Novo Nordisk troca CEO após crise de mercado e pressão da Eli Lilly

Você só tenta algumas vezes até desistir e mudar permanentemente
Analista explica como a escassez de Wegovy levou médicos a prescrever o concorrente Zepbound da Eli Lilly.
Mark

Por que a fundação controladora decidiu agir agora, especificamente? Qual foi o gatilho?

Mimi

A combinação de três fatores: a queda de 53% nas ações em um ano, o fracasso do CagriSema e a Eli Lilly ganhando espaço rapidamente. A fundação tem 77% dos direitos de voto e patrimônio de quase R$ 900 bilhões—ela não tolera esse tipo de desempenho.

Luke

Mas espera. A fonte diz que Jorgensen sentiu "pleno apoio do conselho" antes da ligação. Como a fundação conseguiu forçar isso sem que ele percebesse? Há algo não dito aí.

Mimi

A fundação e o conselho não são a mesma coisa. A fundação é o maior acionista; ela comunica sua insatisfação ao conselho, e o conselho age. Jorgensen pode ter tido apoio do conselho em decisões estratégicas, mas não na sua continuidade.

Mark

E quanto ao Wegovy? Se é um sucesso de vendas, por que a empresa está em apuros?

Mimi

O Wegovy é um sucesso, mas a Novo não conseguia suprir a demanda. Enquanto isso, o Zepbound da Eli Lilly mostrou maior eficácia. Médicos começaram a prescrever o concorrente e não voltaram.

Luke

A fonte cita um analista dizendo que médicos "desistem e mudam permanentemente a prescrição". Mas isso é uma observação de um analista, não um dado confirmado. Quantos médicos realmente migraram? Não sabemos.

Mimi

Verdade. O que sabemos é que a Eli Lilly lidera a corrida por uma pílula mais potente e que a Novo tem problemas de fornecimento. O resto é interpretação.

Mark

Sorensen vai voltar?

Mimi

Provavelmente. Ele integra o conselho em 2025 e a fundação publicou nota de apoio destacando sua experiência. Mas a fonte não confirma que ele será o próximo CEO.

Luke

Exato. A fundação está "buscando candidatos internos e externos". Sorensen é uma possibilidade, não uma certeza.

Mark

E os funcionários? Como reagiram?

Mimi

Aplaudiram Jorgensen quando ele saiu. Um diretor escreveu que ele foi "uma verdadeira referência". Há respeito pela pessoa, mesmo que a empresa tenha decidido seguir outro caminho.

  • CEO Lars Fruergaard Jorgensen recebeu notícia de demissão em videochamada do Teams
  • Ações caíram 53% em um ano; novo medicamento CagriSema não atendeu expectativas
  • Eli Lilly lidera com Zepbound mais eficaz; Novo Nordisk enfrenta problemas de fornecimento do Wegovy
  • Fundação controladora tem 77% dos direitos de voto e patrimônio de 1,06 trilhão de coroas dinamarquesas
  • Ozempic e Wegovy geraram US$ 26 bilhões em vendas

CEO recebeu notícia de demissão em videochamada após um ano de queda de 53% nas ações e fracasso do novo medicamento CagriSema. Eli Lilly avança com Zepbound mais eficaz e lidera corrida por pílula contra obesidade, enquanto Novo Nordisk enfrenta problemas de fornecimento do Wegovy.

A Novo Nordisk demitiu seu CEO Lars Fruergaard Jorgensen após queda de 53% nas ações, falhas em testes de medicamentos e pressão da rival Eli Lilly. A fundação controladora, maior acionista, forçou a saída do executivo que levou Ozempic e Wegovy ao mercado.

Lars Fruergaard Jorgensen entrou em uma videochamada do Teams esperando uma conversa rotineira com o presidente do conselho. Em vez disso, recebeu a notícia de que sua permanência na Novo Nordisk havia chegado ao fim. O executivo de 58 anos, que havia transformado a farmacêutica dinamarquesa em uma potência global ao levar ao mercado dois dos maiores sucessos farmacêuticos da última década, foi informado de sua saída por meio de uma tela de computador.

