Na Colômbia devastada por um terremoto de magnitude 7,4 — o mais violento do século no país —, Daniela Largo, de 32 anos, foi resgatada viva após quase 37 horas sob os escombros em Pereira, tornando-se símbolo de esperança para uma nação em luto. Três dias depois, ela morreu no hospital, deixando um filho de 12 anos e o país diante da verdade mais dura dos desastres: que o resgate nem sempre é salvação. Com mais de 280 mortos, 4 mil feridos e 320 desaparecidos, a Colômbia enfrenta agora não apenas a contagem de suas perdas, mas o peso silencioso da reconstrução.
Mulher resgatada após 37 horas sob escombros morre no hospital
Resgatada viva após 37 horas, mas o corpo não resistiu
Por que a morte de Daniela Largo importa tanto? Ela foi uma entre quase 300 vítimas.
Porque ela foi resgatada viva. Aquele momento — 37 horas sob os escombros, depois emergindo em uma maca enquanto as pessoas aplaudiam — foi quando o país viu que a sobrevivência era possível. Sua morte transformou esse símbolo em luto.
E o filho dela, de 12 anos?
Fica órfão. Não há mais contexto sobre ele na história, mas essa é a realidade: uma criança que perdeu a mãe não apenas no terremoto, mas dias depois, quando todos acreditavam que ela havia escapado.
A mãe de Daniela disse "só quero que tudo isso acabe logo". O que ela quis dizer?
Cansaço. Não apenas o cansaço físico de procurar, mas o cansaço emocional de viver em um país em colapso, de perder a filha duas vezes — uma no terremoto, outra no hospital.
As pessoas ainda estão procurando por 320 desaparecidos. Qual é a chance de encontrá-los vivos?
Seis dias depois, os socorristas tinham poucas esperanças. O cheiro de decomposição aumentava. Daniela foi uma exceção rara — e mesmo assim, não sobreviveu.
Como uma comunidade se recupera disso?
Lentamente. Com sopa feita por vizinhos, com voluntários em correntes humanas organizando ajuda, com aplicativos para encontrar animais de estimação. Com pequenos atos de humanidade enquanto contam os mortos.
O governo fez algo?
Decretou emergência econômica nacional. Mas a reconstrução de mais de 14 mil casas destruídas é uma tarefa de anos, não de dias.
El Pulso
- O terremoto de magnitude 7,4 destruiu mais de 14 mil casas em Cali e Pereira, matou quase 300 pessoas e deixou centenas dormindo em barracas improvisadas nos parques da cidade.
- Daniela Largo emergiu dos escombros entre aplausos e lágrimas de alegria — e sua morte três dias depois transformou o símbolo de esperança em lembrete cruel dos limites do resgate.
- Seis dias após o tremor, máquinas pesadas removem entulho enquanto o cheiro de decomposição avança e a esperança de encontrar sobreviventes se esvai hora a hora.
- O governo decretou emergência econômica nacional, o presidente visitou as áreas mais atingidas e pontos de apoio psicológico foram criados para socorristas, voluntários e sobreviventes traumatizados.
- Da Espanha até Cali, famílias percorrem milhares de quilômetros em busca de entes queridos desaparecidos — enquanto voluntários em Bogotá formam correntes humanas para organizar toneladas de ajuda humanitária.
Na Colômbia devastada por um terremoto de magnitude 7,4 — o mais violento do século no país —, Daniela Largo, de 32 anos, foi resgatada viva após quase 37 horas sob os escombros em Pereira, tornando-se símbolo de esperança para uma nação em luto. Três dias depois, ela morreu no hospital, deixando um filho de 12 anos e o país diante da verdade mais dura dos desastres: que o resgate nem sempre é salvação. Com mais de 280 mortos, 4 mil feridos e 320 desaparecidos, a Colômbia enfrenta agora não apenas a contagem de suas perdas, mas o peso silencioso da reconstrução.
Daniela Largo tinha 32 anos quando foi retirada viva dos escombros em Pereira, na terça-feira 11 de agosto, após quase 37 horas enterrada sob os destroços do terremoto que sacudiu a Colômbia. Sua imagem na maca, cercada por gritos de alegria, tornou-se símbolo de esperança para um país devastado. Três dias depois, ela morreu no hospital. Os ferimentos foram maiores do que o corpo conseguiu suportar.
O terremoto de magnitude 7,4, o mais forte do século na Colômbia, atingiu o país na segunda-feira, 10 de agosto. Até o sábado, mais de 280 pessoas haviam morrido, cerca de 4 mil ficaram feridas e pelo menos 320 seguiam desaparecidas. Cali e Pereira foram as cidades mais atingidas, com mais de 14 mil casas destruídas. Seis dias após o tremor, as buscas continuavam com esperança cada vez menor, enquanto o cheiro de decomposição se intensificava entre as ruínas.
