Na República Democrática do Congo, a décima sétima epidemia de ébola tornou-se a maior da história do país, ultrapassando cinco mil casos e quase dois mil e quinhentos mortos — números que não são estatísticas abstratas, mas vidas interrompidas por um sistema de resposta que chegou ao seu limite. A Médicos Sem Fronteiras alerta que ataques a centros de tratamento, salários em atraso e protocolos ignorados estão a transformar cada fuga de um doente numa nova semente de contágio. É um momento em que a fragilidade das instituições e a urgência da solidariedade internacional se encontram numa encr
MSF alerta: epidemia de ébola na RD Congo "longe de estar contida"
Pacientes infecciosos fogem dos centros e criam novos focos de transmissão
O que torna esta epidemia diferente das anteriores no Congo?
O número de casos é simplesmente maior do que tudo o que viram antes. Mas não é só isso. É a combinação de tudo — falta de segurança, profissionais sem salários, pacientes que não confiam nos centros de tratamento e fogem. Cada um destes problemas agrava os outros.
Quando Kambale diz que as equipas atingiram o limite, o que é que isso significa na prática?
Significa que não conseguem responder a mais ninguém. Estão a trabalhar com o que têm, que é insuficiente. Quando um paciente chega, têm de o tratar. Quando um centro é atacado, perdem tudo. Não há margem para crescimento, para expansão, para chegar a áreas que ainda não estão cobertas.
Os ataques aos centros — quem está a atacar e porquê?
A fonte não especifica quem está por trás dos ataques. Mas o efeito é claro: pacientes infecciosos saem dos centros e vão para as comunidades. É talvez o pior cenário possível numa epidemia.
As autoridades dizem que não é falta de dinheiro. Acredita nisso?
Kambale não acredita. Ele vê o resultado: salários atrasados há meses, condições inadequadas, equipas no limite. As palavras das autoridades não mudam o que está a acontecer no terreno.
Se a comunidade internacional intervir, conseguem parar isto?
Talvez. Mas o tempo está a passar. Cada dia que passa, há mais casos, mais mortes, mais pessoas que fogem dos centros. A intervenção precisa de ser rápida e decisiva.
Il Polso
- A epidemia ultrapassou cinco mil casos e 2476 mortes, tornando-se a maior de sempre na RD Congo e continuando a crescer sem sinais de contenção.
- Ataques armados contra centros de tratamento forçam doentes com ébola a fugir para as comunidades, criando novos focos de transmissão em cadeia.
- Profissionais de saúde trabalham há meses sem receber salários, enquanto as autoridades congolesas prometem medidas corretivas que ainda não se refletem no terreno.
- Lacunas geográficas, de recursos e de segurança deixam zonas inteiras sem cobertura adequada da resposta à epidemia.
- A Médicos Sem Fronteiras apela com urgência à comunidade internacional, advertindo que a janela para travar o surto está a fechar-se rapidamente.
Na República Democrática do Congo, a décima sétima epidemia de ébola tornou-se a maior da história do país, ultrapassando cinco mil casos e quase dois mil e quinhentos mortos — números que não são estatísticas abstratas, mas vidas interrompidas por um sistema de resposta que chegou ao seu limite. A Médicos Sem Fronteiras alerta que ataques a centros de tratamento, salários em atraso e protocolos ignorados estão a transformar cada fuga de um doente numa nova semente de contágio. É um momento em que a fragilidade das instituições e a urgência da solidariedade internacional se encontram numa encruzilhada decisiva.
A República Democrática do Congo vive a pior epidemia de ébola da sua história. Mais de cinco mil casos confirmados e 2476 mortes registadas até meados de agosto definem uma crise que superou todos os surtos anteriores, incluindo o devastador episódio de 2018 a 2020. Os números continuam a subir.
