Nova pandemia é inevitável, diz ex-ministra Nísia ao lançar livro sobre Covid-19

Uma nova pandemia vai acontecer. A questão é quando.
Nísia Trindade afirma durante lançamento de livro sobre a gestão da Covid-19 que futuras crises sanitárias são inevitáveis.
Mark

Quando você diz que uma nova pandemia é inevitável, está falando de algo que pode acontecer em meses ou em décadas?

Mimi

A questão do tempo é exatamente o ponto. Nísia não está dizendo que vai acontecer amanhã. Mas os fatores que criam as condições para isso — mudanças climáticas, degradação ambiental, circulação de pessoas — estão acelerando. Então pode ser em cinco anos ou em vinte. O que importa é que os governos não podem esperar para se preparar.

Mark

Mas por que os países não aprenderam a lição da Covid-19? Por que ainda não estão investindo o suficiente em vigilância e pesquisa?

Mimi

Porque quando a crise passa, a pressão política desaparece. Os orçamentos são redirecionados para outras prioridades. É mais fácil cortar investimentos em laboratórios do que explicar por que você está gastando dinheiro em algo que ainda não aconteceu. Nísia está dizendo que isso é um erro.

Mark

O livro dela foca muito em desigualdade. Por que isso é central para entender a próxima pandemia?

Mimi

Porque a próxima pandemia não vai afetar a todos igualmente. Se os países ricos tiverem acesso a vacinas e os pobres não, a doença vai circular por mais tempo e mutar mais. A desigualdade não é apenas uma questão moral. É um problema de saúde pública global.

Mark

Então a solução é cooperação internacional?

Mimi

É parte da solução. Mas também é investimento doméstico contínuo. Cada país precisa ter seus próprios laboratórios, sua própria capacidade de resposta. Não pode depender apenas de ajuda internacional quando chegar a hora.

Mark

Nísia parece estar dizendo que o Brasil deveria ter aprendido mais com a Fiocruz durante a pandemia?

Mimi

Ela está dizendo que instituições como a Fiocruz precisam ser fortalecidas permanentemente, não apenas durante crises. Elas são a base da resposta. Se você deixa elas enfraquecidas nos anos de paz, quando a emergência chegar, você não tem tempo para reconstruir.

  • A ex-ministra descarta qualquer ambiguidade: não é questão de 'se' haverá nova pandemia, mas de 'quando' — e as condições para isso já estão em curso.
  • Mudanças climáticas, desmatamento e o fluxo global de pessoas e animais formam um caldo de cultura para novos agentes infecciosos, os mesmos fatores que permitiram ao coronavírus varrer o mundo em semanas.
  • A Covid-19 revelou que sistemas de saúde frágeis e desigualdades estruturais não são apenas problemas sociais — são vulnerabilidades que amplificam mortes e colapsos econômicos em escala nacional.
  • Trindade defende investimentos permanentes em vigilância epidemiológica, pesquisa científica e produção nacional de vacinas, alertando que preparação episódica — só quando a crise já chegou — é insuficiente.
  • A cooperação entre governos, universidades e organismos internacionais surge como condição indispensável para encurtar o tempo entre o surgimento de um vírus e a chegada de uma resposta eficaz à população.

Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde e sanitarista de longa trajetória, não anuncia uma possibilidade — anuncia uma certeza: outra pandemia global virá. Ao lançar seu livro sobre as memórias da gestão da Covid-19, ela situa esse risco no cruzamento entre degradação ambiental, mudanças climáticas e a mobilidade acelerada de pessoas e mercadorias. Sua mensagem é que a humanidade já conhece o preço da impreparação, e que a única resposta racional é construir, agora, os sistemas que permitirão responder mais rápido da próxima vez.

Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde e médica sanitarista, lançou o livro O vírus da desigualdade: memórias da pandemia com uma afirmação que soa menos como alerta e mais como diagnóstico: uma nova pandemia global é inevitável. Para ela, a pergunta não é se isso vai acontecer, mas quando.

No evento de lançamento, Trindade enumerou os fatores que tornam esse cenário estrutural: mudanças climáticas aceleradas, degradação ambiental, aumento do trânsito de pessoas e mercadorias entre países e a crescente proximidade entre humanos e animais. São as mesmas dinâmicas que permitiram ao coronavírus se espalhar pelo mundo em poucas semanas.