A morte de Daniela deixou um filho de 12 anos órfão. Sua mãe, Sandra Milena Pérez, disse à AFP que desejava apenas que tudo terminasse logo. A perda representava não só uma vida, mas o fim de um breve lampejo de esperança em meio ao caos.
O governo decretou emergência econômica nacional e o presidente visitou as regiões mais afetadas, anunciando medidas de apoio. Pontos de atendimento psicológico foram criados para lidar com o trauma acumulado entre socorristas e sobreviventes. Em Bogotá, voluntários organizavam toneladas de ajuda humanitária, enquanto cozinheiras como María Josefa Aragón preparavam sancocho para os desabrigados. "Faço isso porque vem do coração", ela disse.
Algumas famílias percorreram milhares de quilômetros em busca de entes queridos. Uma mulher venezuelana viajou da Espanha até Cali procurando pela filha de 24 anos, desaparecida com o marido — após três anos sem vê-la, temia o pior. Enquanto as buscas continuavam nas ruínas, a Colômbia enfrentava não apenas a tarefa de contar seus mortos, mas a longa jornada de reconstrução que se estendia à frente.
Daniela Largo tinha 32 anos quando foi puxada viva dos escombros em Pereira, na terça-feira 11 de agosto. Ela havia passado quase 37 horas enterrada sob os destroços do terremoto que sacudiu a Colômbia. Quando emergiu da maca, cercada por gritos de alegria e aplausos, sua imagem se transformou em símbolo de esperança para um país devastado. Três dias depois, na noite de sexta-feira, ela morreu no hospital. Os ferimentos que sofreu durante o tempo preso sob os escombros foram maiores do que o corpo conseguiu suportar.
O terremoto de magnitude 7,4 atingiu a Colômbia na segunda-feira, 10 de agosto. Foi o tremor mais forte do século no país. Até o sábado, quando a morte de Daniela foi confirmada pela família à agência AFP, o desastre havia deixado mais de 280 mortos e cerca de 4 mil feridos. As autoridades responsáveis pelo atendimento a desastres ainda buscavam pelo menos 320 pessoas desaparecidas. Cali e Pereira foram as cidades mais atingidas, com Cali registrando o maior número de vítimas fatais. Mais de 14 mil casas foram destruídas.
Seis dias após o tremor, os trabalhos de resgate continuavam nas áreas mais afetadas, mas com esperança cada vez menor de encontrar sobreviventes. Máquinas pesadas removiam pedaços de telhados e paredes enquanto o cheiro de decomposição se intensificava. Familiares que conseguiram recuperar os corpos de seus entes queridos realizavam funerais. Em Cali, centenas de pessoas que perderam suas casas ou temiam que seus edifícios desabassem com as réplicas dormiam em barracas improvisadas nos parques da cidade.
A morte de Daniela deixou um filho de 12 anos órfão. Sua mãe, Sandra Milena Pérez, expressou seu cansaço à AFP: desejava apenas que tudo terminasse logo. A perda de Daniela representava não apenas uma morte, mas o fim de uma história que havia oferecido um breve lampejo de esperança em meio ao caos.
O governo respondeu ao desastre decretando emergência econômica nacional. O presidente Abelardo de la Espriella visitou alguns dos locais mais atingidos na sexta-feira e anunciou medidas de ajuda aos afetados. Simultaneamente, pontos de atendimento psicológico foram criados em diferentes regiões, tanto presencialmente quanto virtualmente, para lidar com o trauma que se acumulava entre socorristas, voluntários e sobreviventes.
A solidariedade também tomou formas práticas. Em Bogotá, que não sofreu danos significativos, voluntários formavam correntes humanas para organizar milhares de toneladas de ajuda humanitária destinada às regiões mais atingidas. Cozinheiras como María Josefa Aragón, de 42 anos, preparavam sancocho, a sopa tradicional colombiana, para os afetados. "Faço isso porque vem do coração", ela disse à AFP. Aplicativos foram desenvolvidos para ajudar a localizar animais de estimação desaparecidos.
Algumas famílias percorreram milhares de quilômetros em busca de entes queridos. Uma mulher venezuelana viajou da Espanha até Cali procurando pela filha de 24 anos, desaparecida junto com o marido. Após três anos sem vê-la, agora temia o pior. A mãe acreditava que a filha estivesse morta, mas continuava buscando respostas.
A história de Daniela Largo permanecia como o ponto de inflexão do desastre: aquele momento em que a esperança pareceu possível, seguido pela realidade cruel de que nem sempre o resgate significa salvação. Enquanto as buscas continuavam nas ruínas de Cali e Pereira, o país enfrentava não apenas a tarefa imediata de contar seus mortos e desaparecidos, mas também a longa jornada de reconstrução que se estendia à frente.
Citas Notables
Só quero que tudo isso acabe logo— Sandra Milena Pérez, mãe de Daniela Largo, à AFP
Faço isso porque vem do coração. Vou ajudar meus vizinhos o máximo que puder— María Josefa Aragón, cozinheira voluntária de 42 anos, à AFP