Eddy Kambale, vice-coordenador de emergência da Médicos Sem Fronteiras, descreve equipas que já atingiram o limite da sua capacidade. Os protocolos de contenção não estão a ser cumpridos, os doentes chegam tarde e as condições nos centros de tratamento são inadequadas. Mas o problema mais grave é outro: ataques de segurança contra esses mesmos centros obrigam pacientes infetados a abandoná-los e a procurar refúgio nas comunidades vizinhas. Cada fuga representa um novo foco de transmissão, cada pessoa que sai sem estar curada é um vetor potencial para dezenas de novas infeções.
Os profissionais de saúde no terreno enfrentam meses de salários em atraso. As autoridades congolesas garantem que o problema não é falta de financiamento e que estão a tomar medidas corretivas — mas essas garantias não mudam a realidade vivida por médicos e enfermeiros que continuam a trabalhar sem receber.
Kambale é direto: sem mais recursos, sem segurança nos centros de tratamento e sem intervenção internacional, o vírus continuará a expandir-se. O apelo é urgente — agir agora, antes que a janela para travar esta epidemia se feche de vez.
A República Democrática do Congo enfrenta a maior epidemia de ébola da sua história. Os números falam por si: mais de cinco mil casos confirmados, dois mil quatrocentos e setenta e seis mortes registadas até meados de agosto. Não é uma cifra abstrata. São pessoas que chegaram tarde demais aos centros de tratamento, ou que nunca chegaram.
Eddy Kambale, vice-coordenador de emergência da Médicos Sem Fronteiras, descreve equipas no terreno que já atingiram o limite do que conseguem fazer. A organização trabalha numa situação que se deteriora por múltiplas razões simultâneas. Os protocolos de contenção não estão a ser seguidos. Os pacientes chegam com atrasos significativos. As condições nos centros de tratamento são, na melhor das hipóteses, inadequadas.
Mas há algo mais grave do que a falta de recursos ou de infraestrutura. Há ataques de segurança contra os próprios centros de tratamento. Quando isso acontece, pacientes que testaram positivo ou apresentam sintomas claros veem-se forçados a abandonar os locais onde poderiam ser isolados e tratados. Fogem para as comunidades circundantes à procura de refúgio. Cada fuga é um novo foco de transmissão. Cada pessoa que sai de um centro de tratamento sem estar curada é um vetor potencial para dezenas de outras infecções.
Os profissionais de saúde que trabalham nestes centros enfrentam condições que vão além do difícil. Os seus salários estão atrasados há muitos meses. As autoridades congolesas afirmam que estes atrasos não se devem a falta de financiamento e que estão a implementar medidas corretivas. Mas, como Kambale observa, essas garantias não alteram a realidade no terreno. Médicos e enfermeiros continuam a trabalhar sem receber, enquanto tentam conter um vírus que se propaga cada vez mais.
A 17ª epidemia de ébola no Congo ultrapassou, no final de julho, o recorde anterior. O surto mais grave antes deste ocorreu entre 2018 e 2020. Esse matou menos pessoas. Este já superou esse número e continua a crescer. Nem todas as áreas afectadas estão a ser totalmente cobertas pelos esforços de resposta. Há lacunas geográficas, lacunas de recursos, lacunas de segurança.
Kambale é claro sobre o que isto significa: a epidemia está longe de estar contida. Sem mais recursos, sem intervenção da comunidade internacional, sem segurança nos centros de tratamento, sem salários para os profissionais de saúde, o vírus pode continuar a expandir-se. A janela para travar isto está aberta, mas está a fechar-se. O apelo é direto: é preciso agir agora, ou o número de mortos continuará a subir.
Citazioni salienti
Estamos longe, no momento, de conter a epidemia e pode continuar-se a expandir— Eddy Kambale, vice-coordenador de emergência da Médicos Sem Fronteiras
Pacientes que testaram positivo veem-se forçados a fugir dos centros de tratamento e a procurar refúgio na comunidade, criando novos focos de transmissão— Eddy Kambale