Oito meses após a chegada da pandemia, a região Norte de Portugal carrega nas suas listas de desemprego o peso de 28.685 vidas a mais sem trabalho — um número que não é apenas estatística, mas o reflexo de carreiras interrompidas, primeiros empregos que nunca chegaram e famílias a recompor o seu equilíbrio. Em outubro, 153.022 pessoas estavam inscritas nos centros de emprego, maioritariamente mulheres, num país que aguarda uma recuperação prometida mas ainda incerta.
Norte registra aumento de 28.685 desempregados desde início da pandemia
28.685 pessoas perderam o trabalho em oito meses de crise
Porque é que agosto foi tão pior do que os outros meses?
Agosto é tipicamente um mês de movimento no mercado de trabalho português — férias, reestruturações, mudanças sazonais. Mas em 2020, coincidiu com o momento em que as empresas começavam a perceber que a crise não era temporária. As medidas de apoio do Governo ainda não tinham esgotado completamente o seu efeito, e muitos negócios estavam a tomar decisões difíceis.
As mulheres representam 58% dos desempregados. Isso é desproporcional?
Sim, é. Setores como o turismo, hotelaria e comércio — que foram duramente atingidos — empregam muitas mulheres. Além disso, há um padrão histórico: quando há crise, as mulheres tendem a ser as primeiras a ser despedidas e as últimas a ser recontratadas.
Mais de metade dos inscritos têm menos de um ano de registo. O que significa isso?
Significa que a pandemia apanhou pessoas no meio de transições — saídas da escola, mudanças de emprego, primeiras experiências profissionais. Não é apenas desemprego; é interrupção de trajetórias que estavam a começar.
Vila Nova de Gaia tem quase 5 mil desempregados a mais do que o Porto, apesar de ser um concelho menor. Porquê?
Vila Nova de Gaia tem uma base industrial e comercial significativa, e muitos desses setores foram severamente afetados. O Porto, sendo mais diversificado e com mais serviços, distribuiu melhor o impacto.
As previsões de recuperação em 2021 parecem otimistas, não?
Dependem muito do que acontecer com a pandemia. Se a vacinação avançar como esperado, sim. Mas se houver novos confinamentos ou se a confiança das empresas não se recuperar, essas previsões podem estar completamente erradas.
Il Polso
- A pandemia transformou o mercado de trabalho do Norte em menos de um ano: mais de 28 mil pessoas engrossaram as filas do desemprego entre fevereiro e outubro de 2020.
- As mulheres são as mais atingidas, representando 58% dos inscritos, enquanto quase 14 mil jovens procuram o primeiro emprego numa economia paralisada.
- Agosto foi o mês mais negro, com 158.013 desempregados registados — um pico que outubro começou a suavizar, mas sem apagar a brutalidade da comparação com 2019.
- Vila Nova de Gaia e Porto lideram os concelhos mais afetados, concentrando juntos quase 30.000 desempregados inscritos na área metropolitana.
- As previsões divergem nos detalhes mas convergem no diagnóstico: a economia portuguesa contraiu cerca de 10% em 2020, com recuperação esperada entre 5,4% e 6,5% em 2021.
Oito meses após a chegada da pandemia, a região Norte de Portugal carrega nas suas listas de desemprego o peso de 28.685 vidas a mais sem trabalho — um número que não é apenas estatística, mas o reflexo de carreiras interrompidas, primeiros empregos que nunca chegaram e famílias a recompor o seu equilíbrio. Em outubro, 153.022 pessoas estavam inscritas nos centros de emprego, maioritariamente mulheres, num país que aguarda uma recuperação prometida mas ainda incerta.
Em outubro de 2020, a região Norte contabilizava 153.022 pessoas inscritas nos centros de emprego — um número que traduz oito meses de crise pandémica em vidas concretas. A comparação com fevereiro, o último mês antes da chegada da covid-19, revela uma diferença de 28.685 desempregados: pessoas que perderam o emprego ou nunca conseguiram encontrá-lo durante a crise.
Os dados do IEFP mostram que as mulheres representam 58% dos inscritos. Mais de metade dos desempregados — 87.902 pessoas — estão registadas há menos de um ano, sinal de que a pandemia apanhou muitos no início das suas trajetórias profissionais. Entre eles, 13.780 procuram o primeiro emprego, mais 2.252 do que em fevereiro.
O pico da crise ocorreu em agosto, com 158.013 inscritos. Outubro trouxe uma ligeira melhoria de 1,6% face a setembro, mas a comparação anual é implacável: mais 28.944 pessoas do que em outubro de 2019. Os concelhos mais afetados concentram-se na área metropolitana do Porto, com Vila Nova de Gaia à cabeça com 17.143 inscritos, seguida do Porto com 12.253.
O contexto económico agrava o cenário: o FMI prevê uma contração de 10% da economia portuguesa em 2020, enquanto o Governo aponta para 8,5% e a Comissão Europeia para 9,3%. Para 2021, todas as instituições antecipam recuperação, entre 5,4% e 6,5%. A nível nacional, o desemprego registado cresceu 34,5% em outubro face ao ano anterior — um retrato de um país que, a par das 4.056 mortes pela pandemia até essa data, enfrenta também uma profunda ferida económica e social.
Em outubro, a região Norte do país tinha 153.022 pessoas inscritas nos centros de emprego — um número que carrega o peso de oito meses de pandemia. Quando se compara este valor ao de fevereiro, o mês anterior à chegada da covid-19, a diferença é de 28.685 desempregados. São 28.685 pessoas que perderam o trabalho ou nunca conseguiram encontrá-lo durante a crise.
Os dados vêm do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP) e revelam um padrão claro: a maioria dos inscritos são mulheres — 58% do total. Mais de metade destes desempregados, precisamente 87.902 pessoas, estão registadas há menos de um ano, o que significa que a pandemia apanhou muitos no início das suas carreiras. Entre eles, 13.780 estão à procura do primeiro emprego, um aumento de 2.252 em relação a fevereiro.
O mês de agosto foi o pior desde o início da crise. Nessa altura, 158.013 pessoas estavam inscritas nos centros de emprego da região Norte. Outubro trouxe uma ligeira melhoria — uma diminuição de 1,6% face a setembro — mas a comparação com o ano anterior é brutal: 28.944 pessoas a mais do que em outubro de 2019.
Os concelhos mais afetados concentram-se na área metropolitana do Porto. Vila Nova de Gaia lidera com 17.143 desempregados inscritos, seguido pelo Porto com 12.253. Gondomar, Matosinhos, Braga e Guimarães completam a lista dos seis concelhos com maior número de inscritos, variando entre 7.065 e 8.181 pessoas.
Este cenário de desemprego crescente ocorre num contexto de incerteza económica profunda. O Fundo Monetário Internacional prevê uma contração de 10% da economia portuguesa em 2020, enquanto o Governo português antecipa uma queda de 8,5%. A Comissão Europeia situa-se entre os dois, com uma previsão de 9,3%. Todas as instituições concordam numa coisa: 2021 trará recuperação, mas o ritmo varia — entre 5,4% e 6,5% conforme a fonte.
Em termos nacionais, o desemprego registado aumentou 34,5% em outubro comparado com o mesmo mês do ano anterior. A pandemia, que já tinha causado 4.056 mortes em Portugal até à data deste relatório, continua a moldar não apenas a saúde pública, mas também o mercado de trabalho e as perspetivas económicas de centenas de milhares de pessoas.
Citazioni salienti
O número de desempregados inscritos nos centros de emprego aumentou 34,5% em outubro em termos homólogos— Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP)