Durante cinco anos, Elena viveu numa escuridão que a medicina considerava permanente — dois olhos destruídos por razões distintas, sem solução cirúrgica conhecida. Em Turim, uma equipa de cirurgiões decidiu reescrever esse veredicto, reconstruindo um olho funcional a partir dos fragmentos saudáveis que restavam dos dois, incluindo, pela primeira vez na história, um transplante da mácula. O que era impossível tornou-se possível, e com isso abre-se uma nova fronteira para todos os que vivem à margem da luz.
Mulher cega recupera visão com transplante inédito de retina em Turim
Reconstruir um olho com visão a partir dos restos de dois olhos destruídos
Como é que os médicos conseguiram contornar o problema das células estaminais que faltavam?
Não contornaram — usaram o que Elena tinha. O olho esquerdo, embora cego, tinha tecidos saudáveis que já não serviam para nada. Aproveitaram-nos.
Mas transferir a mácula é diferente de transferir a córnea, não é?
Completamente diferente. A mácula é o tecido neural mais delicado do olho. Ninguém tinha feito isto antes porque o risco era enorme — danificar-se-ia durante a remoção ou o enxerto não funcionaria.
E funcionou?
Os primeiros sinais são bons. Mas é cedo. A mácula precisa de estabelecer conexões com o cérebro. Isso leva tempo.
Qual foi o maior desafio técnico?
Provavelmente manter a mácula viva e intacta durante a transferência. Seis horas de cirurgia para um bloco de tecido do tamanho de uma lentilha.
E se isto funcionar completamente?
Muda tudo para pessoas cegas por razões semelhantes. Deixa de ser uma sentença permanente.
Mas Elena ainda não sabe se vai ter visão normal?
Ninguém sabe. Ela vê. Mas que qualidade terá essa visão, como evoluirá — isso é o que os médicos estão a observar agora.
El Pulso
- Elena perdeu completamente a visão após um acidente de carro — não de forma gradual, mas total e de uma vez, há cinco anos.
- O obstáculo era considerado intransponível: sem células estaminais saudáveis na córnea, nenhum transplante convencional poderia funcionar.
- A equipa do professor Michele Reibaldi ousou o inédito: uma cirurgia de seis horas para transferir córnea, esclerótica, conjuntiva e, pela primeira vez na medicina, a mácula de um olho para o outro.
- Elena recuperou a visão — mas a durabilidade das conexões neurológicas e a qualidade visual a longo prazo ainda estão por confirmar nos próximos meses.
Durante cinco anos, Elena viveu numa escuridão que a medicina considerava permanente — dois olhos destruídos por razões distintas, sem solução cirúrgica conhecida. Em Turim, uma equipa de cirurgiões decidiu reescrever esse veredicto, reconstruindo um olho funcional a partir dos fragmentos saudáveis que restavam dos dois, incluindo, pela primeira vez na história, um transplante da mácula. O que era impossível tornou-se possível, e com isso abre-se uma nova fronteira para todos os que vivem à margem da luz.
Elena tinha 67 anos quando um acidente de carro lhe apagou o mundo. O impacto destruiu o nervo ótico do olho esquerdo e arrasou a retina e a córnea do direito. Dois olhos perdidos por razões diferentes, mas com o mesmo resultado: cinco anos de cegueira total e um diagnóstico que a medicina considerava sem saída.
O problema era estrutural. Um transplante de córnea tradicional exige células estaminais saudáveis no olho receptor — e Elena não as tinha. Durante anos, este obstáculo foi tratado como intransponível.
Foi no hospital Molinette de Turim que a equipa do professor Michele Reibaldi decidiu tentar o que nunca tinha sido feito. A lógica era ousada: se o olho esquerdo já não funcionava, os seus tecidos saudáveis podiam reconstruir o direito. Em seis horas de cirurgia de precisão extrema, os médicos transferiram do olho esquerdo um bloco completo de tecidos — córnea, esclerótica, conjuntiva — e, pela primeira vez na história da medicina, a própria mácula, a região central da retina responsável pela visão detalhada.
O resultado foi uma reconstrução total: um olho funcional montado a partir dos fragmentos de dois olhos destruídos. Elena recuperou a visão. Mas a história está apenas no início — ninguém sabe ainda como a retina enxertada vai responder a longo prazo, nem se as ligações neurológicas se consolidarão por completo. Os próximos meses serão decisivos para perceber até onde esta fronteira pode ser empurrada.
Elena tinha 67 anos quando um acidente de carro lhe roubou a visão. Não foi uma perda gradual — foi completa, irreversível, e durou cinco anos. O impacto danificou o nervo ótico do olho esquerdo de forma tão grave que a luz não conseguia mais chegar ao cérebro. O olho direito, já fragilizado por uma doença da mácula, sofreu traumatismos que destruíram tanto a retina como a córnea. Os dois olhos, por razões diferentes, a condenavam à cegueira.
Os médicos enfrentavam um dilema clássico: um transplante de córnea tradicional exigiria células estaminais saudáveis na córnea do receptor, e Elena não as tinha. A destruição era total. Durante cinco anos, este obstáculo foi considerado intransponível — não havia solução cirúrgica que pudesse devolver a visão a alguém nesta situação.
Mas no hospital Molinette de Turim, o professor Michele Reibaldi e a sua equipa decidiram tentar algo que ninguém tinha feito antes. A ideia era simples em conceito, extraordinária em execução: se o olho esquerdo de Elena já não funcionava, porque não aproveitar os seus tecidos saudáveis para reconstruir o direito? Durante seis horas, os cirurgiões trabalharam com precisão extrema. Removeram do olho esquerdo um bloco anatómico completo — a córnea, a esclerótica, a conjuntiva, e pela primeira vez na história da medicina, a mácula, a parte central da retina responsável pela visão detalhada.
Tudo isto foi transferido para o olho direito. Não era um simples enxerto de córnea. Era uma reconstrução total de um olho funcional a partir dos restos de dois olhos destruídos. Os médicos conseguiram, essencialmente, montar um olho novo usando as peças que Elena ainda tinha.
Os primeiros resultados foram encorajadores. Elena recuperou a visão. Mas a história não termina aqui — está apenas no seu início. Ninguém sabe ainda como a retina enxertada vai funcionar a longo prazo, se as conexões neurológicas vão estabelecer-se completamente, se a qualidade da visão vai melhorar ou estabilizar. Os próximos meses serão decisivos. O que é certo é que uma mulher que tinha perdido completamente a capacidade de ver conseguiu recuperá-la através de uma cirurgia que, até semanas atrás, era considerada impossível.
Citas Notables
Estamos agora à espera de ver em que medida a retina enxertada será capaz de funcionar, mas os primeiros resultados são encorajadores— Professor Michele Reibaldi, diretor da clínica oftalmológica do hospital Molinette