O livro reúne memórias dos bastidores da gestão sanitária brasileira, mas funciona também como manifesto. Trindade defende que países precisam investir de forma contínua — não apenas em momentos de crise — em vigilância epidemiológica, pesquisa científica e produção nacional de vacinas e medicamentos. Sistemas públicos de saúde bem estruturados, argumenta ela, são decisivos não só para salvar vidas, mas para conter os danos sociais e econômicos de futuras epidemias.

Um dos eixos centrais da obra é a desigualdade que a Covid-19 expôs e aprofundou. Populações vulneráveis foram desproporcionalmente atingidas — resultado, segundo Trindade, não do acaso, mas de escolhas políticas e estruturas frágeis. Isso reforça, para ela, a urgência de políticas públicas que ampliem o acesso à saúde e reduzam as desigualdades.

Antes do ministério, Trindade presidiu a Fundação Oswaldo Cruz. Na gestão ministerial, conduziu a recuperação das coberturas vacinais e o enfrentamento de surtos como os de dengue. Com o livro, ela oferece tanto um registro daquele período quanto um aviso sobre o que ainda está por vir — e sobre o que precisa ser feito antes que chegue.

Nísia Trindade não deixa espaço para otimismo quando o assunto é o futuro das doenças infecciosas. A ex-ministra da Saúde e médica sanitarista lançou seu livro O vírus da desigualdade: memórias da pandemia com uma afirmação que funciona menos como previsão e mais como certeza: uma nova pandemia global vai acontecer. A questão, segundo ela, não é se, mas quando.

Durante o evento de lançamento, Trindade apontou os fatores que tornam esse cenário praticamente inevitável. As mudanças climáticas aceleradas, a degradação contínua do ambiente, o aumento exponencial de pessoas e mercadorias circulando entre países, e a crescente interação entre seres humanos e animais — tudo isso cria as condições perfeitas para o surgimento de novos agentes infecciosos capazes de desencadear crises sanitárias em escala planetária. Não se trata de alarmismo. São as mesmas dinâmicas que permitiram que o coronavírus se espalhasse pelo mundo em questão de semanas.

O livro que Trindade apresentou reúne suas memórias do período à frente do Ministério da Saúde, oferecendo um relato dos bastidores da gestão da emergência sanitária brasileira. Mas não é apenas um registro histórico. É também um manifesto sobre o que deveria ter sido feito e o que precisa ser feito agora. A ex-ministra defende com clareza que os países precisam investir de forma permanente e estruturada em vigilância epidemiológica, pesquisa científica e produção nacional de vacinas e medicamentos. A experiência de 2020 a 2023 deixou uma lição que não deveria ser esquecida: sistemas públicos de saúde bem estruturados são fundamentais não apenas para salvar vidas, mas para reduzir o impacto social e econômico de futuras epidemias.

O que Trindade enfatiza é que essa preparação não pode ser episódica. Não pode ser algo que os governos fazem apenas quando uma crise já está batendo à porta. É necessário manter investimentos contínuos em laboratórios, em redes de vigilância epidemiológica, na formação de profissionais de saúde e na capacidade de resposta rápida diante de surtos de doenças infecciosas. Também é crucial que essa preparação seja coordenada internacionalmente — entre governos, universidades e organismos multilaterais — para que o desenvolvimento de vacinas e tratamentos seja acelerado quando necessário.

Um dos temas centrais do livro é a desigualdade que a pandemia de Covid-19 expôs e aprofundou. Populações mais vulneráveis foram desproporcionalmente afetadas pelos efeitos da doença, tanto entre países quanto dentro das próprias sociedades. Isso não foi um acidente. Foi o resultado de escolhas políticas e de estruturas de saúde frágeis. Para Trindade, isso reforça a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à redução das desigualdades e à ampliação do acesso aos serviços de saúde.

Antes de assumir o Ministério da Saúde no início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Trindade presidiu a Fundação Oswaldo Cruz. Durante sua gestão ministerial, conduziu ações de recuperação das coberturas vacinais, reorganização de programas estratégicos do Sistema Único de Saúde e enfrentamento de emergências sanitárias, como surtos de dengue e outras doenças transmitidas por arbovírus. Agora, com o livro, ela oferece tanto um registro daquele período quanto um aviso para o que virá.

Uma nova pandemia vai acontecer. A questão é quando.
— Nísia Trindade, ex-ministra da Saúde
Sistemas públicos de saúde estruturados são fundamentais para enfrentar situações de emergência e reduzir o impacto social e econômico de futuras epidemias.
— Nísia Trindade
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