo parou diante do horror das Torres Gémeas, o futebol europeu continuava a sua marcha silenciosa — o Boavista empatava em Anfield, Luís Figo reinava como o melhor do mundo, e os galáticos do Real Madrid preparavam-se para escrever mais um capítulo dourado. É nessa tensão entre o quotidiano do desporto e a ruptura da história que se revela algo profundo sobre a condição humana: a vida insiste em continuar, mesmo quando o mundo muda para sempre.

Há vinte anos, numa terça-feira de setembro, o mundo assistia ao colapso das Torres Gémeas enquanto o Boavista empatava 1-1 com o Liverpool em Anfield Road. Elpídio Silva marcou ao terceiro minuto; Michael Owen respondeu aos 29. Mais de trinta mil adeptos assistiram ao duelo, alheios — ou quase — ao que se passava do outro lado do Atlântico. O FC Porto deveria receber a Juventus no dia seguinte, mas o jogo foi adiado por razões de segurança. Ninguém se sentia seguro em lado nenhum.

O Boavista de Jaime Pacheco tinha conquistado naquele ano o seu primeiro título nacional, uma surpresa que chamou a atenção da Europa. Com Ricardo na baliza, Petit no meio-campo e uma defesa moldada com precisão táctica, os axadrezados passaram a primeira fase da Champions com oito pontos, antes de terminarem terceiros na segunda fase. O Porto, treinado por Otávio Machado e com Deco, Vítor Baía e Benny McCarthy nas fileiras, terminaria em último no seu grupo.

Em Portugal, o Sporting de Laszlo Bölöni sagrar-se-ia campeão no final da época, com Jardel a marcar 42 golos. Na Europa, o Arsenal conquistaria a Premier League, a Juventus venceria em Itália por um ponto, e o Lyon iniciaria a sua era dourada em França. Mas a verdadeira coroa pertencia ao Real Madrid: os galáticos derrotaram o Bayer Leverkusen por 2-1 numa final memorável, selada por um vólei de Zidane que ficou para a história.

Sobre tudo isto pairava a figura de Luís Figo, vencedor da Bola de Ouro da FIFA em 2001 e rosto do futebol português no mundo. Naquele dia de terror e incerteza, enquanto a história se partia em dois, o futebol europeu continuava a sua marcha — indiferente, ou talvez apenas humano demais para saber parar.

Há vinte anos, no dia 11 de setembro de 2001, enquanto o mundo assistia à destruição das Torres Gémeas do World Trade Center e ao ataque ao Pentágono — ataques que matariam quase três mil pessoas — o futebol europeu prosseguia com a sua rotina. Naquela terça-feira de caos e horror, o Boavista empatava 1-1 com o Liverpool em Anfield Road, na primeira fase de grupos da Liga dos Campeões. Elpídio Silva abriu o ativo aos três minutos para os axadrezados; Michael Owen igualou aos 29. Mais de trinta mil adeptos encheram o estádio inglês para ver o campeão português recém-coroado enfrentar um dos gigantes europeus, enquanto a segurança aérea do mundo inteiro entrava em colapso.

O Boavista de Jaime Pacheco tinha conquistado, naquele ano, o seu primeiro título nacional — um feito inédito que surpreendeu Portugal e chamou a atenção da Europa. A equipa das camisolas esquisitas, como era conhecida, tinha Ricardo na baliza, Petit no meio-campo, e uma defesa sólida que Pacheco, o mestre da tática, tinha moldado com precisão. No dia seguinte aos ataques, o FC Porto deveria receber a Juventus, mas o jogo foi adiado para 10 de outubro por razões de segurança. Ninguém se sentia seguro em lado nenhum.

Em Portugal, a Primeira Liga era liderada pelo Boavista naquele momento, mas o Sporting, com Quaresma no banco e José Mourinho como treinador do adversário União de Leiria, viria a sagrar-se campeão nacional no final da época. A dupla ofensiva do Sporting — Jardel com 42 golos e João Vieira Pinto — fez estragos. O treinador era Laszlo Bölöni, que havia começado a época com incertezas. Salgueiros, Farense e Alverca desceriam de divisão nesse ano.

Na Europa, o futebol refletia a hierarquia que se mantinha há anos. Em Inglaterra, o Manchester United era campeão em título, mas o Arsenal de David Seaman, Patrick Vieira e Robert Pires conquistaria a Premier League em 2001/02, com Thierry Henry a marcar 24 golos. Em Itália, a Roma de Fabio Capello era campeã, mas a Juventus de Marcelo Lippi, com Buffon, Thuram e Del Piero, venceria o campeonato por um ponto. Em Espanha, o Real Madrid era campeão, mas o Valência de Rafa Benítez conquistaria o título, com Diego Tristán do Deportivo da Corunha a ser o melhor marcador. Em França, o Nantes era o alvo a abater após ter vencido em 2000/01, mas o Lyon de Juninho Pernambucano seria campeão, enquanto Pauleta do Bordéus marcava 22 golos. Na Alemanha, o Borussia Dortmund tinha vencido em 2000/01, e o Bayern Munique era terceiro, com Amoroso do Dortmund a ser o rei dos golos com 18.

Mas a verdadeira coroa europeia pertencia ao Real Madrid. Os galáticos de Madrid — com Zidane, Roberto Carlos, Raul, Morientes e o jovem Iker Casillas — venceram a Liga dos Campeões em 2001/02 ao derrotar o Bayer Leverkusen por 2-1 numa final memorável. Zidane marcou um fantástico golo de vólei que selou o título. Os merengues tinham eliminado o Barcelona por 3-1 e o Bayer Leverkusen tinha afastado o Manchester United. Naquela altura, porém, no dia 11 de setembro, o Bayer Munique era ainda o campeão europeu, tendo vencido o Valência por 5-4 nas grandes penalidades.

O futebol português tinha dois representantes na fase de grupos da Champions. O FC Porto, treinado por Otávio Machado, tinha Deco, Vítor Baía, Ricardo Carvalho, Benny McCarthy e Hélder Postiga nas suas fileiras, mas terminaria em último lugar do seu grupo com apenas quatro pontos. O Boavista, como referido, passou a primeira fase com oito pontos, os mesmos do Borussia Dortmund que foi eliminado, mas menos quatro que o Liverpool. Na segunda fase de grupos, os axadrezados terminaram terceiros com cinco pontos.

Mas se o futebol português tinha duas equipas na Europa, tinha também um rei. Luís Figo, o extremo que brilhava no Barcelona, tinha vencido a Bola de Ouro da FIFA em 2001, um ano depois de ter ficado em segundo lugar atrás de Zidane. Figo era o nome forte do futebol português, o rosto que representava a qualidade do país num continente onde o Real Madrid dominava com os seus galáticos e onde o futebol se preparava para uma nova era. Naquele dia de terror e incerteza, enquanto o mundo mudava para sempre, o futebol europeu continuava a sua marcha, indiferente ao caos que se desenrolava do outro lado do Atlântico.

Jaime Pacheco era o mestre da tática, o Boavistão um gigante difícil de derrubar
— Caracterização do treinador e equipa do Boavista
Luís Figo era o nome forte do futebol português e em 2001 venceu mesmo a Bola de Ouro da FIFA
— Reconhecimento de Figo como melhor jogador do mundo
Envie de l'histoire complète ? Lire l'original sur SAPO Desporto ↗
Nous contacter FAQ