Entre fevereiro e outubro de 2020, a região Norte de Portugal viu crescer o seu desemprego em 23%, como se uma cidade inteira tivesse sido esvaziada de trabalho pela passagem silenciosa de uma pandemia. Os dados do IEFP revelam não apenas números, mas vidas interrompidas — sobretudo de mulheres e de jovens que nunca chegaram a conhecer o primeiro emprego. As projeções de recuperação para 2021 existem, mas a incerteza que paira sobre elas lembra-nos que a esperança, por si só, não paga contas.
Norte registou aumento de 28.685 desempregados desde fevereiro
87.902 pessoas inscritas há menos de um ano
Porque é que a região Norte é particularmente afetada?
Não é que seja particularmente afetada — é que concentra população e atividade económica. Porto, Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Braga. São centros urbanos onde o comércio, o turismo, os serviços foram duramente atingidos.
E esses 87.902 que estão há menos de um ano inscritos — o que significa isso realmente?
Significa que não são pessoas que já estavam desempregadas. São pessoas que tinham um trabalho e o perderam entre março e outubro. Alguns talvez ainda estejam em choque.
As mulheres representam 58%. Há algo específico sobre como a crise as afetou?
Os dados não explicam o porquê, mas sabemos que setores como o turismo, hotelaria e comércio — muito afetados pela pandemia — empregam muitas mulheres. Pode ser aí que está a resposta.
Agosto foi o pico. Porque é que melhorou em outubro?
Pode ser ajustes sazonais, ou talvez algumas pessoas tenham encontrado trabalho temporário. Mas uma descida de 1,6% é marginal. O problema continua enorme.
As previsões de recuperação em 2021 — acredita nelas?
Dependem de muitas variáveis que ninguém controla. Mas o que é certo é que estas 28.685 pessoas precisam de trabalho agora, não em 2021.
O Pulso
- Em outubro, 153.022 pessoas estavam inscritas nos centros de emprego da região Norte — mais 28.685 do que antes da pandemia chegar a Portugal.
- Agosto foi o mês mais negro, com 158.013 inscritos, um pico que expõe a brutalidade da crise no seu momento mais agudo.
- Mais de metade dos desempregados perderam o emprego há menos de um ano, revelando que esta não é uma crise de longa data, mas uma ruptura súbita e recente.
- As mulheres representam 58% dos inscritos e os jovens à procura do primeiro emprego cresceram 2.252 desde fevereiro, mostrando quem está a pagar o preço mais alto.
- FMI, Governo e Comissão Europeia apontam para recuperação em 2021, mas as previsões divergem e a incerteza mantém-se como pano de fundo permanente.
Entre fevereiro e outubro de 2020, a região Norte de Portugal viu crescer o seu desemprego em 23%, como se uma cidade inteira tivesse sido esvaziada de trabalho pela passagem silenciosa de uma pandemia. Os dados do IEFP revelam não apenas números, mas vidas interrompidas — sobretudo de mulheres e de jovens que nunca chegaram a conhecer o primeiro emprego. As projeções de recuperação para 2021 existem, mas a incerteza que paira sobre elas lembra-nos que a esperança, por si só, não paga contas.
Em outubro de 2020, a região Norte de Portugal contabilizava 153.022 pessoas inscritas nos centros de emprego do IEFP — um aumento de 28.685 face a fevereiro, o último mês antes de a pandemia alterar o país. É como se uma cidade inteira tivesse perdido o trabalho num só verão.
O perfil destes desempregados é revelador. Cinquenta e oito por cento são mulheres. E mais de metade — 87.902 pessoas — estão inscritas há menos de um ano, o que significa que não se trata de desemprego crónico, mas de uma ruptura recente provocada pela crise. A estes somam-se 13.780 jovens à procura do primeiro emprego, 2.252 a mais do que em fevereiro.
O pior momento foi agosto, quando a região chegou aos 158.013 inscritos. Outubro trouxe uma ligeira descida de 1,6% face a setembro, mas o aumento em relação a outubro de 2019 é ainda assim de quase 29 mil pessoas. Geograficamente, o desemprego concentra-se nos grandes centros urbanos: Vila Nova de Gaia lidera com 17.143 inscritos, seguida do Porto com 12.253, e depois Gondomar, Matosinhos, Braga e Guimarães.
As projeções internacionais apontam para recuperação em 2021 — o FMI prevê um crescimento de 6,5%, o Governo português de 5,4%, a Comissão Europeia também de 5,4%. Mas estas são apenas estimativas. O que permanece concreto é que mais de 28 mil pessoas na região Norte ainda esperam por uma oportunidade que ainda não chegou.
Em outubro, a região Norte tinha 153.022 pessoas inscritas nos centros de emprego — um número que carrega o peso de oito meses de pandemia. Comparado com fevereiro, o mês anterior ao vírus chegar a Portugal, representa um aumento de 28.685 desempregados. É como se uma cidade inteira tivesse perdido o trabalho num só verão.
Os dados vêm do Instituto do Emprego e Formação Profissional e revelam um padrão preocupante. Das mais de 153 mil pessoas inscritas, 58% são mulheres. Mas o detalhe mais revelador é este: mais de metade delas — 87.902 pessoas — estão inscritas há menos de um ano. Não são desempregados crónicos. São pessoas que tinham emprego e o perderam recentemente, durante a crise.
O mês de agosto foi o pior. Nessa altura, a região Norte chegou a ter 158.013 inscritos nos centros de emprego, o número mais alto desde o início da pandemia. Outubro trouxe uma ligeira melhoria — uma descida de 1,6% face a setembro — mas o estrago já estava feito. Comparado com outubro de 2019, o aumento é ainda mais brutal: 28.944 pessoas a mais.
Dentro da região, a geografia do desemprego concentra-se nos grandes centros urbanos. Vila Nova de Gaia lidera com 17.143 inscritos, seguida pelo Porto com 12.253. Depois vêm Gondomar (8.181), Matosinhos (7.718), Braga (7.531) e Guimarães (7.065). Há também 13.780 pessoas à procura do primeiro emprego — 2.252 a mais do que em fevereiro, o que significa que jovens que nunca trabalharam estão agora a bater à porta dos centros de emprego.
Os números nacionais mostram um aumento de 34,5% no desemprego registado em outubro face ao mesmo mês do ano anterior. É um crescimento que reflete a profundidade da crise económica provocada pela pandemia.
As projeções para o futuro variam consoante quem as faz. O Fundo Monetário Internacional prevê uma queda de 10% da economia portuguesa em 2020, seguida de uma recuperação de 6,5% em 2021. O Governo português é ligeiramente menos pessimista, antecipando uma contração de 8,5% este ano e uma recuperação de 5,4% no próximo. A Comissão Europeia fica no meio, com uma previsão de queda de 9,3% em 2020 e crescimento de 5,4% em 2021.
Mas estas são apenas previsões. O que é certo é que 28.685 pessoas na região Norte perderam o emprego entre fevereiro e outubro, e muitas delas continuam à espera de uma oportunidade que ainda não chegou.
Citações Notáveis
O número de desempregados inscritos nos centros de emprego aumentou 34,5% em outubro em termos homólogos— Instituto do Emprego e Formação Profissional