Nunes veta compra de ônibus a diesel e mantém meta climática para 2038

Veto protege saúde da população ao evitar pressão adicional no Sistema de Saúde municipal causada por emissões de diesel.
Permitir diesel teria causado prejuízos significativos à saúde
Justificativa do prefeito para vetar a compra de ônibus movidos a combustível fóssil.
Mark

Por que Nunes vetou especificamente o diesel se a lei já estabelecia metas de redução?

Mimi

Porque o projeto original permitia que as empresas continuassem comprando ônibus a diesel enquanto trabalhavam para reduzir emissões em outras frentes. Era uma brecha que teria mantido a poluição alta por mais tempo.

Luke

Mas espera — a lei remove a meta intermediária de 50% até 2028. Sem esse checkpoint, como sabemos se a cidade está no caminho certo antes de 2038?

Mimi

É uma questão válida. O que temos agora é apenas o objetivo final. Nunes argumentou que o diesel causaria danos à saúde que o sistema não suportaria.

Mark

E as empresas de ônibus? Elas têm capacidade de fazer essa transição em 13 anos?

Mimi

Teoricamente sim, mas precisam de infraestrutura. Por isso a lei dá 90 dias para apresentarem suas demandas à Enel e Comgás. As concessionárias precisam de pontos de carregamento e abastecimento.

Luke

Quem paga essa infraestrutura? A lei diz que as concessionárias são responsáveis, mas não está claro se há subsídio público ou se o custo vai direto para a tarifa.

Mimi

A lei não especifica isso. É um detalhe importante que fica em aberto.

Mark

E se as empresas não conseguirem cumprir até 2038?

Luke

Boa pergunta. A lei estabelece a meta, mas não há penalidades mencionadas no texto. Não sabemos qual é o mecanismo de enforcement.

Mimi

O que sabemos é que Nunes escolheu manter o compromisso climático e rejeitar a saída fácil do diesel. Isso é significativo politicamente.

  • A tentativa de adiar a meta climática para 2054, articulada pelo ex-vereador Milton Leite em dezembro de 2024, acendeu um alarme público e forçou um recuo político acelerado.
  • Mesmo após o recuo, o artigo que permitia a compra de ônibus a diesel permaneceu no texto — e foi justamente esse ponto que Nunes decidiu vetar, impedindo que a frota continuasse crescendo com combustível poluente.
  • As metas intermediárias de 2028 — redução de 50% das emissões e cortes significativos de material particulado — foram silenciosamente removidas da lei, deixando 2038 como único horizonte obrigatório.
  • Empresas de ônibus têm agora 90 dias para apresentar à Enel e à Comgás suas demandas de infraestrutura, iniciando uma corrida logística para viabilizar recarga elétrica e abastecimento a gás em escala urbana.
  • Sem checkpoints intermediários, a transição dependerá de vontade política contínua e investimento privado — um equilíbrio frágil em uma cidade de 12 milhões de habitantes.

Em São Paulo, o prefeito Ricardo Nunes assinou uma lei que proíbe a compra de novos ônibus a diesel, mantendo o compromisso de eliminar combustíveis fósseis da frota municipal até 2038. A decisão rejeita uma concessão que teria perpetuado tecnologia poluidora no transporte público da maior cidade do Brasil, ao mesmo tempo em que remove metas intermediárias que balizariam o progresso ao longo do caminho. É um gesto que aponta para o futuro, mas deixa o presente sem bússola obrigatória.

São Paulo caminhou mais um passo em direção a uma frota de ônibus sem diesel. O prefeito Ricardo Nunes sancionou uma lei que estabelece metas progressivas de redução de combustíveis fósseis no transporte público, vetando o artigo que teria permitido às empresas continuar comprando veículos movidos a diesel — uma brecha inserida no projeto original pelo ex-vereador Milton Leite.

A lei altera pela segunda vez a Política Municipal de Mudança do Clima, criada em 2009. O objetivo de longo prazo permanece: eliminar completamente as emissões de combustíveis fósseis da frota até 2038, com redução mínima de 95% do material particulado e dos óxidos de nitrogênio em relação aos níveis de 2016. O que desapareceu foram as metas intermediárias — a exigência de 50% de redução de emissões até 2028 e os cortes específicos de poluentes para o mesmo ano foram retirados do texto.

