Músicos e empresários protestam contra proibição de festas no Nordeste Transmontano

Profissionais do setor de espetáculos enfrentam desemprego prolongado e perda de rendimento, afetando também cadeias de fornecimento associadas.
Cortar-nos as pernas e exterminar o nosso setor
Paulo Fernandes descreve como a proibição de festas afeta não apenas músicos, mas toda a cadeia económica local.
Mark

Porque é que a CIM decidiu proibir completamente as festas em vez de estabelecer regras de segurança?

Mimi

A decisão não é explicada no anúncio, mas parece refletir uma abordagem de precaução máxima. Talvez considerassem que coordenar protocolos de segurança entre nove municípios seria demasiado complexo, ou que o risco era simplesmente demasiado alto.

Mark

Paulo Fernandes diz que outras regiões estão a fazer isto funcionar. O que é diferente aqui?

Mimi

Ele sugere que é uma questão de vontade política. Noutros lugares, as autoridades locais estão a trabalhar ativamente para encontrar soluções. Aqui, a resposta foi apenas dizer não, sem explorar alternativas.

Mark

A vacinação não muda o cálculo de risco?

Mimi

Para Fernandes, muda completamente. Se os grupos de risco já estão vacinados e outros estão a ser vacinados até agosto, então o risco em setembro é muito menor. Mas a CIM parece ter tomado a decisão antes de considerar esse progresso.

Mark

Quem sofre realmente com isto?

Mimi

Não é apenas os músicos. É toda uma economia sazonal — restaurantes, produtores de carne, fornecedores de bebidas, técnicos de som. Uma festa é um evento que alimenta dezenas de pequenos negócios. Quando desaparece, desaparecem todos.

Mark

Fernandes pede para trabalhar dois meses em doze. É uma concessão razoável?

Mimi

Parece ser. Ele não está a pedir que as festas voltem imediatamente ou sem regras. Está a pedir um período limitado, em meses específicos, quando as condições de saúde seriam melhores. É difícil argumentar que isso é irrazoável.

Mark

Qual é o próximo passo?

Mimi

Depende se a CIM está disposta a ouvir. Se a vacinação continuar como previsto e não houver surtos graves em agosto, a pressão para reconsiderar será forte. Mas por enquanto, a proibição permanece.

  • A CIM das Terras de Trás-os-Montes proibiu todas as festas e romarias em nove municípios até ao final de setembro, numa decisão que apanhou o setor de espetáculos de surpresa.
  • Músicos, restauradores e fornecedores locais alertam para uma cascata de perdas: equipas paradas, mercados sazonais desaparecidos e uma cadeia económica inteira em colapso.
  • O porta-voz do setor argumenta que agosto e setembro seriam seguros com vacinação avançada, máscaras, distanciamento e até proibição de álcool — e que outras regiões já o estão a provar.
  • O sentimento de discriminação regional agrava a tensão: o Nordeste Transmontano é visto como tratado com uma severidade que não se aplica ao resto do país.
  • O setor pede apenas dois meses de trabalho em doze — uma concessão que considera modesta e compatível com a saúde pública — e aguarda que a CIM reconsidere a medida.

No coração de Trás-os-Montes, uma decisão administrativa suspendeu até setembro toda a vida festiva de nove municípios, silenciando palcos, esvaziando tascas e interrompendo cadeias económicas que dependem do ritmo sazonal das romarias. O setor de espetáculos, pela voz dos seus profissionais, não contesta a prudência — contesta a ausência de imaginação: enquanto outras regiões encontram caminhos, aqui apenas se fecha a porta. A questão que fica suspensa no ar transmontano é se a cautela e a criatividade podem, afinal, coexistir.

Na quarta-feira, a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes anunciou que nenhuma festa, romaria ou evento público teria lugar na região até ao final de setembro. A decisão abrangia os nove municípios sob a sua jurisdição e a reação foi imediata: músicos, empresários de eventos, restauradores e fornecedores locais uniram-se no protesto contra uma medida que consideravam desnecessariamente severa.

Paulo Fernandes, professor de música e empresário do setor, tornou-se a voz da frustração coletiva. Não questionava a necessidade de cautela — 2020 já tinha cancelado tudo — mas interrogava a lógica de uma proibição total quando outras regiões encontravam formas de organizar eventos com segurança. A diferença, dizia, estava na abordagem: câmaras e juntas de freguesia noutras zonas criavam protocolos viáveis; aqui, a resposta era simplesmente dizer não.

O argumento assentava em calendários e vacinas. Em agosto e setembro, com os maiores de 60 anos já imunizados e outras faixas a caminho da vacinação, as romarias poderiam acontecer com máscaras, distanciamento e até proibição de álcool. Tudo viável, insistia Fernandes, com uma estratégia concertada entre as entidades responsáveis.

A frustração ia além dos palcos. A proibição desencadeava uma cascata de perdas: a equipa de dez pessoas de Fernandes parada, restaurantes sem clientes, produtores de gado a ver desaparecer um mercado sazonal essencial. "Trabalhar dois meses em doze" era o que pedia à CIM — uma concessão modesta que, na sua perspetiva, não comprometia a saúde pública.

O sentimento dominante era o de discriminação regional. Enquanto outras zonas experimentavam e adaptavam, o Nordeste Transmontano recebia apenas proibições. Para os profissionais da região, a questão que ficava em aberto era simples e urgente: seria a CIM capaz de reconsiderar, ou 2021 tornava-se mais um ano perdido?

Na quarta-feira, a Comunidade Intermunicipal das Terras de Trás-os-Montes anunciou uma decisão que ecoaria através de toda a região: nenhuma festa, nenhuma romaria, nenhum evento público até ao final de setembro. A proibição abrangia os nove municípios sob sua jurisdição — Alfândega da Fé, Bragança, Macedo de Cavaleiros, Miranda do Douro, Mirandela, Mogadouro, Vila Flor, Vimioso e Vinhais — e a reação foi imediata. Músicos, empresários de eventos, restauradores e fornecedores locais sentiram-se atingidos por uma medida que, argumentavam, era desnecessariamente severa.

Paulo Fernandes, professor de música e empresário do setor de espetáculos, tornou-se porta-voz da frustração coletiva. Ele não contestava a necessidade de cautela — a pandemia tinha já cancelado todas as festividades em 2020 — mas questionava a lógica de uma proibição total quando outras regiões do país estavam a encontrar formas de organizar eventos com segurança. A diferença, sustentava, estava na abordagem: enquanto câmaras municipais e juntas de freguesia noutras zonas trabalhavam para criar protocolos viáveis, aqui a resposta era simplesmente dizer não.

O argumento de Fernandes assentava em números e calendários. Em agosto e setembro, disse, seria possível realizar festas com segurança. A vacinação avançava — os maiores de 60 anos já estavam protegidos, e outras faixas etárias receberiam a vacina até ao verão. Com máscaras, distanciamento social e cumprimento de regras básicas, as romarias poderiam acontecer. Sugeriu até a possibilidade de proibir a venda de álcool como medida adicional de controlo. Tudo isto, insistia, era viável se houvesse uma estratégia concertada entre as várias entidades responsáveis.

Mas a frustração ia além dos palcos e dos microfones. Fernandes apontava para a cascata de perdas económicas que a proibição provocava. Não eram apenas os músicos que ficavam sem trabalho — embora ele próprio tivesse uma equipa de dez pessoas parada. Os restaurantes perdiam clientes. Os produtores de gado que forneciam carne para as tascas e restaurantes das festas viam desaparecer um mercado sazonal importante. Toda uma cadeia de fornecimento e serviços associados aos eventos sofria. "Trabalhar dois meses em doze", pediu Fernandes à CIM — uma concessão modesta que, na sua perspetiva, seria possível sem comprometer a saúde pública.

O sentimento dominante era o de discriminação. Enquanto outras regiões experimentavam e adaptavam, o Nordeste Transmontano era tratado como uma zona onde a única resposta aceitável era a proibição. Fernandes usou uma linguagem dura para descrever o impacto: a CIM estava a "cortar-nos as pernas" e a "exterminar o nosso setor". Não era apenas uma questão de perder rendimento num ano difícil — era a sensação de que a região estava a ser tratada diferentemente, que as soluções criativas que funcionavam noutros lugares não eram sequer consideradas aqui.

A medida permanecia em vigor, pelo menos até ao final de setembro. Mas o protesto deixava em aberto uma questão: se a vacinação continuasse, se os protocolos de segurança se provassem eficazes noutros eventos, seria a CIM capaz de reconsiderar? Ou a proibição seria mantida até ao fim, independentemente das circunstâncias? Para os músicos, empresários e fornecedores da região, a resposta a essa pergunta determinaria se conseguiriam recuperar algo do ano que se aproximava, ou se 2021 seria mais um ano perdido.

Nas outras zonas do país, as câmaras e as juntas de freguesia têm tentado promover eventos seguros, mas aqui limitam-se a proibir
— Paulo Fernandes, empresário e professor de música
Pede à CIM que lhes permita trabalhar dois meses em doze
— Paulo Fernandes
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