A demissão não foi impulsiva. Nos meses anteriores, a Novo Nordisk havia acumulado uma série de reveses que abalaram a confiança dos seus controladores. As ações da empresa caíram 53% em um ano. O CagriSema, um novo medicamento que representava a evolução esperada da semaglutida—a substância-base do Ozempic e do Wegovy—não atendeu às expectativas nem da companhia nem dos analistas de mercado. Enquanto isso, a concorrente Eli Lilly avançava rapidamente, com seu Zepbound demonstrando maior eficácia na perda de peso e liderando a corrida por uma pílula contra obesidade mais potente e de fácil administração. A Novo Nordisk, por sua vez, enfrentava problemas crônicos de fornecimento do Wegovy, o que teria contribuído para que médicos começassem a prescrever o medicamento rival.

A Fundação Novo Nordisk, maior acionista da companhia com 77% dos direitos de voto, comunicou sua insatisfação ao conselho. A fundação, a mais rica do mundo com patrimônio de 1,06 trilhão de coroas dinamarquesas—quase R$ 900 bilhões, o dobro da Fundação Gates—tinha poder para forçar mudanças. Na sexta-feira 16 de maio, a farmacêutica anunciou a substituição de Jorgensen. O executivo havia liderado a transição estratégica que levou a Novo de um foco exclusivo em diabetes para o tratamento da obesidade. O Ozempic chegou ao mercado americano em 2018; o Wegovy, em 2021. Juntos, esses medicamentos geraram US$ 26 bilhões em vendas e se tornaram fenômenos de cultura pop, transformando a empresa em uma das mais valiosas do mundo.

Mas a trajetória de sucesso havia se desacelerado. Menos de um ano antes da demissão, os problemas começaram a se acumular. Jorgensen foi questionado pelo senador Bernie Sanders no Congresso americano sobre os preços dos medicamentos. O CagriSema decepcionou. A Eli Lilly comemorava avanços clínicos. E a Novo seguia incapaz de suprir adequadamente a demanda pelo Wegovy. Um analista da BMO descreveu o impacto dessa escassez: quando a Novo não conseguia entregar as doses iniciais do Wegovy, começava a encaminhar médicos para o Zepbound. "Você só tenta algumas vezes até desistir e mudar permanentemente a prescrição", explicou Evan Seigerman.

Jorgensen aceitou a decisão com resignação. "Respeito a decisão. Acho que isso faz parte do jogo. Não cabe a mim julgar os critérios", disse em entrevista. Antes da ligação, ele havia sentido pleno apoio do conselho. "Não havia atritos entre gestão e diretoria. Sempre houve consenso sobre as escolhas estratégicas", afirmou. A mudança surpreendeu tanto o mercado quanto o próprio executivo, que havia passado toda a carreira na Novo Nordisk antes de assumir o comando em 2017.

A saída de Jorgensen marca um precedente inédito para uma companhia que sempre se orgulhou da estabilidade. Em mais de 100 anos, a Novo teve apenas cinco CEOs, todos promovidos internamente. Dessa vez, o conselho anunciou que buscará candidatos tanto internos quanto externos. O presidente Helge Lund, que também enfrenta turbulência em seu cargo na BP, adotou um tom mais flexível em entrevista. "Nosso plano precisa evoluir e se adaptar ao mercado e ao ambiente", disse.

O retorno do antecessor de Jorgensen, Lars Rebien Sorensen, que liderou a empresa entre 2000 e 2016, parece provável. Sorensen integrará o conselho a partir de 2025, e a Fundação Novo Nordisk publicou uma nota de apoio destacando sua "experiência e visão". Para alguns investidores, a queda atual nas ações representa uma oportunidade de compra. Mark Ellis, gestor da Nutshell Asset Management, que detém ações avaliadas em cerca de US$ 8,6 milhões, afirmou: "Acreditamos que a Novo oferece bom valor para quem puder ignorar as incertezas de curto prazo".

Para os funcionários, a saída foi um choque. Em vídeo divulgado pela emissora TV2, colegas aplaudiram Jorgensen ao vê-lo descer as escadas no saguão central da sede. Jacob Petersen, diretor das áreas de diabetes, obesidade e MASH, escreveu no LinkedIn: "Você foi uma verdadeira referência para todos nós". A empresa que havia dominado o mercado de medicamentos para perda de peso agora enfrenta uma transição de liderança enquanto tenta recuperar terreno perdido para um concorrente que se move com velocidade.

Respeito a decisão. Acho que isso faz parte do jogo. Não cabe a mim julgar os critérios.
— Lars Fruergaard Jorgensen, CEO demitido
Quando a Novo não entregava doses iniciais do Wegovy, começou a empurrar médicos para o Zepbound. Você só tenta algumas vezes até desistir e mudar permanentemente a prescrição.
— Evan Seigerman, analista da BMO
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