11 de setembro: há 25 anos o Mundo mudou para sempre

2996 pessoas morreram nos ataques, incluindo 2753 em Nova Iorque, 184 no Pentágono e 59 na Pensilvânia, além dos 19 terroristas.
Quem viu não esquece.
A reflexão final sobre como o 11 de setembro permanece na memória de quem o presenciou em tempo real.
Mark

Como é que um ataque que aconteceu há 25 anos continua a moldar a forma como viajamos todos os dias?

Mimi

Porque mudou fundamentalmente a forma como os governos pensam sobre segurança. Cada vez que tiras os sapatos num aeroporto, estás a viver com uma consequência direta daquele dia.

Luke

Mas é importante notar que muitas dessas medidas foram implementadas rapidamente, sem sempre haver consenso científico sobre a sua eficácia. Alguns estudos questionam se todas elas realmente aumentam a segurança ou se são mais sobre a perceção de segurança.

Mark

E quanto às consequências políticas? As invasões do Afeganistão e Iraque — foram diretas?

Mimi

Completamente diretas. Os Estados Unidos acusaram o Afeganistão de financiar a Al-Qaeda e invadiram em 2001. O Iraque veio em 2003, embora a ligação fosse mais contestada.

Luke

Aqui temos de ser precisos: a ligação entre Saddam Hussein e os ataques de 11 de setembro nunca foi estabelecida. A invasão do Iraque foi justificada com outras razões que depois se revelaram infundadas.

Mark

Quantas pessoas morreram no total?

Mimi

2977 pessoas, além dos 19 terroristas. 2753 em Nova Iorque, 184 no Pentágono, 59 na Pensilvânia.

Luke

E é importante lembrar que estes números incluem pessoas de muitas nacionalidades, não apenas americanas. Foi um ataque global.

Mark

Bin Laden foi capturado logo?

Mimi

Não. Negou responsabilidade inicialmente, depois um vídeo em novembro mostrou que tinha conhecimento prévio. Só em 2004 reivindicou a autoria. Foi morto em 2011.

Luke

Dez anos. Uma década inteira entre o ataque e a morte do líder. Isso mostra como a resposta foi complexa e demorada.

  • Às 13h46 de Portugal, um Boeing embateu na Torre Norte; dezassete minutos depois, outro avião atingiu a Torre Sul em direto para o mundo inteiro — e a palavra 'acidente' deixou de ser possível.
  • Em menos de duas horas, as duas torres colapsaram, o Pentágono foi atingido e um quarto avião despenhava-se na Pensilvânia após os passageiros se insurgirem contra os sequestradores.
  • A resposta americana foi imediata e duradoura: invasões do Afeganistão e do Iraque, a caça a Osama bin Laden — morto em 2011 — e uma reconfiguração total das políticas de segurança globais.
  • Viajar de avião tornou-se um ritual de suspeita controlada: sapatos tirados, líquidos medidos ao mililitro, dados biométricos recolhidos — rotinas que nasceram do trauma e nunca mais partiram.
  • Vinte e cinco anos depois, quem nasceu após os ataques já representa gerações inteiras de atletas, líderes e cidadãos para quem este mundo vigiado é simplesmente o único que conheceram.

Há vinte e cinco anos, numa manhã de setembro em Nova Iorque, dezenove homens transformaram aviões comerciais em armas e alteraram para sempre a forma como o mundo entende segurança, liberdade e medo. Os ataques da Al-Qaeda ao World Trade Center, ao Pentágono e a um campo na Pensilvânia ceifaram 2996 vidas e desencadearam guerras, leis e hábitos que ainda hoje moldam o quotidiano de quem viaja, governa ou simplesmente atravessa uma fronteira. O 11 de setembro não foi apenas um dia — foi uma fratura na história contemporânea, cujo eco ressoa em cada scanner de aeroporto e em cada política de vigilância que tomamos como natural.

Há vinte e cinco anos, numa terça-feira de setembro, o mundo parou. Quem tinha mais de trinta e cinco anos naquela altura dificilmente esquecerá onde estava quando as primeiras notícias chegaram sobre uma explosão numa das torres do World Trade Center. Às 13h46, hora de Portugal, um Boeing 767 da American Airlines embateu na Torre Norte. Dezassete minutos depois, outro avião colidiu na Torre Sul. Quando a segunda imagem apareceu nas televisões em direto, deixou de haver dúvida: era um ataque.

Dezenove membros da Al-Qaeda tinham desviado quatro aviões comerciais nesse dia. Além dos dois que atingiram as torres, um terceiro foi lançado contra o Pentágono e um quarto despenhou-se num campo em Shanksville, Pensilvânia — neste caso, tudo indica que passageiros e tripulação se insurgiram contra os sequestradores, impedindo que o aparelho atingisse o seu alvo final, possivelmente o Capitólio ou a Casa Branca. O ataque matou 2977 pessoas além dos 19 terroristas: 2753 em Nova Iorque, 184 no Pentágono, 59 na Pensilvânia.

Osama bin Laden negou inicialmente a responsabilidade, mas um vídeo descoberto em novembro revelou o seu conhecimento prévio dos ataques. Só em 2004 reivindicou abertamente a autoria. Seria morto por forças norte-americanas em maio de 2011, no Paquistão. Entretanto, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão em 2001 e o Iraque em 2003, guerra que resultou na captura e posterior execução de Saddam Hussein.

As consequências ultrapassaram largamente as guerras. Viajar de avião tornou-se uma experiência radicalmente diferente: sapatos e cintos retirados, líquidos limitados a 100 ml, dados biométricos recolhidos como rotina. As políticas de vistos e os controlos fronteiriços mudaram em todo o mundo. No Ground Zero, um memorial silencioso marca o lugar onde as torres existiram. Para quem viu, não há forma de esquecer. Para quem nasceu depois, o mundo sempre foi assim.

Há vinte e cinco anos, numa terça-feira de setembro, o mundo parou. Quem tinha mais de trinta e cinco anos naquela altura dificilmente esquecerá onde estava por volta da hora de almoço — muitos estavam precisamente a comer quando as primeiras notícias começaram a chegar sobre uma explosão numa das torres do World Trade Center, em Nova Iorque. Às 13h46, hora de Portugal, um Boeing 767 da American Airlines embateu na Torre Norte. Dezassete minutos depois, outro avião igual, desta vez da United Airlines, colidiu na Torre Sul. Quando a segunda imagem apareceu nas televisões de todo o mundo, em direto, deixou de haver dúvida: não era um acidente. Era um ataque.

Nineteen membros da organização terrorista Al-Qaeda tinham desviado quatro aviões comerciais nesse dia. Para além dos dois que atingiram as torres gémeas — ambos voando entre Boston e Los Angeles — um terceiro Boeing 757 da American Airlines foi lançado contra o Pentágono, em Arlington, às 14h37 portuguesas. O quarto avião, um Boeing 757 da United Airlines que operava o voo 93 entre Newark e São Francisco, despenhou-se num campo aberto em Shanksville, Pensilvânia, vinte e seis minutos depois. Tudo indica que neste caso a tripulação e os passageiros se insurgiram contra os sequestradores, impedindo que o aparelho atingisse o seu alvo final — possivelmente o Capitólio ou a Casa Branca.

O colapso das torres foi rápido e devastador. A Torre Sul caiu às 14h59, apenas cinquenta e seis minutos depois de ter sido atingida. A Torre Norte seguiu-se às 15h29. O que restou foi um vazio no horizonte de Manhattan e uma ferida que o mundo inteiro viu acontecer em tempo real. O ataque terrorista mais mortífero da história matou 2977 pessoas, além dos 19 terroristas. Em Nova Iorque morreram 2753 — tripulantes, passageiros, ocupantes das torres, agentes de autoridade e bombeiros. No Pentágono, 184 pessoas. Na Pensilvânia, 59 passageiros e tripulantes.

Osama bin Laden, então líder da Al-Qaeda, negou inicialmente a responsabilidade. Mas em novembro foi descoberto um vídeo em que demonstrava ter tido conhecimento prévio dos ataques e se congratulava pelos efeitos. Só em 2004 reivindicou abertamente a autoria. Bin Laden seria morto por forças norte-americanas a 3 de maio de 2011, no Paquistão. Antes disso, ainda em 2001, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão, acusando o regime talibã de financiar a Al-Qaeda. Em 2003 começou uma nova guerra no Iraque, que resultaria na queda de Saddam Hussein, capturado nesse ano e condenado à morte em 2006 por crimes contra a Humanidade.

Mas as consequências foram muito além das guerras. Viajar de avião tornou-se uma experiência completamente diferente. Sapatos, cintos, bagagem de mão e dispositivos eletrónicos passam agora por aparelhos de raios-x. Líquidos em quantidades superiores a 100 ml são proibidos. Os aeroportos implementaram medidas de segurança complexas e rigorosas. Em nome da segurança, a captação de dados biométricos, a monitorização de chamadas telefónicas e a consulta de extratos bancários tornaram-se fáceis e banais nos Estados Unidos. As políticas de vistos e os controlos fronteiriços mudaram radicalmente em todo o mundo.

No Ground Zero — o nome adotado desde os ataques para designar o local das antigas Torres Gémeas — foi inaugurado há precisamente quinze anos um memorial de homenagem às vítimas. Um dos locais mais dolorosamente silenciosos do mundo, em plena baixa de Nova Iorque. Trinta e um dos últimos 405 campeões olímpicos individuais, quase metade da seleção campeã mundial de futebol da Espanha, e a maioria do plantel do PSG, campeão da Europa, nasceram depois de 11 de setembro de 2001. Para eles, o mundo sempre foi assim. Para os outros, quem viu não esquece.

Osama bin Laden negou inicialmente a responsabilidade, mas um vídeo descoberto em novembro mostrou que tinha conhecimento prévio dos ataques
— Relato dos acontecimentos
Viajar de avião tornou-se uma experiência totalmente diferente, com a implementação de complexas medidas de segurança nos aeroportos
— Consequências dos ataques
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