O caminho até a sanção foi turbulento. Em dezembro de 2024, Leite apresentou um projeto que adiava para 2054 a meta de redução de CO₂, esvaziando a política climática da cidade. A repercussão na imprensa forçou o recuo, mas o artigo sobre o diesel sobreviveu — até o veto de Nunes. Na justificativa, o prefeito argumentou que permitir diesel em parte da frota causaria prejuízos significativos à saúde da população e pressão excessiva no sistema municipal de saúde.

Agora, as empresas de ônibus têm 90 dias para apresentar à Enel e à Comgás suas demandas de infraestrutura. As concessionárias deverão providenciar pontos de carregamento para ônibus elétricos e conexões para abastecimento a gás. É um prazo curto para um desafio logístico de grande escala. Com 2038 como único horizonte obrigatório e sem checkpoints no caminho, o que define o ritmo da transformação a partir de agora é a execução.

São Paulo terá uma frota de ônibus sem diesel até 2038. O prefeito Ricardo Nunes sancionou nesta quinta-feira uma lei que estabelece metas progressivas de redução de combustíveis fósseis no transporte público da capital, vetando especificamente a possibilidade de as empresas continuarem comprando veículos movidos a diesel — uma concessão que havia sido incluída no projeto original do ex-vereador Milton Leite.

A lei altera pela segunda vez a Política Municipal de Mudança do Clima, criada em 2009. Ela mantém o objetivo de longo prazo: eliminar completamente as emissões de combustíveis fósseis da frota até 2038. Mas há uma mudança significativa no caminho até lá. O projeto original previa uma meta intermediária de reduzir 50% dessas emissões até 2028 — o final do mandato de Nunes. Essa meta foi removida. Também saiu do texto a exigência de reduzir 90% do material particulado e 80% dos óxidos de nitrogênio até 2028. O que permanece é apenas o objetivo final de 2038, quando deverá haver redução mínima de 95% do material particulado e dos óxidos de nitrogênio em relação aos níveis de 2016.

O veto ao diesel foi a decisão mais contundente. Nunes bloqueou o artigo que permitiria às empresas de ônibus seguir adquirindo veículos com esse combustível. A partir de agora, todas as novas unidades precisarão ser movidas por fontes de menor impacto ambiental — basicamente, eletricidade ou gás. Na justificativa do veto, o prefeito argumentou que permitir diesel em metade da frota causaria "prejuízos significativos à saúde da população", gerando pressão excessiva no sistema de saúde municipal.

O caminho até aqui foi acidentado. Em dezembro de 2024, Leite apresentou um projeto de lei que adiava para 2054 a meta de redução de dióxido de carbono — uma mudança radical que teria esvaziado a política climática da cidade. O texto passou rapidamente pelas comissões da Câmara e foi aprovado em primeiro turno, mas a repercussão na imprensa forçou Leite a recuar. Ele retirou a proposta de adiar para 2054, mas manteve o artigo permitindo diesel. Nunes vetou esse ponto.

Agora as empresas de ônibus têm 90 dias, a partir da promulgação da lei, para apresentar à Enel e à Comgás suas demandas de infraestrutura. As concessionárias serão responsáveis por providenciar os pontos de carregamento para ônibus elétricos e as conexões necessárias para abastecimento com gás. É um prazo curto para um desafio logístico considerável — a cidade precisará de uma rede de recarga e abastecimento capaz de suportar uma frota inteira em transição.

A decisão de Nunes marca uma inflexão. Ao vetar o diesel, ele rejeitou uma saída fácil que teria mantido a indústria de ônibus operando com tecnologia consolidada. Em vez disso, a cidade segue comprometida com uma transformação que exigirá investimento em infraestrutura, coordenação entre poder público e concessionárias, e uma mudança real na composição da frota. O prazo de 2038 é ainda distante, mas as metas intermediárias foram removidas — o que significa que não há checkpoint obrigatório até lá. O que vem agora é a execução.

Permitir o ingresso de metade da frota de veículos com propulsores abastecidos com combustíveis fósseis, inclusive o diesel, resultaria em prejuízos significativos à saúde da população
— Ricardo Nunes, na justificativa do veto
Contact Us FAQ